domingo, 17 de fevereiro de 2013

O Mundo de Orwell



Terça-feira

A MODA DA REFUNDAÇÃO











Falei aqui, pela primeira vez, na Refundação de Portugal, a 7 de Abril do ano passado. Entretanto, a palavra, que não consta dos meus velhos dicionários, embora seja usada no Brasil, tornou-se popular na actual linguagem do Poder. Claro que o objectivo que a lançou no circuito político não tem nada a ver com a intenção que ma fez utilizar. 

Segundo o que então escrevi, a refundação de Portugal assenta em três personagens: a Rainha Santa Isabel, o conde D. Henrique e a Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I. E sublinhei então que se tratava de «uma trindade composta por uma santa, um guerreiro e uma mulher culta que, ao reino de Portugal, sacrificara o seu amor».

Mostrei depois a imagem de D. Teresa como a portadora do Graal. Fi-lo porque senti que chegara o tempo de revelar algo que tinha desenhado e pintado, vendo as imagens na tela e no papel.

Impôs-se-me depois outra personagem, a figura de Santa Clara, que foi acolhida e venerada pelos portugueses, desde os primeiros anos da sua canonização. Santa Clara impôs-se ao meu imaginário a partir do dia em que me atrevi a olhar o sol de frente, tendo visto, ao meio dia, sair do sol fios de luz até às minhas mãos, como se eu pudesse segurar e espalhar aquela luz à minha volta.







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OS PORTAIS DO TEMPO


Escrevi e publiquei, há 12 anos, o livro «Os Portais do Tempo», que relata a história do mundo tal como a vivenciei nos meus desenhos. Arrependi-me mal o publiquei, porque não tinha então estrutura para aguentar o que os leitores pudessem pensar e dizer. É certo que vivia uma experiência singular, mas queria exteriormente aparentar uma vivência conforme os parâmetros normais do meu meio e da minha profissão.

Foram precisos mais de 12 anos para eu ganhar a coragem de assumir o meu percurso interior.  Ajudou-me ter envelhecido, ter deixado o jornalismo e ter, finalmente, integrado e assumido o privilégio das minhas experiências. Hoje sei que a mensagem chegará a quem se destina. E que a corrente de Luz que está a correr o Mundo e de que sou somente uma ínfima chama, vai ser tão poderosa que só não a verá quem escolher não a ver. E esse é o seu direito, também sagrado. Quando a humanidade estiver pronta, inevitavelmente acabará por ver o que estará à vista de todos. O Espírito vai bater à sua porta, porque o tempo de hoje é diferente e é exigida, a cada um de nós, a abertura do coração.

 O nome do Deus a que prestamos culto é muito menos importante do que a pureza que tivermos no coração.  De resto, há um só Deus, que não precisa de nome e reúne em si toda a Criação. E todos somos Ele. Ou Ele é todos nós.


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OS PORTUGUESES NOS NOVOS TEMPOS


Como é que eu vejo a articulação das personagens que, ao trabalhar os arquétipos, vão permitir aos portugueses colaborar na renovação do Mundo?

O Conde D. Henrique e, naturalmente, o filho, D. Afonso Henriques  portam a espada, são os guardiães da acção e da renovação do Território. Eles dão firmeza e segurança ao futuro.

Tareja, por tantos séculos guardiã do Graal, continuará a ser a mãe, a que vela por nós, espalhando equitativamente os dons da abundância pelo Mundo. Uma abundância adequada à fome de cada um. E para isso é preciso ainda desvelar qual é a verdadeira fome dos Portugueses. Fome do Ser ou do Ter?

Santa Clara, com o ostensório, transporta o pão do Espirito e é, de certa forma, uma outra portadora do Graal.  

A Rainha Santa Isabel continua a trazer no seu regaço os pães que são rosas ou as rosas que são pão. Dito de outra forma, o alimento do novo tempo.

Por fim, a Infanta D. Maria cantará o amor e espalhará o dom da Cultura, assumindo finalmente o seu amor pelo Poeta e pela Poesia, que é o verdadeiro fermento da Alma Portuguesa.


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Quinta-feira

O RIDÍCULO TAMBÉM DEVIA PAGAR IMPOSTO

O inimaginável aconteceu! Esta fatia de terra plantada à beira mar, acho que é assim que se diz, vai ter o Estado policial mais abrangente do mundo. À porta de cada café, porventura postado desde manhã até à noite, vai haver um fiscal dos impostos para saber se pedimos a factura pela saborosa bica, que tanto apreciamos e que nos dá o abanão necessário a sermos eficazmente produtivos. Se não a tivermos pedido, pimba, lá vamos ter de pagar a imaginada multa pelo mais piroso Governo que jamais teve este País.

Só por piroseira se pode imaginar a mente brilhante do nosso primeiro ministro ou do ministro das Finanças a conceber esse definitivo contributo para o equilíbrio das nossas contas públicas: o recibinho de cada cafezinho que emborcarmos durante o dia.

 Fenomenal! O Universo de Orwell, relatado no livro «1984», parece ter passado da imaginação para a realidade. Vamos ter diariamente um fiscal dos impostos a controlar todas as nossas despesas. Haja Deus! Ou melhor, haja a mente brilhante de Vítor Gaspar, só ele podia ter imaginado tal coisa. Imagino o Primeiro Ministro a dizer: «Bestial, Vítor, acabaste de descobrir a pólvora! Estes portugueses encharcam-se de café. Em menos de nada vamos cobrir o déficit. Só tu, só tu salvador da pátria, se lembraria de tal coisa!»

 Ou vice-versa. Talvez tenha sido o primeiro ministro a ter essa ideia. O meu instinto, porém, diz-me que foi Gaspar, ele é que é miudinho. Só a lentidão das suas inegáveis qualidades permitiriam este arrincanço.

E, já agora, tenho muita pena, mas só vou contribuir para saldar o déficit com o corte substancial da minha pensão de reforma, que paguei antecipadamente por mais de 40 anos. É que, depois de ter bebido três a quatro cafés por dia durante anos, deixei o «vício» quando me reformei. Mas, apesar disso, vou estar muito atenta às portas dos cafés. Acho que vou assistir a cenas edificantes.

Se o ridículo pagasse imposto, estavamos safos, a dívida pagava-se num ápice!


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  Sexta-feira        


FISCAIS DAS FINANÇAS MAIS RADICAIS QUE O MINISTRO?

Afinal, «os diversos processos de contra-ordenação» que o fisco instaurou a consumidores que beberam café e não pediram factura, resultou «de acções de fiscalização experimentais e não de uma iniciativa concertada a nível nacional», segundo declaração do Ministério das Finanças ao jornal Público.

Pode ser que tenha sido assim, ou não, mas o Governo ficará para sempre ligado ao ridículo de pôr fiscais atrás dos viciados em café. Se tivesse resultado, os próximos visados seriam provavelmente os mendigos, que afinal também não declaram rendimentos nem pagam impostos, ou não é?

Entretanto, o sindicato dos Trabalhadores dos Impostos veio dizer que as multas foram fruto de acções experimentais, etc., como se isso pudesse caucionar o ridículo. As multas que foram entretanto  passadas vão ser cobradas ou não? E, já agora, não será altura do ridículo também pagar imposto?

Sobra uma questão: então os fiscais das finanças, por livre arbítrio, foram para os cafés multar quem saísse sem recibos nos conformes? Não acham que é pouco credível?
Informação:

A factura de um café, que custa 60 cêntimos, ou de um almoço, por exemplo, de seis euros, afinal não tem de ter o nome nem o número de contribuinte. Valha-nos isso. É que os portugueses já estavam a pensar que tinham sido escolhidos para testar a realidade de Orwell.

Isto, porém, são meras manifestações de um quotidiano que está a degradar-se a um ritmo muito acelerado. Na verdade, não somos os gregos, como se repete frequentemente. Não somos. Mas, por favor, não continuem a testar as semelhanças! É que, apesar dos brandos costumes, mostra a História que, por vezes, também nos zangamos… E não gostaria nada de ver os Portugueses zangados! Mesmo nada! 

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