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| 'O jardim das Hespérides' 1892, de Frederic Leighton |
OS POMOS DE OURO DO CONHECIMENTO
A visão dos Pomos de Ouro aconteceu, pela primeira vez, na
Ericeira, a meio da tarde, quando lia, sentada num dos cadeirões do jardim. A
tarde estava amena e eu tinha por hábito ler e parar frequentemente a leitura,
descansando os olhos nas árvores do jardim da vizinha. Sei que vivia um momento de paz, dos muitos que me foram
dados viver naquele espaço.
Nessa tarde, algo de diferente aconteceu. Parei de
ler, fechei os olhos durante momentos e, quando os abri, tinha na minha frente
o Jardim das Hespérides, com as árvores carregadas de pomos de oiro. Eu diria
que eram laranjas, embora haja uma tradição que diz que são maçãs os pomos do
conhecimento.
Estava tudo tão calmo, que o Jardim das Hespérides, que
eu via à minha volta, podia ser realmente ali. Fiquei a olhá-lo sem
pensamentos, envolvida numa atmosfera mágica.
Momentos depois a
luz dourada começou a dissipar-se, as árvores dos pomos de oiro começaram a desaparecer
e eu fiquei, de novo, no lugar de sempre, de livro na mão, a ver as árvores da
vizinha, mas com o espírito no lugar mágico que acabara de divisar.
Dias depois, já na minha casa de Lisboa, ao acordar,
voltei a ver o Jardim das Hespérides no tecto do meu quarto mas, para meu
espanto, as árvores já não tinham fruto. Que acontecera? Como era possível que
os pomos do conhecimento tivessem desaparecido?
Passadas semanas encontrei-me com um amigo, com um grande
saber de coisas esotéricas, que eu não tinha, nem tenho, e contei-lhe o que me
fora dado ver. Quando lhe falei das árvores sem fruto, tive uma resposta
surpreendente: «Foi o meu grupo que colheu os frutos. Vêm aí tempos muito
complicados e o meu grupo colheu-os para os voltar a distribuir depois de tudo
se apaziguar.»
Bem, ele não me respondeu por estas palavras, mas na
essência a mensagem foi esta. Fiquei tão admirada e chocada, porque não
dizê-lo, que acho que este incidente marcou o início do nosso afastamento. Dias
depois deste encontro, ao acordar na minha cama de Lisboa, vi um pomo de oiro a
ser atirado pelo tecto do meu quarto, como se fosse para eu apanhar, o que me
recusei a fazer. E vi que esse fruto tinha um lado de onde saía uma espuma,
podre, como eventualmente estariam já então todos os outros frutos, colhidos
abusivamente da Árvore do Conhecimento.
Creio que quem vem ler esta página, sabe deste tema tanto
ou mais do que eu. No entanto, fui à Wikipédia e copiei o texto que
sucintamente narra a tradição dos pomos de ouro, oferecidos à deusa Hera, por
Gaia (a Terra), como presente de casamento:
«A Deusa Hera recebera de Gaia lindas maçãs (pomos) de ouro como
presente de seu casamento com Zeus e
mandou plantá-las em seu longínquo jardim, no extremo Ocidente. Ela deu às Hespérides, ninfas do
entardecer e filhas de Atlas, a função de proteger este jardim. Quando as
ninfas começaram a usar os frutos de ouro para próprio benefício, Hera teve de
procurar um guardião mais confiável. Assim Ladão,
o dragão, com um corpo de serpente e cem cabeças, passou a proteger o jardim.»
Coube a Hércules (nos «Doze Trabalhos de Hércules») a
incumbência de trazer a Heristeu alguns desses pomos de ouro mas, para o
conseguir, teve de recorrer à ajuda das Hespérides. Isto é: o homem não tem
acesso directo aos pomos de ouro, o fruto do conhecimento. Só pode obter esse
fruto (colhê-lo) através da mulher. Este é o drama essencial da civilização
masculina, que só pode instalar-se e prevalecer através da submissão da mulher.
Mesmo actualmente, para colher os frutos do conhecimento, o homem tem de se
ligar à mulher e obtê-los através dela. E essa é uma das facetas da beleza da
Vida, embora tenha sido muito mal utilizada nos últimos milénios. Mas isso fez
e faz parte da caminhada de aperfeiçoamento do casal humano. É por isso que
isto não pode ser lido em termos de superioridade ou inferioridade de um ou de
outro sexo. Trata-se da sabedoria da criação. Se fosse dado o poder absoluto ao
sexo masculino, a Terra voltaria a ser de novo árida. E esse é um dos riscos
que a humanidade corre na actualidade, pela prevalência do Poder Masculino,
ainda que o poder possa estar, em certos casos, a ser exercido pela Mulher. E
isto verifica-se porque o modelo, a matriz do exercício do Poder que a mulher
está a receber continua a ser masculina. O que me leva a dizer que a mulher tem
de readquirir a sabedoria da Mãe para gerar um novo equilíbrio no Planeta.
Nesta época de mudança cósmica, o meu ponto de partida é que nenhum dos sexos
tem hoje a verdade absoluta (se alguma vez teve!) e que cada um daqueles que
busca a verdade raramente vai além da via das aproximações. Aliás, creio que
deambulamos todos, hoje, por esse espaço, o que não deixa de ser um dos
encantos da vida.
E, já agora, admito que haja já um Novo Conhecimento a descer sobre nós e será
com ele que vamos iniciar o Novo Ciclo…
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COMO SE CHEGA AO
CONHECIMENTO?
Como se chega ao Conhecimento? Pela transmissão directa?
Pela informação espalhada em livros? Pela descoberta interior? Pela «escola
nocturna»?
Creio que não há um caminho único. Admito que se aprende
a caminhar, caminhando. Que a informação
chega de variadas formas quando o discípulo está pronto, não antes. Muitas vezes,
de repente, sabe-se algo que não se aprendeu, ou sabe-se porque um anjo nos
disse, como gosto de dizer.
O conhecimento obtido através dos livros tem a sua utilidade,
mas somente quando a pessoa sabe sabendo, seja lá como for que aí se chega, é
que o conhecimento é verdadeiramente válido. Isto é: operante.
E é o conhecimento uma coisa assim tão importante? Para
mim, o mais importante é o trabalho interior que a pessoa vai fazendo ao longo
da vida, através das escolhas certas ou das erradas e, muitas vezes, aprende-se
mais com as escolhas erradas, que fazem sofrer, do que com as escolhas certas.
E mais vale errar do que não fazer nada para não errar.
Aliás, ter acumulado muita informação não significa que
se tenha chegado ao Conhecimento, ao Saber Sabendo, a que se chega quando,
finalmente, acolhemos no coração fogo solar e a nossa cabeça, e o nosso corpo,
se abrem à energia cósmica.
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| 'O jardim das Hespérides' 1894, Ricciardo Meacci |
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O
CONHECIMENTO ESTÁ AÍ
Cada um de nós tem, dentro de si, todo o Conhecimento que
há a saber. Pode ser que os livros ajudem, mas também podem baralhar. Há uma
frase muito simples e verdadeira: o Caminho faz-se caminhando. Mas as pessoas
andam tão entretidas em acumular coisas que se perdem muitas vezes no provisório,
esquecendo o essencial. Mas isto são verdades à Monsieur de La Palisse.
O segredo é Amar. Ou mais do que Amar, ser Amor.


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