sexta-feira, 29 de março de 2013

A Crise É Planetária


UMA NOVA ORDEM MUNDIAL


O horizonte está muito nublado. Tenho adiado a minha presença aqui à espera de um sinal positivo, que me levasse a formular palavras de esperança. De esperança na mudança próxima da Ordem Planetária. Que se vai dar, disso não tenho dúvidas, mas ao que parece vai ser necessário percorrer ainda alguns labirintos antes de se conseguir encontrar a saída certa para a Nova Ordem Mundial.

A certeza que tenho é que a Ordem que tem regido o Planeta está a desmoronar-se, com maiores ou menores sobressaltos. Ao mesmo tempo sinto, sei que o que está a perfilar-se no horizonte é uma desordem há muito programada pelas forças que detêm o Poder. E quem verdadeiramente detém o Poder não são os rostos que nos habituamos a ver na cena internacional, mas os que mexem os cordelinhos nos corredores, os que fomentam cirurgicamente as crises, de forma a delas tirarem proveito. Mas nem sempre saem vitoriosos. Muitas vezes são sacrificados pelas tormentas que fomentaram, o que é o menor dos males.

 A crise não é um mal inevitável, mas um processo programado por certos interesses. Analisando a realidade próxima, podemos ver que a primeira etapa foi a do dinheiro fácil, lembram-se? Não foi ainda há muito tempo que os bancos quase nos pediam para que recorrêssemos aos seus empréstimos, a juro baixo! Foi um regabofe em que muitos de nós se deixaram cair.

Então, ao mesmo tempo que o mercado de arrendamento quase desapareceu, proliferou a oferta de venda de apartamentos, a preço mais ao menos convidativo. O tempo não estava para o aforro, mas para comprar. E os Bancos, pressurosos, ofereciam dinheiro barato a quem quisesse comprar casa, carro, viagens ao estrangeiro… A oferta era tão aliciante que se tornava irresistível e foram muitos os que se deixaram ir no engodo.

 Grécia, Irlanda, Portugal, foram apanhados no primeiro round desta estratégia. De seguida «atacou» a Espanha, depois a Itália e agora Chipre. A França virá a seguir, não há como escapar. Para já a Inglaterra lava as mãos, não tem nada a ver com o Euro. Mas quando a recessão chegar à Alemanha, e já está a chegar, mais depressa do que os economistas quereriam prever, então estaremos em face de duas saídas: a Guerra, como solução tradicional para as crises, ou a autêntica reformulação económica, que poderá fazer surgir uma Nova Ordem Mundial, assente em novos valores e não no despudorado jogo do lucro, que sacrificou gerações nas primeiras quatro décadas do século passado. Quem fica a ganhar com as guerras é exclusivamente a tenebrosa e poderosa indústria do armamento. Será que não aprendemos nada e continuamos a repetir os mesmos erros ciclicamente?

Este é um dos cenários possíveis para a crise, que tem vindo a ser cirurgicamente fomentada na Europa, mas que vai estender-se, em breve, ao resto do mundo, se não houver o mínimo de bom senso para a suster e debelar. Não tenhamos dúvidas de que é uma crise laboriosamente planeada por um grupo de financeiros, que de humano só tem a aparência. De resto, o entusiasmo beligerante da Coreia do Norte e do Irão podem fazer o resto. E a catástrofe desta vez poderá afectar todo o Planeta. Esta é a ameaça pendente, cuja concretização vai depender de cada um de nós.

 Desculpem o aparente pessimismo, mas que é sobretudo um toque de campaínha que pretende chamar o ser humano à responsabilidade. Poucos lerão esta mensagem? Não faz mal. O pensamento emitido fica a circular no espaço. Se eu já uma vez ouvi conscientemente um pensamento a passar, porque outros não poderão registar os pensamentos que circulam na atmosfera, ainda que não tenham consciência de que o que pensam é o eco do que foi pensado por outros?

 Uma Nova Ordem Mundial vai surgir. Depende de nós que se concretize sem uma ciclópica depuração.

É quinta-feira santa. Talvez o peso da época influa no meu discernimento. Será que as mudanças que se vão dar em Portugal poderão afectar positivamente o Mundo? Ou serão irrelevantes? Pergunto e a resposta surge dentro de mim. Não são irrelevantes. O que acontecer em Portugal vai influenciar positivamente o mundo. Assim o creio. E não vou falar de política...


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DE BRAÇOS ABERTOS


Escolhi para hoje um desenho, que me parece adequado à semana da Páscoa. Um dia, quando lia o jornal, parei numa página que tinha a imagem do Cristo Rei, que podemos ver na outra margem de Lisboa.

Que pretende dizer este desenho? Não sei. Sei só que me senti compelida a desenhar estas figuras sobre e ao lado da escultura, admitindo que uma delas regista o verdeiro rosto do homem que foi Jesus. E, como não tenho certezas absolutas, deixo-lhes o desenho, com o mínimo de palavras, para que o possam interpretar, nesta semana em que os católicos assinalam a morte e ressurreição de Jesus da Nazaré.


Boa Páscoa.


domingo, 17 de março de 2013

Estamos No Olho do Furacão


É PRECISO OLHAR O HORIZONTE PARA NÃO ENJOAR


Começo a escrever com a sensação estranha de que me encontro (porventura nos encontramos) no momento de silêncio que antecipa as grandes convulsões. Telúricas, atmosféricas, porventura sociais. É um silêncio que antecipa uma tempestade, não sei com que expressão. Um silêncio que me obriga a ficar parada, alerta, à espera, sem saber exactamente o que se aproxima.

 Acho que, neste preciso momento, ninguém sabe. Mas há uma ameaça pendente. Uma ameaça a exigir uma reflexão individual, uma reflexão colectiva, porventura uma reflexão planetária. Estamos a abrir convenientemente as portas do futuro?

O voluntarismo e a arrogância não servem de nada. Só com humildade poderemos avançar. A humildade dos nossos erros individuais e colectivos, a humildade da nossa ignorância e dos problemas que a nossa ignorância e irresponsabilidade acabam por desencadear. Surgem-me imagens que me poderiam levar a dizer: «estamos no olho do furacão». Para onde é que ele nos vai projectar? Numa revolução? Numa guerra civil? No desespero total? Tudo é possível neste momento.

Portugal tem sido, ao longo dos tempos, um laboratório onde o futuro se experimenta. Lembrem-se: somos uma das primeiras nações independentes da Europa. Abrimos o mar ao mundo e tornámos mais próximo o Oriente do Ocidente. Tivemos um império que outros, em maior número e maiores capacidades, se apropriaram em parte. A parte restante retomou a liderança do seu caminho, quando o tempo se cumpriu e reclamaram esse direito. O 25 de Abril ajudou a que a autonomia se consumasse sem grandes sobressaltos. E agora? Depois de nos termos rendido à armadilha das facilidades insidiosamente oferecidas pelas instituições bancárias, ficámos, como Povo, ignomiosamente apanhados na teia da facilidade engenhosamente desenvolvida pelo grande capital. Fomos apanhados, A habilidade dessa engenhosa organização que lucrou enquanto nos endividamos e lucra ainda mais quando precipitaram as circunstâncias que não nos vão permitir pagar.

É preciso olhar para tudo isto com serenidade, considerando que é um jogo. Sim, é um jogo que pode ter consequências mortais. Mas é apenas um jogo, jogado pelos grandes interesses que movem na sombra os cordelinhos e espreitam a oportunidade de aumentar os seus dividendos, ainda que isso possa incluir o desencadear de uma guerra. Seria interessante dispor dos números e das perspectivas da indústria de armamento. Podem ter a certeza de que estão já feitas todas as projecções dos lucros que vão obter se alguns focos de guerra se despoletarem em áreas pouco sensíveis da Europa, e do planeta.

É estupidez absoluta. Neste momento não há países nem continentes distantes. É tudo muito próximo. Tudo tem a ver com tudo, que é o mesmo que dizer que todos têm a ver com todos. Esta é a nova consciência do século XXI. Um conflito armado em Portugal vai ter repercussões na China. A China fica já ali, numa curva do mar. Esta é a nova realidade que a Humanidade como um todo tem que enfrentar. Aliás, como sinal de maturidade.

A Humanidade está madura para assumir uma nova forma de viver. Para corporizar uma nova forma de Ser, que se deve sobrepor e controlar a pandemia do Ter. O Ter já foi uma forma de sobrevivência num planeta hostil. Hoje o Ter é, não tenham dúvidas, a peste dos novos tempos, que pode dizimar o planeta, se o bom senso não chegar a todos os que movem os cordelinhos do jogo do Poder e do dinheiro.

De resto, os problemas que estamos colectivamente a enfrentar foram anunciados nos anos 80/90 do século passado por Agostinho da Silva. Dizia o filósofo:

 «Vem aí um tempo em que não vai haver empregos e os jovens vão passar os dias encostados às paredes da Baixa». E acrescentava: «Para não enjoar vai ser preciso olhar o horizonte, como se faz nos barcos, no alto mar».


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JÁ NASCEMOS EM OUTROS PAÍSES E OUTROS CONTINENTES


A Terra é una. Cada um de nós já nasceu em outros países e outros continentes. Vou contar uma história que se passou comigo há mais de 15 anos.

Um técnico chegara do estrangeiro para dar um curso de formação no jornal onde trabalhava. O corpo redactorial tinha-se reunido com ele para ouvir as novas orientações de paginação, lides, etc.. Estava a olhá-lo e, de repente, fiquei muito perturbada porque vi que o conhecia, de tempos muito antigos.  

De noite o sonho trouxe-me a explicação. Ele entrava em competições de uma arte marcial japonesa, o sumô. Eu vivia com ele. Não sei se era mulher ou concubina. Ele era corrupto. Recebia dinheiro para perder competições. Nessa noite, ele ia entrar numa competição. E eu implorava-lhe que ele não se deixasse comprar. Essa era a condição para eu continuar com ele e, ao que me pareceu, eu amava-o, mas não ficaria com ele se ele se vendesse de novo. O certo é que naquela noite ele vendeu-se e eu deixei-o.

Acordei. Fora um sonho diferente de todos os que tivera até então. Corresponderia a algo de verdadeiro, que se tivesse passado em outra vida? Não sei. Confirmei, porém, que o técnico que despoletou este sonho continuava a gostar muito de dinheiro. E ele voltou para a sua terra sem que lhe tivesse contado o que me fora mostrado sobre ele.
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ANGELA MERKEL CONTRA SALÁRIOS DESMEDIDOS


Veio a público recentemente a atitude de Angela Merkel de condenar os salários e bónus desmedidos que recebem os altos executivos de algumas empresas alemãs.

Este apontamento serve para aplaudir a chanceler alemã, mas tenho alguma coisa a acrescentar. A crítica de Merkel não pode ficar por aqui. Sim, há que diminuir os grandes salários dos executivos, mas também os grandes lucros das empresas e o fomento das falsas necessidades entre os consumidores para que a vida se torne mais justa e agradável.

Assim Seja. Na Alemanha e em todas as partes do Mundo.


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QUANDO "NASCI" NOS ESTADOS UNIDOS…


O xenofobismo é um sentimento contra natura. Já nascemos todos em outros países e outros continentes. Acontecem-nos coisas na vida que, na altura, não percebemos o porquê. Por exemplo, o convite para visitar os EUA? Por quê? Porque eu era jornalista, é evidente, mas havia já então tantos jornalistas em Portugal, porquê eu?

Quando comecei a projectar e a desenhar percebi o porquê. Eu nasci várias vezes nos EUA… Pelo menos, os meus desenhos mostram-me isso e os homens que me rodeiam não são de todo desconhecidos… De certa forma é engraçado. Não é misteriosa a vida? O problema é que a maior parte de nós passa pelos sinais e não os reconhece. Que pena!
Vejam se identificam alguém… Eu acho a vida um espanto!     

Aproveitem. Não estraguem. Não deixem que outros destruam e enfernizem o Paraíso a que temos direito por nascimento. 





Desculpem a má qualidade das imagens, mas foi difícil fazer o scan do livro onde desenhei. Vou passar a tinta da china...





sexta-feira, 8 de março de 2013

Um Povo de Novo Triste


UMA CALDEIRA EM RISCO DE EXPLODIR

Fotografia do jornal Público


A multidão silenciosa que percorreu, sábado passado, várias cidades de Portugal, para protestar contra os cortes nos salários e nas pensões de reforma, deu testemunho ao Mundo da grandeza do Povo Português. Espoliado para lá do limite suportável mostrou, com contensão, a sua revolta e indignação.

As reacções do Executivo são poucas. Talvez seja desatenção minha, mas até agora não ouvi o Primeiro Ministro reagir. Parece que se ausentou para um outro País. O que seria bom. Talvez pense que a manifestação passou e se entrou de novo na rotina, sem consequências, pelo menos durante mais três meses. E deve considerar que o melhor é passar à frente como se nada tivesse acontecido e uma caldeira efervescente de indignação não estivesse prestes a explodir.

Somos um Povo de brandos costumes. O Governo sabe disso, mas é preciso saber também que tudo tem um limite. E o limite já foi atingido. A aparente serenidade de Passos Coelho não engana ninguém. Denuncia-o o cabelo cada vez mais ralo, a magreza, um envelhecimento precoce. Talvez ainda o não queira reconhecer, mas governar um País é areia demais para a sua camioneta. Um País não é apenas um território, mas gente. Gente de carne e osso, gente que também tem filhos e chora por já não ter o suficiente para lhes dar de comer. A aparente displicência com que fala na televisão dá voltas ao estômago da maior parte de nós.

De uma outra forma, a sua voz está a tornar-se tão monocórdica quanto a do ministro das Finanças. A desencadear anticorpos. Está a tornar-se tão intolerável, que talvez seja melhor manter-se calado por uns tempos. Ainda que possa ser pose, o ministro dos Negócios Estrangeiros, pelo menos, dá a impressão de que se importa com a aflição do Povo. Talvez seja porque tem sensibilidade ou simplesmente por ter um traquejo do palco político que, obviamente, continua a faltar a Coelho.

A multidão grita o desejo de que Passos Coelho abandone o poder, mas ele faz de conta que as vozes, que não pode deixar de ouvir, não são relevantes. Não seria melhor para o País, mas também para ele próprio, apresentar a demissão e ir-se embora? Até porque a receita política que tem para o País está desfasada no tempo. Se estivesse verdadeiramente atento ao que se passa no mundo perceberia que está imanente e iminente uma Nova Ordem Social, que não tem nada a ver com a receita que está a querer implantar em Portugal. País que, aliás, parece estar a ser empurrado a ir na contra-corrente do que está a despontar no mundo. Assim como a Revolução de Abril influenciou na época o que se passou em outros países, também a forma como Portugal vai integrar esta receita draconiana vai porventura influenciar o aparecimento de uma nova forma de estar no mundo, mais despojada e mais humana, em que o dinheiro deixará de ter o peso que tem actualmente. E isso acabará por ser benéfico, mas ele já não estará no palco político.

A propósito, quero chamar a atenção para o que aconteceu no passado fim de semana, na Suíça, em que o Povo aprovou, em referendo, uma lei que limita os salários abusivos dos patrões. Extraordinário, principalmente vindo da Suíça, não é? Isto é só o princípio. O que virá de seguida será a fixação de um limite para os lucros, o que ajudará a regularizar os mercados e a construir uma sociedade mais humana e igualitária!

Segundo o Jornal Público, casos recentes tiveram influência na atitude dos eleitores suíços. Um deles foi a indemnização de 72 milhões de francos suíços (60 milhões de euros) atribuída ao presidente cessante do conselho de administração da farmacêutica Novartis. O outro resultou dos problemas financeiros do banco USB, que perdeu milhares de milhões de euros entre 2008 e 2011, quer com activos tóxicos como com negócios fraudulentos. E, claro, lá como cá, o Banco foi salvo com o dinheiro público. Só que os contribuintes suíços assumiram os seus direitos e a sua força e dizem que não voltarão a pactuar com nada de semelhante.
O que é que estes casos fazem recordar aos portugueses? Primeiro, que até agora têm sido os contribuintes a pagar os desmandos deste jaez, quer na Suiça como em Portugal. Segundo, e mais importante, que o Tempo e a Consciência dos Povos mudaram. O que aconteceu na Suíça acendeu um rastilho que vai explodir pelo mundo, limpando-o desta desordenada exploração.

 Nota: Afinal, Passos Coelho deu-se conta que houve uma manifestação. Admitiu-o hoje, quarta-feira, no Parlamento, sublinhando que isso não o leva a alterar em nada a sua acção política. Se não houvesse tanta gente a sofrer, até que pode vir a ser interessante observar os próximos acontecimentos…


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NO ESTERTOR DE UMA CIVILIZAÇÃO

É um tempo limite este em que vivemos. Estamos a assistir ao estertor de uma civilização que se desenvolveu sobre o esteio de profundas desigualdades. No passado eram os chamados nobres que detinham a riqueza e o poder. Nos últimos séculos, uma burguesia pujante conseguiu chamar a si uma importante fatia do bolo, criando a nova aristocracia do dinheiro.  Estamos agora num tempo de charneira, entre os erros do passado e o futuro novo a construir. Não vai ser fácil desmantelar os privilégios adquiridos.  Mas o tempo e a consciência colectiva estão rapidamente a evoluir.

O arrivismo e o interesse próprio estão a trazer à ribalta «novos heróis». A crónica de Henrique Monteiro, no Expresso, sobre os «os indignados ricos ou a prevalência do eu» tem um aspecto pícaro, mas ao mesmo tempo desolador. O ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, volta à ribalta agora para liderar o movimento dos «reformados indignados». O que o faz reagir? A solidariedade para com os reformados com pensões de 300 euros, por exemplo, que vão receber ainda menos, como se fosse fácil ou sequer possível sobreviver com o mínimo de dignidade e de conforto a que teria direito a velhice, com 300 euros, para renda da casa, comida e medicamentos?  Ou o interesse próprio, já que ele é um dos privilegiados que muito tem a perder com os cortes das pensões?!

O interesse próprio por vezes casa-se com o interesse colectivo e talvez o Dr. Pinhal esteja com este impasse a aprender a solidariedade, o que é porventura possível e seria louvável. Mas quando a sua reforma foi substancialmente cortada, será que se apresenta a defender o interesse alheio, ou está simplesmente a usar a bandeira dos desprotegidos para a usar em benefício próprio?

Segundo o Correio da Manhã, o ex-banqueiro recebe de reforma 649 mil euros anuais que dá a «módica» quantia de 46 mil euros por mês. Não registei quanto é que ele ia efectivamente perder. Tenho pena. Lembro-me que era muito, mas que continuava a ser muito aquilo que continuaria a receber.

De qualquer das formas, há um imenso abismo entre o interesse próprio e o drama dos que defende para afinal se defender!


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ARAUTOS DE UM NOVO TEMPO


Que um milionário resolva distribuir uma parte substancial da sua fortuna pelos mais desfavorecidos, isso poderá ser considerado uma excentricidade. Agora, que 50 milionários se aliem para aplicar metade da sua fortuna em projectos de ajuda humanitária, isso já não tem o cariz de uma mera excentricidade, mas algo muito maior. Diria que chegam do futuro, lançando os primeiros raios da alvorada de um Novo Tempo.

Fotografia da Internet
A ideia surgiu em 1989, num jantar de milionários, altura em que Bill Gates decidiu doar metade da sua fortuna para obras filantrópicas. Desde então, como é do conhecimento público, desenvolveu uma acção notável, tornando-se efectivamente num dos arautos do Novo Tempo.

Segundo os dados que consegui recolher, a ideia surgiu num jantar, em Maio de 2009, em que participaram os milionários Bill Gates (53 bilhões de dólares), então o homem mais rico do mundo e Warren Bufet (47 bilhões), o segundo mais rico.

Lançaram-se à concretização do projecto. Passado um ano, Bill e Warren tinham conquistado mais 40 milionários para a causa, decidindo cada um deles aplicar metade das suas fortunas na ajuda de populações carenciadas. Em Agosto de 2010, anunciaram ao mundo a sua decisão.

Há quem diga que muitos destes milionários se dispuseram a ceder metade das fortunas por terem começado a ser mal vistos, mas outros simplesmente porque «chegada a uma determinada quantia, o dinheiro já não se consegue gastar».

O grupo que, com a sua acção quer, ao fim e ao cabo, tornar o mundo melhor, não decidiu então a forma como o dinheiro seria gasto. Na altura ficou apenas assente que cada membro do clube financiaria projectos de saúde, educação e arte.

Bloomberg, um dos milionários filantropos, declarou que para ele «nunca houve muito sentido ajudar o mundo a melhorar e não estar presente para ver a mudança». Os filhos, diz, nunca ficarão desamparados e, talvez cansado da montanha de dinheiro sem aplicação, reconheceu que «chega a uma determinada quantia que já não se pode gastar».

 Entretanto, o movimento dos milionários continua a crescer. Já no decorrer do ano em curso, aumentou o número dos milionários que aceitaram doar metade das suas fortunas. Mais doze, para já. E sempre com o objectivo de financiar iniciativas filantrópicas.

Entretanto, o movimento continua a crescer. Warren Buffett e Bill e Melinda Gates lançaram agora uma petição a convidar milionários a dar metade do seu valor patrimonial. O documento já foi assinado por mais de cem famílias.

Um dos signatários, o magnata dos media Vladimir Patanin, afirmou
em comunicado que não pretende ser lembrado como filantropo. E acrescentou:

«Acredito genuinamente que a riqueza deve ser usada como um bem público. Vejo-o também como uma forma de proteger os meus filhos do fardo da riqueza extrema, que os poderia privar de ter motivação para conquistar, por eles mesmos, algo na vida!»

Se não há aqui sinais de que o mundo e as pessoas estão a mudar, onde haverá?


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É INDISPENSÁVEL SONHAR



O Novo Mundo tem que ser sonhado por cada um de nós. Sonhado, imaginado, construído em primeiro lugar no nosso coração. Só assim o poderemos plasmar no concreto, torná-lo realidade. Tudo é sonho, todo o nosso Mundo é uma criação onírica plasmada na matéria. Cabe-nos a nós transmutá-la. Recriá-la com o nosso sonho e irradiá-la para o mundo que chamamos real.

 Um dia comprei um cristal numa loja de indianos para os lados do Martim Moniz. Apaixonei-me por ele. Ele era feio, sem brilho, mas eu via nele um esplendor inexplicável por debaixo do pó ou do quer que o ofuscava.

Primeiro lavei-o, energizei-o e coloquei-o num local que me permitia pousar nele o olhar frequentemente. Um dia percebi que tinha de o colocar na vertical. Foi a partir daí que se formou ou eu passei a ver nele aquela a quem chamei a Virgem dos Cristais. Uma mulher sentada, cheia de luz, com o braço esquerdo estendido, tendo na mão uma flor.

Haverá alguém que veja essa imagem que criei porventura imaginariamente ou se recriou para mim nesse cristal? Não importa. Faz parte do quotidiano dos meus sonhos. A sua presença torna mais mágico o meu viver.

Partilho convosco hoje esse cristal, talvez para dar um pouco de alegria e esperança aos portugueses. Partilho a minha Virgem dos Cristais, nascida do meu sonho, e que talvez só eu possa ver, para transmitir uma energia de mudança a este Povo e este País.

O que quero transmitir como mensagem? Esta exortação «Na verdade aparente recriem o Vosso Sonho e tornem-no realidade!»