quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Os Jogos do Poder


UMA DEVOTADA  APRENDIZ DA ESCOLA DA VIDA



Durante o mês de Julho perguntei-me algumas vezes se devia ou não continuar este blog. Senti, aliás, a necessidade de fazer uma avaliação distanciada do que escrevi até agora. Valeria a pena continuar? Até onde poderia ou queria ir?

Considerei também, algumas vezes, que já tinha transmitido o essencial da minha aprendizagem e que cada um dos possíveis leitores poderia tirar as suas próprias conclusões e, eventualmente, aproveitar o que de melhor nelas pudesse servir à sua evolução.

 Não consegui por muito tempo tomar uma decisão clara. Cada um de nós faz o seu caminho caminhando e o bom e o mau que vai acontecendo são elementos essenciais à própria evolução. É a maneira de encararmos ou resolvermos as situações que se nos deparam que, ao fim e ao cabo, nos apura e nos faz avançar.

A certa altura, senti que algo se está a alterar em mim. Será porque estou mais velha? Não me pareceu que seja isso. É outra coisa. É mais uma espera de que algo se transforme em mim. Ou no mundo. Acho que as incertezas deste mês de disponibilidade foram ou são reflexo de tudo o que acontece no Planeta. Algo parece estar a fermentar e a eclodir e poderá ter aspectos não muito agradáveis. Foi como se tivesse deparado à minha frente com o futuro, um futuro ainda a definir-se, incerto, enquanto o «recado» que tenho andado a tentar passar tenha surgido da parte luminosa da experiência dos meus últimos vinte anos.

Sou por gosto uma devotada aprendiz da escola da vida. Acho, aliás, que todos somos isso e que a vida dá a cada um de nós a possibilidade de ter as experiências que nos permitem avançar. Algumas vezes, a experiência é tão dolorosa ou é-nos tão difícil apreender-lhe o sentido, que temos de repeti-la, em situações diferentes, até que tenhamos percebido o que estamos a tentar demonstrar a nós próprios. Ou ensinar.

As situações repetem-se, não exactamente iguais, mas tão semelhante que, se todos estivéssemos atentos ao percurso interior, acabaríamos por perceber que, com nuançes, vivenciamos repetidamente a mesma experiência, enquanto não aprendemos que não é por ali.

Aliás, no essencial, as nossas vidas não são muito diferentes umas das outras. Aparentemente diversas, as provas são sempre muito semelhantes. Tudo o que fazemos a nós mesmos e aos outros fica a trabalhar-nos e a condicionar a nossa evolução.

Nada é gratuito. Tudo o que nos acontece e acontece à nossa volta tem uma função, mas somos nós que vamos influir na forma como isso vai condicionar as nossas vidas, as nossas relações com os outros e a nossa evolução. Aquilo em que nos tornamos dia a dia. Sempre diferentes, embora aparentemente iguais. E isto ao nível individual e colectivo, ao nível dos grupos, das sociedades e das Nações.


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NOBEL DA PAZ QUER FAZER A GUERRA



 Uma das questões em que tenho andado a pensar é o que pode vir a acontecer após a eventual  intervenção dos EUA na Síria. Que pretende o Presidente Obama?Admito que ele está a repetir a estratégia de Bush a quando da intervenção no Iraque. Isto é, ao dirigir o foco das atenções para a Síria, fá-lo-à para ter mais liberdade de acção em outros planos. Será?
Admito que Obama, como aconteceu com Bush, está a focalizar a atenção na Síria, por razões internas. De que está ele a defender-se? De que pretende desviar as atenções, ao focalizar a nação na problemática da Síria?

Recorde-se o que aconteceu no Iraque. Ao decidir a intervenção no Iraque, Bush consolidou a sua posição internamente. Mas será que a ocupação e a morte de Saddam Hussain prestigiou a América ou beneficiou a população iraquiana? Não, nem uma coisa nem outra. Basta ver o nível de destruição do Iraque e do sofrimento do Povo iraquiano, sabendo-se que o que estava verdadeiramente em causa era o petróleo…

Aparentemente, Bush terá na altura consolidado a sua posição internamente, mas será que os EUA ficaram mais fortes? Com maior prestígio?Pelo contrário. E quantos soldados morreram ou ficaram estropiados, americanos e iraquianos? E o sofrimento e a morte causadas à população, não ficarão a pesar no karma dos americanos? 

E agora a Síria. Qual vai ser a retaliação, directa ou indirecta, da Síria aos EUA se Obama levar avante a intervenção que tem planeada?  Estará o Presidente Obama a precisar de um inimigo externo para consolidar (também ele) internamente a sua posição? E como é que Obama vai resolver a contradição de ter sido Prémio Nobel da Paz, revelando-se agora, por bons ou maus motivos, um Nobel da Paz a mandatar a guerra!

 Ah, os jogos do Poder!… E os presidentes, ainda que de origens e ideologias diferentes, acabam por ser na acção perigosamente iguais.


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O CAIR DAS MÁSCARAS



Penso que já disse aqui, não sei quando, que chegamos a um tempo em que nos vamos definir colectivamente pelos actos e não mais pelo subterfúgio das palavras. Chegamos ao tempo do cair das máscaras.

 De uma maneira ou de outra, a verdade chega às televisões e às páginas dos jornais. A abastança e a riqueza que entra nas nossas casas através dos filmes passados pelas televisões são a realidade a que também temos direito. Esta é a revolução dos nossos dias, a grande revolução. Uma revolução pela informação. Pelo conhecimento.

 A realidade de uns é a realidade possível de todos os outros, se não houver a apropriação indevida da maior fatia do bolo por uns poucos. Tem sido esse o verdadeiro trabalho informativo da televisão, ainda que não tivesse sido essa a intenção. Ou seja: a denúncia das obscenas desigualdades entre ricos e pobres, que continuam a prevalecer no mundo.

 É extraordinário que o sentimento igualitário tenha chegado ao conhecimento de todos não pelos grandes ideólogos, marxistas e outros, não pelos partidos políticos e suas doutrinas, mas através da imagem, da vivência possível revelada através do cinema e da televisão. Já não é possível esconder. Há muita miséria no mundo e muita riqueza ostensivamente esbanjada por uma minoria. E isso não é ética nem socialmente comportável, numa sociedade em que, felizmente, a educação chegou à maioria.


 Está em curso um movimento de regeneração do Planeta, que vai porventura provocar algumas catástrofes, mas cujos resultados vão ser colectivamente positivos.  A regeneração da Terra e do seu humus é coincidente com um movimento colectivo de regeneração da humanidade. A informação circula. A riqueza já não pode ser globalmente retida por uma minoria. E isso é altamente positivo. O que vai permitir o desenvolvimento de uma nova sociedade e de uma humanidade mais evoluída e mais feliz. Mas ainda não é para amanhã.



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