quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nunca Estamos Sós



NÃO PODEMOS SEPARAR O SER DO FAZER

Embora muitos de nós padeçam de solidão, a verdade é que nunca estamos sós.  Em primeiro lugar, porque somos múltiplos.  Claro que temos uma máscara, a personalidade que assumimos como elemento identificador, mas todos somos vários, a esforçarmo-nos por vezes por dar aos outros uma imagem coerente de nós próprios.

 Nós somos isto, parecemos dizer quando nos identificamos com o papel que desempenhamos. Mas não, nós somos isto e tantas vezes o seu contrário. Somos isto e o que não sabemos que somos. Somos o indefinível, que durante toda a vida tentamos atingir e compreender. E, definitivamente, somos, na maior parte dos casos, perfeitos desconhecidos para nós próprios. Reparem no que nós, por vezes, nos atrevemos a fazer! E no fazer baralhamos a ideia que tínhamos de nós, do nosso ser, no melhor e no pior. Aliás, não podemos separar o ser do fazer. Nós somos também intrinsecamente aquilo que fazemos, embora isso colida tantas vezes com aquilo que somos, julgamos ser ou queremos ser.




Mostro-lhes, em primeiro lugar, a “multidão” de seres que fazem parte da vida, da herança cármica ou do imaginário desta mulher. Há seres que se “passeiam” na sua aura. Outros que vivem grudados ao seu corpo, porque a amam ou amaram e passaram a fazer parte do seu ser.  Vejam só a multidão de seres que cada um de nós transporta! É por isso que digo que nunca estamos sós.

Aqueles que amamos e já não fazem parte do nosso quotidiano, da vida que reconhecemos como concreta, de certeza que se encontram na nossa aura, por vezes quase presença, de outras vezes numa persistente saudade. Há os que se misturam nos nossos cabelos e os que se encostam, amorosamente, à nossa roupa. Eles estão presentes com maior ou menor intensidade. São recordações, memória. Saudade. São somente aquilo que lhes concedemos, para podermos seguir em frente e sobreviver.


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OS VIGILANTES QUE NOS PROTEGEM



Há outras formas de não estarmos sós, porventura menos invasiva e próxima, mas da mesma forma vigilante. Refiro-me aos seres que amorosamente nos seguem e nos protegem de um plano mais elevado, mas ainda e sempre próximos. Serão porventura aparentemente menos invasivos, mas estão lá para acudir e ajudar para que os nossos sonhos se plasmem no concreto. Serão talvez a força invisível que manda ao nosso encontro o amigo em que estávamos a pensar ou nos alertam para um perigo iminente.  Uma espécie de anjos da guarda.

Claro que nada disto são certezas. Olho desenho a desenho e deixo que ele me fale, me comunique sem palavras o seu segredo. Será que interpretei bem? Quando me afasto da mensagem possível talvez uma campainha ressoe no meu corpo e me deixe inquieta, obrigando-me a reescrever o texto até uma realidade próxima, aliás sempre questionável. Não tenho o monópilo da sua interpretação. Acreditem, o que virem neles é a mensagem certa, a verdade que o desenho tem para cada um de vós e não aquilo que eu vos possa dizer..



O universo feminino que se espalha pelo rosto deste homem, define o fluxo da quantidade em que ele se banhou. Será que amou todas essas mulheres ou esse fluxo feminino foi a forma de ele ultrapassar a sua incapacidade de amar? Ao nível da garganta começa a fazer-se a solidão. A partir daí é um homem só.

É a história do reino da quantidade… ou não será?

Um dia, em Estrasburgo, entrevistei um filósofo, de que já não recordo o nome. Mas recordo, sim, o que ele me disse e isso para mim é o mais importante. Falámos da quantidade e ele dissertou sobre os sentimentos. Recordo-me que ele me disse que durante a nossa vida só podemos verdadeiramente amar quatro ou cinco pessoas. E não estava exclusivamente a falar do amor romântico, mas de afecto. O resto das pessoas com quem  lidamos são conhecidos, mais ou menos próximos..E o amor, o verdadeiro amor, é tão inesperado, segundo nos disse, que o podemos encontrar até no corredor de um supermercado.


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O AMOR MODELA-NOS



 Os amores que vivemos ao longo das nossas múltiplas vidas modelam o nosso rosto, o nosso ser. De certa forma passamos a ser esses seres que cruzaram connosco e nos marcaram. Julgamos que somos uma individualidade separada e somos todos esses seres que deixaram uma marca, mais ou menos forte, em nós. Somos nós e eles, o que nos leva a essa verdade que precisa que tenhamos atingido a humildade e a grandeza mais absoluta: a de que somos tudo. Cada um de nós é tudo e isso faz-me reviver uma experiência de que já falei aqui; a do ser humano enquanto partícula de um oceano de energia, sendo ao mesmo tempo ele próprio e tudo. Talvez haja um passo mais à frente que é o de, ao tornar-se tudo, deixar ao mesmo tempo de ser. Mas isso está a infinitos da minha experiência, o que é, ao mesmo tempo, que dizer que nada sei.



Para mim, nesta experiência de ser humana na Terra, já é algo de extraordinário a integração do espírito no ser, mostrada neste desenho pela presença da pomba e da integração em nós dos seres que realmente amamos.

Deixo-vos isto não como verdade absoluta, que não possuo, mas como matéria para reflexão.



                              

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