sábado, 23 de fevereiro de 2013

Três Histórias de Vida




A BAILARINA DE CABELOS AO VENTO


Não sei os nomes. Desconheço quem foram e em que época viveram. Sei só que vieram até mim ou, mais concretamente, até à expressão do fluxo criador que, a certa altura, me toma, mas assim como surgiram despareceram, parece que para sempre. Não lhes sei os nomes, mas sei que existiram num passado longínquo. Elas são as únicas três personagens que, num único quadro, me deram uma panorâmica da sua vida. Por isso as associo nesta mensagem de hoje, como as personagens que de uma só vez me resumiram as suas vidas.

A primeira a surgir, andava eu ainda pelos lápis de cera de óleo, foi uma bailarina. Isso eu sei que foi. Ou isso eu sei que fui, embora nesta vida nunca tenha aprendido verdadeiramente a dançar. Também sei que essa que surge no desenho dançava nua com uma serpente nos ombros, que se esconde agora no azul do fundo do quadro. Creio que era uma dança ritual. Ainda nesse azul do fundo do quadro vi, nesse primeiro tempo, a multidão de homens que assistiram a essa dança, a esse voo do corpo, que hoje me parece irreal. Lembro-me que até aos dez anos dancei frente ao espelho do guarda-fatos, às escondidas de todos. Depois dessa data não voltei a repetir essa dança. Mas sim, voltei a dançar, muito mais tarde, de olhos fechados, sozinha, quando a energia começou a dançar em mim, sabendo que essa dança facilitava o percurso da energia… Ou estaria a inventar? Como é misteriosa a vida e como somos todos levados a ignorá-la e a só viver a face exterior!

É uma obra muito imperfeita a desta bailarina, mas a mim isso não importa, mas o significado, a força que me levou a desenhar, ainda que o não soubesse fazer, a desenhar vida que continua a pairar na fluidez do tempo e, quem sabe se não voltará ainda de novo a visitar-me?! E, afinal, que é a vida se não esta dança que dançamos diariamente? Que dançamos com e sem ritmo, mas que com ela traçamos um percurso singular, que é o nosso, que foi o nosso em qualquer curvatura do tempo. Estivemos lá e estamos cá, esse é o grande mistério. Mistério que, ao tomar consciência disso, o ser anseia aprofundar, ainda que cada lampejo de vida acabe por ser só um flash, que continua gravado na espiral do Tempo.

Pronto, é muito pouco o que guardo em mim desta bailarina, tão mal desenhada e pintada, mas que, mesmo assim, exprime toda a sua vida, desde criança à velhice, rodopiando nesse volteio que acaba afinal por ser o de todas as Vidas.


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UMA LONGA E SERENA VIDA?


A segunda personagem, de que dou um leque mais vasto da sua longa vida, acaba por me ser tão desconhecida quanto a primeira e ainda menos próxima. Que sei dela? Que foi obviamente amada e isso é muito importante para todos os seres humanos, mas muito especialmente para as mulheres. Tem a seu lado um homem forte, talvez um guerreiro e, numa outra imagem, um homem ligado ao Poder.

O que me faz dizer que ela teve uma boa vida, serena e profunda, é o ar doce do seu sorriso e dos seus olhos, quando já é uma mulher de meia idade. Olhando este quadro eu diria que foi uma vida conseguida, uma vida cheia de anos e de luz.

Claro que tudo isto não passa de especulações, mas cada um/a de vós pode reiventar a vida desta mulher, em outra época e outra forma de viver. Por mim, continuo a achar que soube aproveitar das lições da vida e crescer interiormente com o que me foi dado viver. E que é aliás, o que é pedido a cada um  de nós


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PORVENTURA UMA GRANDE SENHORA, MAS…


A terceira e última mulher de que pintei num mesmo quadro os aspectos mais importantes da sua vida não me parece ter sido verdadeiramente feliz. E sim, considero a felicidade um elemento importante para definir a vida de uma pessoa. Porque a felicidade de cada um é uma condição interior, muito mais do que o resultado do que rodeia a pessoa, da forma e do ambiente onde vive, de quem a ama e de quem ela ama. A felicidade é um estado interior, uma harmonia a que se chega para lá do que se é e de quem nos rodeia, para lá da situação em que vivemos e da própria situação do País. A felicidade é algo que verdadeiramente só se atinge no silêncio do coração.
 Um dia, uma pessoa com quem tinha uma relação não diria de amizade profunda, mas de camaradagem, confessou-me sentir-se culpado por, num mundo cheio de sofrimento, se sentir feliz.
A minha reacção de então seria igual à de hoje. Não, ela não devia preocupar-se por, num mundo em sofrimento, se sentir feliz. Pelo contrário, o Planeta Terra precisa da felicidade das pessoas para poder evoluir harmoniosamente. A dádiva maior que podemos, aliás, oferecer-lhe é a da nossa felicidade, versus nosso amor. É essa felicidade que voltará a desvelar o Paraíso que é o nosso Planeta. 
É nosso privilégio o de sermos felizes e de poder descobrir felicidade até nas situações mais difíceis. Aliás, as dificuldades são sempre a condição para podermos dar mais um passo em frente! Para podermos descobrir a nossa verdadeira dimensão. E isso só pode ser feito passo a passo ou correríamos o risco de sermos inundados de luz e então talvez já não conseguíssemos manter-nos aqui, talvez quiséssemos simplesmente voltar à origem…

Todos nós somos e irradiámos energia. Ora, é essa energia que influi na dinâmica do Planeta e das sociedades. O que temos à nossa volta foi aquilo que nós criamos. Os Passos e os Gaspar são nossas criações. Símbolos da nossa menoridade. Só existem e têm os lugares que ocupam porque os criamos com os nossos erros e a nossa incapacidade de previsão. Porque fomos marionetas dos interesses que nos manipularam e nós deixamo-nos manipular, sem parar para reflectir nos riscos que corríamos. Eles são a imagem da nossa irreflexão e porque criámos condições para que surgissem. São a manifestação da parte irresponsável e imatura da maior parte de nós. Seres que dançam ao ritmo dos interesses dos mercados e do grande capital, seres em quem fazem despertar necessidades e através delas os manipulam e escravizam. É só um jogo, mas é preciso reconhecê-lo e saber evitá-lo. Sem eficácia, ele acaba automaticamente por se destruir…

As crianças têm de respirar alegria para crescerem harmoniosamente e se tornarem boas pessoas. Crianças infelizes fazem homens e mulheres revoltados que, por sua vez, farão sociedades e países conflituosos e dominadores.  Em resumo: é nossa obrigação transformar situações problemáticas em alavanca para a construção de uma sociedade melhor.

Não, e para terminar, não creio que esta senhora tenha sido feliz. Em jovem olhava à sua volta com um olhar de superioridade e talvez de desdém. Talvez por isso lhe tenha pintado os olhos desnivelados. E, ao lado, já mais idosa, o seu olhar está cheio de nostalgia e, ao mesmo tempo, com uma expressão de defesa. Aliás, cada um de nós torna-se naquilo que viveu…


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MILIONÁRIOS DÃO METADE DAS SUAS FORTUNAS


Depois de Bill Gates, mais 50 milionários americanos passaram a disponibilizar metade das suas fortunas para ajudar outros seres humanos.

Reparem, a sociedade está a mudar. O SER HUMANO está a aprender. Uma nova forma de viver está em gestação.

 O Paraíso vai voltar a estar ao alcance dos Homens.  A felicidade também.

 Voltaremos a este assunto na próxima semana.


  

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