quarta-feira, 3 de julho de 2013

E o Povo Sofre…



O ESPECTÁCULO SEGUE DENTRO DE MOMENTOS


Nunca simpatizei com o jornalista Paulo Portas, não propriamente pelo que escrevia, mas pela sua capacidade de não estar nunca no sítio onde os agentes judiciais o procuravam, para o convocar para o Tribunal, por delitos de imprensa. Na minha perspectiva, isso pressupunha uma rede de informadores que lhe permitiam escapar sempre às consecutivas notificações, até que os processos prescrevessem… Considerei sempre isso como uma fuga à responsabilidade. Ou o jornalista tinha a certeza do que noticiara, ou não tinha e prejudicara terceiros sem provas. A fuga à responsabilidade foi a saída mais fácil..

Ganhei alergia ao Primeiro Ministro quando o vi seguir para o Teatro, com a mulher, onde cantou e riu, na noite em que, pela primeira vez, anunciou ao País a mais dura das austeridades. Foi nessa noite que descobri, pela primeira vez, que Passos Coelho era um político sem sensibilidade humana nem social, com uma parcela acentuada de autismo.
Há dois anos que observo estas duas personagens nas reportagens televisivas. Se lhes for possível revisitar as gravações das idas semanais do Executivo ao Parlamento, reparem no tipo de relacionamento entre o Primeiro Ministro e Portas, que sempre senti como um espectáculo confrangedor, em que Portas era olhado com um misto de desprezo e ironia, a lembrar um espectáculo de circo de facas afiadas. Metafóricas, claro! E nunca percebi como Portas aguentava aquilo, nem exactamente porquê. Pelo gosto do Poder? Não me constava que ele fosse tão masoquista. Sempre admiti que ele acabaria por reagir.

Neste momento, os jornalistas estão a contestar a demissão de Portas. Para mim, a surpresa é que a demissão só se tenha verificado agora. E por quê? Porque nunca vi ninguém que tenha sido tão humilhado em público como Portas foi pelo Primeiro Ministro. Humilhado, desprezado, ironizado pelo jogo facial de Passos Coelho. Foi preciso ter uma grande capacidade de encaixe para fingir que não se passava nada, para aguentar o clamoroso desprezo evidenciado pelo Primeiro Ministro. A ideia que dava era que Passos Coelho tinha Paulo Portas na mão, por alguma razão obscura. Passou a constar depois que teria outras personalidades controladas, fosse isso verdade ou não. A sua proximidade com espiões ter-lhe-à permitido conhecer alguns dos  podres de certas individualidades?! Mas isto são as borbulhas da má língua, a que tem de se dar o devido desconto.

Finalmente, Portas reagiu! Mais vale tarde do que nunca. Talvez tenha percebido que o dossier que lhe fora encomendado não fora nunca para ser aplicado, mas uma forma de o comprometer com o que corresse mal. Claro que a tomada de posse da nova ministra das Finanças foi a gota de água que fez transbordar uma vasilha demasiado cheia.

Com o pedido de demissão na mão, o Primeiro Ministro resolveu declarar que não aceitava o pedido, como se isso fosse verdadeiramente exequível. Entretanto, foi espairecer para Berlim. A continuação da comédia bufa segue dentro de momentos. O pior é que os juros subiram, o Povo sofre e Portugal continua parado. Esperemos que o programa mude dentro de momentos.


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OU CARDOS OU ROSAS, A ESCOLHA É NOSSA


Os Pobres voltaram a estender a mão nas ruas, como não acontecia desde a minha infância. É horrível termos de nos confrontar com esta calamidade.

Há um movimento em Portugal que se auto-denomina de «Os Indignados». Hoje, quero juntar a minha à sua voz para dizer que não podemos aceitar isto. Há suficiente riqueza na Europa para que possamos admitir que haja fome nas ruas, porventura na casa ao lado. Há suficiente riqueza em Portugal para que possamos aceitar que crianças se deitem de barriga vazia. Temos que evitar que tal aconteça. Temos de despertar a nossa consciência social e encontrar soluções. Porque há soluções e há trabalho para todos, se finalmente se instalar uma revolução de mentalidades.

Ao contrário da política do horário de trabalho alargado, o que é necessário é que a Europa defenda e aplique horários de trabalho de cinco horas diárias, no máximo. Ou, como vi defendido em tempos, quando parecia que avançávamos para uma sociedade mais justa, o estabelecimento de um programa semanal de trabalho de três dias por semana. Esta era a forma encontrada, há 20 ou 30 anos, por alguns ideólogos, de uma sociedade futura onde haveria trabalho e lazer para todos, e onde se promoveria sem açambarcamento a riqueza e felicidade humana.

O egoísmo de alguns promoveu a concentração da riqueza em 10 por centro da Humanidade. Será que em consciência poderemos aceitar e sancionar isso? Será que teremos de assistir aos desmoronar das sociedades para que finalmente possa eclodir uma forma mais justa de viver?

Portugal, ao longo dos tempos, tem sido um cadinho onde o futuro se experimenta. Não foi por acaso que abrimos o mar à Europa e realizamos a viagem até ao extremo do mundo, como finalmente há pouco tempo foi confirmado.

O que surgir agora aqui vai moldar o mundo dos próximos séculos. Cuidado com o que permitimos que aqui floresça. Tanto poderemos espalhar cardos como rosas pelo mundo. A Europa vai escolher. E nós com ela.



     

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