quarta-feira, 31 de julho de 2013

Tempo de Descanso e Reflexão


BOAS FÉRIAS






COM SOL E MAR



OU NUM RECANTO DA PROVÍNCIA,
 COM UM VASTO HORIZONTE,
MUITAS ÁRVORES E UMA BRISA FRESCA
O CHEIRO DA TERRA E DAS FLORES
QUANTO POSSÍVEL LONGE DA TELEVISÃO
E RECRIANDO UM FUTURO MAIS HUMANO E FELIZ.


O UNIVERSO É MENTAL
VIVEMOS O QUE IMAGINAMOS.


IMAGINEM UM PORTUGAL MELHOR
MAIS JUSTO E CALOROSO
RETOMANDO A VOCAÇÃO DE SER
PORTU GRAL.






Até Setembro. 

domingo, 28 de julho de 2013

De Olhos no Horizonte




OLHAR O HORIZONTE PARA NÃO ENJOAR


Nos últimos tempos da sua vida, o Prof. Agostinho da Silva dizia muitas vezes: «Vem aí um tempo em que vai ser preciso olhar o horizonte para não enjoar!”. Creio, aliás, já ter referido isto, mas a frase ganhou mais relevância. Porquê? Porque chegamos a esse tempo.

Estamos a viver esse tempo. E que grande enjoo provoca tudo o que se passa à nossa volta! Creio que há uma vontade colectiva de mudar de página, mas o poder estabelecido agarra com pés e mãos a oportunidade de adequar a realidade às suas ambições. Aos interesses do grupo a que pertence. Parece que temos de aguentar, pelo menos até às eleições autárquicas, esperando que a situação mude. E como se trata de uma questão de meses, talvez o Poder em exercício se contenha para minimizar a derrocada das eleições. Veremos com que máscara se apresenta. Talvez Passos aprenda, entretanto, a adequar a linguagem às expectativas dos portugueses, para tentar enganar os ingénuos e os desprevenidos. 

Talvez contenha a sua ânsia de vender tudo ao desbarato, pelo menos até à realização das eleições. A nosso favor temos o facto de ele não conseguir adequar o fácies às palavras e esconder os seus objectivos. É afirmativo, só isso lhe dá a aparência de Poder. Entretanto, isso não lhe permite esconder as suas verdadeiras intenções. Ou talvez nem queira fazê-lo.

De que vale ter Poder se não se tem prazer com ele? Ou autoridade, afirmação pessoal, reconhecimento público, ninharias dessas…


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PORTUGAL E A VENDA A RETALHO

Creio que nunca perdoarei a este Governo a venda a retalho do que de melhor Portugal ainda possui. A possível venda dos Correios vai valer, para todo o sempre, uma grande mancha negra na memória de Passos Coelho e Paulo Portas, como aprendizes a governantes. A História não vai esquecer e serão vilipendiados no futuro por todas as privatizações apressadas e abusivas.

A venda dos CTT vai marcar para sempre, não tenham dúvidas, a imagem destes aprendizes a estadistas. A História não lhes perdoará. Para já, garantiram o direito a serem recordados por, em dois anos, terem conseguido a proeza de baterem o record nacional de mais de um milhão de desempregados! Um record conseguido, aliás, com a ajuda metódica e proficiente de Vítor Gaspar! Há que não esquecer.

Dá uma grande ajuda cultivar a memória de elefante.

Os Portugueses vão aguentar esta situação até quando?


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UMA ONDA DE CONSCIÊNCIA  ESTÁ A VARRER O PLANETA


Se há alguém que, neste País, tem direito à indignação são as mulheres. Que mulher aguenta, sem lágrimas nem revolta, não ter comida para dar aos filhos? Na escola comiam a refeição da manhã! Que vai acontecer, este ano, durante as férias? Como é triste ter de fazer esta pergunta! E ainda que a cantina da escola continue a fornecer alimentação, mesmo no período de férias, quem dará às crianças a refeição da noite, com pai e mãe desempregados? Terão de ir para a cama sem comer?! E o que comem os pais para poderem continuar a cuidar e educar os filhos?! Francamente, nunca imaginei que chegássemos a isto.

 Nunca esperei que a fome voltasse a acontecer na Europa, em pleno século XXI! Fome envergonhada, que será porventura a mais dolorosa das fomes, pois não permite ser nomeada. Uma forme que apela cada vez mais à nossa solidariedade.

Se alguma coisa de bom pode desencadear uma situação destas é o despertar muito vivo da solidariedade e de uma renovada consciência dos direitos humanos. Direitos à Paz, ao Pão, à Saúde e à Educação, sabendo que somos todos irmãos e que ninguém pode ser verdadeiramentre feliz nem sentir-se seguro enquanto houver gente com fome. Alguém que não tem dinheiro para comprar os medicamentos que precisa nem uma casa onde morar. E uma das provas mais chocantes do paroxismo da loucura do homem que alcançou o Poder em Portugal, com falsas promessas, é o descabelado aumento das rendas, para «exterminar?» de vez os mais pobres e os mais fracos?! Se não é isto que pretende, parece.

Indignação: é isto que sinto. Indignação é o que espero que se exprima alto e sem medo por todos aqueles que, neste País, ainda têm consciência. Por todos aqueles que, nos diversos países do Mundo, estão a começar a ter consciência da exploração a que são submetidos e passaram a invadir as ruas para reclamar os seus direitos.

Percebam os que estão no Poder: por todo o Mundo está a processar-se um movimento colectivo e imparável dos que clamam por Justiça. É um movimento que, na generalidade, pretende soluções de equidade e Paz. E, se não as conseguir, o que poderá acontecer? 
Receio seriamente que, se não se encontrar respostas, possa tornar-se incontrolável. E isso poderá não ser bom para ninguém. Lembrem-se da Revolução Francesa, dos descamisados, de todos os famintos da Terra.

Através da Televisão, todos sabem hoje como vive uma minoria de privilegiados. O bom senso mandaria que se desse a todos o essencial, pelo menos, à sua sobrevivência. Ou eles, mais tarde ou mais cedo, reclamarão a sua parte dos frutos da Terra. E os sinais prenunciam que isso vai acontecer AGORA. 

Suspeito que estas palavras não encontrarão eco. Sinto-me, porém, na obrigação de as dizer. Não basta manter os privilégios do Exército, da Polícia e dos Juízes. Tudo se desmoronará se e quando o Povo quiser.  

Entretanto, está sol, as pessoas estão nas praias e, aparentemente, tudo parece estar bem.
Paulo Portas ri,  feliz, porque jogou tudo e venceu… Até quando?


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UMA IMAGEM DE SERENIDADE


E, por fim, a terminar, hoje, proponho-vos como reflexão esta imagem de serenidade.
Por quê? Porque, ainda que tudo à nossa volta pareça estar a ruir, encontraremos sempre um caminho de saída, se tivermos cultivado em nós a serenidade.

Até breve.




  

quarta-feira, 17 de julho de 2013

No Estertor De Uma Civilização


A MUDANÇA DE PARADIGMA 

Ao acordar hoje, tudo à minha volta era luz. Inundada por essa luz fiquei muito tempo a admirá-la. A dado momento, sem pensar, abri os olhos. E vi-me envolvida pela penumbra do quarto…

Há muito tempo que isto não me acontecia. E nunca fora exactamente assim. Eu via a luz à minha volta e, a certa altura, a luz desaparecia. Desta vez tive de exercer o acto da vontade.
Tive de querer abrir os olhos para que a Luz desaparecesse. Foi como se me tivesse transportado de uma realidade para outra pela força da vontade…

Ao escrever isto apercebi-me, de repente, que a mudança de paradigma terá de ser realizada assim. Por um acto de vontade. Um acto de vontade colectivo.


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ALTERAR AS REGRAS DO JOGO

Estarei a repetir-me, mas isso é de somenos. Ou melhor, é inevitável. Acho que terei de me repetir até à exaustão, se tal for necessário, até que a realidade mude. Que panorama tão confrangedor nos está a oferecer a Europa e o Mundo! Não tenham dúvidas, é o estertor de uma civilização! Urge alterar as regras do jogo.

Talvez a China seja o País onde a incomodidade se vai instalar em breve. É inevitável. A exibição de riqueza faz despertar o Povo mais desfavorecido. Se o outro tem, porque não poderei eu ter? Este sempre foi o gatilho da mudança. Mudança que vai rebentar como pólvora entre os povos asiáticos sujeitos à mais dura das explorações, de que os ocidentais têm beneficiado. Chegou o tempo da procura do equilíbrio. Chegou o tempo do fim da exploração de povos e de camadas sociais. Chegou o Tempo do respeito pelo outro, que as revoluções nunca conseguiram implantar. O mais que conseguiram foi substituir os explorados e a sua origem.


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A VIGILÂNCIA DOS POVOS

A vigilância exercida sobre o Povo e os Povos visa proteger o status quo. Manter a ordem estabelecida. Simplesmente, isso já não é possível. Não se pode dar instrução às massas para acelerar o progresso e esperar que as massas não adquiram uma nova consciência dos seus direitos. Não há como deter a consciência quando o ser humano desenvolve a capacidade de pensar. Este é o grande conflito das sociedades modernas. Para desenvolver a civilização das máquinas teve de se desenvolver primeiro uma humanidade capaz de as conceber e construir. Quando as máquinas tornaram possível dispensar uma elevada percentagem de trabalhadores, surge o problema que se está a viver intensamente em Portugal: como dispensar trabalhadores, sem desorganizar a sociedade, sem desencadear a violência? É um problema insolúvel. Iremos em breve ver como uma equação destas acaba por se resolver!

Poderíamos fazer previsões, mas não o faremos. As perspectivas já são suficientemente perturbadoras. Ou os Governantes que nos vão sair na rifa são suficientemente humanos e experientes para avançarem com soluções aceitáveis, ou não sei o que vai acontecer em Portugal nos próximos tempos. E, quando digo Portugal, quero referir-me à restante Europa e ao Mundo, porque a solução a que aqui se chegar vai influenciar o devir em outras nações do Mundo. Acreditem ou não, tanto faz…


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RENASCE-SE SEMPRE DAS CINZAS

A terminar, vou relembrar um drama histórico, passado no século XVI, em Portugal. 
Representei-o neste quadro pelo rosto de uma jovem que é arrastada pelas águas de uma ribeira de águas turvas, a Infanta D. Maria, e pela efígie de Luís de Camões, o poeta português que escreveu «Os Lusíadas», um dos grandes livros da Humanidade.

Já referi mais de uma vez estes amores. Hoje documento em imagem as vidas sofridas que ambos tiveram: ela, aprisionada no seu fardo de princesa, a sempre noiva, como ficou conhecida e que nunca casou; ele, que também não casou, e que andou pelo Oriente, onde escreveu os Lusíadas, transformando a sua dor num dos grande livros da Humanidade.

«Amo tanto a minha Pátria que não me contento a morrer nela, mas com ela», cito de cor a frase de Camões, que morreria pouco antes de os Filipes de Espanha terem «herdado» Portugal. Como já uma vez referi aqui, D. Maria tinha-se deixado morrer, pouco antes, de desgosto pelo que se estava a passar no País.

Foram 60 anos de domínio espanhol mas, no dia 1 de Dezembro de 1640, Portugal retomou a sua independência. Quer dizer, somos o País mais antigo da Europa, ou o segundo mais antigo, segundo alguns.  Temos uma Alma, uma História, uma Memória. Temos um solo que é profundamente nosso e ninguém nos pode tirar, sejam os mercados ou os mercadores de interesses. Quando ofendem a nossa Alma, por vezes esquecemo-nos dos brandos costumes e dos cantares de amigo, que dão a faceta amorosa da alma Portuguesa.
Silenciosa e forte há a vontade colectiva de ser Portugal.


Ouça quem deve ouvir.



segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Parto, o Poder e a Morte




TRÊS ACTOS DO ESPECTÁCULO DA VIDA




O DRAMA DO PARTO


O primeiro acto represento-o aqui pela cerimónia de um nascimento, no contexto de uma família da realeza. Desenhei-o numa altura em que não sabia ainda quem desenhava nem o porquê de ser levada a fazer tais desenhos. Depois, à medida que as figuras se repetiram, passei a reconhecer algumas delas e a admitir que elas vinham até mim para me ensinarem ou transmitir alguma informação, que viria a ser relevante na minha vida. Mas disso creio já ter falado.

Hoje sei que a figura deitada no estranho cadeirão é a rainha Isabel de Aragão. E que a corte à sua volta aguarda um nascimento.  Por estranho que nos possa parecer hoje, o nascimento de um membro da família real tinha outrora de ser testemunhado por elementos da corte, para confirmarem que a criança era realmente filha da rainha e que não seria trocada por altura do parto. Imaginem a violência que era ter elementos da corte a presenciar o parto, nos gritos, sangue e dor! O nascimento como acto público, devidamente testemunhado, imaginem! Pobres rainhas sem privacidade! E, ao que consta, os camareiros testemunhavam dia a dia se o rei cumpria ou não o seu dever conjugal…Pobre realeza!



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O ESPECTÁCULO DO PODER


O segundo acto representa a exibição do Poder. O rei D. Afonso IV, tendo à sua direita a mãe, a rainha Isabel de Aragão, já então com a Pomba do Espírito pousada na cabeça…



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O ACTO PÚBLICO DA MORTE


Por fim, a morte como acto público, em que toda a corte confraterniza e em que só uma mulher exibe um sofrimento real, algures aos pés do rei ou, não o sendo, do que em vida deteve o Poder. Os visitantes homenageiam a morte, como facto natural e projectam o futuro…



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OS MESMOS OU OUTROS 
PROSSEGUEM DENTRO DE MOMENTOS



A propósito ou a despropósito assinalo aqui hoje o espectáculo gratuito que os ainda nossos governantes nos têm oferecido, nos últimos dias, gratuitamente. Espectáculo triste, à medida dos seus protagonistas, e que os marcaram indelévelmente, quer permaneçam no Poder ou não. Só é relevante pelas consequências que cairão sobre todos nós, seja qual for o desfecho.  Como é que os poderemos tomar a sério?

As consequências serão sempre negativas, quer seja virada a página ou não.

Que Deus nos confirme nos brandos costumes.

Haja Deus!



quarta-feira, 3 de julho de 2013

E o Povo Sofre…



O ESPECTÁCULO SEGUE DENTRO DE MOMENTOS


Nunca simpatizei com o jornalista Paulo Portas, não propriamente pelo que escrevia, mas pela sua capacidade de não estar nunca no sítio onde os agentes judiciais o procuravam, para o convocar para o Tribunal, por delitos de imprensa. Na minha perspectiva, isso pressupunha uma rede de informadores que lhe permitiam escapar sempre às consecutivas notificações, até que os processos prescrevessem… Considerei sempre isso como uma fuga à responsabilidade. Ou o jornalista tinha a certeza do que noticiara, ou não tinha e prejudicara terceiros sem provas. A fuga à responsabilidade foi a saída mais fácil..

Ganhei alergia ao Primeiro Ministro quando o vi seguir para o Teatro, com a mulher, onde cantou e riu, na noite em que, pela primeira vez, anunciou ao País a mais dura das austeridades. Foi nessa noite que descobri, pela primeira vez, que Passos Coelho era um político sem sensibilidade humana nem social, com uma parcela acentuada de autismo.
Há dois anos que observo estas duas personagens nas reportagens televisivas. Se lhes for possível revisitar as gravações das idas semanais do Executivo ao Parlamento, reparem no tipo de relacionamento entre o Primeiro Ministro e Portas, que sempre senti como um espectáculo confrangedor, em que Portas era olhado com um misto de desprezo e ironia, a lembrar um espectáculo de circo de facas afiadas. Metafóricas, claro! E nunca percebi como Portas aguentava aquilo, nem exactamente porquê. Pelo gosto do Poder? Não me constava que ele fosse tão masoquista. Sempre admiti que ele acabaria por reagir.

Neste momento, os jornalistas estão a contestar a demissão de Portas. Para mim, a surpresa é que a demissão só se tenha verificado agora. E por quê? Porque nunca vi ninguém que tenha sido tão humilhado em público como Portas foi pelo Primeiro Ministro. Humilhado, desprezado, ironizado pelo jogo facial de Passos Coelho. Foi preciso ter uma grande capacidade de encaixe para fingir que não se passava nada, para aguentar o clamoroso desprezo evidenciado pelo Primeiro Ministro. A ideia que dava era que Passos Coelho tinha Paulo Portas na mão, por alguma razão obscura. Passou a constar depois que teria outras personalidades controladas, fosse isso verdade ou não. A sua proximidade com espiões ter-lhe-à permitido conhecer alguns dos  podres de certas individualidades?! Mas isto são as borbulhas da má língua, a que tem de se dar o devido desconto.

Finalmente, Portas reagiu! Mais vale tarde do que nunca. Talvez tenha percebido que o dossier que lhe fora encomendado não fora nunca para ser aplicado, mas uma forma de o comprometer com o que corresse mal. Claro que a tomada de posse da nova ministra das Finanças foi a gota de água que fez transbordar uma vasilha demasiado cheia.

Com o pedido de demissão na mão, o Primeiro Ministro resolveu declarar que não aceitava o pedido, como se isso fosse verdadeiramente exequível. Entretanto, foi espairecer para Berlim. A continuação da comédia bufa segue dentro de momentos. O pior é que os juros subiram, o Povo sofre e Portugal continua parado. Esperemos que o programa mude dentro de momentos.


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OU CARDOS OU ROSAS, A ESCOLHA É NOSSA


Os Pobres voltaram a estender a mão nas ruas, como não acontecia desde a minha infância. É horrível termos de nos confrontar com esta calamidade.

Há um movimento em Portugal que se auto-denomina de «Os Indignados». Hoje, quero juntar a minha à sua voz para dizer que não podemos aceitar isto. Há suficiente riqueza na Europa para que possamos admitir que haja fome nas ruas, porventura na casa ao lado. Há suficiente riqueza em Portugal para que possamos aceitar que crianças se deitem de barriga vazia. Temos que evitar que tal aconteça. Temos de despertar a nossa consciência social e encontrar soluções. Porque há soluções e há trabalho para todos, se finalmente se instalar uma revolução de mentalidades.

Ao contrário da política do horário de trabalho alargado, o que é necessário é que a Europa defenda e aplique horários de trabalho de cinco horas diárias, no máximo. Ou, como vi defendido em tempos, quando parecia que avançávamos para uma sociedade mais justa, o estabelecimento de um programa semanal de trabalho de três dias por semana. Esta era a forma encontrada, há 20 ou 30 anos, por alguns ideólogos, de uma sociedade futura onde haveria trabalho e lazer para todos, e onde se promoveria sem açambarcamento a riqueza e felicidade humana.

O egoísmo de alguns promoveu a concentração da riqueza em 10 por centro da Humanidade. Será que em consciência poderemos aceitar e sancionar isso? Será que teremos de assistir aos desmoronar das sociedades para que finalmente possa eclodir uma forma mais justa de viver?

Portugal, ao longo dos tempos, tem sido um cadinho onde o futuro se experimenta. Não foi por acaso que abrimos o mar à Europa e realizamos a viagem até ao extremo do mundo, como finalmente há pouco tempo foi confirmado.

O que surgir agora aqui vai moldar o mundo dos próximos séculos. Cuidado com o que permitimos que aqui floresça. Tanto poderemos espalhar cardos como rosas pelo mundo. A Europa vai escolher. E nós com ela.