domingo, 21 de abril de 2013

E, Por Fim, Compreender…



O GRANDE MISTÉRIO DA VIDA

                          
Debrucei-me, a semana passada, sobre as três etapas do percurso pela Árvore da Vida. Deixei, porém, para hoje, a referência ao que nos espera, a cada um de nós quando, finalmente, conseguirmos atingir a meta. Tenho para mim que a meta a que podemos chegar enquanto portadores de um corpo físico não é a meta final e não é a mesma para todos ao mesmo tempo. Isto é, existem imensas metas a alcançar ao longo da vida, num progressivo aperfeiçoamento.

 O corpo permite-nos uma grande variedade de experiências no decorrer do percurso espiritual. Experiências na vigília, em que a mente pode ter ou não um papel determinante e experiências durante o sono, quando o espírito se liberta do corpo e pode ascender a outros níveis vibracionais. Lembro-me de uma manhã em que, ao acordar, tive de lutar para recuperar o meu corpo, que parecia ocupado por um outro locatário. Isto que conto terá sido real? Para mim foi, mas não tenho nenhuma informação quanto a essa possibilidade. Não voltou a acontecer. Entretanto, aprendi a proteger o meu sono ou tornei-me mais forte.

Complicado, não é? Eu acho, mas não sei dizer mais sobre isto, nem melhor. Mas recordo a aflição e o esforço que fiz para entrar no corpo. Parece loucura.  Sou demasiado ignorante para saber o que se passou realmente, mas que foi uma experiência traumática foi!

Recordo-me agora de outra experiência acontecida ao acordar. Despertei deitada de costas, barriga para cima. Não me podia mexer. Ao mesmo tempo sentia que a minha cabeça era enorme. Tentei chamar a empregada, que já tinha chegado e fazia barulho na cozinha, mas da minha boca não saiu nenhum som. Foi então que pensei que deveria ter tido um AVC. Não podia fazer nada a não ser esperar. É estranho, mas não senti nenhuma angústia. E a minha curiosidade profunda por todos os fenómenos, levou-me a concentrar a minha mente na observação do que me estava a acontecer.

Passou muito tempo. Eu estava presa no corpo sem poder reagir. E não havia em mim aflição alguma, o que me parece estranho. Ou não será. Talvez o essencial em mim soubesse o que estava a acontecer. A minha atenção estava concentrada no cérebro enorme, que parecia ser o meu. Apercebi-me então que, lentamente, muito lentamente, o cérebro ou talvez com mais propriedade a energia cerebral começou a diminuir e a encaixar-se dentro da cabeça.

Sentir que a consciência, o quer que me fazia pensar fora do cérebro, entrava lentamente na cabeça, ocupava-me tanto que não me permitia sentir nenhum tipo de aflição. Era o que era e a que eu assistia, serenamente, como o meu treino de jornalismo me preparara para observar os acontecimentos sem me envolver. Por fim, a minha consciência encaixou dentro do cérebro e eu verifiquei que passara a poder mexer-me e me podia levantar.

Resolvi não contar a ninguém o que me tinha acontecido. Para que é que eu ia preocupar os meus familiares?! Nunca mais voltou a acontecer. Acho que me foi mostrado como funciona o mecanismo da consciência, entre a vigília e o sono. Afinal, da Vida! 

A Vida na sua totalidade e o ser humano em particular são, na realidade, um profundo mistério. Desenhar o que se desconhece e aprender com os próprios desenhos acaba por ser uma pequena amostra do grande mistério que é a manifestação de que fazemos parte, ou simplesmente a Vida, o simples acto de respirar e a possibilidade de sentir amor por um ser em concreto ou um amor difuso que abrange tudo e não privilegia nada.


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A PONTE ENTRE A TERRA E O CÉU


Neste lado do Véu, a que chamamos Vida, temos uma longa e variada aprendizagem a fazer, ficando-nos sempre a sensação de que há mais a descobrir, que o conhecimento que possamos ter divisado é mínimo, é sempre mínimo para o que há a saber. Entretanto, se alguma vez tivermos o privilégio de despertar conscientemente no Grande Oceano da Vida aí, sem espanto, automaticamente, partilhamos de todo o conhecimento, sabendo tudo e sendo tudo, sem deixar de sermos o que ainda somos, simplesmente humanos. Mas a experiência, que é Infinita, é sempre breve, por mais tempo que tenhamos sido ali acolhidos, por mais tempo que tenhamos partilhado simultâneamente o Todo e a Parte, em plena consciência. Sem espanto! Sem espanto, porque sempre fomos isso.

Tive o raro privilégio de me ter sido permitida a vivência desse estado. Nesse Oceano, onde uma noite acordei no sonho, e de que já falei, Ser é Saber, não há diferença nenhuma. E Saber é Ser. Consciencializo isso como nunca o tinha feito antes. Quer dizer: enquanto me esforço por transmitir a mensagem, eu própria estou a aprofundar em mim o Saber e o Ser.
Antes de continuar, quero lembrar que o ponto de partida de todos nós é o da perfeição. Éramos perfeitos e inteiros, completos, quando nos disponibilizamos a trazer o Espírito à matéria. Isto é, todos nós nos disponibilizamos a nascer no Planeta Terra com uma missão. Há uma descida e só quando se bate no fundo é que, de novo se começa a subir. Entretanto, o ser humano cumpriu parte da sua missão. Isto é, impregnou o Espírito na matéria, com a sublime renúncia de esquecer quem era, quem é. Creio que esta aceitação do esquecimento foi, é, continua a ser uma acto sublime, um acto de abnegação. Um acto de renúncia, extraordinário! Neste esquecimento ao longo de séculos, ao longo de milénios, andamos a viver múltiplos papeis, em que fomos sendo algo e o seu contrário, tantos vezes vividos num terrível complexo de culpa.

Depois de ter percorrido a Árvore da Vida e de ter vivenciado os seus ensinamentos, o Ser Humano volta a readquirir as qualidades e potencialidades que lhe são próprias. Conscientemente volta a estar conectado ao Todo. Volta a ter a sua «moleirinha» aberta, como os bebés. Talvez consiga ver os anjos, como eles, e sorrir-lhes, com esse sorriso que as mães tanto gostam de ver, mas que é o sorriso destinado ao anjo, que também lhes sorri.
O rosto de mulher que pintei tendo na cabeça um ninho de pombas, que representa a abertura ao Cosmos, ao Espírito. Abertura que trazemos à nascença com a moleirinha aberta. Com o tempo a moleirinha fecha, mas podemos ter o privilégio de a voltar a abrir e de nos conectarmos com o Todo. Veja-se que a mulher integra em si o seu par. Dois em um, ou seja, o Andrógino Primordial.

A segunda imagem, em que a poalha dourada do Céu entra no cântaro em que se transformou a cabeça da mulher, representa o mesmo que a imagem anterior, porventura num estadio mais avançado.

Repare-se, por fim, que o dragão é o único animal que permanece nesta última etapa. Por quê? Porque ele representa a Kundalini, um elemento essencial da abertura do ser humano ao Cosmos, tornando-o a ponte entre a Terra e o Céu.

Desenhei e pintei este quadro em 1984, sem saber o que significava, mas isso não foi obstáculo à minha entrega total. Guardei-o até agora, num dos sítios mais recatados da casa, agora, que julgo ser o tempo certo para o mostrar.


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TAMBÉM SOMOS OS OUTROS


A tragédia na maratona de Boston, nos EUA, leva-me a chamar a atenção para a tragédia da ignorância e do ódio, que estão na base de toda a violência. Ainda se desconhece o que ou quem esteve por detrás do atentado. Foram os dois irmãos sozinhos que conceberam e realizaram o atentado na maratona, ou haverá alguma força política ou religiosa por trás?

Não é isso, porém, o que me leva a referir esta tragédia. Mas o que há de irracional, sem consistência lógica, nas tragédias deste tipo. O ódio ao outro é antes do mais uma manifestação de ódio por si próprio. É desconhecer que o carrasco é também a vítima.


Pintei um dia um quadro em que a figura principal é um árabe, com a sua família e o seu grupo. Noutra ocasião desenhei um jovem ocidental, com a força de um conquistador, de um guerreiro. E, sabem? Essas duas figuras, nascidas em civilizações opostas, eram a mesma entidade, para não dizer a mesma pessoa, nascendo ora num povo ora no seu rival, talvez ambos com o mesmo ímpeto guerreiro, para aprender porventura o respeito pelo outro, o oposto, que não terá de ser inexoravelmente adversário.


Pode ser que, cosmicamente, nada disto tenha importância. Que no momento em que alguém é árabe ou alguém é ocidental e cristão assume os ódios e a índole do seu povo, atacando hoje o que irá defender amanhã, com outra alma, outra índole e outro corpo. O inimigo de hoje será sempre o irmão de ontem? Será que é mesmo assim? Será que a ignorância de quem somos, do que somos, nos atira uns contra os outros, seja qual for o lado em que estejamos?
A ser assim é tão estúpido, tão limitado, tão pouco avançado espiritual e civilizacionalmente, não acham? Não acham? Quando aprenderemos realmente que somos todos irmãos, que somos todos um?

Quando sairemos desta barbárie?  



    
                      

sábado, 13 de abril de 2013

O Cisne, o Touro e o Dragão


TRÊS ETAPAS DE UM CAMINHO PELA ÁRVORE DA VIDA

Foi um dos primeiros quadros que pintei, mas continuo a achá-lo tão complexo, que me é difícil dispor-me a escrever sobre ele. Sei que há muito a dizer, mas também sei que nunca investiguei suficientemente o assunto para me lançar descontraidamente a escrever sobre ele.
Para encontrar ajuda, andei a pesquisar na Internet o significado de alguns elementos do quadro. Encontrei informações interessantes. Aliás, copiei alguma das informações, com o objectivo de as citar. Mas agora que me disponho a escrever criou-se um vácuo na minha mente, um esquecimento da informação que encontrei, como se ela não fosse relevante para o que devo dizer sobre o quadro. Sinto um vazio que me distancia de tudo o que andei a pesquisar.
Acaba por ser uma sensação engraçada. A minha mente está vazia e como que se recusa a recorrer aos apontamentos que tomei. Então, o que devo fazer? Deixar para amanhã? Não me parece que seja o que o Infinito espera de mim. Devo então escrever quando tenho a cabeça completamente vazia? Nunca tal me aconteceu quando me disponho escrever. Creio que é um desafio que me está a ser posto. Nunca disse que gosto de desafios, de coisas que parecem difíceis ou impossíveis de realizar? Ou simplesmente uma advertência para deixar o assunto amadurecer? Não é imprecindível que escreva hoje!
Coloquei o quadro a meu lado, numa cadeira. É uma cadeira pintada de  branco, que tenho aqui na salinha do computador. Sento-me nela quando vem o meu neto para me ajudar na paginação. É ele que tira as fotografias, faz as fotocópias, enfim, é um privilégio tê-lo a meu lado nesta aventura. Enquanto ele tiver disponibilidade, continuarei a recusar-me a assumir essa parte da tarefa. Ele sabe disso e parece-me que acha graça.
O título diz o essencial do quadro. Há nele um cisne, um touro e um dragão, porventura nas cores erradas. Por quê? Creio que, na realidade da natureza, não há cisnes dourados, mas brancos e negros. Simplesmente, o meu cisne é dourado, Quem sabe a razão?
O touro é verde. Não há! Não creio que haja touros verdes, mas o meu touro é verde. Talvez o dragão seja verde, tal com o pintei, mas será que isso é relevante? Mas é relevante dizer, ao que creio, que estes três elementos assinalam três etapas do longo caminho pela Árvore da Vida e representam as três forças essenciais para o ser humano realizar a ascensão.

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O CISNE DOURADO

De todas as personagens que habitam o quadro só reconheço duas ou três. Uma delas é a senhora junto ao cisne, que parece nascer das raízes e tronco da árvore, Cléopatra, que reconheço sobretudo pelo grande nariz. Acabei de ir comparar com outros desenhos e é efectivamente ela, Cléopatra oitava, rainha do Egipto.
Que estranho! Pintei este quadro em 1989 e só agora me concentro para descodificar a sua mensagem. Como se não fosse importante saber, mas viver isso. Isso que se passava no quadro, essas pombas a fazerem ninho no alto da cabeça ou ser o vaso que recebe o ouro do céu…
Nunca quis pertencer a nenhuma organização esotérica, porque não queria que condicionassem a minha busca. Demorei porventura mais tempo, mas creio ter avançado num caminho sem sinais, ao encontro de consecutivas descobertas, sempre no tempo certo.
É minha convicção de que só compreendemos o que há a compreender e integramos esse conhecimento quando interiormente estamos prontos. Podemos saber intelectualmente, mas isso não é saber, isso não é tornarmo-nos naquilo que sabemos. Isso é ser simplesmente porventura um intelectual ou perito ou um sábio, não é estar ligada/o ao que nos transcende. Isso que também somos nós.
É estranho, estou a querer traduzir a pintura em palavras e descubro que, embora sabendo eu nunca consciencializara o que estou agora a escrever. Nunca olhei para esse cisne dourado como parte integrante da caminhada espiritual, como fio dourado que poderá conduzir-nos ao centro do Universo, a um conhecimento mais fundo do próprio ser. E sim, o cisne está ligado aos grandes ideais, que podem dar largueza e grandeza à mais modesta vida humana. Porque a verdadeira grandeza é interior. Cleópatra foi rainha, mas não é preciso ser rainha para se abraçar grandes ideais e tentar realizá-los, Creio, aliás, que qualquer função que exija representação pública é ou pode ser um grande handicap à realização de uma profunda jornada interior.
Ainda a propósito: a cor dourada está ligada ao sol, à abundância e ao poder e… aos grandes ideais!

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HARMONIZAR O TOURO E O DRAGÃO

Não identifico a personagem que se encontra entre o Touro e o Dragão. Na mão direita tem a vara com que apascenta o touro enquanto pela mão esquerda irradia a energia do dragão que domou em si, na harmonização das duas forças que podem permitir-lhe atingir o expoente do Ser, isto é, fazer a ligação harmoniosa entre a Terra e o Céu.
O Ser Humano é o elemento condutor entre estas duas energias, a energia telúrica, que sobe pelos seus pés e a energia divina, que entra pela sua cabeça, indo encontrar-se e florir no coração, irradiando pelos braços, formando a cruz da salvação. A cruz de energia que restitui a divindade ao ser humano, tornando-o verdadeiramente filho de Deus. Este foi o grande segredo guardado por raros privilegiados, até que chegou o tempo em que o Céu e a Terra se vão casar em todos os seres humanos, iniciando então verdadeiramente a Idade do Ouro.



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UM LONGO CAMINHO


Repare-se agora na Árvore da Vida. No longo caminho a percorrer para chegar ao topo, à liberdade. Repare-se nas duas saídas; o casal ou a vida monástica, ambos permitem chegar ao destino. O destino parece traduzir-se, segundo as imagens, na união do par. Que pode ser entendida de forma literal ou pela androginia, em que o ser humano voltará a concentrar em si, como nos tempos primordiais, os dois sexos. Mas disto nada sei.
 Parece-me, contudo, muito mais criativo e estimulante a interação dos dois sexos. Logo se verá…






quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nunca Estamos Sós



NÃO PODEMOS SEPARAR O SER DO FAZER

Embora muitos de nós padeçam de solidão, a verdade é que nunca estamos sós.  Em primeiro lugar, porque somos múltiplos.  Claro que temos uma máscara, a personalidade que assumimos como elemento identificador, mas todos somos vários, a esforçarmo-nos por vezes por dar aos outros uma imagem coerente de nós próprios.

 Nós somos isto, parecemos dizer quando nos identificamos com o papel que desempenhamos. Mas não, nós somos isto e tantas vezes o seu contrário. Somos isto e o que não sabemos que somos. Somos o indefinível, que durante toda a vida tentamos atingir e compreender. E, definitivamente, somos, na maior parte dos casos, perfeitos desconhecidos para nós próprios. Reparem no que nós, por vezes, nos atrevemos a fazer! E no fazer baralhamos a ideia que tínhamos de nós, do nosso ser, no melhor e no pior. Aliás, não podemos separar o ser do fazer. Nós somos também intrinsecamente aquilo que fazemos, embora isso colida tantas vezes com aquilo que somos, julgamos ser ou queremos ser.




Mostro-lhes, em primeiro lugar, a “multidão” de seres que fazem parte da vida, da herança cármica ou do imaginário desta mulher. Há seres que se “passeiam” na sua aura. Outros que vivem grudados ao seu corpo, porque a amam ou amaram e passaram a fazer parte do seu ser.  Vejam só a multidão de seres que cada um de nós transporta! É por isso que digo que nunca estamos sós.

Aqueles que amamos e já não fazem parte do nosso quotidiano, da vida que reconhecemos como concreta, de certeza que se encontram na nossa aura, por vezes quase presença, de outras vezes numa persistente saudade. Há os que se misturam nos nossos cabelos e os que se encostam, amorosamente, à nossa roupa. Eles estão presentes com maior ou menor intensidade. São recordações, memória. Saudade. São somente aquilo que lhes concedemos, para podermos seguir em frente e sobreviver.


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OS VIGILANTES QUE NOS PROTEGEM



Há outras formas de não estarmos sós, porventura menos invasiva e próxima, mas da mesma forma vigilante. Refiro-me aos seres que amorosamente nos seguem e nos protegem de um plano mais elevado, mas ainda e sempre próximos. Serão porventura aparentemente menos invasivos, mas estão lá para acudir e ajudar para que os nossos sonhos se plasmem no concreto. Serão talvez a força invisível que manda ao nosso encontro o amigo em que estávamos a pensar ou nos alertam para um perigo iminente.  Uma espécie de anjos da guarda.

Claro que nada disto são certezas. Olho desenho a desenho e deixo que ele me fale, me comunique sem palavras o seu segredo. Será que interpretei bem? Quando me afasto da mensagem possível talvez uma campainha ressoe no meu corpo e me deixe inquieta, obrigando-me a reescrever o texto até uma realidade próxima, aliás sempre questionável. Não tenho o monópilo da sua interpretação. Acreditem, o que virem neles é a mensagem certa, a verdade que o desenho tem para cada um de vós e não aquilo que eu vos possa dizer..



O universo feminino que se espalha pelo rosto deste homem, define o fluxo da quantidade em que ele se banhou. Será que amou todas essas mulheres ou esse fluxo feminino foi a forma de ele ultrapassar a sua incapacidade de amar? Ao nível da garganta começa a fazer-se a solidão. A partir daí é um homem só.

É a história do reino da quantidade… ou não será?

Um dia, em Estrasburgo, entrevistei um filósofo, de que já não recordo o nome. Mas recordo, sim, o que ele me disse e isso para mim é o mais importante. Falámos da quantidade e ele dissertou sobre os sentimentos. Recordo-me que ele me disse que durante a nossa vida só podemos verdadeiramente amar quatro ou cinco pessoas. E não estava exclusivamente a falar do amor romântico, mas de afecto. O resto das pessoas com quem  lidamos são conhecidos, mais ou menos próximos..E o amor, o verdadeiro amor, é tão inesperado, segundo nos disse, que o podemos encontrar até no corredor de um supermercado.


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O AMOR MODELA-NOS



 Os amores que vivemos ao longo das nossas múltiplas vidas modelam o nosso rosto, o nosso ser. De certa forma passamos a ser esses seres que cruzaram connosco e nos marcaram. Julgamos que somos uma individualidade separada e somos todos esses seres que deixaram uma marca, mais ou menos forte, em nós. Somos nós e eles, o que nos leva a essa verdade que precisa que tenhamos atingido a humildade e a grandeza mais absoluta: a de que somos tudo. Cada um de nós é tudo e isso faz-me reviver uma experiência de que já falei aqui; a do ser humano enquanto partícula de um oceano de energia, sendo ao mesmo tempo ele próprio e tudo. Talvez haja um passo mais à frente que é o de, ao tornar-se tudo, deixar ao mesmo tempo de ser. Mas isso está a infinitos da minha experiência, o que é, ao mesmo tempo, que dizer que nada sei.



Para mim, nesta experiência de ser humana na Terra, já é algo de extraordinário a integração do espírito no ser, mostrada neste desenho pela presença da pomba e da integração em nós dos seres que realmente amamos.

Deixo-vos isto não como verdade absoluta, que não possuo, mas como matéria para reflexão.