A BAILARINA
DE CABELOS AO VENTO
Não sei os nomes. Desconheço quem foram e em que época
viveram. Sei só que vieram até mim ou, mais concretamente, até à expressão do
fluxo criador que, a certa altura, me toma, mas assim como surgiram
despareceram, parece que para sempre. Não lhes sei os nomes, mas sei que
existiram num passado longínquo. Elas são as únicas três personagens que, num
único quadro, me deram uma panorâmica da sua vida. Por isso as associo nesta
mensagem de hoje, como as personagens que de uma só vez me resumiram as suas
vidas.
A primeira a surgir, andava eu ainda pelos lápis de cera
de óleo, foi uma bailarina. Isso eu sei que foi. Ou isso eu sei que fui, embora
nesta vida nunca tenha aprendido verdadeiramente a dançar. Também sei que essa
que surge no desenho dançava nua com uma serpente nos ombros, que se esconde
agora no azul do fundo do quadro. Creio que era uma dança ritual. Ainda nesse
azul do fundo do quadro vi, nesse primeiro tempo, a multidão de homens que
assistiram a essa dança, a esse voo do corpo, que hoje me parece irreal. Lembro-me
que até aos dez anos dancei frente ao espelho do guarda-fatos, às escondidas de
todos. Depois dessa data não voltei a repetir essa dança. Mas sim, voltei a
dançar, muito mais tarde, de olhos fechados, sozinha, quando a energia começou
a dançar em mim, sabendo que essa dança facilitava o percurso da energia… Ou
estaria a inventar? Como é misteriosa a vida e como somos todos levados a
ignorá-la e a só viver a face exterior!
É uma obra muito imperfeita a desta bailarina, mas a mim
isso não importa, mas o significado, a força que me levou a desenhar, ainda que
o não soubesse fazer, a desenhar vida que continua a pairar na fluidez do tempo
e, quem sabe se não voltará ainda de novo a visitar-me?! E, afinal, que é a
vida se não esta dança que dançamos diariamente? Que dançamos com e sem ritmo,
mas que com ela traçamos um percurso singular, que é o nosso, que foi o nosso
em qualquer curvatura do tempo. Estivemos lá e estamos cá, esse é o grande
mistério. Mistério que, ao tomar consciência disso, o ser anseia aprofundar,
ainda que cada lampejo de vida acabe por ser só um flash, que continua gravado
na espiral do Tempo.
Pronto, é muito pouco o que guardo em mim desta bailarina,
tão mal desenhada e pintada, mas que, mesmo assim, exprime toda a sua vida,
desde criança à velhice, rodopiando nesse volteio que acaba afinal por ser o de
todas as Vidas.
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UMA LONGA E SERENA VIDA?
A segunda personagem, de que dou um leque mais vasto da
sua longa vida, acaba por me ser tão desconhecida quanto a primeira e ainda
menos próxima. Que sei dela? Que foi obviamente amada e isso é muito importante
para todos os seres humanos, mas muito especialmente para as mulheres. Tem a
seu lado um homem forte, talvez um guerreiro e, numa outra imagem, um homem
ligado ao Poder.
O que me faz dizer que ela teve uma boa vida, serena e
profunda, é o ar doce do seu sorriso e dos seus olhos, quando já é uma mulher
de meia idade. Olhando este quadro eu diria que foi uma vida conseguida, uma
vida cheia de anos e de luz.
Claro que tudo isto não passa de especulações, mas cada
um/a de vós pode reiventar a vida desta mulher, em outra época e outra forma de
viver. Por mim, continuo a achar que soube aproveitar das lições da vida e crescer
interiormente com o que me foi dado viver. E que é aliás, o que é pedido a cada
um de nós
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PORVENTURA UMA GRANDE SENHORA,
MAS…
A terceira e última mulher de que pintei num mesmo quadro
os aspectos mais importantes da sua vida não me parece ter sido verdadeiramente
feliz. E sim, considero a felicidade um elemento importante para definir a vida
de uma pessoa. Porque a felicidade de cada um é uma condição interior, muito
mais do que o resultado do que rodeia a pessoa, da forma e do ambiente onde
vive, de quem a ama e de quem ela ama. A felicidade é um estado interior, uma
harmonia a que se chega para lá do que se é e de quem nos rodeia, para lá da
situação em que vivemos e da própria situação do País. A felicidade é algo que
verdadeiramente só se atinge no silêncio do coração.
Um dia, uma pessoa
com quem tinha uma relação não diria de amizade profunda, mas de camaradagem, confessou-me
sentir-se culpado por, num mundo cheio de sofrimento, se sentir feliz.
A minha reacção de então seria igual à de hoje. Não, ela
não devia preocupar-se por, num mundo em sofrimento, se sentir feliz. Pelo
contrário, o Planeta Terra precisa da felicidade das pessoas para poder evoluir
harmoniosamente. A dádiva maior que podemos, aliás, oferecer-lhe é a da nossa
felicidade, versus nosso amor. É essa felicidade que voltará a desvelar o
Paraíso que é o nosso Planeta.
É nosso privilégio o de sermos felizes e de poder descobrir
felicidade até nas situações mais difíceis. Aliás, as dificuldades são sempre a
condição para podermos dar mais um passo em frente! Para podermos descobrir a
nossa verdadeira dimensão. E isso só pode ser feito passo a passo ou
correríamos o risco de sermos inundados de luz e então talvez já não
conseguíssemos manter-nos aqui, talvez quiséssemos simplesmente voltar à
origem…
Todos nós somos e irradiámos energia. Ora, é essa energia
que influi na dinâmica do Planeta e das sociedades. O que temos à nossa volta
foi aquilo que nós criamos. Os Passos e os Gaspar são nossas criações. Símbolos
da nossa menoridade. Só existem e têm os lugares que ocupam porque os criamos
com os nossos erros e a nossa incapacidade de previsão. Porque fomos marionetas
dos interesses que nos manipularam e nós deixamo-nos manipular, sem parar para
reflectir nos riscos que corríamos. Eles são a imagem da nossa irreflexão e
porque criámos condições para que surgissem. São a manifestação da parte
irresponsável e imatura da maior parte de nós. Seres que dançam ao ritmo dos
interesses dos mercados e do grande capital, seres em quem fazem despertar
necessidades e através delas os manipulam e escravizam. É só um jogo, mas é
preciso reconhecê-lo e saber evitá-lo. Sem eficácia, ele acaba automaticamente
por se destruir…
As crianças têm de respirar alegria para crescerem
harmoniosamente e se tornarem boas pessoas. Crianças infelizes fazem homens e
mulheres revoltados que, por sua vez, farão sociedades e países conflituosos e
dominadores. Em resumo: é nossa
obrigação transformar situações problemáticas em alavanca para a construção de
uma sociedade melhor.
Não, e para terminar, não creio que esta senhora tenha
sido feliz. Em jovem olhava à sua volta com um olhar de superioridade e talvez
de desdém. Talvez por isso lhe tenha pintado os olhos desnivelados. E, ao lado,
já mais idosa, o seu olhar está cheio de nostalgia e, ao mesmo tempo, com uma
expressão de defesa. Aliás, cada um de nós torna-se naquilo que viveu…
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MILIONÁRIOS DÃO METADE DAS SUAS
FORTUNAS
Depois de Bill Gates, mais 50 milionários americanos passaram
a disponibilizar metade das suas fortunas para ajudar outros seres humanos.
Reparem, a sociedade está a mudar. O SER HUMANO está a
aprender. Uma nova forma de viver está em gestação.
O Paraíso vai
voltar a estar ao alcance dos Homens. A
felicidade também.
Voltaremos a este
assunto na próxima semana.