sábado, 26 de maio de 2012

Tudo é Efémero



A VIDA E A MORTE DAS CIVILIZAÇÕES


Tudo é efémero. Nós, os animais, as plantas, as civilizações. E tudo, ciclicamente, se renova. Todos sabemos isso e todos vagamente o tememos. Mas é inevitável. Em contrapartida, somos todos eternos.

O drama da morte deve-se essencialmente ao facto de não queremos perder a nossa história pessoal. Os nossos amores, os nossos filhos, a nossa casa, a nossa cidade, até o nosso País. Perder o Planeta Terra? Impensável! E tudo se perde e se recupera, ciclicamente, com outros rostos, outra paisagem e outra organização social. Alguns de nós sabem-no. Mesmo assim todos tememos e sofremos a angústia da perda. Mas quem teme é a nossa parte animal. Entretanto, podemos imaginar o futuro. Ou o passado.

Podemos situar-nos num ou no outro, com toda a legitimidade, porque todos estivemos e estaremos lá.
A historiazinha pessoal é que é o problema. Quem perdemos, o que perdemos, quem nos perdeu. E esse medo atávico, animal, do último suspiro…

A viagem que estou a fazer pelos desenhos que recebi (que desenhei vendo-os linha a linha, ponto a ponto…) e que considero meus, será hoje um passeio pela história da humanidade desde a Atlântida.
Sou actriz ou espectadora de diversas civilizações? Não sei. Sou escriba. Sinto-me muito confortável no papel de repórter, embora não traga dados novos do que então se passou. Talvez um olhar diferente. Estupefacto. Porque me escolheram para esta tarefa?

Estranho! O que mais me chocou neste «flash» da Atlântida foi ver os peixes a voar, catapultados pelo impulso das águas. No dia em que os peixes voaram… É assim que denomino essa catástrofe. Talvez estivesse lá. Talvez fosse essa figura central de mulher, que é submersa pelas águas… Ou a que sobrevive no barco que navega com outros, na nuvem de água e peixes. Mas isso sou eu a romancear.

O inquestionável é que tudo muda, a cada momento, para melhor e para pior. Só que o pior é, simplesmente, aquilo que nos desagrada. A civilização actual está a mudar e a que velocidade! E será que nós queremos que mude? Ou só damos o nosso acordo desde que seja no sentido das nossas necessidades ou sonhos ou simplesmente no sentido dos nossos interesses. E chegado a determinado ponto muda para lá de todas as nossas projecções. Inexoravelmente.

Atlântida: no dia em que os peixes voaram... 


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EM EQUILÍBRIO INSTÁVEL

Antes de avançar decidi mostrar o que me foi mostrado: o equilíbrio instável das civilizações.
Uma Civilização funciona como uma placa tectónica. Tem um equilíbrio precário. E também funciona como um ser humano: nasce, cresce, desenvolve-se, decai e desaparece, morre.

Enquanto se desenvolve, a civilização funciona como um corpo. Cresce por saltos, por vezes lentamente, por vezes de um dia para o outro. Todas as mães sabem que é assim. O filho está a crescer, às vezes lentamente. Um dia, de repente, sem que nada pareça tê-lo anunciado, ela olha para ele e tem um sobressalto: que grande estás! E quando atingiu a sua máxima altura, esse filho, essa civilização começa lentamente a decair. Às vezes o envelhecimento é precoce e rápido. Também há civilizações que parecem ter surgido do nada, atingem rapidamente o máximo fulgor e desaparecem com a mesma rapidez.

 Não há tempo limite para o nascimento, vida e morte de uma civilização, Tal como num ser humano. Veja-se a imagem, esse movimento quase ondulante das placas, que um dia, uma a uma todas as civilizações despareceram ou vão desaparecer. E nós, todos nós, queremos o momento eterno. E o momento é só momento. Que o momento eterno existe, sim, mas a outro nível. Na chamada eternidade, rompido o ciclo do eterno retorno.
     
As Civilizações dançam como as placas tectónicas. Movem-se, chocam e destroem-se 


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REI E RAINHA NA MESOPOTÂMIA?

O pouco que sei deste desenho poderia resumir-se numa frase: um rei e a sua rainha, na Mesopotâmia. No toucado, ela tem uma data: 3858. A época em que viveram?

O resto está à vista. O mais estranho é que, nas linhas que prefiguram um vulcão, precisamente no topo, entre outras cabeças, reconheço o rosto de meu pai. Ou é simples ilusão? E a pomba começa a aparecer nos meus desenhos…

Da Mesopotâmia ressalta a epopeia de Gilgamesh e a busca do Homem pela eternidade. Para mim, esse canto é um dos mais belos da história humana. Nele estão já todas as pistas da busca do Homem pela transcendência. Pela eternidade. Sem dúvida, é um dos cantos mais belos da epopeia humana na sua procura do infinito.

Recordo com emoção as Portas de Ishtar, que vi em Berlim, então Leste, há mais de vinte e cinco anos. Mais antigo foi o encontro, no desenho, desse rei belíssimo que, para mim, é profundamente real.


No toucado uma data: 3858...

               
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A MULHER MOTOR DA HISTÓRIA

O rei é magnífico, belíssimo. Eu acho! Mas o mais importante para mim neste desenho é o facto de a mulher se apresentar como motor. É ela que dá dinamismo ao carro, ela que o faz mover, quase despercebidamente. Aqui vejo representado pela primeira vez a mulher como Motor da História. Motor da Civilização.

Neste carro, que representa alegoricamente a civilização do Crescente Fértil, é registado um dos principais inventos humanos, a roda! Imaginariamente, tudo decorre deste veículo dinamizador do Poder. Um todo harmonioso, em que tudo parece estar bem.

Estive no Iraque e não vi as ruínas de Babilónia. Tive muito pena. Mas viajei pelos Rios Tigre e Eufrates no iate que pertencera a um rei... As margens desses rios continuam a ter uma ressonância bíblica.
Como lamento que as «chamas eternas», fogos que ardem permanentemente no solo, alimentadas pelo petróleo da região, tenham despertado a cobiça dos Ocidentais, e tanta dor tenham levado à região.

 Alguma vez os Ocidentais pensaram que papel desempenhará o petróleo no equilíbrio do Planeta? Será que andarmos de automóvel e de avião é mais importante de que esse equilíbrio? Nunca ninguém pensou que o petróleo e a água são o sangue da Terra? Se forem, estamos mesmo a meter-nos em grandes complicações. Não já uns contra os outros, mas a comprometer a sobrevivência do nosso Lar!

A mulher como força dinamizadora da História 

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O EGIPTO, A FARAÓ E A ARTE

O registo do Egipto terá necessariamente de passar pelas pirâmides, mas o que fluiu no meu desenho como importante foi a figura de uma mulher faraó e a referência a uma elite de artistas, à direita, assinalados por um instrumento musical. E como saberei que se trata de uma elite? É, pelo menos, gente que vive sob a égide de uma pomba e que tem a música como ocupação ou interesse. Num tempo de desenvolvimento harmonioso e de Paz. Ao que me parece…

De assinalar os crocodilos e a serpente, nas margens do Nilo, animais míticos. Ao que julgo saber, em certos parâmetros, o conhecimento de hoje está ainda longe da grandeza e profundidade alcançadas pelos antigos egípcios. Assim como perdemos a memória da vibração da língua sagrada, também esquecemos o poder da vibração como forma de mover pedras, por exemplo, ou de curar doenças, ou de levitar. Tudo isso existe, está disponível, mas esquecido. Quando surgir de novo o homem de coração puro, esse conhecimento voltará… e comeremos à Mesa do Rei.


Nas margens do Nilo, uma extraordinária civilização...


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SÓCRATES, DIOTIMA E PÉRICLES

A cultura europeia foi trazida pelos Gregos do Egipto e espalhada pelos Romanos por toda a Europa. Somos todos egípcios, afirmou-me há muitos anos uma professora da Universidade Nova, que fazia trabalho de investigação no Egipto. A alegação era que as raízes da civilização grega eram egípcias.

 Nessa linha de pensamento, atrevi-me a dizer que, na Europa, somos todos Gregos. E isto é preciso reconhecer colectivamente neste momento. A Europa aprendeu a pensar com os gregos, estão lá todas as nossas raízes. Isso leva-me a lançar um alerta: abandonar a Grécia à sua sorte é desestruturar a Europa. Quando se arrancam as raízes, a planta morre.

A Alemanha foi um instrumento de morte no séc. XX. Pretenderá ela prosseguir esse triste fado e obrigar a Grécia a afastar-se do Euro, que é o mesmo que desencadear a desestruturação da Europa do séc. XXI?

Os Povos não são iguais, felizmente. Os gregos deram-nos Péricles, Sócrates, Diotima, três aspectos do saber. De Péricles herdamos a democracia; de Sócrates, a filosofia; de Diotima, o saber mais fundo e intemporal, aquilo a que chamo o saber sabendo.

Se, por triste decisão, abandonarmos a Grécia à sua sorte, estaremos a renunciar aos três pilares, reconhecidos ou não, que viriam a permitir a construção da Europa. A democracia, a filosofia e o conhecimento fundo da arte de viver.

Há que dizer à senhora Merkel que o ser humano não foi criado para trabalhar nem para se esgotar física e moralmente para que uns tantos homens paranóicos passem a vida a especular com dinheiro, a fazer com que dinheiro tenha como única função produzir mais dinheiro. Isto é doentio. É uma nova Idade Média dos especuladores. Só me fazem lembrar o Tio Patinhas. A tomar banho em dinheiro, a nadar em dinheiro, tão longe da grandeza do Ser Humano. «Olhem os lírios do campo que não tecem nem fiam e nem Salomão em toda a sua grandeza...» Recordam-se? É preciso ter a coragem de o dizer: «O Rei Vai Nu!» É uma sub humanidade a que o dinheiro está a produzir.   

Oh! líderes do Mundo, por favor, parem para pensar: esta não é uma forma humana de viver. É a esquizofrenia levada ao paroxismo. Parem. Até porque a Terra, que é um planeta vivo, não aguenta tanta delapidação, só para encher os bolsos de alguns. É, antes do mais, paranoico, mas é também criminoso.

Já agora, um alerta: se não tivermos bom senso e não fizermos uma reviravolta de 180 graus, será o Planeta Terra a agir. Como? Como age o Planeta Terra quando precisa de restabelecer o equilíbrio? Qual é a forma do Planeta falar? Por favor ouçam-no, antes que algo de irremediável aconteça, para muitos de nós!
Desculpem, não sabia que este desenho me levaria a dizer isto.

Aos Gregos devemos os fundamentos da nossa civilização

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MIL ANOS DE HISTÓRIA

Resumir mil anos de história num quadro de 32/21 cm equivale a querer meter a Praça do Rossio na Rua da Betesga


Foi um dos primeiros quadros que desenhei. Achei que era tão elaborado e tinha tanta informação que o redesenhei a tinta-da-china. Ainda insatisfeita, resolvi pintá-lo com lápis de cera de óleo. Os anos passaram e o óleo começou a desaparecer. Projetei muitas vezes ampliar o quadro e pintá-lo agora a óleo. Foi um projeto sempre adiado. Cada vez se torna mais problemático vir a fazê-lo.

Sei que este quadro tem uma mensagem profunda, mas não a sei descodificar.O que vejo são mil anos de história. Factualmente, uma mulher sentada num trono, a receber homenagens de Napoleão, um oficial inglês e outros que não reconheço. Por cima da cabeça de Napoleão estão D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, com a mãe ao lado.

Por trás e ao alto, reconheço a figura de Cid o Campeador, tendo à sua esquerda Cruzados e, por detrás, vários nobres. Como figuras centrais identifico Cleópatra e Júlio César. E um outro casal que não identifico.

A direita do quadro é quase preenchida por figuras de Ordens Monásticas, mercadores e gente que deve ter sido relevante, mas não reconheço. E, em baixo, junto ao vestido de uma mulher, porventura a Infanta D. Maria, encontra-se, perfeitamente reconhecível, o nosso maior poeta, Luís de Camões, com uma pomba proporcionalmente enorme, com uma asa levantada, a querer obviamente significar o «golpe de asa».

Não vou tentar explicações. Só posso dizer que este quadro sintetiza, obviamente, mil anos de História. Da História da Europa. E parece-me demasiado arrojado querer contar tantos acontecimentos e mudanças num espaço tão pequeno! E só aconteceu porque me entreguei ao desenho, sem nada pensar.  Sim, o desenho foi para mim o método que me permitiu aprender a parar o pensamento... 



  

sábado, 19 de maio de 2012

A Dança do Sol


MULHERES PASSARAM ENERGIA AO PLANETA TERRA

Mulheres protegidas em "Placenta Cósmica"


 Em meados dos anos 90 do século passado, comecei a ter a sensação estranha de que era urgente mandar energia ao planeta Terra. Não sabia porquê, nem como, ao nível do consciente, mas sabia que era urgente fazê-lo e que tinha de encontrar pessoas que alinhassem nessa aventura. Era uma aventura, claro! Como é que se manda energia ao planeta? Essa questão pareceu-me de somenos. O importante era encontrar o grupo. Um grupo de mulheres.

 O grupo formou-se. Sete mulheres, na maior parte das vezes e, ocasionalmente, doze ou um pouco mais. A primeira mulher contactada recebeu, num exercício espiritual que praticava, a forma como deveria realizar-se o ritual, se tal se pode chamar. O grupo dava as mãos, entrava em meditação, e a «sacerdotisa» que dirigia, a mesma que recebera o ritual, dizia uma oração pela Terra. No final levantávamos os braços, como quem elevava o planeta ao Cosmos, a Deus, se quiserem, pedindo protecção.

Um dia, uma de nós recebeu uma carta da Índia, em que uma amiga informava que lá também se estavam a fazer preces pela Terra. Creio que em outros países também se reuniram grupos de oração pelo Planeta. Um deles foi o Brasil. O movimento surgiu em outros países, porventura da mesma forma que em Portugal. Alguém captou a necessidade.

A minha experiência com o grupo de mulheres não foi fácil. Os meus colegas de profissão foram sempre maioritariamente homens e sempre me dei muito bem com o masculino. Lembro-me de que, num jantar de aniversário do Diário de Lisboa, um dos chefes da Redacção, o saudoso Renato Boaventura, disse no seu discurso, para me «elogiar», que eu não era uma mulher, era um homem! Claro que me atrapalhou, gosto imenso de ser mulher, embora tivesse apreciado a intenção e ainda hoje me ria disso, até porque tinha o marido ao lado…

Talvez porque eu não soubesse mover-me nos jogos femininos, comecei a sentir hostilidade de um dos elementos predominantes do grupo de oração. Foi então que admiti não ter condições para levar a cabo a missão que julgava ter-me sido confiada. E quis morrer. No meu projecto, morria, nascia logo de seguida, mas nas condições ideais para levar a cabo a missão que acreditava ser a minha. E aconteceu esta coisa extraordinária. De noite, no sonho, alguém começou a falar comigo. Talvez fosse o meu anjo. Falava comigo a tentar convencer-me a não desistir, a manter-me na Roda, como chamávamos à oração pela Terra. Mas o meu corpo doía com a hostilidade que sentia. No final da Roda estava sempre gelada. Vivi então um dilema: não podia aguentar, mas também não queria desistir da incumbência que julgava ter-me sido dada. Não tinha outra alternativa senão morrer para rapidamente voltar, então com as condições requeridas.  

O que eu julgava saber na altura, em 1993/94, era que o Planeta estava na iminência de um grande cataclismo. A vida humana podia estar em risco. Para que tal não acontecesse era preciso que o Planeta elevasse a sua vibração. Sabia isto e, numa lógica infantil, reconheço hoje, pensei que a solução seria morrer e nascer logo de seguida para o que naquela altura se tinha já tornado uma missão.
Como não desistia da ideia de morrer e nascer rapidamente de novo, a voz que ouvia no sonho, uma noite disse-me: «Então morre!» Então morro, aceitei.
 Um raio desceu do céu, penetrou na minha cabeça e foi alojar-se no pulmão esquerdo. Comecei a tossir, cada vez mais convulsivamente e fui ao médico, sem dizer a ninguém o que se passava. Tinha uma pneumonia, que naturalmente não cedeu aos antibióticos. Sem mais para fazer, um dia a médica mandou-me fazer a mala e ir para o hospital.

Fui ao hospital, sem mala, para ouvir o que devia fazer. Acompanhava-me um dos elementos do grupo, solidária na doença. Fizeram-me nova radiografia, viram os medicamentos que estava a tomar e disseram-me: «Se estivesse tuberculosa, sabíamos como a havíamos de tratar. Assim, não sabemos. Vá para casa e se sentir pior, então venha…»

Vim para casa com a mesma determinação. Nessa noite, voltaram a falar comigo no sonho a tentar convencer-me a não morrer, mas a minha determinação era total. Sofria demais com a minha incapacidade de lidar com os jogos femininos. Então, sabiamente utilizaram o meu lado de criança. 


Mostraram-me uma espécie de placenta com um líquido quase lilás ou rosa e um canal que me ligaria ao Céu. E disseram-me: «Metes-te dentro e já não sofres!» A criança em mim sorriu à proposta. Resolveu experimentar. Imediatamente senti melhoras. Três dias depois estava curada. Passei então a andar entre as pessoas dentro de um ovo cósmico. Quando me senti suficientemente forte, deixei de consciencializar o facto. Será que ainda andarei na vida dentro de um ovo de luz? Não sei.

 A oração prosseguiu talvez durante um ano ou mais, e algumas de nós, por vezes, via coisas. Nada de espectacular. O importante é que, no final, nos sentíamos todas bem, comungando da ideia de enviar energia purificadora ao planeta.

Um dia, durante o ritual, tive uma visão. O Planeta estava suspenso sobre uma taça e, à sua volta, tinha uma rede de luz, como se os nossos braços erguendo-se tivessem projectado a energia que o elevara e protegera. Nós e todos os outros grupos no mundo que oraram para que tal acontecesse.
 Estava feito.

Por essa altura, fui um dia ao Alentejo com a família e uns amigos. O grupo resolveu ir ver uma quinta povoada de avestruzes. Nesse dia vivi uma experiência extraordinária: uma avestruz ensinou-me uma dança. A Dança do Avestruz. Já viram?

A avestruz postou-se à minha frente, por detrás do arame, e dançou. Foi uma dança de pescoço/cabeça e de asas que correspondiam aos meus ombros.  O movimento da cabeça assim como o das asas --juntos ou separadamente --, traçavam o oito do infinito. A avestruz olhava para mim e eu comecei a fazer os movimentos da sua dança, até que ela porventura achou que eu tinha incorporado o movimento. (Reparei agora que lhe atribuo o sexo feminino…) A seguir, virou-me as costas e dançou com a cauda.

Olhou uma última vez para mim e foi-se embora. Não me lembro, mas acho que não lhe agradeci. Como se agradece a um avestruz? Não levara comida para lhe dar.

O mais extraordinário, é que, há tempos, ao visitar um site francês, «Autres Dimensions» deparei com um ensinamento, que terá sido transmitido por um anjo, não me recordo bem, em que eram revelados os movimentos que aprendi com a avestruz há mais de quinze anos!
E há quem diga que o Universo não é mágico!

O que a partir de então passou a ocupar-me foi a ideia de Portugal. Da missão de Portugal, qualquer que ela fosse. E tentei encontrar adesões a essa ideia. Não sabia para quê, sabia só que era preciso. Para meu espanto, só uma pessoa aderiu. Afastei-me do grupo, não tinha ali mais nada a fazer e, durante anos, andei sozinha, em orante imaginação, por todos os recantos de Portugal, a tentar despertá-lo para que cumprisse a sua missão. Sem saber que missão era. Ou sequer se existia realmente uma missão.

O mais extraordinário, apesar de todos os problemas por que passa o País e que afecta terrivelmente uma percentagem elevada da população, eu sinto que Portugal se cumpriu, se está a cumprir e que talvez estas sejam as condições necessárias para que desperte. Que é a obrigação de cada um de nós.

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QUANDO APRENDI A VOAR


Andei a aprender a voar. Não sei por quanto tempo. Mas foi bastante. Andei a aprender a voar durante a noite. Esta é a primeira pista de que a minha aprendizagem de voo não foi feita apropriadamente em nenhuma avioneta. Andei a aprender a voar, sonhando. Já lá vão muito mais de dez anos. Talvez quinze. Vinte anos. Não é importante.

Sei que tinha um instrutor de voo. Não porque o visse, mas por que o ouvia. Acho que o ouvia, porque o meu cérebro registava o que havia a fazer. Até que chegou o dia em que o instrutor me disse: «Já sabes voar. Agora vai e ensina»! O brevet de qualificação foi simplesmente estas palavras.

Um dia, contei a um amigo a minha aprendizagem no sonho. E ele então, pela primeira vez, também admitiu que andara, de noite, a aprender a voar.  Falámos, na altura, da técnica que cada um de nós seguia nesse voar pelo sonho. Como é que ele descolava? E ele disse-me que corria para ganhar balanço e depois voava.

Fiquei admirada, porque comigo não se passava assim. Eu, simplesmente, elevava-me  e, já no firmamento, voava.
Isto passou-se tudo exactamente assim, mas é uma parábola.
Ouroboros: a serpente que morde a própria cauda...
Eu não voo com este corpo, pelo menos não voo com o corpo em estado de vigília. Talvez voe a sonhar, mas o meu pensamento voa, sim. Será isso que querem que eu ensine?
Vivi em quase reclusão, junto ao mar, durante cerda de doze, treze anos. Foi, de certa forma, o meu retiro no deserto. Com televisão, CD’s e muitas telas e tintas. E longos passeios à beira mar. Uma eremita do séc. XX, «de luxo», sem luxos, mas com conforto, a prolongar-se pelo século XXI. E é um privilégio estar aqui, a olhar o que se passa pelo mundo, sem sobressaltos, disposta a tentar que outros voem no quotidiano, com a mesma disponibilidade e possibilidade de compreender e ajudar os que estão a deixar-se soçobrar pelos acontecimentos. E são muitos. E muitos os que estão, por sua vez, a tentar desesperadamente que nada mude. Talvez comecem a perceber que os milhões que têm nos Bancos, de um dia para o outro, vão deixar de ter valor, assim, sem mais. E o pior é que nem isso porventura os fará acordar.

 O que se passa é simples. A Terra entrou em trabalho de parto. Está prestes a dar à luz o Futuro. Uma Nova Era. Chamada de Idade do Oiro, calculem. É um processo cíclico. Bem quiseram implantar a noção do tempo linear, mas isso não existe. É o ouroboros, a serpente que morde a própria cauda. Um círculo termina e outro começa.

Ouviram já falar da teoria das Idades? Da Idade do Oiro, a Idade da Prata, a Idade do Bronze e a Idade do Ferro? Assim como um bebé tem uma gestação de nove meses, cada Idade tem uma gestação de 25 a 26 mil anos, creio eu. E não há como a parar. Nem o País mais poderoso, nem o arsenal de guerra mais sofisticado. Chegado o momento, o tempo cósmico cumpre-se. E os Homens mudam. A Boa Nova é que o Homem vai mudar para melhor!


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A INESPERADA DANÇA DO SOL


Houve uma altura, no início da minha busca, que fui muitas vezes a Coimbra. Havia algo que me chamava de lá. Nunca cheguei a saber exactamente o quê. Da primeira vez, tinha um motivo concreto. Não conhecia o Convento de Sta. Clara (estive lá em criança com os meus pais, mas do que me lembrava, um pouco, era do Portugal dos Pequeninos e da Biblioteca da Universidade!) e queria ver o belo mosteiro de pedra de Santa Clara-a-Velha, que tinha ainda na altura uma parte debaixo de água. E, claro, ver de perto o túmulo da Rainha Santa Isabel, que fora transferido há muito para o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. Fui e o que tive a ocasião de ver, talvez explique a necessidade que sentia de ir lá.

Era um fim de tarde, com um sol ainda radioso. Vinha eu de Coimbra, no combóio das 18 horas, talvez 18 e 30, sentada no lado direito da carruagem, junto à janela. Tinha um livro nas mãos, que lia sem grande empenho. O fim de tarde estava magnífico e eu perdi-me a observar o céu. Então, de repente, aconteceu. Lá no alto, no firmamento azul, eu vi, não um sol, mas cinco sois alinhados, ao lado uns dos outros.

Francamente, já tinha um certo tirocínio do maravilhoso, mas ter cinco sóis, lá no alto, à minha frente, deixou-me em sobressalto. Na carruagem tudo estava calmo. O passageiro a meu lado lia o seu jornal em paz e sossego. Só eu estava em sobressalto de olhos suspensos daquela fila de sóis. Perplexa, sim, perplexa, nunca tinha ouvido falar de tal possibilidade. Sabia que, em Fátima, no princípio do século passado, numa das celebrações do 13 de Maio, se dera um fenómeno qualquer com o Sol, que deixara a multidão maravilhada. Mas isso fora há muito tempo e podia ter sido um sobressalto de histeria da multidão.

Ali, no comboio em movimento, não havia multidão e não estávamos a 13 de Maio. Mas o combóio estaria talvez já perto de Fátima… O impensável estava a acontecer. Lá no alto, os cinco sóis continuavam disponíveis à minha observação, enquanto o comboio prosseguia viagem. O que me valeu foi não ser pessoa de grandes sobressaltos. Continuava estupefacta a olhar os cinco sóis. Para alguém que me estivesse a observar, eu estava simplesmente a olhar a paisagem…

O fenómeno desapareceu, algum tempo depois. No Céu ficou um único Sol, muito maior do que é normal. Mas por trás do Sol apareceram então, numa espécie de reflexo, dois ou três sóis, menos densos, como se fossem corpos mais ténues do mesmo Sol. Corpos etéreos… Conto, mas ponho em dúvida que isto tenha alguma lógica. E tive então o desplante de pensar que o Sol me estava a mostrar os seus diversos corpos…

 Cheguei a Lisboa e fui folhear o magnífico Dicionário dos Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, para tentar perceber o que se passara comigo. Sempre o meu trabalho jornalístico assentou em bastante investigação! Não me fiquei no maravilhoso. Havia um objectivo no que me era mostrado. Precisava de o descobrir. Foi então que descobri, nesse dicionário, que o Sol que nos ilumina e aquece é o Quinto Sol.

Antes deste Sol existiram sucessivamente outros quatro, que, segundo os antigos mexicanos, desapareceram em cataclismos. Este que nos ilumina, segundo a sabedoria dos ancestrais desse povo, este é o quinto sol. Que também irá desparecer um dia.

 Se estiverem interessados em saber mais, é melhor consultar o dicionário. Na altura que fiz a pesquisa, eu tinha a versão francesa, mas há bastante tempo que há uma óptima tradução em português.

Lá integrei a experiência conforme pude e o tempo foi passando. Até que um dia voltei a sentir a necessidade de voltar a Coimbra. E fui. Fui no comboio da manhã com a nítida noção de que nesse dia o Sol me iria mostrar mais alguma coisa. Mas na viagem de ida nada aconteceu e passei tranquilamente o dia na cidade dos estudantes a fazer o périplo do costume.

O tempo passou depressa. Numa cidade que não conhecemos bem, há sempre coisas novas a descobrir. Às 18 horas lá estava eu de novo na estação à espera do combóio. Entrei na carruagem e tive uma decepção: o lugar que me tinham reservado ficava do lado errado! Devia ficar à direita, como da outra vez, mas o que me fora reservado ficava à esquerda e os lugares estavam todos ocupados! Que decepção!

Não me atrapalhei. Iria sentar-me no bar, do lado direito e logo se veria se havia alguma coisa para acontecer. Mas não gosto de bares e rapidamente percebi que, se havia alguma coisa a acontecer, não seria ali. E lá voltei para o meu lugar, conformada. Tinha tido uma percepção errada, paciência! Peguei num livro e dispus-me a ler.

Talvez tivesse lido uma página ou nem isso quando olhei para a paisagem, para descansar a vista. Então, foi o deslumbramento, a perturbação, o espanto, não sei descrever. No céu, à minha esquerda, havia um conjunto de sóis que se moviam, Pareciam dançar. Uma dança de sóis, imaginem! Sóis grandes, brancos, luminosos, magníficos. A dançar à volta uns dos outros.

Comecei a contá-los e não era fácil. Estavam em movimento, confundiam-se, pareciam trocar de lugares. E agora que tento reconstituir o que se passou, parece que os sóis não estavam no firmamento, mas no ar, próximos da Terra. Finalmente, consegui contá-los. Eram sete sóis. De repente, pararam de dançar e subiram para o seu lugar no céu, lá bem alto.

 Os sóis subiram e colocaram-se num alinhamento, como o de uma esquadrilha de aviões. Contei-os de novo e nessa formatura eram onze. Onze sóis! Um primeiro sol dominante, como a indicar a rota, e dez sóis em posição triangular.
Julgam que é fácil viver isto e calar durante mais de dez anos?! Os meus filhos e o meu neto  vão sabê-lo pelo blog, como vós.

Tentei pintar isto e não soube fazê-lo Os sóis deviam ficar no alto, mas não consegui pôr os onze sóis, na tela, no tamanho e posição que queria. O primeiro sol ficou quase a roçar a terra. Decepcionada, deixei o quadro, que começara a pintar naquele dia, sobretudo para não deixar tintas na paleta a secar, e vim para Lisboa, decepcionada, a pensar que tinha de tapar tudo e começar de novo.

Quando voltei à casa da praia, uma semana depois, verifiquei que, por debaixo dos sóis, havia uma taça branca, possivelmente de alabastro, pintada. Ladeada por uma mulher e um homem. Uma serpente, que  passava pelas cabeças do homem e da mulher, parecia defender a taça, que não está vazia. Tem algo que não sei o que é.

 Intrigada, trouxe a tela para Lisboa. Num fim de tarde, tentei  retocar o firmamento… O meu neto estava presente. No dia seguinte, chamei-o: no quadro havia uma pomba e discos voadores. E eu não tive consciência de os ter pintado!

Tudo isto me ultrapassou de tal maneira, que não mais trabalhei o quadro, já lá vão uns cinco anos. Talvez um dia o acabe. Talvez não.

Conto isto, porque sinto que tenho a obrigação de o contar. Também sinto que chegou o tempo, mas não sei mais. Também sinto que devo reproduzir o quadro inacabado… Alguém desse lado sabe o que eu não sei?! 

Um quadro que não consigo terminar












sábado, 12 de maio de 2012

Nós e o Mistério


VIVER PAREDES MEIAS COM O MISTÉRIO 

A descoberta do Sol Verde


                                                
Há uma incerteza que ainda não resolvi. Como é que, de repente, passei a saber coisas que não sabia ou, pelo menos, comecei a saber expressá-las pelo desenho, como obra acabada, disponível no final para interpretação?

Volto ao problema, embora de outra maneira, porque a minha experiência me diz que a pessoa entregue a si própria, pelo acto de viver e pelas escolhas que faz e a fazem, pode chegar a um determinado ponto em que derruba as barreiras que a isolam do MISTÉRIO. Será assim? Será que o outro que nos quer levar pela mão, pelo «caminho certo», só nos estorva, só nos desvia do caminho que cabe a cada um de nós descobrir?

Li muito. Romance, História, Filosofia, Ensaio, até tentei espreitar os segredos de alguma ciência, quando descobri a física quântica. Claro que não tinha formação para caminhar por ali, mas deixei-me fascinar por algumas experiências, como a do gato que ora está morto ora está vivo…

Será que estarei morta quando mergulho no quotidiano mesquinho, sempre igual nas suas diferenças, castrador? Será que ressuscito quando olhando para uma estrela, me projecto para a vastidão do cosmos? Ou ao fitar o Sol de frente descubro o mistério das cores do nosso astro rei?!

Há um pouco mais de vinte anos, acordei um dia com o desejo avassalador de olhar o Sol. Disse a mim própria que estava louca e contei depois a um amigo esse desejo absurdo que me tomara de olhar o Sol. Ia ficar cega, mas não sabia se conseguiria resistir a esse apelo.

Contra a minha expectativa, esse amigo disse-me: «Se lhe apetece olhar, olhe!» Na manhã seguinte, levantei-me às oito horas da manhã para olhar o Sol. Olhei a superfície brilhante, que não me ofuscava. Que se deixava ver, branca e brilhante.

Não me tinha acontecido nada, mas admiti que o Sol da manhã ainda era fraco, por isso não me fizera prejudicar a visão. Devia repetir uma hora depois, talvez me apercebesse então que, com o Sol, não se brinca. Mas, uma hora depois, conforme estabelecera para mim própria, de novo, os meus olhos não se ressentiram.

 Repeti às onze horas e ao meio dia. Então, ao meio dia, algo de extraordinário aconteceu. Múltiplos raios luminosos desceram do Sol até às minhas mãos e a imagem que me ocorreu foi a da Santa Clara com o ostensório, com a hóstia consagrada, nas mãos, em São Damião, Itália, para enfrentar o exército invasor. Que se afastou…

Foi um momento sublime o que eu vivi nessa manhã em que fitei o sol. Um momento em que vislumbrei o sagrado e que não voltou a repetir-se, daquela maneira, nas centenas de vezes que a partir de então olhei o Sol, e que talvez justifique o facto de eu ter modelado e desenhado, múltiplas vezes, Clara e Francisco.

Isto e muitos outros indícios de antes e depois levam-me a acreditar que cada um de nós tem em si a memória do Universo ou, pelo menos, tem em si a capacidade de ver o invisível, podendo ter acesso ao que denominam de registos akáshicos, onde a história das nossas vidas e do Universo se encontra registada. Deve ter sido nesses tais registos que fui buscar os seres em cascata, que haveria de desenhar.

Em resumo, a vida é uma extraordinária aventura, que não temos sabido aproveitar. Estou em crer que cada ser humano é uma alma aventurosa, que veio ao planeta Terra experimentar as suas múltiplas potencialidades. Uma aventura que nos leva, por vezes, ao heroísmo, outras que nos retém aprisionados no medo e nos condena à pequenez. Mas todos, todos, em essência, somos grandes. Creio que não há nenhum pecado original a resgatar. Somos todos grandes, com a grandeza de termos vindo trazer, à matéria mais densa, aquilo a que chamamos Deus. Para a iluminar. Somos todos heróis de uma experiência avassaladora, em que nos esquecemos de quem éramos, de quem somos, talvez para vivermos mais intensamente cada momento de vida. Somos todos Deus, uma partícula de Deus. Alguns de nós, cada vez em maior número, começaram a recordar e a descobrir que não há separação e que o que nos confunde, nos isola, é só um pequeno véu.

Quando me apercebi que me tinha esquecido de quem era, de quem sou, foi esse o momento do início do regresso. Um mágico e doloroso momento, em que tomei consciência de que a minha vida, as minhas vidas, têm sido uma magnífica aventura. Senti-me a pensar que talvez seja tempo de voltar a Casa. Mas continuo tão fascinada por tudo isto! Por toda esta ignorância, paredes meias com o pleno saber.

Nesse olhar o Sol descobri que o Sol não é só essa luz branca que nos ofusca. Há um Sol verde, magnífico, que pintei, e o meu neto quis para o seu quarto. Pintei um outro, mas que não tem a magia nem a força do primeiro. Há também um Sol castanho, que também pintei, mas é menos belo. Ultimamente, tenho visto, ao fim da tarde, à volta do sol, belíssimas bolas borbulhantes de um magnífico e transparente azul. Mas agora já não olho o Sol com a frequência de antes. Sinto que os meus olhos estão mais frágeis e os devo poupar. E tenho pena de me recusar esta comunhão com a Luz.

Isto que vivo também vós o podereis e ireis viver. Basta ter um coração puro e a capacidade de se deixar deslumbrar.

Se pensarmos bem, se o quisermos admitir, verificaremos que, ao fim e ao cabo, todos vivemos paredes meias com o mistério.


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Clara e Francisco , o Amor salvador do par 



A FORÇA TRANSFORMADORA DO AMOR

                                               
Não é ainda claro para mim o motivo por que Francisco e Clara tomaram tão importante destaque nos meus desenhos. Não foi, de maneira alguma, por eu ter qualquer devoção por eles.
A esmola num encontro decisivo
Devo deixar aqui claro: fui, desde muito nova, uma observadora constante de mim e dos outros. A incongruência entre os comportamentos e as declarações de fé provocou muito cedo em mim uma ruptura. As pessoas viviam na sua maior parte um faz de conta. Declaravam acreditar numa coisa e, no concreto, faziam o inverso, sem aparentes problemas de consciência. O interesse próprio sobrepunha-se, sempre ou quase sempre, ao interesse alheio.

 Radical, como se é em geral na adolescência, considerei então que a religião fazia parte desse faz de conta social. Decidi aos 18 anos afastar-me da religião, assumindo que, num mundo sem Deus, eu iria comportar-me como se houvesse Deus. A minha consciência seria o meu único juiz.

 Adoptei a moral da fidelidade a mim própria, como programa de vida. Não posso dizer que tenha sido inteiramente fiel, mas andei muito próximo disso. Se alguma vez violei os meus preceitos, foi em situações em que pus o interesse de outros à frente dos meus.

Deliberadamente, nunca prejudiquei ninguém, mas sempre defendi com clareza a minha liberdade e autonomia. Com este perfil, não vejo o que me tenha habilitado a ser anfitriã de Clara e de Francisco. Talvez a minha faceta de criança, nunca perdida. Talvez a minha capacidade de amar tudo e todos. De ansiar pelo absoluto, fosse isso o que fosse.

 Clara e Francisco de Assis vieram a mim. Senti-me privilegiada. Porventura amo o Sol tanto como eles. Como eles desejei poder ser como o Sol, dando sem esperar nada.

  «Altíssimo, omnipotente, Bom Senhor/Teus são o louvor, a glória e a honra», cantou Francisco, que foi trovador e falava o Provençal.

Li recentemente um texto que me levou a alargar a compreensão da sua personalidade. Segundo Idres Shah, Francisco terá sido influenciado pelo sufismo. Não me custa a admitir que tal seja possível. Que sua capacidade de entrega e de paixão o tenha levado a aprofundar os caminhos da fé. Segundo esse autor, o impulso que leva Francisco a querer ir até aos infiéis, terá sido mais para aprofundar ao sufismo e a dança dos dervixes, do que propriamente o objectivo de converter os infiéis. Hipótese a considerar.
O Amor transformador do par
A única coisa que sei verdadeiramente desse par amoroso e renunciante é que Francisco e Clara quiseram transformar o seu amor numa alavanca de transformação do homem, dando um testemunho que chega até aos dias de hoje. Um testemunho de amor. Um par amoroso, como outros através dos tempos, que utilizaram o seu amor como força transformadora da humanidade. Uma força que não deixou ainda de actuar.

Pouco mais sei deles, para além da mensagem que me chega do invisível. Vou reproduzi-la, em parte, sem mãos comentários.



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TODAS AS NAÇÕES SÃO MISTÉRIO…



O Prof. Agostinho da Silva, filólogo, filósofo, um Homem de variados saberes, afirmou-me um dia que Portugal só desaparecerá «quando todo o Mundo for Portugal».

Na altura não percebi o que ele pretendia dizer. Nunca me passou pela ideia aceitar essa afirmação como uma verdade literal, mas embora tivesse por prática questioná-lo muito, não me ocorreu então interroga-lo sobre o que o que pretendia objectivamente dizer com essa afirmação.

Há três ou quatro anos, porém, um dia, finalmente, percebi. O que o Professor queria dizer era que Portugal só poderia deixar de existir «Quando Todo o Mundo fosse Portu Graal» ou seja: quando todo o Mundo se tornasse Porto do Graal.

Agostinho da Silva partiu para o Invisível em 1994. Três anos depois, mais precisamente, em 1997, o Graal foi aberto ao mundo. Foi na madrugada do solstício de Verão que o Graal foi entregue ao Planeta Terra. Rodeado por três sois -- três estrelas de luz--, o Graal gira à volta do Planeta espalhando a sua energia. Ou melhor, as suas dádivas transformadoras. É isso que me leva a dizer que um Novo Tempo começou, ou está a começar, em que o Ser Humano vai ter um reencontro consigo próprio e com a sua divindade.

Isso é algo que está a acontecer no Agora. Poderosas transformações vão dar-se no Planeta. Não sei quais. Só sei que o ser humano no seu todo se vai tornar consciente da sua condição divina. E vai aprender a respeitar e a amar o Planeta Terra, a Casa que nos permite viver esta experiência de Humanidade.

 Entretanto, o terráqueo, consciente de novo de que é um Ser Cósmico, vai readquirir parte da memória da sua natureza divina. Ao que julgo saber.
Talvez esteja simplesmente a efabular, com base no manancial de sonho e poesia que existe neste País, à beira mar plantado.

De qualquer das formas, como disse o Poeta, «Todas as Nações são mistério…»