quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Idade do Ouro




ISABEL ANTECIPOU EM PORTUGAL A IDADE DO OURO



Com Isabel de Aragão, mulher do rei D. Dinis, passo a uma nova etapa desta conversa. Hesitei entre conversa e monólogo, mas trata-se de uma conversa, porque vou sentindo as vossas reacções, nomeadamente pelo interesse demonstrado por determinadas mensagens.

Já vos falei da rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques e de Santa Clara, duas figuras femininas que, por diferentes razões, foram determinantes na estruturação da alma do Povo Português, ou seja da alma de Portugal. Hoje vou falar-vos da rainha Santa Isabel, a rainha que antecipou, no concreto, em plena Idade Média, aspectos da Idade do Ouro.

Ao casar com o rei D. Dinis, Isabel de Aragão trouxe para Portugal todo um imaginário que ultrapassa a doutrina católica, com a teoria das três Idades do Mundo (a Idade do Pai, a Idade do Filho e a Idade do Espirito Santo), que vinha anunciar à humanidade a próxima etapa, a idade Espírito Santo. Os aspectos relevantes dessa Nova Idade incluíam a coroação do Menino Imperador; a distribuição de comida gratuita; e a abertura das portas das prisões. Calculem, um programa de vida em sociedade, que ainda hoje seria considerado subversivo!

O Povo Português aderiu desde logo ao culto do Espírito Santo e o local emblemático tornar-se-ia então Alenquer, mas ainda recentemente havia festas ligadas a esse culto em Sintra e em Monsanto. Foi nos Açores que o culto do Espírito Santo se arreigou mais profundamente, sendo ainda hoje praticado nas nove ilhas. Será ainda praticado também no Brasil e nos Estados Unidos da América.

Esta é a herança que Isabel nos legou e que sobreviveu ao tempo e às convulsões sociais: a esperança num mundo mais justo, com uma mais equitativa distribuição da riqueza. Uma herança que sobrevive há mais de seis séculos e que vai encontrar um novo enquadramento social no tempo novo que está a chegar, com o planeta Terra em trabalho de parto.

Que há algo de diferente no horizonte, isso ninguém pode negar. Há um fosso mais fundo entre países ricos e países pobres e uma indecisão que está a aprofundar-se entre uns e outros, como se fosse possível seguir cada um o seu caminho sem que todos sejam afectados. O espectáculo dos recuos e avanços, da indecisão, é o sinal positivo da percepção que se está a tornar, cada vez mais nítida, de que a Terra é una e que a crise de uns vai afectar (está a afectar) todos os outros. Se não houvesse a dor das pessoas, de repente apanhadas na convulsão, com as regras do jogo sempre a mudar, teoricamente até seria um drama interessante: Mas há a insegurança, a dor, a aflição e a fome a aumentar até entre grupos sociais que pareciam imunes à crise. Tudo isto está a tornar-se numa grande aflição, com riscos previsíveis a aumentar no horizonte. «O Povo é sereno», segundo a frase que ficou célebre dos tempos da Revolução. É sereno, mas não se pode nunca puxar demasiado a corda porque pode partir. É isso que se tem feito e o risco de algo se quebrar na estrutura social é cada vez mais previsível. As pessoas estão zangadas e a consumir mais álcool, o que é visível sobretudo nas terras pequenas. Os assaltos aumentam e no silêncio da cidade à noite ouvem-se cada vez com mais frequência ruídos estranhos e o que é ainda mais estranho é que ninguém levanta as persianas para ver o que se passa. Isto tem um nome, chama-se medo. Um medo que tem que ser ouvido por quem de direito, antes que seja tarde.


                                                                                        _____

                            
A DOÇURA DE ISABEL





Entre o mundo ideal que nos é prometido pela sucessão das eras e a realidade concreta há um enorme fosso. Estamos numa esquina da história e não sabemos o que vai acontecer. Tudo é possível. Um empobrecimento acelerado dos países mais pobres, com um fosso cada vez maior em relação aos países ricos ou a busca do equilíbrio. Vamos acreditar hoje no estabelecimento do equilíbrio. Na vitória da doçura de Isabel. A minha escolha de hoje é a da felicidade. E, dos vários trabalhos que tenho sobre Isabel, vou mostrar o seu lado radioso, quando nela era tudo amor a espalhar à sua volta.

 Dos múltiplos rostos de Isabel, desenhados a tinta-da-china, escolhi hoje o que melhor representa a sua doçura. É o desenho que expus no meu lugar preferido. Segundo esse desenho, ela era bonita, muito bonita, mas levemente estrábica do olho esquerdo. Simplesmente, não sei se isso traduz um facto real ou pretende simplesmente dar a profundidade, a leitura do interior da alma ou do infinito que esse olhar parece poder desvendar. Ao mesmo tempo é um olhar vivo, impregnado de uma extrema doçura. É isto que sinto, isto que me liga especialmente a este desenho.

Estou enamorada deste quadro. Isabel fala comigo através dos seus olhos. Sinto esse olhar no meio do peito, como se me pudesse transportar à concretização plena da Idade do Espírito Santo, que Isabel veio anunciar. Melhor, como se esse olhar me pudesse situar no melhor da Idade do Espírito Santo, que Isabel pretendeu antecipar. Uma Idade em que já entramos e que é sobretudo conhecida pelo nome de Idade do Ouro. Ou seja, o tempo do regresso ao feminino. Do regresso à Mãe e à partilha solidária. Ao Menino Imperador e à comida gratuita. Uma recriação da Idade da Inocência. Como se dará esse milagre?

Não tenho dúvidas de que o Planeta não aguenta mais esta desenfreada exploração e espoliação de recursos. Não tenho dúvidas de que estamos naquela esquina da história que permite grandes transformações. Até a transformação do próprio Homem. Não tenho dúvidas de que a Mulher vai ter um papel decisivo na mudança da sociedade. Uma mudança que vai ser exigida pela própria natureza. O recente apagão da electricidade na Índia foi uma amostra das mudanças que o Planeta vai exigir à Humanidade. De repente, sem electricidade, como vamos organizar a Vida? De que nos vão servir os computadores e esta alta sofisticação de Vida? Se cada um de nós tiver de se abastecer de água nos rios, em que estado fica a nossa organização social?

Lembro-me de o Prof. Agostinho da Silva ter afirmado publicamente, há cerca de 20 anos que, num futuro próximo, não ia haver empregos e de que os jovens iam passar os dias encostados às paredes: Um jornalista conhecido, então director ou director-adjunto de um semanário, escreveu um cometário em que classificava o Professor de falso profeta. Menos de vinte anos depois a profecia cumpriu-se, o desemprego instalou-se e não só em Portugal, mas no mundo. Terá esse jornalista a percepção do mal que então fez a esse homem que tinha a coragem e a ingenuidade de dizer aquilo que via e que sabia? Porque é preciso ser ingénuo, isto é, de coração puro, para uma pessoa consciente dizer determinadas verdades. 

 Recordo este episódio para lembrar que o que se está a passar no mundo do trabalho era previsível há 20 anos e nem era preciso ter qualidades de profeta para o prever, mas realismo -- coisa que faltou ao grande capital, sempre ávido de mais e afinal não muito inteligente --, aos Governos, que andam a reboque de quem tem o dinheiro e, ao fim e ao cabo, à sociedade em geral.

O Planeta entrou numa espécie de desregulação, que é sempre o princípio da estruturação de uma Nova Ordem. Como é que tudo vai evoluir? Infelizmente, o ser humano contínua ávido do Ter e a riqueza mantem-se nas mãos de um reduzido número de pessoas. A certa altura a situação pode tornar-se explosiva. Ninguém vê os sinais de tempestade no horizonte? Que uma nova ordem económica vai ter que eclodir não só em Portugal, mas no mundo? E que seria bom para todos que isso pudesse acontecer sem grandes convulsões?!

Isabel que veio do passado mostrar-se para eu a desenhar, pintar e esculpir é para mim a mensagem de esperança de que tudo vai correr pelo melhor e a humanidade saberá escolher o caminho certo para a sua evolução.


                                                                                        _____

         
O MILAGRE DA PARTILHA





Vejam a rainha, de costas, segurando o seu rei, os seus filhos e o seu povo no regaço e no seu manto. Ela arrasta todos consigo, conseguindo o milagre da partilha simbólica nas Festas do Divino Espírito Santo, o feminino da Divindade. E transforma o pão em rosas. E rosas em pão. Com ela tudo é possível.

Vejam como caminha, hierática e só para esse Paraíso em que pretende transformar a Terra. 

Venham. Vamos segui-la. Vamos aprender o milagre da partilha.

Assim seja.

Ámen. 







-------

PS: Para a semana não publicarei nada no blog. Portanto, até princípios de Setembro. Boas férias.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Capa e a Espada



A CAPA E A ESPADA NO CAMINHO ESPIRITUAL


Quando uma pessoa se abre para a vida espiritual ganha uma vulnerabilidade que não tinha antes. Uma vulnerabilidade física e psíquica. Só a impecabilidade lhe permite passar incólume pelas forças contraditórias e algumas destrutivas que a vão pôr à prova. No final, quando o iniciado aprendeu a impecabilidade, dá tudo certo e aquilo que a poderia destruir acaba por lhe dar mais força, segurança e proximidade ao divino. Quer dizer: todas as forças em jogo, construtivas ou destrutivas, trabalham para temperar a alma e o carácter da pessoa. É neste patamar que surgem, por ordem, a capa e a espada.

Eu não sabia nada disto. Leitora compulsiva, não encontrei qualquer informação sobre estas questões. Será proibido revelá-las? Depois de me pôr a questão, parei, recolhi-me e fiz a pergunta ao meu coração. O coração espiritual do meio do peito que responde às perguntas pelo ardor do fogo ou pelo silêncio ou turvação. Esta consulta aprendi-a no site «Autres Dimensions». O grande calor do meu peito e das minhas costas permite-me continuar.

Um dia, ao acordar, no tecto do meu quarto havia uma capa cor de açafrão, dentro de um círculo. Foi uma visão rápida. Dias mais tarde, contei o episódio a um amigo, que me respondeu: «A capa é sua. Use-a:» Disse-me só isto. Acho que foi o bastante para me elucidar, pelo menos não me lembro de lhe ter pedido mais explicações. Usei a capa durante muito tempo, acho que até ganhar confiança no novo ser em que me estava a tornar. Depois descurei o seu uso.

Anos depois, quis dar uma explicação à distância a uma pessoa, como quem reza. Não pus a capa, não me lembrei sequer, nem pensei ser necessário. Estava de pé, em posição de oração, quando dois seres que não vi, mas senti, puseram nos meus ombros uma outra capa, de veludo cor-de-rosa, até aos pés, lindíssima.

Depois da minha recente queda percebi que tinha de voltar a usar uma das capas, pois talvez este blog me tenha tornado vulnerável. E, o que não foi dito então e me parece altura de esclarecer, é que os mestres da Escola do Sonho são seres humanos como nós, com certas capacidades mediúnicas que, numa atitude de serviço, muito louvável, se dispõem a prestar ensinamentos, nos períodos do sonho, quando os espíritos vagueiam pelo astral. É uma tarefa meritória, com os riscos inerentes à evolução do “mestre” que ensina e que pode não ter ultrapassado ainda as humanas reacções temperamentais. É por isso que peço desculpa à pessoa que se dispôs ensinar-me e que tratei talvez de forma irreverente.

É claro que o nível dos mestres depende da evolução do discípulo, e eu espero ter aprendido alguma coisa nos últimos 20 anos. Até em humildade e despreendimento, tendo adquirido uma ideia de serviço, que não espera reconhecimento nem gratidão. Pessoalmente, estou grata a todos os que me proporcionaram situações, por vezes difíceis, em que pude reconhecer-me e escolher o meu caminho. Pessoalmente, considero que o mais elevado dom concedido ao ser humano é o da liberdade, porque só em liberdade se pode verdadeiramente Amar.


                                                                                        _____   




UMA ESPADA DE ESMERALDA


Depois da capa foi-me dada uma espada. Foi uma vivência de tal forma extraordinária que, ainda hoje, quando a recordo, se faz um silêncio fundo no meio do meu peito. Como é que isso me pôde acontecer? Como é que na minha ignorância lidei com a situação, sem medo, numa entrega total, acontecesse o que acontecesse?

Eu estava de férias, sozinha, na casa de uma amiga, perto de Sesimbra. Um dos meus filhos tinha lá passado uns dias com a namorada, mas já tinham regressado a Lisboa.

A casa tinha um jardim tratado com grande cuidado pela minha amiga. Era lá que eu passava a maior parte do tempo, a ler e a pintar, debaixo de uma árvore. Ao fim da tarde ia para o terraço, de onde se vê a serra da Arrábida. A energia do local é muito forte. Talvez por isso eu me sentisse melhor no jardim ou no terraço do que dentro de casa. Mas dormia bem lá.

Foi depois do meu filho ter regressado a Lisboa que o inesperado me aconteceu. Tinha-me deitado e, como sempre, fiquei em meditação. Então, o topo da minha cabeça como que se abriu e uma coluna de energia começou a sair num fluxo muito forte. Admiti então que me fosse esvair em energia como outros se esvaem em sangue, mas mantive-me calma, sem sobressalto.

É impossível saber quanto tempo isso durou. Tanto quanto recordo foi muito tempo, mas é possível que esteja a exagerar. Foi o tempo suficiente para eu saber que estava a dar algo de mim ao Infinito. Ou será que eu estava a receber? Não sei. Depois desse muito tempo de que não sei a duração, eu, deitada, sem medo, disposta a aceitar o que tivesse de acontecer, vi descer uma espada verde-esmeralda, que ficou suspensa no ar durante algum tempo, o tempo suficiente para eu a admirar. Reparei então que a espada não tinha copa. Tinha o punho e seguia logo a espada de dois gumes. E era de esmeralda. Depois a espada começou a deslizar e ficou na horizontal, suspensa no ar.

Não sei de onde vinha a luz. O quarto estava às escuras, mas via-se tudo. A própria espada teria luz? Não sei. Então, estando a espada deitada, começaram a descer estrelas sobre a espada. Estrelas de várias cores. Brancas, azuis, rosa, não sei…

 As estrelas desciam sobre o punho e seguiam uma a uma ao longo da espada, um pouco afastadas. Chegadas ao meio pareciam entrar na espada e apareciam no outro gume e prosseguiam de novo um pouco afastadas até à ponta. E as estrelas giraram à volta da espada, formando o oito, no que me pareceu ser a dança do Infinito. E era lindo de ver. Tudo era luz e dança e infinito. Depois terminou. Soube então que aquela era a minha espada! A minha guardiã de luz.

Permitam-me que não diga mais sobre isto.


                                                                                        _____
                     


A ESPADA DE PAU


Mais tarde conheci um cientista a quem fora dada uma espada de pau. Fiquei muito espantada, mas não disse nada. Procurei o amigo que tem um profundo conhecimento destas coisas e perguntei-lhe porque fora dada aquele senhor uma espada de pau. O meu amigo explicou-me então que, no caminho espiritual, a espada de pau é dada para que a pessoa aprenda a utilizá-la sem se magoar nem magoar ninguém. O que me pareceu lógico.

Agora, uma revelação, que pode parecer chocante. Entre os muitos desenhos e pinturas que fiz há 20 anos ou mais, guardo uma pintura da rainha Santa Isabel em que, encostado ao longo vestido, tem algo que sempre me pareceu um tanto despropositado até há bem pouco não soube interpretar. Julguei que se tratava de algum adorno do vestido, que eu não soubera concretizar. Recentemente, fazendo um balanço das coisas aprendidas, percebi finalmente que, sobre o vestido da rainha, o que lá está é uma espada de pau. E isto foi para mim uma grande surpresa. E surgiu-me a ideia de que, para lá da santidade, há outros graus a atingir na evolução espiritual. Mas disto não tenho a certeza.



----


 PS: Tenho muito gosto em estar de volta. Oxalá que o Céu me inspire e me ajude a recuperar a informação recebida. E que ela possa proporcionar o encontro de cada um/a com a sua própria mensagem. Cada um de nós tem algo de único a transmitir. Não há caminho certo a indicar. Basta ser autêntico/a. O resto chega no tempo certo. 

Passam poucos segundos após a meia-noite, do dia 15 de Agosto. Dia da Ascensão da Virgem, na liturgia cristã. Um dia emblemático. Acho que o tema escolhido é apropriado ao dia que começa...