O CUBO COMO PEDRA
DA REFUNDAÇÃO
No plano simbólico, o cubo surgiu-me nos anos 90 do
século passado. Dizer isto, desta maneira, é extraordinariamente saboroso, como
se, ao fim e ao cabo, aquilo sobre que me pretendo debruçar se tenha tornado intemporal
e eu me disponha a contar uma história.
Quero dizer: vivi o esboçar desta história como se fosse
verdade ou a verdade desta mensagem como se fosse uma história. Talvez tenha
sido isso que me permitiu viver este maravilhoso com uma saudável distância.
Dito isto, posso avançar na leitura que então fiz da História
que vi surgir em imagens, que se foram revelando ou desvelando na tela ou no
papel. É uma loucura admito. Mas é uma loucura criadora que, segundo tinha
descoberto, podia controlar.
Isto é: ver na tela ou no papel a pintura ou a figura a
pintar ou desenhar não era em absoluto novidade. Miguel Ângelo via no mármore a
estátua que escondia. A sua tarefa era só tirar o que estava a mais, confessou
ele um dia. Claro que os seus admiradores não acreditaram, nem acreditam que o
processo possa desencadear-se assim.
Refiro este exemplo, não para me comparar a Miguel
Ângelo, o que seria completamente ridículo, mas para dizer que a criação
artística pode surgir das esferas do indizível. Tenho a consciência que recebi
uma mensagem, uma mensagem que o meu Eu profundo transmitiu ao meu eu
quotidiano que, por sua vez, tentou traduzi-lo da melhor maneira que a sua
ignorância do labor artístico lhe permitia. Nunca pretendi tornar-me pintora ou
escultora, mas traduzir, da melhor maneira possível, o que me chegava dos
níveis do inconsciente. Foi por isso que nunca admiti sequer a hipótese de
vender algum dos meus quadros.
Desenhei e pintei, assumo-o hoje, com humildade, como se
tivesse captado algo que não se destinava directamente a mim, mas fi-lo
devotadamente, apaixonadamente, no segredo partilhado, durante muito tempo,
somente com três amigos. Um deles era o Professor Agostinho da Silva.
Lembro-me de ter chorado, convulsivamente, num fim de
tarde, na sua casa, porque essa explosão de misteriosa criatividade me levava a
interrogar sobre quem eu era, o que era, no que me estava a tornar? Como é que
isso podia acontecer? Me podia acontecer? Ao mesmo tempo, vivia uma indizível
felicidade, nessas paredes meias com o sagrado. Sim, não tive nunca dúvidas, o
que passava por mim era da esfera do sagrado.
A actividade jornalística foi a âncora que me manteve
firme no concreto e me permitiu fazer investigação por matérias de que nunca
antes me interessara, tornando-as o cerne de múltiplas reportagens e
entrevistas.
Sei hoje que vivemos no mistério e somos muito mais do
que julgamos ser. Lembro-me de uma frase de Jesus Cristo, lida num dos
Evangelhos: «Vós sois deuses».
Vós sois deuses. Respeitem-se e exprimam-se como tal.
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PORTUGAL
O PORTO
DO GRAAL
É neste contexto que surge a “memória” da refundação de
Portugal. Porquê e com que objectivo? Porque a valentia e determinação de D.
Afonso Henriques ficou ensombrada pela Batalha de S. Mamede, em 1128, e a
prisão e afastamento da mãe, a rainha D. Teresa, que haveria de morrer, em
circunstâncias não conhecidas, cerca de dois anos depois, em 1130.
Portugal é o Porto do Graal. Há muita gente que o diz. Um
dia, há mais de dez anos, conheci uma psicóloga brasileira, que estava em
Portugal para tentar localizar o Graal e o levar para o Brasil. Portanto,
também no Brasil se acredita no mito e se acreditava que ele era transferível.
Não funciona assim. É o Graal que escolhe a sua guardiã e o local onde deve
permanecer. O País chamado Portugal foi fundado com o objectivo de guardar o
Graal, soubessem ou não as pessoas nele directamente envolvidas. Os meus
desenhos dizem-me que a rainha D. Teresa sabia. O rei fundador também. Veja-se
o selo que adoptou.
Portugal -- Porto
Gral – Porto do Graal. Descobri desenhando que D. Teresa foi a Guardiã do
Graal. Cabe sempre à mulher ser a guardiã do Graal.
O Graal não é
objecto que se possua. É algo que se aceita e se protege até ao momento da sua
abertura, em que as suas benesses são derramadas sobre quem as possa merecer,
segundo a alma e o sonho de cada um. O que nunca vi escrito em parte nenhuma é
que a taça do Graal é formada por energia idêntica à do Sol, no continente e no
conteúdo. Um dia pintei isso. E vi que a
energia da taça é a mesma energia que a preenche e que se derrama pelo
exterior. Também descobri, (ou um anjo me disse…) que a energia do Graal se
adequa ao sonho de cada um.
D. Henrique terá sido um dos cavaleiros do Graal. Afonso
Henriques também, mas ao revoltar-se contra a mãe desencadeou uma desarmonia,
uma incompletude, de que o Povo Português tem sofrido as consequências ao longo
da História. Temos o privilégio de viver num País de sol e mar, mas um atraso
arcaico tem-nos condenado a não saber aproveitar as características da terra,
que não é tão fértil como a de outros países próximos. Creio que poderia ter-se
tornado fértil se fosse adequadamente aproveitada.A nossa fruta não terá na sua maioria o tamanho adequado aos padrões do resto da Europa, mas o que os europeus parecem desconhecer é que a fruta pequena é muito mais doce e sumarenta do que a que pretendem defender. O que me leva a recordar que as essências raras se vendem em frascos pequenos. Melhor do que a nossa maçã só a do Líbano, não pelo gosto, mas pelo incomparável perfume.
Reli o último parágrafo, sentindo-o irrelevante.
Quanto à posição geográfica e a um alegado atraso de desenvolvimento (?), só posso dizer que foram as condições necessárias e ideais para manter a nossa periferia e com ela salvaguardar a permanência do Graal no território. Mais precisamente, em Vila Nova de Gaia, hoje cidade. Posso divulgá-lo, porque ele já não se encontra lá.
Quanto à posição geográfica e a um alegado atraso de desenvolvimento (?), só posso dizer que foram as condições necessárias e ideais para manter a nossa periferia e com ela salvaguardar a permanência do Graal no território. Mais precisamente, em Vila Nova de Gaia, hoje cidade. Posso divulgá-lo, porque ele já não se encontra lá.
Verdade ou efabulação de alguém com muito tempo livre?
Voltarei ao tema.

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