quarta-feira, 12 de março de 2014

Implodimos Antes de Explodir


A RESPONSABILIDADE DOS GOVERNANTES

Foto de Tiago Machado do jornal Público


Aconteceu a segunda manifestação dos polícias. Desta vez ficaram-se pelos primeiros degraus da Assembleia da República. O seu protesto foi veemente, agora com cerca de 18 ou 20 mil participantes à paisana. Desta vez, esforçaram-se por não ultrapassar as regras, embora se vissem núcleos mais aguerridos, que desejariam ir um pouco mais longe. Quase se pode dizer que correu tudo dentro das regras e que a vida continua. Igual? O seu protesto foi ouvido, as reivindicações vão ser contempladas? A população espera para ver, preparando-se globalmente para a próxima manifestação. Para mim, a manifestação autêntica, a que produzirá realmente efeitos visíveis, será a das próximas eleições. Claro que desejo que o Povo vote em massa, manifestando concretamente o seu descontentamento. Ou seja, diminuindo a participação do PSD no fórum Europeu. Só assim o PSD compreenderá que não pode governar contra o Povo. Entretanto, está a vender tudo o que de melhor tem Portugal. E será que não poderemos fazer nada contra esta razia? Estão a vender as «jóias da coroa». Quando se forem embora não restará nada. Não haverá forma de os responsabilizar? Espero bem que venham a ter de dar contas em Tribunal pelas suas decisões. 


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O SILÊNCIO NEM SEMPRE É BOM MENSAGEIRO


A população em geral parece estranhamente sossegada e contida. Significa isso que foi vencida? Que aceitou ser empobrecida sem protestar? Que, de ânimo leve, aceita ver partir a geração mais qualificada que Portugal alguma vez teve? Uma geração que pode não regressar! Lembramos aqui uma frase de Martin Shultz: «Salvamos os bancos, mas podemos perder uma geração». Uma frase que parece ter sido dita a pensar nos portugueses e em Portugal.

Só pode haver um consolo: o de que esses jovens foram obrigados a espalhar-se pelo mundo para transmitir a alma de Portugal, o que de diferente e profundo existe em nós. A simpatia humana e afectiva que nos distingue e que porventura vai dar um outro tónus aos hospitais ingleses, por exemplo. Ou a nossa capacidade criativa que nos leva, com poucos meios, a encontrar soluções criativas para problemas complicados. Nós temos o que se pode chamar a capacidade de «desenrascanço», que nos permite viver muito melhor do que aparentemente nos permitiriam as nossas possibilidades. E isso é uma característica generalizada. Viveremos sempre melhor do que querem os nossos credores, porque temos imaginação, solidariedade e do pouco sabemos fazer muito. E, como somos leais, não soubemos antecipar que, numa fase, nos empurram para os gastos excessivos, porque é isso que convém aos mercados, para depois nos pedirem contas pelo mais que gastamos e nos queiram então empurrar para a penúria e para a emigração, que é a forma de poderem acolher mão-de-obra barata e muito qualificada, de que não tiveram de subsidiar a formação. Não sejamos ingénuos! Os que movem os cordelinhos da alta finança são tudo menos ingénuos e podem planear crises para num futuro próximo obter maiores dividendos. Foi essa a crise que a Europa criou. A crise de que a alta finança vai sair altamente beneficiada. Os vampiros, como cantou o Zeca Afonso!

Perceber como a alta finança mexe os cordelinhos não nos tem bastado para antecipar as jogadas, mas ajuda para fomentar a nossa revolta. Os portugueses recolheram-se e calaram-se para sentir o Inverno do Seu Descontentamento. Mas a Primavera está à porta e, com ela, a energia da revolta. Será que as novas manifestações terão cem mil pessoas na rua a gritar o seu Descontentamento? Não é isto o que o horizonte prenuncia? Não é isto o que a revolta vivida no silêncio está prestes a fazer explodir?

Sem nenhuma demagogia há que perguntar: quem vai continuar a alimentar esse milhão de desempregados sem trabalho nem subsídio? Isto não preocupa os governantes?

É tão estranho, mas são sempre os pobres que pagam as crises. Podem explicar-me porquê? Será porque o Poder está ao serviço dos ricos? Quem é que sabe a resposta?!...

Implodimos sempre antes de explodir…


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A DESCIDA DA GRANDE MÃE


Quem olhar o planeta globalmente percebe que, de uma forma ou de outra, os países e os mercados entraram num período de desregulação. O grande capital tem a sua própria lógica, que não tem nada a ver com o interesse das pessoas. E a sua lógica é pôr o dinheiro a fazer dinheiro, sem contemplações. Talvez tenha sido sempre assim, mas parece que o Grande Capital foi apanhado na sua própria armadilha e já não haja nada seguro, nem para ele, e que tudo de repente pode ser apanhado num sorvedouro causado por uma guerra ou, simplesmente, por mudança bruscas e definitivas do clima, Nova Iorque sempre coberta de neve, Londres, sob tempestades permanentes.

Ninguém sabe ao certo como o clima vai evoluir, mas ao que parece ele vai ser o factor determinante da mudança, quer do ser humano, quer das sociedades do futuro próximo.

É inevitável que haja em breve mudanças radicais no Planeta. Já se fizeram sentir durante o Inverno que acaba. Talvez nos espere agora um Verão demasiado quente. Como o ser humano não quer mudar, a Natureza vai obriga-lo a essa mudança. A uma adaptação a novas condições, que poderão ser mais radicais e próximas do que o previsto.

Os ciclos sucedem-se. Voltamos de novo ao Tempo da Grande Mãe, à era em que a humanidade vai reencontrar a divindade em si. Não é amanhã. Está a ser. Agora. Vamos ser todos profundamente sacudidos e perceber quão frágil é o modelo em que vivemos, aquilo que somos humanamente e o que projectamos no futuro.

Vamos aprender a humildade e a beleza de viver no Agora, porque só o Agora existe. E vamos de novo reaprender uma nova forma de Ser e estar no Tempo da Grande Mãe.



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