segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Parto, o Poder e a Morte




TRÊS ACTOS DO ESPECTÁCULO DA VIDA




O DRAMA DO PARTO


O primeiro acto represento-o aqui pela cerimónia de um nascimento, no contexto de uma família da realeza. Desenhei-o numa altura em que não sabia ainda quem desenhava nem o porquê de ser levada a fazer tais desenhos. Depois, à medida que as figuras se repetiram, passei a reconhecer algumas delas e a admitir que elas vinham até mim para me ensinarem ou transmitir alguma informação, que viria a ser relevante na minha vida. Mas disso creio já ter falado.

Hoje sei que a figura deitada no estranho cadeirão é a rainha Isabel de Aragão. E que a corte à sua volta aguarda um nascimento.  Por estranho que nos possa parecer hoje, o nascimento de um membro da família real tinha outrora de ser testemunhado por elementos da corte, para confirmarem que a criança era realmente filha da rainha e que não seria trocada por altura do parto. Imaginem a violência que era ter elementos da corte a presenciar o parto, nos gritos, sangue e dor! O nascimento como acto público, devidamente testemunhado, imaginem! Pobres rainhas sem privacidade! E, ao que consta, os camareiros testemunhavam dia a dia se o rei cumpria ou não o seu dever conjugal…Pobre realeza!



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O ESPECTÁCULO DO PODER


O segundo acto representa a exibição do Poder. O rei D. Afonso IV, tendo à sua direita a mãe, a rainha Isabel de Aragão, já então com a Pomba do Espírito pousada na cabeça…



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O ACTO PÚBLICO DA MORTE


Por fim, a morte como acto público, em que toda a corte confraterniza e em que só uma mulher exibe um sofrimento real, algures aos pés do rei ou, não o sendo, do que em vida deteve o Poder. Os visitantes homenageiam a morte, como facto natural e projectam o futuro…



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OS MESMOS OU OUTROS 
PROSSEGUEM DENTRO DE MOMENTOS



A propósito ou a despropósito assinalo aqui hoje o espectáculo gratuito que os ainda nossos governantes nos têm oferecido, nos últimos dias, gratuitamente. Espectáculo triste, à medida dos seus protagonistas, e que os marcaram indelévelmente, quer permaneçam no Poder ou não. Só é relevante pelas consequências que cairão sobre todos nós, seja qual for o desfecho.  Como é que os poderemos tomar a sério?

As consequências serão sempre negativas, quer seja virada a página ou não.

Que Deus nos confirme nos brandos costumes.

Haja Deus!



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