segunda-feira, 28 de julho de 2014

O Sobressalto Que Pode Redimir




Os Governos Passam e o Povo Fica


É uma verdade indesmentível. Os Governos passam e o Povo, os Povos sobrevivem, melhor ou pior, segundo as necessidades de aprendizagem que lhes são próprias. Querer ignorar isto é ser apanhado/a na ratoeira das próprias ilusões. A Humanidade prossegue no ritmo que lhe é próprio e que é, em primeiro lugar, o do seu aperfeiçoamento. Sempre marcado por avanços e retrocessos. Avanços lentos, demasiado lentos. Retrocessos, de que há prenúncios e anúncios, mas que surgem sempre também eles inesperadamente. Pelo menos na aparência. Quem sabe se para dar maior consistência ao caminho percorrido.

Há quem viva do passado. Há quem viva esperançosamente no futuro. E há quem se deixe impregnar do presente, como a única coisa que realmente existe e persiste. Sempre o Presente. O ontem já passou. O amanhã é incerto. A Terra Prometida dos Sonhadores é, porém, sempre projectada no futuro, quando o hoje é a única coisa que verdadeiramente existe para cada um de nós. É no hoje que construímos o amanhã. Não propriamente os amanhãs que cantam, mas os amanhã que melhor correspondam aos sonhos que mais nos realizam.

Tenho estado em silêncio como espectadora de uma realidade que de forma alguma me satisfazia. Volto a escrever no momento em que um «terramoto» destrói a imagem do até há pouco todo poderoso Ricardo Salgado. Um «império económico» está a ruir a uma velocidade que não se previa. Ricardo Salgado, por tanto tempo o homem forte do Banco Espírito Santo (logo este nome!), foi apanhado nas teias da justiça. E tudo se desfaz: o bom nome, as contas bancárias escondidas nos off shores, a liberdade ameaçada. Subir tão alto e tão arrogantemente para se esfarelar numa curva do caminho, perdendo o bom nome e, porventura, a fortuna acumulada… Pelo menos aquela que não está escondida sabe-se lá onde …

De repente, parece que se abriu uma brecha e que a atmosfera em Portugal vai entrar num período de purificação. O silêncio é, muitas vezes, a melhor forma de oração. Esperemos que um silêncio fundo penetre e incomode os corações de todos os «salgados», indiferentes ao sofrimento dos portugueses que perderam os seus empregos, as suas casas e os seus bens nos últimos três anos, enquanto um dos homens fortes da Banca enriquecia e era poupado pela troika, que «atacou» os pequenos, sem ver a «montanha» ignomiosa que se erguia à sua frente. E com isto perdeu a pouca credibilidade que tinha entre o Povo.


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O CORPO É SAGRADO


Quero lembrar aqui, depois deste período de silêncio, que o corpo humano é sagrado. É por ele que podemos chegar ao Divino, mas também à mais profunda degradação. Tudo depende do «uso» que lhe damos, interior e exteriormente.

No corpo existe todo o conhecimento. Ele é o grande mestre do Ser Humano, mas é preciso que cada um de nós o respeite como expressão do divino. E que aprendamos a sua linguagem, os segredos que tem para nos contar.

Não aconselho a repressão, mas a atenção. Atenção á sua linguagem. Há que despertar a mente, toda a gente sabe, mas há também que despertar o corpo, para que ele percorra o caminho que conduz o Ser Humano ao Infinito.

 Cabe a cada um de nós descobrir esse caminho e ser parte consciente do Cosmos.


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É PRECISO DESCRUCIFICAR O HOMEM

Aos vinte anos, no primeiro ano em que trabalhei, escrevi uma crónica a que dei como título «É preciso descrucificar o Homem».

Não sei o que escrevi, nunca fui colecionadora dos meus escritos, mas lembro-me desse título «É Preciso Descrucificar o Homem», porque a necessidade de descrucificar o Homem é ainda hoje, em todas as circunstâncias, a força mais importante que me move.