Os Governos Passam e o Povo Fica
É uma verdade
indesmentível. Os Governos passam e o Povo, os Povos sobrevivem, melhor ou
pior, segundo as necessidades de aprendizagem que lhes são próprias. Querer
ignorar isto é ser apanhado/a na ratoeira das próprias ilusões. A Humanidade
prossegue no ritmo que lhe é próprio e que é, em primeiro lugar, o do seu
aperfeiçoamento. Sempre marcado por avanços e retrocessos. Avanços lentos,
demasiado lentos. Retrocessos, de que há prenúncios e anúncios, mas que surgem
sempre também eles inesperadamente. Pelo menos na aparência. Quem sabe se para
dar maior consistência ao caminho percorrido.
Há quem viva do
passado. Há quem viva esperançosamente no futuro. E há quem se deixe impregnar
do presente, como a única coisa que realmente existe e persiste. Sempre o Presente.
O ontem já passou. O amanhã é incerto. A Terra Prometida dos Sonhadores é,
porém, sempre projectada no futuro, quando o hoje é a única coisa que
verdadeiramente existe para cada um de nós. É no hoje que construímos o amanhã.
Não propriamente os amanhãs que cantam, mas os amanhã que melhor correspondam
aos sonhos que mais nos realizam.
Tenho estado em
silêncio como espectadora de uma realidade que de forma alguma me satisfazia.
Volto a escrever no momento em que um «terramoto» destrói a imagem do até há
pouco todo poderoso Ricardo Salgado. Um «império económico» está a ruir a uma
velocidade que não se previa. Ricardo Salgado, por tanto tempo o homem forte do
Banco Espírito Santo (logo este nome!), foi apanhado nas teias da justiça. E
tudo se desfaz: o bom nome, as contas bancárias escondidas nos off shores, a
liberdade ameaçada. Subir tão alto e tão arrogantemente para se esfarelar numa
curva do caminho, perdendo o bom nome e, porventura, a fortuna acumulada… Pelo
menos aquela que não está escondida sabe-se lá onde …
De repente,
parece que se abriu uma brecha e que a atmosfera em Portugal vai entrar num
período de purificação. O silêncio é, muitas vezes, a melhor forma de oração.
Esperemos que um silêncio fundo penetre e incomode os corações de todos os
«salgados», indiferentes ao sofrimento dos portugueses que perderam os seus
empregos, as suas casas e os seus bens nos últimos três anos, enquanto um dos
homens fortes da Banca enriquecia e era poupado pela troika, que «atacou» os
pequenos, sem ver a «montanha» ignomiosa que se erguia à sua frente. E com isto
perdeu a pouca credibilidade que tinha entre o Povo.
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O CORPO É SAGRADO
Quero lembrar
aqui, depois deste período de silêncio, que o corpo humano é sagrado. É por ele
que podemos chegar ao Divino, mas também à mais profunda degradação. Tudo
depende do «uso» que lhe damos, interior e exteriormente.
No corpo existe
todo o conhecimento. Ele é o grande mestre do Ser Humano, mas é preciso que
cada um de nós o respeite como expressão do divino. E que aprendamos a sua
linguagem, os segredos que tem para nos contar.
Não aconselho a
repressão, mas a atenção. Atenção á sua linguagem. Há que despertar a mente,
toda a gente sabe, mas há também que despertar o corpo, para que ele percorra o
caminho que conduz o Ser Humano ao Infinito.
Cabe a
cada um de nós descobrir esse caminho e ser parte consciente do Cosmos.
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É PRECISO DESCRUCIFICAR O HOMEM
Aos vinte anos,
no primeiro ano em que trabalhei, escrevi uma crónica a que dei como título «É
preciso descrucificar o Homem».
Não sei o que
escrevi, nunca fui colecionadora dos meus escritos, mas lembro-me desse título
«É Preciso Descrucificar o Homem», porque a necessidade de descrucificar o
Homem é ainda hoje, em todas as circunstâncias, a força mais importante que me
move.
