TRÊS ACTOS DO ESPECTÁCULO DA VIDA
O DRAMA DO PARTO
O primeiro acto represento-o aqui pela cerimónia de um
nascimento, no contexto de uma família da realeza. Desenhei-o numa altura em
que não sabia ainda quem desenhava nem o porquê de ser levada a fazer tais
desenhos. Depois, à medida que as figuras se repetiram, passei a reconhecer
algumas delas e a admitir que elas vinham até mim para me ensinarem ou
transmitir alguma informação, que viria a ser relevante na minha vida. Mas
disso creio já ter falado.
Hoje sei que a figura deitada no estranho cadeirão é a
rainha Isabel de Aragão. E que a corte à sua volta aguarda um nascimento. Por estranho que nos possa parecer hoje, o
nascimento de um membro da família real tinha outrora de ser testemunhado por
elementos da corte, para confirmarem que a criança era realmente filha da
rainha e que não seria trocada por altura do parto. Imaginem a violência que
era ter elementos da corte a presenciar o parto, nos gritos, sangue e dor! O
nascimento como acto público, devidamente testemunhado, imaginem! Pobres
rainhas sem privacidade! E, ao que consta, os camareiros testemunhavam dia a
dia se o rei cumpria ou não o seu dever conjugal…Pobre realeza!
*
O ESPECTÁCULO DO PODER
O segundo acto representa a exibição do Poder. O rei D.
Afonso IV, tendo à sua direita a mãe, a rainha Isabel de Aragão, já então com a
Pomba do Espírito pousada na cabeça…
*
O ACTO PÚBLICO DA MORTE
Por fim, a morte como acto público, em que toda a corte
confraterniza e em que só uma mulher exibe um sofrimento real, algures aos pés
do rei ou, não o sendo, do que em vida deteve o Poder. Os visitantes
homenageiam a morte, como facto natural e projectam o futuro…
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OS MESMOS OU
OUTROS
PROSSEGUEM DENTRO DE MOMENTOS
A propósito ou a
despropósito assinalo aqui hoje o espectáculo gratuito que os ainda nossos
governantes nos têm oferecido, nos últimos dias, gratuitamente. Espectáculo
triste, à medida dos seus protagonistas, e que os marcaram indelévelmente, quer
permaneçam no Poder ou não. Só é relevante pelas consequências que cairão sobre
todos nós, seja qual for o desfecho.
Como é que os poderemos tomar a sério?
As consequências serão
sempre negativas, quer seja virada a página ou não.
Que Deus nos confirme nos
brandos costumes.
Haja Deus!

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