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BRANDOS COSTUMES
EM RISCO?
Frente à televisão, a assistir à retransmissão de um
programa semanal de debate, encontrei-me, de repente, a repetir uma frase de
Camões: «Amo tanto a minha Pátria que não me contento em morrer nela, mas com
ela!»
Foi aí que me
zanguei comigo própria e me decidi vir sentar-me ao computador e retomar esta
conversa. Não! Vou morrer, sim, qualquer dia, como toda a gente, mas não
calada, não sem luta, não de braços cruzados a assistir à destruição estrutural
deste País, por um grupo que ganhou eleições com falinhas mansas e falsas
promessas. Por um Partido Político que atraiçoa a sua raiz social democrata e
está a vender o País ao desbarato, a destruir as traves mestras de uma sociedade
que se pretendeu tanto quanto possível igualitária e onde um Governo, que não
foi mandatado para tal, está a fragilizar os pilares da nossa economia, indo
sempre além do que é estritamente necessário. E, ao mesmo tempo que ataca os
mais fracos e cava o fosso da pobreza, faz subir a lista dos milionários!
Cada um de nós só vê o que quer ver, não é? Será que o
Governo ainda não se deu conta de que está a pisar um terreno minado, prestes a
explodir? Não vê que os nossos brandos costumes não são o que para aí se diz,
num contexto de memória curta?! Há os defenestrados e os atentados, na nossa
história antiga e na memória recente. Há, sim, o Povo na rua, pacificamente,
como tem sido até agora, mas também tem havido o Povo em fúria, até com Marias
da Fonte… E quando uma mãe não tem o que dar a comer a um filho, que se pode
esperar? Só a pobreza envergonhada? Os Polícias subiram as escadas do Parlamento,
mas voltaram para trás. Voltarão para trás da próxima vez? E, como é? O Governo
vai agora a correr devolver-lhes o subsídio para a farda e aumentar-lhes o
vencimento? É que, se não vai, que confiança pode o Primeiro Ministro ter
naqueles que guardam a sua porta, o seu carro, os seus filhos? Não tem lido nas
notícias o que o desespero de alguns pode fazer? E os outros, todos os outros,
que chegam a meio do mês sem dinheiro, vão continuar calados? E será que é
absolutamente necessário ir tão longe na austeridade quanto está a ir? O Povo
sabe que não. Também sabe que está a vender ao desbarato pilares essenciais da
nossa estrutura social, como os Correios, por exemplo, deixando populações
rurais sem o meio próximo de contactar com o mundo, sem o telefone, por
exemplo, para chamar uma ambulância…
Quão longe está tudo isto da Alma de Portugal!
Espero que os governantes dêem um passo atrás, enquanto é
tempo, antes que a caldeira acabe por explodir!
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O TEMPO DO CAIR DAS MÁSCARAS
Este é o tempo de
cair das máscaras. Não sei se a frase é do Snowden, mas creio que sim. É um
tempo novo este em que vivemos, em que a verdade não se manterá por muito tempo
escondida. Um tempo em que a informação corre o Planeta com a rapidez do
relâmpago.
Querer manter as mesmas regras na política, querer manipular os
outros povos, como antigamente se poderia fazer, por eles não terem acesso à
informação, é pouco inteligente e descabido. Como é descabido e estúpido querer
entre nós manipular o Tribunal Constitucional. O «Diário Económico» diz que tem
sido uma vergonha. E tem. Tem sido um espectáculo degradante.
Aconselho as
pessoas a estarem atentas à tonalidade das vozes que ouvem. Nelas vibra o
diapasão da raiva. Talvez esteja ainda em surdina, contida. «A raiva é a saliva
de alma», ouvi hoje ao sociólogo Boaventura Sousa Santos, ao fazer a minha
busca matinal na Internet. Durante uma entrevista, muito interessante, o
sociólogo afirmou que o rap é como o canto gregoriano, monótomo, mas muito rico
nas suas palavras. E afirmaria algo, que me deixou a pensar: «A cultura
ocidental, que nos trouxe atá aqui (…), não é capaz de captar a raiva que está
nas vozes. Não está a ouvir…» Registo
esta afimação, embora fora do contexto, porque ilustra bem o que se está a
passar entre nós. O Poder não está a ouvir o descontentamento, dia a dia mais
intenso.
Será que o vai
deixar florir em cravos?

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