UMA DEVOTADA APRENDIZ DA ESCOLA DA VIDA
Durante o mês de Julho perguntei-me algumas vezes se
devia ou não continuar este blog. Senti, aliás, a necessidade de fazer uma
avaliação distanciada do que escrevi até agora. Valeria a pena continuar? Até
onde poderia ou queria ir?
Considerei também, algumas vezes, que já tinha
transmitido o essencial da minha aprendizagem e que cada um dos possíveis
leitores poderia tirar as suas próprias conclusões e, eventualmente, aproveitar
o que de melhor nelas pudesse servir à sua evolução.
Não consegui por
muito tempo tomar uma decisão clara. Cada um de nós faz o seu caminho
caminhando e o bom e o mau que vai acontecendo são elementos essenciais à
própria evolução. É a maneira de encararmos ou resolvermos as situações que se
nos deparam que, ao fim e ao cabo, nos apura e nos faz avançar.
A certa altura, senti que algo se está a alterar em mim.
Será porque estou mais velha? Não me pareceu que seja isso. É outra coisa. É
mais uma espera de que algo se transforme em mim. Ou no mundo. Acho que as
incertezas deste mês de disponibilidade foram ou são reflexo de tudo o que
acontece no Planeta. Algo parece estar a fermentar e a eclodir e poderá ter
aspectos não muito agradáveis. Foi como se tivesse deparado à minha frente com
o futuro, um futuro ainda a definir-se, incerto, enquanto o «recado» que tenho andado
a tentar passar tenha surgido da parte luminosa da experiência dos meus últimos
vinte anos.
Sou por gosto uma devotada aprendiz da escola da vida.
Acho, aliás, que todos somos isso e que a vida dá a cada um de nós a
possibilidade de ter as experiências que nos permitem avançar. Algumas vezes, a
experiência é tão dolorosa ou é-nos tão difícil apreender-lhe o sentido, que temos
de repeti-la, em situações diferentes, até que tenhamos percebido o que estamos
a tentar demonstrar a nós próprios. Ou ensinar.
As situações repetem-se, não exactamente iguais, mas tão
semelhante que, se todos estivéssemos atentos ao percurso interior, acabaríamos
por perceber que, com nuançes, vivenciamos repetidamente a mesma experiência,
enquanto não aprendemos que não é por ali.
Aliás, no essencial, as nossas vidas não são muito
diferentes umas das outras. Aparentemente diversas, as provas são sempre muito
semelhantes. Tudo o que fazemos a nós mesmos e aos outros fica a trabalhar-nos
e a condicionar a nossa evolução.
Nada é gratuito. Tudo o que nos acontece e acontece à
nossa volta tem uma função, mas somos nós que vamos influir na forma como isso
vai condicionar as nossas vidas, as nossas relações com os outros e a nossa
evolução. Aquilo em que nos tornamos dia a dia. Sempre diferentes, embora
aparentemente iguais. E isto ao nível individual e colectivo, ao nível dos
grupos, das sociedades e das Nações.
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NOBEL DA PAZ QUER FAZER A GUERRA
Uma das questões
em que tenho andado a pensar é o que pode vir a acontecer após a eventual intervenção dos EUA na Síria. Que pretende o Presidente
Obama?Admito que ele está a repetir a estratégia de Bush a quando da
intervenção no Iraque. Isto é, ao dirigir o foco das atenções para a Síria, fá-lo-à
para ter mais liberdade de acção em outros planos. Será?
Admito que Obama, como aconteceu com Bush, está a
focalizar a atenção na Síria, por razões internas. De que está ele a
defender-se? De que pretende desviar as atenções, ao focalizar a nação na
problemática da Síria?
Recorde-se o que aconteceu no Iraque. Ao decidir a intervenção
no Iraque, Bush consolidou a sua posição internamente. Mas será que a ocupação e
a morte de Saddam Hussain prestigiou a América ou beneficiou a população
iraquiana? Não, nem uma coisa nem outra. Basta ver o nível de destruição do
Iraque e do sofrimento do Povo iraquiano, sabendo-se que o que estava
verdadeiramente em causa era o petróleo…
Aparentemente, Bush terá na altura consolidado a sua
posição internamente, mas será que os EUA ficaram mais fortes? Com maior
prestígio?Pelo contrário. E quantos soldados morreram ou ficaram estropiados,
americanos e iraquianos? E o sofrimento e a morte causadas à população, não
ficarão a pesar no karma dos americanos?
E agora a Síria. Qual vai ser a retaliação, directa ou
indirecta, da Síria aos EUA se Obama levar avante a intervenção que tem
planeada? Estará o Presidente Obama a
precisar de um inimigo externo para consolidar (também ele) internamente a sua
posição? E como é que Obama vai resolver a contradição de ter sido Prémio Nobel
da Paz, revelando-se agora, por bons ou maus motivos, um Nobel da Paz a mandatar
a guerra!
Ah, os jogos do
Poder!… E os presidentes, ainda que de origens e ideologias diferentes, acabam
por ser na acção perigosamente iguais.
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O CAIR DAS
MÁSCARAS
Penso que já disse aqui, não sei quando, que chegamos a
um tempo em que nos vamos definir colectivamente pelos actos e não mais pelo
subterfúgio das palavras. Chegamos ao tempo do cair das máscaras.
De uma maneira ou
de outra, a verdade chega às televisões e às páginas dos jornais. A abastança e
a riqueza que entra nas nossas casas através dos filmes passados pelas
televisões são a realidade a que também temos direito. Esta é a revolução dos
nossos dias, a grande revolução. Uma revolução pela informação. Pelo
conhecimento.
A realidade de uns
é a realidade possível de todos os outros, se não houver a apropriação indevida
da maior fatia do bolo por uns poucos. Tem sido esse o verdadeiro trabalho informativo
da televisão, ainda que não tivesse sido essa a intenção. Ou seja: a denúncia
das obscenas desigualdades entre ricos e pobres, que continuam a prevalecer no
mundo.
É extraordinário
que o sentimento igualitário tenha chegado ao conhecimento de todos não pelos
grandes ideólogos, marxistas e outros, não pelos partidos políticos e suas
doutrinas, mas através da imagem, da vivência possível revelada através do
cinema e da televisão. Já não é possível esconder. Há muita miséria no mundo e
muita riqueza ostensivamente esbanjada por uma minoria. E isso não é ética nem
socialmente comportável, numa sociedade em que, felizmente, a educação chegou à
maioria.
Está em curso um
movimento de regeneração do Planeta, que vai porventura provocar algumas catástrofes,
mas cujos resultados vão ser colectivamente positivos. A regeneração da Terra e do seu humus é coincidente
com um movimento colectivo de regeneração da humanidade. A informação circula.
A riqueza já não pode ser globalmente retida por uma minoria. E isso é
altamente positivo. O que vai permitir o desenvolvimento de uma nova sociedade
e de uma humanidade mais evoluída e mais feliz. Mas ainda não é para amanhã.
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