domingo, 29 de abril de 2012

A Magia de Lisboa


A PEDRA DE PORTUGAL

Há cerca de quarenta  anos, o meu filho mais velho, então com pouco mais de dez anos, trouxe-me de presente uma pedra, que encontrara na areia de uma das praias do Algarve. 
Fiquei fascinada, creio que tanto ou mais do que ele. Aquela pedra tinha, em baixo relevo, o mapa de Portugal. Não fora trabalhada por ninguém. Fora o mar que a esculpira.
Guardo-a desde então como algo precioso. Foi o mais belo presente que o meu filho e a natureza me deram. A Pedra de Portugal. E, reparem, do lado direito, ao alto, tem uma pomba!...



 PORQUE OS PORTUGUESES
EMIGRAM 


Eu amo Portugal. Amo esta terra, este sol, este mar. Não me imagino a viver em outro país.

É com alegria que me recordo do orgulho que senti, em 1973, na chegada a Lisboa, de regresso de uma viagem aos Estados Unidos da América. O avião sobrevoava a capital, a preparar-se para aterrar. Foi então que se apoderou de mim um profundo deslumbramento.

No jogo suave da luz da manhã, Lisboa surgiu, aos meus olhos maravilhados, como a cidade mais bela do mundo. Durante um mês, nos EUA, a convite do Departamento de Estado, andei frequentemente de avião. Mudei de cidade de três em três em três dias, ou quase. Vi cidades magníficas, mas nenhuma que, do alto, tivesse a magia de Lisboa.

Lembro-me de ver os casebres então existentes perto do aeroporto, já o avião voava baixo, como uma nódoa, uma ferida na paisagem mágica. Existia e tem de ser referido, mas era apenas um pormenor no panorama magnífico do casario espalhado pelas setes colinas, a brilhar na luz límpida e fulgurante da manhã. A existência desses casebres, que não deixou de me magoar, não alterava, porém, o esplendor dessa visão mágica.

Nunca antes tal me acontecera. Nunca antes vira Lisboa na luz límpida da manhã. E foi pela primeira vez que me maravilhei por ter nascido neste chão, com esta luz a iluminar os meus dias.

Este deslumbramento fez-me perceber então a saudade dos portugueses espalhados pelo mundo.

Há semanas, ouvi, na televisão, um membro do Governo a incitar os jovens a emigrar, como forma de combater o desemprego. Foi terrível ouvi-lo. A minha primeira reacção foi desejar que o Governo, ele próprio, emigrasse colectivamente e depressa. Porque um Governo pode reconhecer a necessidade de emigração, mas o seu dever primeiro é o de fazer o seu melhor para que no solo pátrio os portugueses possam realizar todas as suas potencialidades. Terá sido realista, mas foi de muito mau gosto. Os jovens só devem partir quando o solo pátrio se tornou pequeno para o seu sonho. E cabe a eles reconhecer o momento certo. E muitos tinham já tomado essa decisão, sem que os responsáveis pelo destino do País tivessem que lhes dizer para o fazer! 

Na sua grande maioria, os jovens não querem ir-se embora. É legítimo que não queiram sair daqui. Amamos esta terra, este sol e este mar, percebam! São mágicos. Tão mágicos que inventamos a palavra saudade. Nenhum outro povo tem um termo que defina tudo o que abrange esta palavra. Acho que nasce connosco, com todos os portugueses, essa nostalgia de uma pátria plena, com mais do que terra, mar e sol. Partir é, de certa forma, desistir de alcançar o paraíso.

Agora, há que reconhecer que os Portugueses têm o fado de emigrar. Ao longo da nossa história, temos sido empurrados para fora do País. «Quantas viúvas choraram, quantas noivas ficaram por casar para que que fosses nosso ó mar”! – cantou o poeta. Foram os descobrimentos, a ocupação da terras e as persistentes secas, com pouco para comer. Tem sido uma fatalidade histórica esta crise endémica, que agora tem a forma do desemprego, dos mercados e dos especuladores.

Esta crise recorrente ao longo da História parece ter um propósito. Há alguns anos atrás, escrevi um livro em parceria com uma amiga, a biologia e investigadora Fátima Proença, falecida recentemente. Um livro sobre Portugal, 
ainda não publicado. Demos-lhe o título «Portugal --Templo de Sete Portas». 

Foi uma aventura de meses, em que nos reuníamos, semanalmente, para inventar, sonhar, ver meditando a trama que teceu o País chamado Portugal. A efabulação é de ambas. A escrita, substancialmente minha. Coube a Fátima Proença, a quem presto homenagem, o privilégio de descobrir, sonhar, inventar as razões porque os portugueses emigram.

Em homenagem à sua memória, amiga querida, vou recortar do livro essa parte mágica.                            
 

  
               
ILUMINAR O PASSADO 
COM A VISÃO DO FUTURO 
OU O SOM DA PALAVRA FALADA EM PORTUGUÊS



«No dia seguinte pela manhã, Sulamita teve uma visão enquanto meditava no recanto da sua cozinha. Primeiro, viu um brilho que a chamava. Então, prestou atenção e viu as portas que encerram as sete virtudes de Portugal. E viu Portugal a elevar-se do chão. 

-- Quando Portugal se eleva do chão deixa de ser matéria densa. Eleva-se e expande-se e ao expandir-se cobre o mundo todo. Esse é o Portugal Sol, cheio de luz. 

Sulamita conta isto a Flor, mas todo o seu ser está interiorizado. As suas palavras, mais do que narrativa, são evocação. 

-- A imagem é lindíssima. Está ligada às Sete Virtudes do Povo Português e às Sete Portas do Templo. O mais bonito de tudo é ver-se Portugal elevar-se do chão e perder a densidade material. Quando isso acontece, Portugal tem então a possibilidade de se expandir. 

Calou-se por momentos, a reflectir. Então formula uma pergunta: 

-- O que é que se expande? Será a Língua Portuguesa? 

--É a Língua Portuguesa, mas não é só a Língua –, respondeu Flor. 

Sulamita pareceu não ouvir. Prosseguiu: 

-- O som da palavra em português já é algo material. Expande-se e pode cobrir o mundo. Pude ver, mas sei que ainda não está no agora. Está no Eterno. 

-- E todavia vai ser agora –, disse Flor. 

Sulamita continuou, porém, como se não tivesse ouvido: 

-- Serão os meus filhos, os meus netos… 

Flor pensa nas virtudes que é preciso recuperar em Portugal. Diz: 

-- Chegou a hora de iniciar a abertura das portas. Temos de pensar nas virtudes que os portugueses tiveram no passado. Continuo a achar que a saudade é uma virtude, mas é a saudade do paraíso, não é a saudade lamecha cantada pelo fado. 

-- A saudade tem de ser transcendida. Temos de passar do «pobre de mim, coitado» para o querer activo de recuperar as virtudes que se perderam e se reencontram no afã de as desejar –, disse Sulamita. 

-- Pela saudade nos vamos transcender?! Perguntou Flor. 

Sulamita calou-se para ouvir por dentro e continuou: 

-- Já não é a saudade. Essas virtudes já estão a vibrar em nós, como se fosse já um transcender da saudade… 

Olhou para a distância e acrescentou: 

-- Alegrai-vos, homens! É chegado os tempos de serdes quem sois… O que no fundo é o reencontro connosco próprios. 

Suspirou. 

-- É como se tivéssemos estado adormecidos! 

Enquanto Sulamita fala, Flor desenha o mapa de Portugal e assinala especialmente Lisboa. Depois escreve no papel para não se esquecer: 

-- Lisboa é por onde Portugal fala. 

Acrescenta uma frase, de que não percebeu a lógica: 

«É Preciso Iluminar o Passado com a Visão do Futuro.» 

Nessa mesma noite, Sulamita deitou-se a pensar em Portugal a elevar-se do chão. De repente, viu-se suspensa no espaço. Podia ver Portugal demarcado da Península Ibérica. Perguntou a si própria: «Quais são as virtudes que devem ser acordadas nos portugueses para que Portugal se levante do chão?» Então viu Portugal a ser recortado da Península Ibérica. Era como se alguém tivesse utilizado um laser de luz para fazer o recorte. Foi tão intenso que Sulamita foi ter com Flor no dia seguinte para lhe contar o que tinha visto. 

-- Ainda estou impressionada. Vi a parte etérea de Portugal ficar mais leve e elevar-se. A seguir vi a própria superfície da crosta terrestre ficar menos densa e também ela se elevar. Então, vi Portugal a elevar-se e a ficar destacado de Espanha. A parte mais etérea, com a forma de Portugal, subiu como se fosse uma nuvem e começou a expandir-se. Eu já tinha visto isto anteriormente, mas não tinha percebido como é que isso acontecia, nem porquê. Foi-me dito agora que o que faz levantar Portugal do chão são as virtudes dos portugueses. Mas eu não sabia de que virtudes se tratavam. A resposta surgiu. Senti algo no cérebro como se alguém dissesse: «presta atenção!» Foi-me dito ou veio-me à cabeça para procurar os defeitos dos portugueses. «Procura os defeitos e, pelo oposto, encontrarás as virtudes.» 

Sulamita ouviu isto e começou a ver muitos telemóveis. 

-- Eram tantos os telemóveis, que tapavam Portugal por completo! Era como se Portugal fosse todo feito de telemóveis! Comecei então a ouvir um som que foi aumentando, que era a Palavra falada em Português, e cada região tinha a sua entoação que correspondia a uma das sete notas musicais. Havia notas e sub-notas. Não sei música, não posso explicar melhor. A certa altura, a mistura dessas notas passou a ser um som único, que era a Palavra falada em Português. Era como se o som de todos os telemóveis se tivesse fundido num só. O som tinha uma espessura etérea que cobria todo o Portugal, delimitando-lhe as fronteiras. Gradualmente, o som definiu-se numa só nota musical, com eco e vibração e Portugal elevou-se da Península Ibérica e começou a expandir-se como uma nuvem em movimento. As raízes de Portugal continuavam, porém, agarradas ao solo português e bastava olhar para baixo para ver, como num filme, toda a História de Portugal, desde Afonso Henriques, os reis, a implantação da República, Salazar, os cravos vermelhos… tudo em movimento… 

Calou-se e, nessa altura, Flor teve a sensação de que Sulamita se tinha ausentado para o Lugar de Ouvir a fim de escutar de novo o Som da Palavra. Depois ouviu-a dizer, tendo na voz a energia da descoberta: 

-- Comecei a pensar… é pela fala. É pela Língua!… 

Flor ficou suspensa das palavras de Sulamita, enquanto ela contava o que viu nessa esplendorosa visão. Só conseguiu dizer: 

-- Que belo! É tão belo… -- E olhou para o lado para que Sulamita não lhe visse os olhos marejados de lágrimas. Sempre o sublime será por ela celebrado com o orvalho da Emoção Pura. 

Entretanto, Sulamita retomara a palavra: 

-- Depois de ter descoberto que Portugal se elevava do chão pela Língua, percebi que a mistura da diversidade do linguajar das diversas regiões não só se tinha tornado num único som, mas que esse som correspondia a uma nota, que era a nota musical do Português. Então, o som da nota musical em Português começou a expandir-se pela Madeira, Açores, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique… O som base da Língua era o Português de Portugal, mas ao passar por cada região adquiria cambiantes e ganhava melodia. Era como se eu pegasse numa das cores do arco-íris e lhe fosse adicionando todas as outras cores, mas só até ao ponto de nunca desaparecer a cor utilizada como ponto de partida. 

Calou-se, por momentos, para recuperar o fôlego e prosseguiu: 

-- O som da Língua Portuguesa com os seus «cambiantes» --, deve haver um termo próprio para definir isto! – e a sua vibração continuou a expandir-se por Macau, Timor, pelo Brasil e depois voltou à Europa, passou por França, Luxemburgo, Holanda, Suíça… E o som e a vibração foram acordando a Alma Portuguesa espalhada pelo Mundo. Quando toda a Alma Portuguesa já estava acordada, vi então, ouvindo, que todo o Planeta emitia a melodia do som da Palavra falada, com Vontade, em Português. 

Flor estava suspensa das palavras de Sulamita e desejava, com Vontade, que o que a amiga dizia se estivesse a passar no Agora. O querer faz acontecer e ela quis. Quer. Então Sulamita disse, talvez para tornar mais leve a vibração que ressoava no escritório de Flor: 

-- Quando descobri que Macau também tem uma nota, lembro-me de ter pensado: é uma nota de olhos em bico! A mistura das notas do Português falado pelo mundo cria uma sinfonia que, com essas notas, esses cambiantes, esses vários tons cobrem o Mundo. Ouvir os cambiantes das misturas, os intervalos de passagem de um som para o outro, é muito lindo! Sei o que ouvi e o que senti. O cérebro ficou como que suspenso, maravilhado, espantado… 

-- A Palavra, dita dessa forma, é o Verbo Criador! – Exclamou Flor. 

-- Falta nas Escrituras os cambiantes. O Som é um fazer do não fazer espiritual… Quando uma Língua for utilizada para dizer «faça-se», é um fazer não concreto, é um fazer do Novo Mundo. – E então Sulamita sorriu e disse: -- A minha Pátria é a Língua Portuguesa. Agora compreendo Fernando Pessoa… 

Depois acrescentou: 

-- Quando estou a Ver Portugal expandir-se, parece que sinto a mesma sensação que senti, em tempos antigos, quando me vinham falar das Descobertas. Isso vai voltar a Portugal! 

Sulamita calou-se para poder voltar inteira ao Lugar de Sentir, sem se ter dado conta de que falara das sensações de um Outro Eu em Outro Tempo. E disse: 

-- Paz, pão, saúde, vontade, intuição, sabedoria, alegria, serenidade e muito amor… --, mas não explicou a razão das suas palavras. 

Inesperadamente, acrescentou: 

--Temos de ir a Fátima. 

Flor, que só esteve uma vez em Fátima, de passagem, sem ter conseguido apreender a magia que reconhecem ao lugar, disse simplesmente: 

-- Vamos, quando quiser!»

Do livro inédito «Portugal - Templo de Sete Portas»












PORTUGUÊS: A NOTA MUSICAL 
QUE RESSOA PELO MUNDO,
NO DIAPASÃO DA AFECTIVIDADE







domingo, 22 de abril de 2012

Portu Gral




           O CUBO COMO PEDRA 
                     
            DA REFUNDAÇÃO


No plano simbólico, o cubo surgiu-me nos anos 90 do século passado. Dizer isto, desta maneira, é extraordinariamente saboroso, como se, ao fim e ao cabo, aquilo sobre que me pretendo debruçar se tenha tornado intemporal e eu me disponha a contar uma história.

Quero dizer: vivi o esboçar desta história como se fosse verdade ou a verdade desta mensagem como se fosse uma história. Talvez tenha sido isso que me permitiu viver este maravilhoso com uma saudável distância.
Dito isto, posso avançar na leitura que então fiz da História que vi surgir em imagens, que se foram revelando ou desvelando na tela ou no papel. É uma loucura admito. Mas é uma loucura criadora que, segundo tinha descoberto, podia controlar.

Isto é: ver na tela ou no papel a pintura ou a figura a pintar ou desenhar não era em absoluto novidade. Miguel Ângelo via no mármore a estátua que escondia. A sua tarefa era só tirar o que estava a mais, confessou ele um dia. Claro que os seus admiradores não acreditaram, nem acreditam que o processo possa desencadear-se assim.

Refiro este exemplo, não para me comparar a Miguel Ângelo, o que seria completamente ridículo, mas para dizer que a criação artística pode surgir das esferas do indizível. Tenho a consciência que recebi uma mensagem, uma mensagem que o meu Eu profundo transmitiu ao meu eu quotidiano que, por sua vez, tentou traduzi-lo da melhor maneira que a sua ignorância do labor artístico lhe permitia. Nunca pretendi tornar-me pintora ou escultora, mas traduzir, da melhor maneira possível, o que me chegava dos níveis do inconsciente. Foi por isso que nunca admiti sequer a hipótese de vender algum dos meus quadros.

Desenhei e pintei, assumo-o hoje, com humildade, como se tivesse captado algo que não se destinava directamente a mim, mas fi-lo devotadamente, apaixonadamente, no segredo partilhado, durante muito tempo, somente com três amigos. Um deles era o Professor Agostinho da Silva.

Lembro-me de ter chorado, convulsivamente, num fim de tarde, na sua casa, porque essa explosão de misteriosa criatividade me levava a interrogar sobre quem eu era, o que era, no que me estava a tornar? Como é que isso podia acontecer? Me podia acontecer? Ao mesmo tempo, vivia uma indizível felicidade, nessas paredes meias com o sagrado. Sim, não tive nunca dúvidas, o que passava por mim era da esfera do sagrado.

A actividade jornalística foi a âncora que me manteve firme no concreto e me permitiu fazer investigação por matérias de que nunca antes me interessara, tornando-as o cerne de múltiplas reportagens e entrevistas.

Sei hoje que vivemos no mistério e somos muito mais do que julgamos ser. Lembro-me de uma frase de Jesus Cristo, lida num dos Evangelhos: «Vós sois deuses».

Vós sois deuses. Respeitem-se e exprimam-se como tal.


                                                                                        _____   



    PORTUGAL

 O PORTO DO GRAAL



É neste contexto que surge a “memória” da refundação de Portugal. Porquê e com que objectivo? Porque a valentia e determinação de D. Afonso Henriques ficou ensombrada pela Batalha de S. Mamede, em 1128, e a prisão e afastamento da mãe, a rainha D. Teresa, que haveria de morrer, em circunstâncias não conhecidas, cerca de dois anos depois, em 1130.

Portugal é o Porto do Graal. Há muita gente que o diz. Um dia, há mais de dez anos, conheci uma psicóloga brasileira, que estava em Portugal para tentar localizar o Graal e o levar para o Brasil. Portanto, também no Brasil se acredita no mito e se acreditava que ele era transferível. Não funciona assim. É o Graal que escolhe a sua guardiã e o local onde deve permanecer. O País chamado Portugal foi fundado com o objectivo de guardar o Graal, soubessem ou não as pessoas nele directamente envolvidas. Os meus desenhos dizem-me que a rainha D. Teresa sabia. O rei fundador também. Veja-se o selo que adoptou.

 Portugal -- Porto Gral – Porto do Graal. Descobri desenhando que D. Teresa foi a Guardiã do Graal. Cabe sempre à mulher ser a guardiã do Graal.

 O Graal não é objecto que se possua. É algo que se aceita e se protege até ao momento da sua abertura, em que as suas benesses são derramadas sobre quem as possa merecer, segundo a alma e o sonho de cada um. O que nunca vi escrito em parte nenhuma é que a taça do Graal é formada por energia idêntica à do Sol, no continente e no conteúdo. Um dia pintei isso. E vi que a  energia da taça é a mesma energia que a preenche e que se derrama pelo exterior. Também descobri, (ou um anjo me disse…) que a energia do Graal se adequa ao sonho de cada um.

D. Henrique terá sido um dos cavaleiros do Graal. Afonso Henriques também, mas ao revoltar-se contra a mãe desencadeou uma desarmonia, uma incompletude, de que o Povo Português tem sofrido as consequências ao longo da História. Temos o privilégio de viver num País de sol e mar, mas um atraso arcaico tem-nos condenado a não saber aproveitar as características da terra, que não é tão fértil como a de outros países próximos. Creio que poderia ter-se tornado fértil se fosse adequadamente aproveitada.


A nossa fruta não terá na sua maioria o tamanho adequado aos padrões do resto da Europa, mas o que os europeus parecem desconhecer é que a fruta pequena é muito mais doce e sumarenta do que a que pretendem defender. O que me leva a recordar que as essências raras se vendem em frascos pequenos. Melhor do que a nossa maçã só a do Líbano, não pelo gosto, mas pelo incomparável perfume.
Reli o último parágrafo, sentindo-o irrelevante. 


Quanto à posição geográfica e a um alegado atraso de desenvolvimento (?), só posso dizer que foram as condições necessárias e ideais para manter a nossa periferia e com ela salvaguardar a permanência do Graal no território. Mais precisamente, em Vila Nova de Gaia, hoje cidade. Posso divulgá-lo, porque ele já não se encontra lá.

Verdade ou efabulação de alguém com muito tempo livre?

Voltarei ao tema.




domingo, 15 de abril de 2012

O Sopro da Vida




TUDO É MENTE. O UNIVERSO É MENTAL


Um velho preceito de sabedoria diz que «tudo é mente» e que «o Universo é mental». Simplesmente, só tomei conhecimento desses axiomas depois de ter feito este desenho.

Até então a questão nunca se me colocara. Os pensamentos surgiam, por vezes em sequência lógica, por vezes em catadupa, como se tivessem uma dinâmica própria, mas quem pensava era eu, segundo logicamente considerava. Tinha uma mente, que emanava do meu eu.

O conceito complicou-se no dia em que, ao acordar, ouvi um pensamento a passar. Ainda hoje considero isto uma loucura, Algo que, aliás nunca mais se repetiu.

 O pensamento dizia: «Com os anos os cactos também pensam».

Nunca mais ouvi nada de semelhante, mas passei a admitir que os cactos, as plantas também pensam, da sua forma de pensar.

 E que os pensamentos viajam pelo ar e são captados por diversas pessoas, vibrando no momento em que passam, a semelhante nível de vibração.

Sempre me interroguei porque certas descobertas científicas são feitas quase simultaneamente por vários cientistas. Depois deste incidente passei a admitir que pessoas com idêntico nível científico possam, em determinadas circunstâncias, em certo nível de tensão ou de cansaço, ouvir o que outros pensam. Ou de ouvir a Mente Universal. De ouvir o Conhecimento em vias de se materializar.
Complicado…

Foi este desenho que me despertou a capacidade de aceitar que a realidade é mais ampla e rica do que aquilo que até então imaginara. Ele e outros desenhos de antes e depois dele.

O desenho, a forma que a minha mente encontrou de se revelar a si própria…



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A  CRIAÇÃO   RENOVA- SE  POR CICLOS










Um Ser feminino sopra a Vida. Foi assim desde o princípio. É vida em contínua renovação. A certa altura há uma pausa. Há lodo e animais. E de novo o humano e a civilização. Um recomeço pujante e contínuo, Como descodificar isto? Sinto-me incapaz.

Passo adiante. Ao cartão onde a vida começa no lodo e nos animais. Distingo, à direita, em grande plano o que chamaríamos um ET, (extra terrestre). E um homem macaco? E uma mulher pássaro? Etapas da evolução? Como pode alguém ter certezas? Só que a vida se renova ciclicamente. E que os animais são parte importante nessa evolução. Veja-se o cavalo, o elefante e o dromedário como factor importante do percurso da civilização. E sempre tudo se repete. Ciclicamente. Talvez com premissas diferentes. Quem o possa saber!
  

                                       





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A MÃE CÓSMICA ESTÁ DE PARTIDA 









A mãe cósmica prepara-se para partir.
O seu corpo contem toda a experiência acumulada, O foguetão, o astronauta, o pisar da lua. No seu manto flutua a taça da vida. É um ciclo que acaba? Um ciclo que começa? Prepara-se para partir ou para chegar?


Símbolo de partida ou de chegada é sobretudo símbolo de mudança. Um corpo que se reconhece unitário, capaz de sintetizar toda a experiência adquirida e de reformular pelas bases toda a civilização.
É isso que é pedido ao Homem/Mulher cósmico. É isso que somos. Cada um de nós.   





sábado, 7 de abril de 2012

A Descoberta



DA TERRA AS ESTRELAS ILUMINARAM  O CÉU





Durante mais de quarenta anos escrevi prosa de «embrulhar castanhas», como sabiamente a qualificou, o então meu camarada de Redacção, José Carlos de Vasconcelos, numa crónica sobre  jornalismo.

Prosa efémera, com a utilidade última de forrar caixotes ou mais emblematicamente de «embrulhar castanhas», o jornalismo foi para mim um meio de intervenção, mas sobretudo, reconheço-o agora, uma forma de me conhecer melhor ao tentar perceber o ser humano, a sociedade, o País, o Mundo em que vivia. 

Afastei-me ao 60 anos por alergia à nuvem de fumo dos cigarros, que empestava então as Redações . Mas havia outra razão.

Quinze anos antes eu descobrira novas linguagens. O desenho e depois a pintura e a escultura. Só que eu não sabia pintar, nem desenhar, nem esculpir. Simplesmente, eu via no papel, traço a traço, o que havia a desenhar, a cor era encontrada por tentativa e erro, daí não ser obra perfeita, mas isso nunca me preocupou, porque conseguia exprimir o que precisava dizer. Quanto ao barro, esse ganhava forma na carícia das minhas mãos. Quer dizer: uma loucura, que eu não tinha coragem de assumir.

Afastei-me, desapareci. Talvez alguém ainda se lembre de mim, não tem importância nenhuma, Sou outra. Continuo jornalista. Jornalista dos Novos Tempos. Aquilo que aprendi com os meus desenhos talvez me permita fazer interpretações que escapem a outras análises.

Foi assim que pintei este quadro. O primeiro que pintei, Nada vale como pintura, não importa. Importa aquilo de que fala. De Portugal. É o retrato de uma mulher, repare-se. Repare-se ainda que a linha do perfil  é a linha da costa de Portugal, que se prolonga pelo rosto. Pela mente de Portugal.

A primeira figura dessa mente é a Rainha D. Teresa,  logo a seguir, de manto verde, surge a Rainha Santa Isabel, com D. Sebastião e a rainha D. Catarina, Depois o conde D. Henrique e D. Afonso Henriques. E, como eixo central, Luís de Camões, sendo arrastado pela Infanta D. Maria...
Há outras personagens que não descodifiquei. Talvez desse lado, alguém complete a leitura.
Para já há só a acrescentar a frase que acompanhou a pintura do quadro: «DA TERRA AS ESTRELAS ILUMINARAM O CÉU».


                                                                                        _____                                                                       


E O CÉU FLORIU




Três mulheres foram surgindo, traço a traço, na folha de cartolina. A figura central parece de certa forma divertida por se ver rodeada por duas santas. Santa Clara e a rainha Santa Isabel.


Poderá eventualmente dizer-se: o centro é ocupado pela mulher de hoje, guiada e tutelada por duas figuras femininas, que marcaram e marcam ainda a alma do Povo Português? Será ela um arquétipo da mulher portuguesa, a figura que reúne, simultaneamente, Clara, a amorosa que segue o amado na busca do divino e por ele vive o amor renunciando à liberdade, à riqueza e à felicidade humana? E Isabel, a rainha que amou os pobres muito mais do que a riqueza, o poder e o seu Rei? Poderá a figura central gerar o equilíbrio entre as duas santas e ser o cânone da nova mulher?

 Tudo especulações. Só me chegou uma frase, «e o céu floriu». E a minha incumbência, ao que admitia, era a de a pintar um Céu a florir. Mas eu não sabia desenhar nem pintar flores. Não sabia.  Vejam à esquerda a rosa vermelha que tentei desenhar e pintar e verão o que quero dizer.

De repente, porém, o lápis de cera amarelo começou a desenhar botões de rosa, com toda a facilidade, que se manifestavam em cor para meu espanto e começaram a descer sobre a freira do quadro, a minha Santa Clara.

E o Céu floriu nessas rosas! O engraçado é que foi só ao começar a escrever esta prosa que consciencializei que o céu floriu também nessas três mulheres.



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A REFUNDAÇÃO DE PORTUGAL




A figura da rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, foi quase postergada da história de Portugal. E, todavia, ela teve um papel essencial na defesa do condado Portucalense. Depois da morte do conde D. Henrique foi ela quem manteve a coesão e a independência possível do território.

A sua figura foi de certa forma diabolizada para exaltar o valor e prestígio do nosso primeiro rei, mas é ela que está no impulso de independência. Diria que a ambição de D. Teresa era ligar o condado Portucalense à Galiza. Pelo menos é o que me diz o conde D. Henrique quando aponta, com o seu dedo indicador, a figura de D. Teresa. Ela é que está na génese de todo o movimento de expansão e conquista. Claro que isto é uma interpretação. Eu desenhei e pintei o que vi na tela. Será que tresli? Será que projectei a realidade que desejava? Francamente, francamente, eu estava à época profundamente empenhada no Portugal de então e aceitava como boas, fiáveis, as informações dos historiadores que chegaram até nós.

A informação que me chegava através do desenho era de um casal enamorado ou pelo menos de um homem enamorado e de uma mulher terna que se rendia à situação. E veja-se que Teresa era a mão esquerda de Henrique. A mão do coração. No lado oposto, vê-se uma barca, de céu azul e sonho. Tareja está grávida. Henrique envelheceu. O futuro vai chegar.

O Futuro ocupa a parte central com a figura da rainha Santa Isabel e do Conde D. Henrique, cada um a ocupar uma das faces de um cubo. A pedra da nossa fundação. Isabel entronca numa outra personagem, a Infanta D. Maria, que haveria de nascer no século XVI. E agora atrevo-me a dizer esta coisa louca, magnífica, fundadora, refundadora. A refundação de Portugal assenta em três personagens: a Rainha Santa Isabel, o conde D. Henrique e D. Maria, a filha de D. Manuel I. Uma trindade composta por uma santa, um guerreiro e uma mulher que ao reino de Portugal sacrificou o seu amor.


NOTA: Tudo isto vai ser considerado uma grande loucura. Eu também acho que é. A divina loucura. Não inventei nada. Recebi a mensagem. Estou a passá-la. Se não a aceitaram como possível, não faz mal. Fui eu que a inventei.

HOMENAGEM : Ao meu neto Francisco, a quem devo o impulso e o «know how» necessário para iniciar este blogue.