domingo, 28 de julho de 2013

De Olhos no Horizonte




OLHAR O HORIZONTE PARA NÃO ENJOAR


Nos últimos tempos da sua vida, o Prof. Agostinho da Silva dizia muitas vezes: «Vem aí um tempo em que vai ser preciso olhar o horizonte para não enjoar!”. Creio, aliás, já ter referido isto, mas a frase ganhou mais relevância. Porquê? Porque chegamos a esse tempo.

Estamos a viver esse tempo. E que grande enjoo provoca tudo o que se passa à nossa volta! Creio que há uma vontade colectiva de mudar de página, mas o poder estabelecido agarra com pés e mãos a oportunidade de adequar a realidade às suas ambições. Aos interesses do grupo a que pertence. Parece que temos de aguentar, pelo menos até às eleições autárquicas, esperando que a situação mude. E como se trata de uma questão de meses, talvez o Poder em exercício se contenha para minimizar a derrocada das eleições. Veremos com que máscara se apresenta. Talvez Passos aprenda, entretanto, a adequar a linguagem às expectativas dos portugueses, para tentar enganar os ingénuos e os desprevenidos. 

Talvez contenha a sua ânsia de vender tudo ao desbarato, pelo menos até à realização das eleições. A nosso favor temos o facto de ele não conseguir adequar o fácies às palavras e esconder os seus objectivos. É afirmativo, só isso lhe dá a aparência de Poder. Entretanto, isso não lhe permite esconder as suas verdadeiras intenções. Ou talvez nem queira fazê-lo.

De que vale ter Poder se não se tem prazer com ele? Ou autoridade, afirmação pessoal, reconhecimento público, ninharias dessas…


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PORTUGAL E A VENDA A RETALHO

Creio que nunca perdoarei a este Governo a venda a retalho do que de melhor Portugal ainda possui. A possível venda dos Correios vai valer, para todo o sempre, uma grande mancha negra na memória de Passos Coelho e Paulo Portas, como aprendizes a governantes. A História não vai esquecer e serão vilipendiados no futuro por todas as privatizações apressadas e abusivas.

A venda dos CTT vai marcar para sempre, não tenham dúvidas, a imagem destes aprendizes a estadistas. A História não lhes perdoará. Para já, garantiram o direito a serem recordados por, em dois anos, terem conseguido a proeza de baterem o record nacional de mais de um milhão de desempregados! Um record conseguido, aliás, com a ajuda metódica e proficiente de Vítor Gaspar! Há que não esquecer.

Dá uma grande ajuda cultivar a memória de elefante.

Os Portugueses vão aguentar esta situação até quando?


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UMA ONDA DE CONSCIÊNCIA  ESTÁ A VARRER O PLANETA


Se há alguém que, neste País, tem direito à indignação são as mulheres. Que mulher aguenta, sem lágrimas nem revolta, não ter comida para dar aos filhos? Na escola comiam a refeição da manhã! Que vai acontecer, este ano, durante as férias? Como é triste ter de fazer esta pergunta! E ainda que a cantina da escola continue a fornecer alimentação, mesmo no período de férias, quem dará às crianças a refeição da noite, com pai e mãe desempregados? Terão de ir para a cama sem comer?! E o que comem os pais para poderem continuar a cuidar e educar os filhos?! Francamente, nunca imaginei que chegássemos a isto.

 Nunca esperei que a fome voltasse a acontecer na Europa, em pleno século XXI! Fome envergonhada, que será porventura a mais dolorosa das fomes, pois não permite ser nomeada. Uma forme que apela cada vez mais à nossa solidariedade.

Se alguma coisa de bom pode desencadear uma situação destas é o despertar muito vivo da solidariedade e de uma renovada consciência dos direitos humanos. Direitos à Paz, ao Pão, à Saúde e à Educação, sabendo que somos todos irmãos e que ninguém pode ser verdadeiramentre feliz nem sentir-se seguro enquanto houver gente com fome. Alguém que não tem dinheiro para comprar os medicamentos que precisa nem uma casa onde morar. E uma das provas mais chocantes do paroxismo da loucura do homem que alcançou o Poder em Portugal, com falsas promessas, é o descabelado aumento das rendas, para «exterminar?» de vez os mais pobres e os mais fracos?! Se não é isto que pretende, parece.

Indignação: é isto que sinto. Indignação é o que espero que se exprima alto e sem medo por todos aqueles que, neste País, ainda têm consciência. Por todos aqueles que, nos diversos países do Mundo, estão a começar a ter consciência da exploração a que são submetidos e passaram a invadir as ruas para reclamar os seus direitos.

Percebam os que estão no Poder: por todo o Mundo está a processar-se um movimento colectivo e imparável dos que clamam por Justiça. É um movimento que, na generalidade, pretende soluções de equidade e Paz. E, se não as conseguir, o que poderá acontecer? 
Receio seriamente que, se não se encontrar respostas, possa tornar-se incontrolável. E isso poderá não ser bom para ninguém. Lembrem-se da Revolução Francesa, dos descamisados, de todos os famintos da Terra.

Através da Televisão, todos sabem hoje como vive uma minoria de privilegiados. O bom senso mandaria que se desse a todos o essencial, pelo menos, à sua sobrevivência. Ou eles, mais tarde ou mais cedo, reclamarão a sua parte dos frutos da Terra. E os sinais prenunciam que isso vai acontecer AGORA. 

Suspeito que estas palavras não encontrarão eco. Sinto-me, porém, na obrigação de as dizer. Não basta manter os privilégios do Exército, da Polícia e dos Juízes. Tudo se desmoronará se e quando o Povo quiser.  

Entretanto, está sol, as pessoas estão nas praias e, aparentemente, tudo parece estar bem.
Paulo Portas ri,  feliz, porque jogou tudo e venceu… Até quando?


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UMA IMAGEM DE SERENIDADE


E, por fim, a terminar, hoje, proponho-vos como reflexão esta imagem de serenidade.
Por quê? Porque, ainda que tudo à nossa volta pareça estar a ruir, encontraremos sempre um caminho de saída, se tivermos cultivado em nós a serenidade.

Até breve.




  

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