NÃO PODEMOS SEPARAR O SER DO FAZER
Embora muitos de nós padeçam de solidão, a verdade é que
nunca estamos sós. Em primeiro lugar,
porque somos múltiplos. Claro que temos
uma máscara, a personalidade que assumimos como elemento identificador, mas todos
somos vários, a esforçarmo-nos por vezes por dar aos outros uma imagem coerente
de nós próprios.
Nós somos isto,
parecemos dizer quando nos identificamos com o papel que desempenhamos. Mas não,
nós somos isto e tantas vezes o seu contrário. Somos isto e o que não sabemos
que somos. Somos o indefinível, que durante toda a vida tentamos atingir e
compreender. E, definitivamente, somos, na maior parte dos casos, perfeitos
desconhecidos para nós próprios. Reparem no que nós, por vezes, nos atrevemos a
fazer! E no fazer baralhamos a ideia que tínhamos de nós, do nosso ser, no
melhor e no pior. Aliás, não podemos separar o ser do fazer. Nós somos também
intrinsecamente aquilo que fazemos, embora isso colida tantas vezes com aquilo
que somos, julgamos ser ou queremos ser.
Mostro-lhes, em primeiro lugar, a “multidão” de seres que
fazem parte da vida, da herança cármica ou do imaginário desta mulher. Há seres
que se “passeiam” na sua aura. Outros que vivem grudados ao seu corpo, porque a
amam ou amaram e passaram a fazer parte do seu ser. Vejam só a multidão de seres que cada um de
nós transporta! É por isso que digo que nunca estamos sós.
Aqueles que amamos e já não fazem parte do nosso
quotidiano, da vida que reconhecemos como concreta, de certeza que se encontram
na nossa aura, por vezes quase presença, de outras vezes numa persistente saudade. Há
os que se misturam nos nossos cabelos e os que se encostam, amorosamente, à
nossa roupa. Eles estão presentes com maior ou menor intensidade. São
recordações, memória. Saudade. São somente aquilo que lhes concedemos, para
podermos seguir em frente e sobreviver.
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OS VIGILANTES QUE NOS
PROTEGEM
Há outras formas de não estarmos sós, porventura menos
invasiva e próxima, mas da mesma forma vigilante. Refiro-me aos seres que amorosamente
nos seguem e nos protegem de um plano mais elevado, mas ainda e sempre próximos.
Serão porventura aparentemente menos invasivos, mas estão lá para acudir e ajudar para que os nossos sonhos se plasmem no concreto. Serão talvez a força invisível que manda ao nosso encontro o amigo em que estávamos a pensar
ou nos alertam para um perigo
iminente. Uma espécie de anjos da
guarda.
Claro que nada disto são certezas. Olho desenho a desenho
e deixo que ele me fale, me comunique sem palavras o seu segredo. Será que
interpretei bem? Quando me afasto da mensagem possível talvez uma campainha
ressoe no meu corpo e me deixe inquieta, obrigando-me a reescrever o texto até
uma realidade próxima, aliás sempre questionável. Não tenho o monópilo da sua interpretação.
Acreditem, o que virem neles é a mensagem certa, a verdade que o desenho tem
para cada um de vós e não aquilo que eu vos possa dizer..
O universo feminino que se espalha pelo rosto deste
homem, define o fluxo da quantidade em que ele se banhou. Será que amou todas
essas mulheres ou esse fluxo feminino foi a forma de ele ultrapassar a sua
incapacidade de amar? Ao nível da garganta começa a fazer-se a solidão. A
partir daí é um homem só.
É a história do reino da quantidade… ou não será?
Um dia, em Estrasburgo, entrevistei um filósofo, de que
já não recordo o nome. Mas recordo, sim, o que ele me disse e isso para mim é o
mais importante. Falámos da quantidade e ele dissertou sobre os sentimentos.
Recordo-me que ele me disse que durante a nossa vida só podemos verdadeiramente
amar quatro ou cinco pessoas. E não estava exclusivamente a falar do amor
romântico, mas de afecto. O resto das pessoas com quem lidamos são conhecidos, mais ou menos
próximos..E o amor, o verdadeiro amor, é tão inesperado, segundo nos disse, que
o podemos encontrar até no corredor de um supermercado.
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O AMOR MODELA-NOS
Os amores que
vivemos ao longo das nossas múltiplas vidas modelam o nosso rosto, o nosso ser.
De certa forma passamos a ser esses seres que cruzaram connosco e nos marcaram.
Julgamos que somos uma individualidade separada e somos todos esses seres que
deixaram uma marca, mais ou menos forte, em nós. Somos nós e eles, o que nos
leva a essa verdade que precisa que tenhamos atingido a humildade e a grandeza
mais absoluta: a de que somos tudo. Cada um de nós é tudo e isso faz-me reviver
uma experiência de que já falei aqui; a do ser humano enquanto partícula de um
oceano de energia, sendo ao mesmo tempo ele próprio e tudo. Talvez haja um
passo mais à frente que é o de, ao tornar-se tudo, deixar ao mesmo tempo de ser.
Mas isso está a infinitos da minha experiência, o que é, ao mesmo tempo, que
dizer que nada sei.
Para mim, nesta experiência de ser humana na Terra, já é algo de extraordinário a integração do espírito no ser, mostrada neste
desenho pela presença da pomba e da integração em nós dos seres que realmente
amamos.
Deixo-vos isto não como verdade absoluta, que não possuo,
mas como matéria para reflexão.





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