A RESPONSABILIDADE DOS GOVERNANTES
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| Foto de Tiago Machado do jornal Público |
Aconteceu a segunda manifestação dos polícias. Desta vez ficaram-se pelos primeiros degraus da
Assembleia da República. O seu protesto foi veemente, agora com cerca de 18 ou
20 mil participantes à paisana. Desta vez, esforçaram-se por não ultrapassar as
regras, embora se vissem núcleos mais aguerridos, que desejariam ir um pouco
mais longe. Quase se pode dizer que correu tudo dentro das regras e que a vida
continua. Igual? O seu protesto foi ouvido, as reivindicações vão ser
contempladas? A população espera para ver, preparando-se globalmente para a
próxima manifestação. Para mim, a manifestação autêntica, a que produzirá
realmente efeitos visíveis, será a das próximas eleições. Claro que desejo que
o Povo vote em massa, manifestando concretamente o seu descontentamento. Ou
seja, diminuindo a participação do PSD no fórum Europeu. Só assim o PSD
compreenderá que não pode governar contra o Povo. Entretanto, está a vender
tudo o que de melhor tem Portugal. E será que não poderemos fazer nada contra
esta razia? Estão a vender as «jóias da coroa». Quando se forem embora não
restará nada. Não haverá forma de os responsabilizar? Espero bem que venham a
ter de dar contas em Tribunal pelas suas decisões.
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O
SILÊNCIO NEM SEMPRE É BOM MENSAGEIRO
A população em geral parece estranhamente sossegada e
contida. Significa isso que foi vencida? Que aceitou ser empobrecida sem
protestar? Que, de ânimo leve, aceita ver partir a geração mais qualificada que
Portugal alguma vez teve? Uma geração que pode não regressar! Lembramos aqui
uma frase de Martin Shultz: «Salvamos os bancos, mas podemos perder uma
geração». Uma frase que parece ter sido dita a pensar nos portugueses e em
Portugal.
Só pode haver um consolo: o de que esses jovens foram obrigados
a espalhar-se pelo mundo para transmitir a alma de Portugal, o que de diferente
e profundo existe em nós. A simpatia humana e afectiva que nos distingue e que
porventura vai dar um outro tónus aos hospitais ingleses, por exemplo. Ou a
nossa capacidade criativa que nos leva, com poucos meios, a encontrar soluções
criativas para problemas complicados. Nós temos o que se pode chamar a
capacidade de «desenrascanço», que nos permite viver muito melhor do que
aparentemente nos permitiriam as nossas possibilidades. E isso é uma
característica generalizada. Viveremos sempre melhor do que querem os nossos
credores, porque temos imaginação, solidariedade e do pouco sabemos fazer
muito. E, como somos leais, não soubemos antecipar que, numa fase, nos empurram
para os gastos excessivos, porque é isso que convém aos mercados, para depois
nos pedirem contas pelo mais que gastamos e nos queiram então empurrar para a
penúria e para a emigração, que é a forma de poderem acolher mão-de-obra barata
e muito qualificada, de que não tiveram de subsidiar a formação. Não sejamos
ingénuos! Os que movem os cordelinhos da alta finança são tudo menos ingénuos e
podem planear crises para num futuro próximo obter maiores dividendos. Foi essa
a crise que a Europa criou. A crise de que a alta finança vai sair altamente
beneficiada. Os vampiros, como cantou o Zeca Afonso!
Perceber como a alta finança mexe os cordelinhos não nos tem
bastado para antecipar as jogadas, mas ajuda para fomentar a nossa revolta. Os
portugueses recolheram-se e calaram-se para sentir o Inverno do Seu
Descontentamento. Mas a Primavera está à porta e, com ela, a energia da
revolta. Será que as novas manifestações terão cem mil pessoas na rua a gritar
o seu Descontentamento? Não é isto o que o horizonte prenuncia? Não é isto o
que a revolta vivida no silêncio está prestes a fazer explodir?
Sem nenhuma demagogia há que perguntar: quem vai continuar a
alimentar esse milhão de desempregados sem trabalho nem subsídio? Isto não
preocupa os governantes?
É tão estranho, mas são sempre os pobres que pagam as
crises. Podem explicar-me porquê? Será porque o Poder está ao serviço dos
ricos? Quem é que sabe a resposta?!...
Implodimos sempre antes de explodir…
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Quem olhar o planeta
globalmente percebe que, de uma forma ou de outra, os países e os mercados
entraram num período de desregulação. O grande capital tem a sua própria
lógica, que não tem nada a ver com o interesse das pessoas. E a sua lógica é
pôr o dinheiro a fazer dinheiro, sem contemplações. Talvez tenha sido sempre
assim, mas parece que o Grande Capital foi apanhado na sua própria armadilha e
já não haja nada seguro, nem para ele, e que tudo de repente pode ser apanhado
num sorvedouro causado por uma guerra ou, simplesmente, por mudança bruscas e
definitivas do clima, Nova Iorque sempre coberta de neve, Londres, sob
tempestades permanentes.
Ninguém sabe ao certo
como o clima vai evoluir, mas ao que parece ele vai ser o factor determinante da
mudança, quer do ser humano, quer das sociedades do futuro próximo.
É inevitável que haja em
breve mudanças radicais no Planeta. Já se fizeram sentir durante o Inverno que
acaba. Talvez nos espere agora um Verão demasiado quente. Como o ser humano não
quer mudar, a Natureza vai obriga-lo a essa mudança. A uma adaptação a novas
condições, que poderão ser mais radicais e próximas do que o previsto.
Os ciclos sucedem-se.
Voltamos de novo ao Tempo da Grande Mãe, à era em que a humanidade vai
reencontrar a divindade em si. Não é amanhã. Está a ser. Agora. Vamos ser todos
profundamente sacudidos e perceber quão frágil é o modelo em que vivemos,
aquilo que somos humanamente e o que projectamos no futuro.
Vamos aprender a
humildade e a beleza de viver no Agora, porque só o Agora existe. E vamos de
novo reaprender uma nova forma de Ser e estar no Tempo da Grande Mãe.

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