OLHAR O HORIZONTE PARA
NÃO ENJOAR
Nos últimos tempos da sua vida, o Prof. Agostinho da
Silva dizia muitas vezes: «Vem aí um tempo em que vai ser preciso olhar o
horizonte para não enjoar!”. Creio, aliás, já ter referido isto, mas a frase
ganhou mais relevância. Porquê? Porque chegamos a esse tempo.
Estamos a viver esse tempo. E que grande enjoo provoca tudo o
que se passa à nossa volta! Creio que há uma vontade colectiva de mudar de
página, mas o poder estabelecido agarra com pés e mãos a oportunidade de adequar
a realidade às suas ambições. Aos interesses do grupo a que pertence. Parece
que temos de aguentar, pelo menos até às eleições autárquicas, esperando que a
situação mude. E como se trata de uma questão de meses, talvez o Poder em
exercício se contenha para minimizar a derrocada das eleições. Veremos com que
máscara se apresenta. Talvez Passos aprenda, entretanto, a adequar a linguagem às
expectativas dos portugueses, para tentar enganar os ingénuos e os
desprevenidos.
Talvez contenha a sua ânsia de vender tudo ao desbarato, pelo
menos até à realização das eleições. A nosso favor temos o facto de ele não
conseguir adequar o fácies às palavras e esconder os seus objectivos. É afirmativo,
só isso lhe dá a aparência de Poder. Entretanto, isso não lhe permite esconder
as suas verdadeiras intenções. Ou talvez nem queira fazê-lo.
De que vale ter
Poder se não se tem prazer com ele? Ou autoridade, afirmação pessoal, reconhecimento
público, ninharias dessas…
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PORTUGAL
E A VENDA A RETALHO
Creio que nunca perdoarei a este Governo a venda a
retalho do que de melhor Portugal ainda possui. A possível venda dos Correios vai
valer, para todo o sempre, uma grande mancha negra na memória de Passos Coelho
e Paulo Portas, como aprendizes a governantes. A História não vai esquecer e
serão vilipendiados no futuro por todas as privatizações apressadas e abusivas.
A venda dos CTT
vai marcar para sempre, não tenham dúvidas, a imagem destes aprendizes a
estadistas. A História não lhes perdoará. Para já, garantiram o direito a serem
recordados por, em dois anos, terem conseguido a proeza de baterem o record nacional de mais de um milhão de
desempregados! Um record conseguido,
aliás, com a ajuda metódica e proficiente de Vítor Gaspar! Há que não esquecer.
Dá uma grande ajuda cultivar a memória de elefante.
Os Portugueses vão aguentar esta situação até quando?
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UMA ONDA DE CONSCIÊNCIA ESTÁ A VARRER O PLANETA
Se há alguém que, neste País, tem direito à indignação
são as mulheres. Que mulher aguenta, sem lágrimas nem revolta, não ter comida
para dar aos filhos? Na escola comiam a refeição da manhã! Que vai acontecer,
este ano, durante as férias? Como é triste ter de fazer esta pergunta! E ainda
que a cantina da escola continue a fornecer alimentação, mesmo no período de
férias, quem dará às crianças a refeição da noite, com pai e mãe desempregados? Terão
de ir para a cama sem comer?! E o que comem os pais para poderem continuar a
cuidar e educar os filhos?! Francamente, nunca imaginei que chegássemos a isto.
Nunca esperei que a
fome voltasse a acontecer na Europa, em pleno século XXI! Fome envergonhada, que
será porventura a mais dolorosa das fomes, pois não permite ser nomeada. Uma
forme que apela cada vez mais à nossa solidariedade.
Se alguma coisa de bom pode desencadear uma situação
destas é o despertar muito vivo da solidariedade e de uma renovada consciência
dos direitos humanos. Direitos à Paz, ao Pão, à Saúde e à Educação, sabendo que
somos todos irmãos e que ninguém pode ser verdadeiramentre feliz nem sentir-se seguro
enquanto houver gente com fome. Alguém que não tem dinheiro para comprar os
medicamentos que precisa nem uma casa onde morar. E uma das provas mais
chocantes do paroxismo da loucura do homem que alcançou o Poder em Portugal,
com falsas promessas, é o descabelado aumento das rendas, para «exterminar?» de
vez os mais pobres e os mais fracos?! Se não é isto que pretende, parece.
Indignação: é isto
que sinto. Indignação é o que espero que se exprima alto e sem medo por todos
aqueles que, neste País, ainda têm consciência. Por todos aqueles que, nos
diversos países do Mundo, estão a começar a ter consciência da exploração a que
são submetidos e passaram a invadir as ruas para reclamar os seus direitos.
Percebam os que estão no Poder: por todo o Mundo está a
processar-se um movimento colectivo e imparável dos que clamam por Justiça. É
um movimento que, na generalidade, pretende soluções de equidade e Paz. E, se
não as conseguir, o que poderá acontecer?
Receio seriamente que, se não se encontrar respostas, possa tornar-se incontrolável. E isso poderá não ser
bom para ninguém. Lembrem-se da Revolução Francesa, dos descamisados, de todos
os famintos da Terra.
Através da Televisão, todos sabem hoje como vive uma
minoria de privilegiados. O bom senso mandaria que se desse a todos o essencial,
pelo menos, à sua sobrevivência. Ou eles, mais tarde ou mais cedo, reclamarão a
sua parte dos frutos da Terra. E os sinais prenunciam que isso vai acontecer
AGORA.
Suspeito que estas palavras não encontrarão eco. Sinto-me,
porém, na obrigação de as dizer. Não basta manter os privilégios do Exército,
da Polícia e dos Juízes. Tudo se desmoronará se e quando o Povo quiser.
Entretanto, está sol, as pessoas estão nas praias e,
aparentemente, tudo parece estar bem.
Paulo Portas ri, feliz, porque jogou tudo e venceu… Até
quando?
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UMA IMAGEM DE SERENIDADE
E, por fim, a terminar, hoje, proponho-vos como reflexão
esta imagem de serenidade.
Por quê? Porque, ainda que tudo à nossa volta pareça
estar a ruir, encontraremos sempre um caminho de saída, se tivermos cultivado
em nós a serenidade.
Até breve.
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