UMA CALDEIRA EM RISCO DE EXPLODIR
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| Fotografia do jornal Público |
A multidão silenciosa que percorreu, sábado passado,
várias cidades de Portugal, para protestar contra os cortes nos salários e nas
pensões de reforma, deu testemunho ao Mundo da grandeza do Povo Português.
Espoliado para lá do limite suportável mostrou, com contensão, a sua revolta e indignação.
As reacções do Executivo são poucas. Talvez seja
desatenção minha, mas até agora não ouvi o Primeiro Ministro reagir. Parece que
se ausentou para um outro País. O que seria bom. Talvez pense que a
manifestação passou e se entrou de novo na rotina, sem consequências, pelo
menos durante mais três meses. E deve considerar que o melhor é passar à frente
como se nada tivesse acontecido e uma caldeira efervescente de indignação não
estivesse prestes a explodir.
Somos um Povo de brandos costumes. O Governo sabe disso,
mas é preciso saber também que tudo tem um limite. E o limite já foi atingido.
A aparente serenidade de Passos Coelho não engana ninguém. Denuncia-o o cabelo
cada vez mais ralo, a magreza, um envelhecimento precoce. Talvez ainda o não
queira reconhecer, mas governar um País é areia demais para a sua camioneta. Um
País não é apenas um território, mas gente. Gente de carne e osso, gente que
também tem filhos e chora por já não ter o suficiente para lhes dar de comer. A
aparente displicência com que fala na televisão dá voltas ao estômago da maior
parte de nós.
De uma outra forma, a sua voz está a tornar-se tão
monocórdica quanto a do ministro das Finanças. A desencadear anticorpos. Está
a tornar-se tão intolerável, que talvez seja melhor manter-se calado por uns
tempos. Ainda que possa ser pose, o ministro dos Negócios Estrangeiros, pelo
menos, dá a impressão de que se importa com a aflição do Povo. Talvez seja
porque tem sensibilidade ou simplesmente por ter um traquejo do palco político
que, obviamente, continua a faltar a Coelho.
A multidão grita o desejo de que Passos Coelho abandone o
poder, mas ele faz de conta que as vozes, que não pode deixar de ouvir, não são
relevantes. Não seria melhor para o País, mas também para ele próprio, apresentar
a demissão e ir-se embora? Até porque a receita política que tem para o País
está desfasada no tempo. Se estivesse verdadeiramente atento ao que se passa no
mundo perceberia que está imanente e iminente uma Nova Ordem Social, que não
tem nada a ver com a receita que está a querer implantar em Portugal. País que,
aliás, parece estar a ser empurrado a ir na contra-corrente do que está a
despontar no mundo. Assim como a Revolução de Abril influenciou na época o que
se passou em outros países, também a forma como Portugal vai integrar esta
receita draconiana vai porventura influenciar o aparecimento de uma nova forma
de estar no mundo, mais despojada e mais humana, em que o dinheiro deixará de
ter o peso que tem actualmente. E isso acabará por ser benéfico, mas ele já não
estará no palco político.
A propósito, quero chamar a atenção para o que aconteceu
no passado fim de semana, na Suíça, em que o Povo aprovou, em referendo, uma
lei que limita os salários abusivos dos patrões. Extraordinário, principalmente
vindo da Suíça, não é? Isto é só o princípio. O que virá de seguida será a
fixação de um limite para os lucros, o que ajudará a regularizar os mercados e
a construir uma sociedade mais humana e igualitária!
Segundo o Jornal Público, casos recentes tiveram
influência na atitude dos eleitores suíços. Um deles foi a indemnização de 72
milhões de francos suíços (60 milhões de euros) atribuída ao presidente
cessante do conselho de administração da farmacêutica Novartis. O outro resultou
dos problemas financeiros do banco USB, que perdeu milhares de milhões de euros
entre 2008 e 2011, quer com activos tóxicos como com negócios fraudulentos. E,
claro, lá como cá, o Banco foi salvo com o dinheiro público. Só que os
contribuintes suíços assumiram os seus direitos e a sua força e dizem que não voltarão
a pactuar com nada de semelhante.
O que é que estes casos fazem recordar aos portugueses? Primeiro,
que até agora têm sido os contribuintes a pagar os desmandos deste jaez, quer
na Suiça como em Portugal. Segundo, e mais importante, que o Tempo e a
Consciência dos Povos mudaram. O que aconteceu na Suíça acendeu um rastilho que
vai explodir pelo mundo, limpando-o desta desordenada exploração.
Nota: Afinal,
Passos Coelho deu-se conta que houve uma manifestação. Admitiu-o hoje,
quarta-feira, no Parlamento, sublinhando que isso não o leva a alterar em nada
a sua acção política. Se não houvesse tanta gente a sofrer, até que pode vir a
ser interessante observar os próximos acontecimentos…
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NO ESTERTOR DE UMA CIVILIZAÇÃO
É um tempo limite este em que vivemos. Estamos a assistir
ao estertor de uma civilização que se desenvolveu sobre o esteio de profundas
desigualdades. No passado eram os chamados nobres que detinham a riqueza e o
poder. Nos últimos séculos, uma burguesia pujante conseguiu chamar a si uma
importante fatia do bolo, criando a nova aristocracia do dinheiro. Estamos agora num tempo de charneira, entre
os erros do passado e o futuro novo a construir. Não vai ser fácil desmantelar
os privilégios adquiridos. Mas o tempo e
a consciência colectiva estão rapidamente a evoluir.
O arrivismo e o interesse próprio estão a trazer à ribalta
«novos heróis». A crónica de Henrique Monteiro, no Expresso, sobre os «os indignados
ricos ou a prevalência do eu» tem um aspecto pícaro, mas ao mesmo tempo
desolador. O ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, volta à ribalta agora para
liderar o movimento dos «reformados indignados». O que o faz reagir? A
solidariedade para com os reformados com pensões de 300 euros, por exemplo, que
vão receber ainda menos, como se fosse fácil ou sequer possível sobreviver com
o mínimo de dignidade e de conforto a que teria direito a velhice, com 300
euros, para renda da casa, comida e medicamentos? Ou o interesse próprio, já que ele é um dos
privilegiados que muito tem a perder com os cortes das pensões?!
O interesse próprio por vezes casa-se com o interesse
colectivo e talvez o Dr. Pinhal esteja com este impasse a aprender a
solidariedade, o que é porventura possível e seria louvável. Mas quando a sua
reforma foi substancialmente cortada, será que se apresenta a defender o
interesse alheio, ou está simplesmente a usar a bandeira dos desprotegidos para
a usar em benefício próprio?
Segundo o Correio da Manhã, o ex-banqueiro recebe de
reforma 649 mil euros anuais que dá a «módica» quantia de 46 mil euros por mês.
Não registei quanto é que ele ia efectivamente perder. Tenho pena. Lembro-me
que era muito, mas que continuava a ser muito aquilo que continuaria a receber.
De qualquer das formas, há um imenso abismo entre o
interesse próprio e o drama dos que defende para afinal se defender!
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ARAUTOS DE UM NOVO TEMPO
Que um milionário resolva
distribuir uma parte substancial da sua fortuna pelos mais desfavorecidos, isso
poderá ser considerado uma excentricidade. Agora, que 50 milionários se aliem
para aplicar metade da sua fortuna em projectos de ajuda humanitária, isso já
não tem o cariz de uma mera excentricidade, mas algo muito maior. Diria que
chegam do futuro, lançando os primeiros raios da alvorada de um Novo Tempo.
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| Fotografia da Internet |
A ideia surgiu em 1989, num
jantar de milionários, altura em que Bill Gates decidiu doar metade da sua
fortuna para obras filantrópicas. Desde então, como é do conhecimento público,
desenvolveu uma acção notável, tornando-se efectivamente num dos arautos do
Novo Tempo.
Segundo os dados que
consegui recolher, a ideia surgiu num jantar, em Maio de 2009, em que
participaram os milionários Bill Gates (53 bilhões de dólares), então o homem
mais rico do mundo e Warren Bufet (47 bilhões), o segundo mais rico.
Lançaram-se à concretização
do projecto. Passado um ano, Bill e Warren tinham conquistado mais 40
milionários para a causa, decidindo cada um deles aplicar metade das suas
fortunas na ajuda de populações carenciadas. Em Agosto de 2010, anunciaram ao
mundo a sua decisão.
Há quem diga que muitos
destes milionários se dispuseram a ceder metade das fortunas por terem começado
a ser mal vistos, mas outros simplesmente porque «chegada a uma determinada
quantia, o dinheiro já não se consegue gastar».
O grupo que, com a sua acção
quer, ao fim e ao cabo, tornar o mundo melhor, não decidiu então a forma como o
dinheiro seria gasto. Na altura ficou apenas assente que cada membro do clube
financiaria projectos de saúde, educação e arte.
Bloomberg, um dos
milionários filantropos, declarou que para ele «nunca houve muito sentido ajudar
o mundo a melhorar e não estar presente para ver a mudança». Os filhos, diz,
nunca ficarão desamparados e, talvez cansado da montanha de dinheiro sem
aplicação, reconheceu que «chega a uma determinada quantia que já não se pode
gastar».
Entretanto, o movimento dos milionários continua
a crescer. Já no decorrer do ano em curso, aumentou o número dos milionários
que aceitaram doar metade das suas fortunas. Mais doze, para já. E sempre com o
objectivo de financiar iniciativas filantrópicas.
Entretanto, o movimento
continua a crescer. Warren Buffett e Bill e Melinda Gates lançaram agora uma
petição a convidar milionários a dar metade do seu valor patrimonial. O
documento já foi assinado por mais de cem famílias.
Um dos signatários, o
magnata dos media Vladimir Patanin, afirmou
em comunicado que não
pretende ser lembrado como filantropo. E acrescentou:
«Acredito genuinamente que a
riqueza deve ser usada como um bem público. Vejo-o também como uma forma de
proteger os meus filhos do fardo da riqueza extrema, que os poderia privar de
ter motivação para conquistar, por eles mesmos, algo na vida!»
Se não há aqui sinais de que
o mundo e as pessoas estão a mudar, onde haverá?
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É
INDISPENSÁVEL SONHAR
O Novo Mundo tem que ser sonhado por cada um de nós.
Sonhado, imaginado, construído em primeiro lugar no nosso coração. Só assim o
poderemos plasmar no concreto, torná-lo realidade. Tudo é sonho, todo o nosso
Mundo é uma criação onírica plasmada na matéria. Cabe-nos a nós transmutá-la. Recriá-la
com o nosso sonho e irradiá-la para o mundo que chamamos real.
Um dia comprei um cristal
numa loja de indianos para os lados do Martim Moniz. Apaixonei-me por ele. Ele
era feio, sem brilho, mas eu via nele um esplendor inexplicável por debaixo do
pó ou do quer que o ofuscava.
Primeiro lavei-o, energizei-o e coloquei-o num local que
me permitia pousar nele o olhar frequentemente. Um dia percebi que tinha de o
colocar na vertical. Foi a partir daí que se formou ou eu passei a ver nele
aquela a quem chamei a Virgem dos Cristais. Uma mulher sentada, cheia de luz,
com o braço esquerdo estendido, tendo na mão uma flor.
Haverá alguém que veja essa imagem que criei porventura
imaginariamente ou se recriou para mim nesse cristal? Não importa. Faz parte do
quotidiano dos meus sonhos. A sua presença torna mais mágico o meu viver.
Partilho convosco hoje esse cristal, talvez para dar um
pouco de alegria e esperança aos portugueses. Partilho a minha Virgem dos
Cristais, nascida do meu sonho, e que talvez só eu possa ver, para transmitir
uma energia de mudança a este Povo e este País.
O que quero transmitir como mensagem? Esta exortação «Na verdade
aparente recriem o Vosso Sonho e tornem-no realidade!»