domingo, 21 de abril de 2013

E, Por Fim, Compreender…



O GRANDE MISTÉRIO DA VIDA

                          
Debrucei-me, a semana passada, sobre as três etapas do percurso pela Árvore da Vida. Deixei, porém, para hoje, a referência ao que nos espera, a cada um de nós quando, finalmente, conseguirmos atingir a meta. Tenho para mim que a meta a que podemos chegar enquanto portadores de um corpo físico não é a meta final e não é a mesma para todos ao mesmo tempo. Isto é, existem imensas metas a alcançar ao longo da vida, num progressivo aperfeiçoamento.

 O corpo permite-nos uma grande variedade de experiências no decorrer do percurso espiritual. Experiências na vigília, em que a mente pode ter ou não um papel determinante e experiências durante o sono, quando o espírito se liberta do corpo e pode ascender a outros níveis vibracionais. Lembro-me de uma manhã em que, ao acordar, tive de lutar para recuperar o meu corpo, que parecia ocupado por um outro locatário. Isto que conto terá sido real? Para mim foi, mas não tenho nenhuma informação quanto a essa possibilidade. Não voltou a acontecer. Entretanto, aprendi a proteger o meu sono ou tornei-me mais forte.

Complicado, não é? Eu acho, mas não sei dizer mais sobre isto, nem melhor. Mas recordo a aflição e o esforço que fiz para entrar no corpo. Parece loucura.  Sou demasiado ignorante para saber o que se passou realmente, mas que foi uma experiência traumática foi!

Recordo-me agora de outra experiência acontecida ao acordar. Despertei deitada de costas, barriga para cima. Não me podia mexer. Ao mesmo tempo sentia que a minha cabeça era enorme. Tentei chamar a empregada, que já tinha chegado e fazia barulho na cozinha, mas da minha boca não saiu nenhum som. Foi então que pensei que deveria ter tido um AVC. Não podia fazer nada a não ser esperar. É estranho, mas não senti nenhuma angústia. E a minha curiosidade profunda por todos os fenómenos, levou-me a concentrar a minha mente na observação do que me estava a acontecer.

Passou muito tempo. Eu estava presa no corpo sem poder reagir. E não havia em mim aflição alguma, o que me parece estranho. Ou não será. Talvez o essencial em mim soubesse o que estava a acontecer. A minha atenção estava concentrada no cérebro enorme, que parecia ser o meu. Apercebi-me então que, lentamente, muito lentamente, o cérebro ou talvez com mais propriedade a energia cerebral começou a diminuir e a encaixar-se dentro da cabeça.

Sentir que a consciência, o quer que me fazia pensar fora do cérebro, entrava lentamente na cabeça, ocupava-me tanto que não me permitia sentir nenhum tipo de aflição. Era o que era e a que eu assistia, serenamente, como o meu treino de jornalismo me preparara para observar os acontecimentos sem me envolver. Por fim, a minha consciência encaixou dentro do cérebro e eu verifiquei que passara a poder mexer-me e me podia levantar.

Resolvi não contar a ninguém o que me tinha acontecido. Para que é que eu ia preocupar os meus familiares?! Nunca mais voltou a acontecer. Acho que me foi mostrado como funciona o mecanismo da consciência, entre a vigília e o sono. Afinal, da Vida! 

A Vida na sua totalidade e o ser humano em particular são, na realidade, um profundo mistério. Desenhar o que se desconhece e aprender com os próprios desenhos acaba por ser uma pequena amostra do grande mistério que é a manifestação de que fazemos parte, ou simplesmente a Vida, o simples acto de respirar e a possibilidade de sentir amor por um ser em concreto ou um amor difuso que abrange tudo e não privilegia nada.


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A PONTE ENTRE A TERRA E O CÉU


Neste lado do Véu, a que chamamos Vida, temos uma longa e variada aprendizagem a fazer, ficando-nos sempre a sensação de que há mais a descobrir, que o conhecimento que possamos ter divisado é mínimo, é sempre mínimo para o que há a saber. Entretanto, se alguma vez tivermos o privilégio de despertar conscientemente no Grande Oceano da Vida aí, sem espanto, automaticamente, partilhamos de todo o conhecimento, sabendo tudo e sendo tudo, sem deixar de sermos o que ainda somos, simplesmente humanos. Mas a experiência, que é Infinita, é sempre breve, por mais tempo que tenhamos sido ali acolhidos, por mais tempo que tenhamos partilhado simultâneamente o Todo e a Parte, em plena consciência. Sem espanto! Sem espanto, porque sempre fomos isso.

Tive o raro privilégio de me ter sido permitida a vivência desse estado. Nesse Oceano, onde uma noite acordei no sonho, e de que já falei, Ser é Saber, não há diferença nenhuma. E Saber é Ser. Consciencializo isso como nunca o tinha feito antes. Quer dizer: enquanto me esforço por transmitir a mensagem, eu própria estou a aprofundar em mim o Saber e o Ser.
Antes de continuar, quero lembrar que o ponto de partida de todos nós é o da perfeição. Éramos perfeitos e inteiros, completos, quando nos disponibilizamos a trazer o Espírito à matéria. Isto é, todos nós nos disponibilizamos a nascer no Planeta Terra com uma missão. Há uma descida e só quando se bate no fundo é que, de novo se começa a subir. Entretanto, o ser humano cumpriu parte da sua missão. Isto é, impregnou o Espírito na matéria, com a sublime renúncia de esquecer quem era, quem é. Creio que esta aceitação do esquecimento foi, é, continua a ser uma acto sublime, um acto de abnegação. Um acto de renúncia, extraordinário! Neste esquecimento ao longo de séculos, ao longo de milénios, andamos a viver múltiplos papeis, em que fomos sendo algo e o seu contrário, tantos vezes vividos num terrível complexo de culpa.

Depois de ter percorrido a Árvore da Vida e de ter vivenciado os seus ensinamentos, o Ser Humano volta a readquirir as qualidades e potencialidades que lhe são próprias. Conscientemente volta a estar conectado ao Todo. Volta a ter a sua «moleirinha» aberta, como os bebés. Talvez consiga ver os anjos, como eles, e sorrir-lhes, com esse sorriso que as mães tanto gostam de ver, mas que é o sorriso destinado ao anjo, que também lhes sorri.
O rosto de mulher que pintei tendo na cabeça um ninho de pombas, que representa a abertura ao Cosmos, ao Espírito. Abertura que trazemos à nascença com a moleirinha aberta. Com o tempo a moleirinha fecha, mas podemos ter o privilégio de a voltar a abrir e de nos conectarmos com o Todo. Veja-se que a mulher integra em si o seu par. Dois em um, ou seja, o Andrógino Primordial.

A segunda imagem, em que a poalha dourada do Céu entra no cântaro em que se transformou a cabeça da mulher, representa o mesmo que a imagem anterior, porventura num estadio mais avançado.

Repare-se, por fim, que o dragão é o único animal que permanece nesta última etapa. Por quê? Porque ele representa a Kundalini, um elemento essencial da abertura do ser humano ao Cosmos, tornando-o a ponte entre a Terra e o Céu.

Desenhei e pintei este quadro em 1984, sem saber o que significava, mas isso não foi obstáculo à minha entrega total. Guardei-o até agora, num dos sítios mais recatados da casa, agora, que julgo ser o tempo certo para o mostrar.


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TAMBÉM SOMOS OS OUTROS


A tragédia na maratona de Boston, nos EUA, leva-me a chamar a atenção para a tragédia da ignorância e do ódio, que estão na base de toda a violência. Ainda se desconhece o que ou quem esteve por detrás do atentado. Foram os dois irmãos sozinhos que conceberam e realizaram o atentado na maratona, ou haverá alguma força política ou religiosa por trás?

Não é isso, porém, o que me leva a referir esta tragédia. Mas o que há de irracional, sem consistência lógica, nas tragédias deste tipo. O ódio ao outro é antes do mais uma manifestação de ódio por si próprio. É desconhecer que o carrasco é também a vítima.


Pintei um dia um quadro em que a figura principal é um árabe, com a sua família e o seu grupo. Noutra ocasião desenhei um jovem ocidental, com a força de um conquistador, de um guerreiro. E, sabem? Essas duas figuras, nascidas em civilizações opostas, eram a mesma entidade, para não dizer a mesma pessoa, nascendo ora num povo ora no seu rival, talvez ambos com o mesmo ímpeto guerreiro, para aprender porventura o respeito pelo outro, o oposto, que não terá de ser inexoravelmente adversário.


Pode ser que, cosmicamente, nada disto tenha importância. Que no momento em que alguém é árabe ou alguém é ocidental e cristão assume os ódios e a índole do seu povo, atacando hoje o que irá defender amanhã, com outra alma, outra índole e outro corpo. O inimigo de hoje será sempre o irmão de ontem? Será que é mesmo assim? Será que a ignorância de quem somos, do que somos, nos atira uns contra os outros, seja qual for o lado em que estejamos?
A ser assim é tão estúpido, tão limitado, tão pouco avançado espiritual e civilizacionalmente, não acham? Não acham? Quando aprenderemos realmente que somos todos irmãos, que somos todos um?

Quando sairemos desta barbárie?  



    
                      

sábado, 13 de abril de 2013

O Cisne, o Touro e o Dragão


TRÊS ETAPAS DE UM CAMINHO PELA ÁRVORE DA VIDA

Foi um dos primeiros quadros que pintei, mas continuo a achá-lo tão complexo, que me é difícil dispor-me a escrever sobre ele. Sei que há muito a dizer, mas também sei que nunca investiguei suficientemente o assunto para me lançar descontraidamente a escrever sobre ele.
Para encontrar ajuda, andei a pesquisar na Internet o significado de alguns elementos do quadro. Encontrei informações interessantes. Aliás, copiei alguma das informações, com o objectivo de as citar. Mas agora que me disponho a escrever criou-se um vácuo na minha mente, um esquecimento da informação que encontrei, como se ela não fosse relevante para o que devo dizer sobre o quadro. Sinto um vazio que me distancia de tudo o que andei a pesquisar.
Acaba por ser uma sensação engraçada. A minha mente está vazia e como que se recusa a recorrer aos apontamentos que tomei. Então, o que devo fazer? Deixar para amanhã? Não me parece que seja o que o Infinito espera de mim. Devo então escrever quando tenho a cabeça completamente vazia? Nunca tal me aconteceu quando me disponho escrever. Creio que é um desafio que me está a ser posto. Nunca disse que gosto de desafios, de coisas que parecem difíceis ou impossíveis de realizar? Ou simplesmente uma advertência para deixar o assunto amadurecer? Não é imprecindível que escreva hoje!
Coloquei o quadro a meu lado, numa cadeira. É uma cadeira pintada de  branco, que tenho aqui na salinha do computador. Sento-me nela quando vem o meu neto para me ajudar na paginação. É ele que tira as fotografias, faz as fotocópias, enfim, é um privilégio tê-lo a meu lado nesta aventura. Enquanto ele tiver disponibilidade, continuarei a recusar-me a assumir essa parte da tarefa. Ele sabe disso e parece-me que acha graça.
O título diz o essencial do quadro. Há nele um cisne, um touro e um dragão, porventura nas cores erradas. Por quê? Creio que, na realidade da natureza, não há cisnes dourados, mas brancos e negros. Simplesmente, o meu cisne é dourado, Quem sabe a razão?
O touro é verde. Não há! Não creio que haja touros verdes, mas o meu touro é verde. Talvez o dragão seja verde, tal com o pintei, mas será que isso é relevante? Mas é relevante dizer, ao que creio, que estes três elementos assinalam três etapas do longo caminho pela Árvore da Vida e representam as três forças essenciais para o ser humano realizar a ascensão.

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O CISNE DOURADO

De todas as personagens que habitam o quadro só reconheço duas ou três. Uma delas é a senhora junto ao cisne, que parece nascer das raízes e tronco da árvore, Cléopatra, que reconheço sobretudo pelo grande nariz. Acabei de ir comparar com outros desenhos e é efectivamente ela, Cléopatra oitava, rainha do Egipto.
Que estranho! Pintei este quadro em 1989 e só agora me concentro para descodificar a sua mensagem. Como se não fosse importante saber, mas viver isso. Isso que se passava no quadro, essas pombas a fazerem ninho no alto da cabeça ou ser o vaso que recebe o ouro do céu…
Nunca quis pertencer a nenhuma organização esotérica, porque não queria que condicionassem a minha busca. Demorei porventura mais tempo, mas creio ter avançado num caminho sem sinais, ao encontro de consecutivas descobertas, sempre no tempo certo.
É minha convicção de que só compreendemos o que há a compreender e integramos esse conhecimento quando interiormente estamos prontos. Podemos saber intelectualmente, mas isso não é saber, isso não é tornarmo-nos naquilo que sabemos. Isso é ser simplesmente porventura um intelectual ou perito ou um sábio, não é estar ligada/o ao que nos transcende. Isso que também somos nós.
É estranho, estou a querer traduzir a pintura em palavras e descubro que, embora sabendo eu nunca consciencializara o que estou agora a escrever. Nunca olhei para esse cisne dourado como parte integrante da caminhada espiritual, como fio dourado que poderá conduzir-nos ao centro do Universo, a um conhecimento mais fundo do próprio ser. E sim, o cisne está ligado aos grandes ideais, que podem dar largueza e grandeza à mais modesta vida humana. Porque a verdadeira grandeza é interior. Cleópatra foi rainha, mas não é preciso ser rainha para se abraçar grandes ideais e tentar realizá-los, Creio, aliás, que qualquer função que exija representação pública é ou pode ser um grande handicap à realização de uma profunda jornada interior.
Ainda a propósito: a cor dourada está ligada ao sol, à abundância e ao poder e… aos grandes ideais!

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HARMONIZAR O TOURO E O DRAGÃO

Não identifico a personagem que se encontra entre o Touro e o Dragão. Na mão direita tem a vara com que apascenta o touro enquanto pela mão esquerda irradia a energia do dragão que domou em si, na harmonização das duas forças que podem permitir-lhe atingir o expoente do Ser, isto é, fazer a ligação harmoniosa entre a Terra e o Céu.
O Ser Humano é o elemento condutor entre estas duas energias, a energia telúrica, que sobe pelos seus pés e a energia divina, que entra pela sua cabeça, indo encontrar-se e florir no coração, irradiando pelos braços, formando a cruz da salvação. A cruz de energia que restitui a divindade ao ser humano, tornando-o verdadeiramente filho de Deus. Este foi o grande segredo guardado por raros privilegiados, até que chegou o tempo em que o Céu e a Terra se vão casar em todos os seres humanos, iniciando então verdadeiramente a Idade do Ouro.



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UM LONGO CAMINHO


Repare-se agora na Árvore da Vida. No longo caminho a percorrer para chegar ao topo, à liberdade. Repare-se nas duas saídas; o casal ou a vida monástica, ambos permitem chegar ao destino. O destino parece traduzir-se, segundo as imagens, na união do par. Que pode ser entendida de forma literal ou pela androginia, em que o ser humano voltará a concentrar em si, como nos tempos primordiais, os dois sexos. Mas disto nada sei.
 Parece-me, contudo, muito mais criativo e estimulante a interação dos dois sexos. Logo se verá…






quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nunca Estamos Sós



NÃO PODEMOS SEPARAR O SER DO FAZER

Embora muitos de nós padeçam de solidão, a verdade é que nunca estamos sós.  Em primeiro lugar, porque somos múltiplos.  Claro que temos uma máscara, a personalidade que assumimos como elemento identificador, mas todos somos vários, a esforçarmo-nos por vezes por dar aos outros uma imagem coerente de nós próprios.

 Nós somos isto, parecemos dizer quando nos identificamos com o papel que desempenhamos. Mas não, nós somos isto e tantas vezes o seu contrário. Somos isto e o que não sabemos que somos. Somos o indefinível, que durante toda a vida tentamos atingir e compreender. E, definitivamente, somos, na maior parte dos casos, perfeitos desconhecidos para nós próprios. Reparem no que nós, por vezes, nos atrevemos a fazer! E no fazer baralhamos a ideia que tínhamos de nós, do nosso ser, no melhor e no pior. Aliás, não podemos separar o ser do fazer. Nós somos também intrinsecamente aquilo que fazemos, embora isso colida tantas vezes com aquilo que somos, julgamos ser ou queremos ser.




Mostro-lhes, em primeiro lugar, a “multidão” de seres que fazem parte da vida, da herança cármica ou do imaginário desta mulher. Há seres que se “passeiam” na sua aura. Outros que vivem grudados ao seu corpo, porque a amam ou amaram e passaram a fazer parte do seu ser.  Vejam só a multidão de seres que cada um de nós transporta! É por isso que digo que nunca estamos sós.

Aqueles que amamos e já não fazem parte do nosso quotidiano, da vida que reconhecemos como concreta, de certeza que se encontram na nossa aura, por vezes quase presença, de outras vezes numa persistente saudade. Há os que se misturam nos nossos cabelos e os que se encostam, amorosamente, à nossa roupa. Eles estão presentes com maior ou menor intensidade. São recordações, memória. Saudade. São somente aquilo que lhes concedemos, para podermos seguir em frente e sobreviver.


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OS VIGILANTES QUE NOS PROTEGEM



Há outras formas de não estarmos sós, porventura menos invasiva e próxima, mas da mesma forma vigilante. Refiro-me aos seres que amorosamente nos seguem e nos protegem de um plano mais elevado, mas ainda e sempre próximos. Serão porventura aparentemente menos invasivos, mas estão lá para acudir e ajudar para que os nossos sonhos se plasmem no concreto. Serão talvez a força invisível que manda ao nosso encontro o amigo em que estávamos a pensar ou nos alertam para um perigo iminente.  Uma espécie de anjos da guarda.

Claro que nada disto são certezas. Olho desenho a desenho e deixo que ele me fale, me comunique sem palavras o seu segredo. Será que interpretei bem? Quando me afasto da mensagem possível talvez uma campainha ressoe no meu corpo e me deixe inquieta, obrigando-me a reescrever o texto até uma realidade próxima, aliás sempre questionável. Não tenho o monópilo da sua interpretação. Acreditem, o que virem neles é a mensagem certa, a verdade que o desenho tem para cada um de vós e não aquilo que eu vos possa dizer..



O universo feminino que se espalha pelo rosto deste homem, define o fluxo da quantidade em que ele se banhou. Será que amou todas essas mulheres ou esse fluxo feminino foi a forma de ele ultrapassar a sua incapacidade de amar? Ao nível da garganta começa a fazer-se a solidão. A partir daí é um homem só.

É a história do reino da quantidade… ou não será?

Um dia, em Estrasburgo, entrevistei um filósofo, de que já não recordo o nome. Mas recordo, sim, o que ele me disse e isso para mim é o mais importante. Falámos da quantidade e ele dissertou sobre os sentimentos. Recordo-me que ele me disse que durante a nossa vida só podemos verdadeiramente amar quatro ou cinco pessoas. E não estava exclusivamente a falar do amor romântico, mas de afecto. O resto das pessoas com quem  lidamos são conhecidos, mais ou menos próximos..E o amor, o verdadeiro amor, é tão inesperado, segundo nos disse, que o podemos encontrar até no corredor de um supermercado.


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O AMOR MODELA-NOS



 Os amores que vivemos ao longo das nossas múltiplas vidas modelam o nosso rosto, o nosso ser. De certa forma passamos a ser esses seres que cruzaram connosco e nos marcaram. Julgamos que somos uma individualidade separada e somos todos esses seres que deixaram uma marca, mais ou menos forte, em nós. Somos nós e eles, o que nos leva a essa verdade que precisa que tenhamos atingido a humildade e a grandeza mais absoluta: a de que somos tudo. Cada um de nós é tudo e isso faz-me reviver uma experiência de que já falei aqui; a do ser humano enquanto partícula de um oceano de energia, sendo ao mesmo tempo ele próprio e tudo. Talvez haja um passo mais à frente que é o de, ao tornar-se tudo, deixar ao mesmo tempo de ser. Mas isso está a infinitos da minha experiência, o que é, ao mesmo tempo, que dizer que nada sei.



Para mim, nesta experiência de ser humana na Terra, já é algo de extraordinário a integração do espírito no ser, mostrada neste desenho pela presença da pomba e da integração em nós dos seres que realmente amamos.

Deixo-vos isto não como verdade absoluta, que não possuo, mas como matéria para reflexão.



                              

sexta-feira, 29 de março de 2013

A Crise É Planetária


UMA NOVA ORDEM MUNDIAL


O horizonte está muito nublado. Tenho adiado a minha presença aqui à espera de um sinal positivo, que me levasse a formular palavras de esperança. De esperança na mudança próxima da Ordem Planetária. Que se vai dar, disso não tenho dúvidas, mas ao que parece vai ser necessário percorrer ainda alguns labirintos antes de se conseguir encontrar a saída certa para a Nova Ordem Mundial.

A certeza que tenho é que a Ordem que tem regido o Planeta está a desmoronar-se, com maiores ou menores sobressaltos. Ao mesmo tempo sinto, sei que o que está a perfilar-se no horizonte é uma desordem há muito programada pelas forças que detêm o Poder. E quem verdadeiramente detém o Poder não são os rostos que nos habituamos a ver na cena internacional, mas os que mexem os cordelinhos nos corredores, os que fomentam cirurgicamente as crises, de forma a delas tirarem proveito. Mas nem sempre saem vitoriosos. Muitas vezes são sacrificados pelas tormentas que fomentaram, o que é o menor dos males.

 A crise não é um mal inevitável, mas um processo programado por certos interesses. Analisando a realidade próxima, podemos ver que a primeira etapa foi a do dinheiro fácil, lembram-se? Não foi ainda há muito tempo que os bancos quase nos pediam para que recorrêssemos aos seus empréstimos, a juro baixo! Foi um regabofe em que muitos de nós se deixaram cair.

Então, ao mesmo tempo que o mercado de arrendamento quase desapareceu, proliferou a oferta de venda de apartamentos, a preço mais ao menos convidativo. O tempo não estava para o aforro, mas para comprar. E os Bancos, pressurosos, ofereciam dinheiro barato a quem quisesse comprar casa, carro, viagens ao estrangeiro… A oferta era tão aliciante que se tornava irresistível e foram muitos os que se deixaram ir no engodo.

 Grécia, Irlanda, Portugal, foram apanhados no primeiro round desta estratégia. De seguida «atacou» a Espanha, depois a Itália e agora Chipre. A França virá a seguir, não há como escapar. Para já a Inglaterra lava as mãos, não tem nada a ver com o Euro. Mas quando a recessão chegar à Alemanha, e já está a chegar, mais depressa do que os economistas quereriam prever, então estaremos em face de duas saídas: a Guerra, como solução tradicional para as crises, ou a autêntica reformulação económica, que poderá fazer surgir uma Nova Ordem Mundial, assente em novos valores e não no despudorado jogo do lucro, que sacrificou gerações nas primeiras quatro décadas do século passado. Quem fica a ganhar com as guerras é exclusivamente a tenebrosa e poderosa indústria do armamento. Será que não aprendemos nada e continuamos a repetir os mesmos erros ciclicamente?

Este é um dos cenários possíveis para a crise, que tem vindo a ser cirurgicamente fomentada na Europa, mas que vai estender-se, em breve, ao resto do mundo, se não houver o mínimo de bom senso para a suster e debelar. Não tenhamos dúvidas de que é uma crise laboriosamente planeada por um grupo de financeiros, que de humano só tem a aparência. De resto, o entusiasmo beligerante da Coreia do Norte e do Irão podem fazer o resto. E a catástrofe desta vez poderá afectar todo o Planeta. Esta é a ameaça pendente, cuja concretização vai depender de cada um de nós.

 Desculpem o aparente pessimismo, mas que é sobretudo um toque de campaínha que pretende chamar o ser humano à responsabilidade. Poucos lerão esta mensagem? Não faz mal. O pensamento emitido fica a circular no espaço. Se eu já uma vez ouvi conscientemente um pensamento a passar, porque outros não poderão registar os pensamentos que circulam na atmosfera, ainda que não tenham consciência de que o que pensam é o eco do que foi pensado por outros?

 Uma Nova Ordem Mundial vai surgir. Depende de nós que se concretize sem uma ciclópica depuração.

É quinta-feira santa. Talvez o peso da época influa no meu discernimento. Será que as mudanças que se vão dar em Portugal poderão afectar positivamente o Mundo? Ou serão irrelevantes? Pergunto e a resposta surge dentro de mim. Não são irrelevantes. O que acontecer em Portugal vai influenciar positivamente o mundo. Assim o creio. E não vou falar de política...


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DE BRAÇOS ABERTOS


Escolhi para hoje um desenho, que me parece adequado à semana da Páscoa. Um dia, quando lia o jornal, parei numa página que tinha a imagem do Cristo Rei, que podemos ver na outra margem de Lisboa.

Que pretende dizer este desenho? Não sei. Sei só que me senti compelida a desenhar estas figuras sobre e ao lado da escultura, admitindo que uma delas regista o verdeiro rosto do homem que foi Jesus. E, como não tenho certezas absolutas, deixo-lhes o desenho, com o mínimo de palavras, para que o possam interpretar, nesta semana em que os católicos assinalam a morte e ressurreição de Jesus da Nazaré.


Boa Páscoa.


domingo, 17 de março de 2013

Estamos No Olho do Furacão


É PRECISO OLHAR O HORIZONTE PARA NÃO ENJOAR


Começo a escrever com a sensação estranha de que me encontro (porventura nos encontramos) no momento de silêncio que antecipa as grandes convulsões. Telúricas, atmosféricas, porventura sociais. É um silêncio que antecipa uma tempestade, não sei com que expressão. Um silêncio que me obriga a ficar parada, alerta, à espera, sem saber exactamente o que se aproxima.

 Acho que, neste preciso momento, ninguém sabe. Mas há uma ameaça pendente. Uma ameaça a exigir uma reflexão individual, uma reflexão colectiva, porventura uma reflexão planetária. Estamos a abrir convenientemente as portas do futuro?

O voluntarismo e a arrogância não servem de nada. Só com humildade poderemos avançar. A humildade dos nossos erros individuais e colectivos, a humildade da nossa ignorância e dos problemas que a nossa ignorância e irresponsabilidade acabam por desencadear. Surgem-me imagens que me poderiam levar a dizer: «estamos no olho do furacão». Para onde é que ele nos vai projectar? Numa revolução? Numa guerra civil? No desespero total? Tudo é possível neste momento.

Portugal tem sido, ao longo dos tempos, um laboratório onde o futuro se experimenta. Lembrem-se: somos uma das primeiras nações independentes da Europa. Abrimos o mar ao mundo e tornámos mais próximo o Oriente do Ocidente. Tivemos um império que outros, em maior número e maiores capacidades, se apropriaram em parte. A parte restante retomou a liderança do seu caminho, quando o tempo se cumpriu e reclamaram esse direito. O 25 de Abril ajudou a que a autonomia se consumasse sem grandes sobressaltos. E agora? Depois de nos termos rendido à armadilha das facilidades insidiosamente oferecidas pelas instituições bancárias, ficámos, como Povo, ignomiosamente apanhados na teia da facilidade engenhosamente desenvolvida pelo grande capital. Fomos apanhados, A habilidade dessa engenhosa organização que lucrou enquanto nos endividamos e lucra ainda mais quando precipitaram as circunstâncias que não nos vão permitir pagar.

É preciso olhar para tudo isto com serenidade, considerando que é um jogo. Sim, é um jogo que pode ter consequências mortais. Mas é apenas um jogo, jogado pelos grandes interesses que movem na sombra os cordelinhos e espreitam a oportunidade de aumentar os seus dividendos, ainda que isso possa incluir o desencadear de uma guerra. Seria interessante dispor dos números e das perspectivas da indústria de armamento. Podem ter a certeza de que estão já feitas todas as projecções dos lucros que vão obter se alguns focos de guerra se despoletarem em áreas pouco sensíveis da Europa, e do planeta.

É estupidez absoluta. Neste momento não há países nem continentes distantes. É tudo muito próximo. Tudo tem a ver com tudo, que é o mesmo que dizer que todos têm a ver com todos. Esta é a nova consciência do século XXI. Um conflito armado em Portugal vai ter repercussões na China. A China fica já ali, numa curva do mar. Esta é a nova realidade que a Humanidade como um todo tem que enfrentar. Aliás, como sinal de maturidade.

A Humanidade está madura para assumir uma nova forma de viver. Para corporizar uma nova forma de Ser, que se deve sobrepor e controlar a pandemia do Ter. O Ter já foi uma forma de sobrevivência num planeta hostil. Hoje o Ter é, não tenham dúvidas, a peste dos novos tempos, que pode dizimar o planeta, se o bom senso não chegar a todos os que movem os cordelinhos do jogo do Poder e do dinheiro.

De resto, os problemas que estamos colectivamente a enfrentar foram anunciados nos anos 80/90 do século passado por Agostinho da Silva. Dizia o filósofo:

 «Vem aí um tempo em que não vai haver empregos e os jovens vão passar os dias encostados às paredes da Baixa». E acrescentava: «Para não enjoar vai ser preciso olhar o horizonte, como se faz nos barcos, no alto mar».


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JÁ NASCEMOS EM OUTROS PAÍSES E OUTROS CONTINENTES


A Terra é una. Cada um de nós já nasceu em outros países e outros continentes. Vou contar uma história que se passou comigo há mais de 15 anos.

Um técnico chegara do estrangeiro para dar um curso de formação no jornal onde trabalhava. O corpo redactorial tinha-se reunido com ele para ouvir as novas orientações de paginação, lides, etc.. Estava a olhá-lo e, de repente, fiquei muito perturbada porque vi que o conhecia, de tempos muito antigos.  

De noite o sonho trouxe-me a explicação. Ele entrava em competições de uma arte marcial japonesa, o sumô. Eu vivia com ele. Não sei se era mulher ou concubina. Ele era corrupto. Recebia dinheiro para perder competições. Nessa noite, ele ia entrar numa competição. E eu implorava-lhe que ele não se deixasse comprar. Essa era a condição para eu continuar com ele e, ao que me pareceu, eu amava-o, mas não ficaria com ele se ele se vendesse de novo. O certo é que naquela noite ele vendeu-se e eu deixei-o.

Acordei. Fora um sonho diferente de todos os que tivera até então. Corresponderia a algo de verdadeiro, que se tivesse passado em outra vida? Não sei. Confirmei, porém, que o técnico que despoletou este sonho continuava a gostar muito de dinheiro. E ele voltou para a sua terra sem que lhe tivesse contado o que me fora mostrado sobre ele.
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ANGELA MERKEL CONTRA SALÁRIOS DESMEDIDOS


Veio a público recentemente a atitude de Angela Merkel de condenar os salários e bónus desmedidos que recebem os altos executivos de algumas empresas alemãs.

Este apontamento serve para aplaudir a chanceler alemã, mas tenho alguma coisa a acrescentar. A crítica de Merkel não pode ficar por aqui. Sim, há que diminuir os grandes salários dos executivos, mas também os grandes lucros das empresas e o fomento das falsas necessidades entre os consumidores para que a vida se torne mais justa e agradável.

Assim Seja. Na Alemanha e em todas as partes do Mundo.


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QUANDO "NASCI" NOS ESTADOS UNIDOS…


O xenofobismo é um sentimento contra natura. Já nascemos todos em outros países e outros continentes. Acontecem-nos coisas na vida que, na altura, não percebemos o porquê. Por exemplo, o convite para visitar os EUA? Por quê? Porque eu era jornalista, é evidente, mas havia já então tantos jornalistas em Portugal, porquê eu?

Quando comecei a projectar e a desenhar percebi o porquê. Eu nasci várias vezes nos EUA… Pelo menos, os meus desenhos mostram-me isso e os homens que me rodeiam não são de todo desconhecidos… De certa forma é engraçado. Não é misteriosa a vida? O problema é que a maior parte de nós passa pelos sinais e não os reconhece. Que pena!
Vejam se identificam alguém… Eu acho a vida um espanto!     

Aproveitem. Não estraguem. Não deixem que outros destruam e enfernizem o Paraíso a que temos direito por nascimento. 





Desculpem a má qualidade das imagens, mas foi difícil fazer o scan do livro onde desenhei. Vou passar a tinta da china...





sexta-feira, 8 de março de 2013

Um Povo de Novo Triste


UMA CALDEIRA EM RISCO DE EXPLODIR

Fotografia do jornal Público


A multidão silenciosa que percorreu, sábado passado, várias cidades de Portugal, para protestar contra os cortes nos salários e nas pensões de reforma, deu testemunho ao Mundo da grandeza do Povo Português. Espoliado para lá do limite suportável mostrou, com contensão, a sua revolta e indignação.

As reacções do Executivo são poucas. Talvez seja desatenção minha, mas até agora não ouvi o Primeiro Ministro reagir. Parece que se ausentou para um outro País. O que seria bom. Talvez pense que a manifestação passou e se entrou de novo na rotina, sem consequências, pelo menos durante mais três meses. E deve considerar que o melhor é passar à frente como se nada tivesse acontecido e uma caldeira efervescente de indignação não estivesse prestes a explodir.

Somos um Povo de brandos costumes. O Governo sabe disso, mas é preciso saber também que tudo tem um limite. E o limite já foi atingido. A aparente serenidade de Passos Coelho não engana ninguém. Denuncia-o o cabelo cada vez mais ralo, a magreza, um envelhecimento precoce. Talvez ainda o não queira reconhecer, mas governar um País é areia demais para a sua camioneta. Um País não é apenas um território, mas gente. Gente de carne e osso, gente que também tem filhos e chora por já não ter o suficiente para lhes dar de comer. A aparente displicência com que fala na televisão dá voltas ao estômago da maior parte de nós.

De uma outra forma, a sua voz está a tornar-se tão monocórdica quanto a do ministro das Finanças. A desencadear anticorpos. Está a tornar-se tão intolerável, que talvez seja melhor manter-se calado por uns tempos. Ainda que possa ser pose, o ministro dos Negócios Estrangeiros, pelo menos, dá a impressão de que se importa com a aflição do Povo. Talvez seja porque tem sensibilidade ou simplesmente por ter um traquejo do palco político que, obviamente, continua a faltar a Coelho.

A multidão grita o desejo de que Passos Coelho abandone o poder, mas ele faz de conta que as vozes, que não pode deixar de ouvir, não são relevantes. Não seria melhor para o País, mas também para ele próprio, apresentar a demissão e ir-se embora? Até porque a receita política que tem para o País está desfasada no tempo. Se estivesse verdadeiramente atento ao que se passa no mundo perceberia que está imanente e iminente uma Nova Ordem Social, que não tem nada a ver com a receita que está a querer implantar em Portugal. País que, aliás, parece estar a ser empurrado a ir na contra-corrente do que está a despontar no mundo. Assim como a Revolução de Abril influenciou na época o que se passou em outros países, também a forma como Portugal vai integrar esta receita draconiana vai porventura influenciar o aparecimento de uma nova forma de estar no mundo, mais despojada e mais humana, em que o dinheiro deixará de ter o peso que tem actualmente. E isso acabará por ser benéfico, mas ele já não estará no palco político.

A propósito, quero chamar a atenção para o que aconteceu no passado fim de semana, na Suíça, em que o Povo aprovou, em referendo, uma lei que limita os salários abusivos dos patrões. Extraordinário, principalmente vindo da Suíça, não é? Isto é só o princípio. O que virá de seguida será a fixação de um limite para os lucros, o que ajudará a regularizar os mercados e a construir uma sociedade mais humana e igualitária!

Segundo o Jornal Público, casos recentes tiveram influência na atitude dos eleitores suíços. Um deles foi a indemnização de 72 milhões de francos suíços (60 milhões de euros) atribuída ao presidente cessante do conselho de administração da farmacêutica Novartis. O outro resultou dos problemas financeiros do banco USB, que perdeu milhares de milhões de euros entre 2008 e 2011, quer com activos tóxicos como com negócios fraudulentos. E, claro, lá como cá, o Banco foi salvo com o dinheiro público. Só que os contribuintes suíços assumiram os seus direitos e a sua força e dizem que não voltarão a pactuar com nada de semelhante.
O que é que estes casos fazem recordar aos portugueses? Primeiro, que até agora têm sido os contribuintes a pagar os desmandos deste jaez, quer na Suiça como em Portugal. Segundo, e mais importante, que o Tempo e a Consciência dos Povos mudaram. O que aconteceu na Suíça acendeu um rastilho que vai explodir pelo mundo, limpando-o desta desordenada exploração.

 Nota: Afinal, Passos Coelho deu-se conta que houve uma manifestação. Admitiu-o hoje, quarta-feira, no Parlamento, sublinhando que isso não o leva a alterar em nada a sua acção política. Se não houvesse tanta gente a sofrer, até que pode vir a ser interessante observar os próximos acontecimentos…


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NO ESTERTOR DE UMA CIVILIZAÇÃO

É um tempo limite este em que vivemos. Estamos a assistir ao estertor de uma civilização que se desenvolveu sobre o esteio de profundas desigualdades. No passado eram os chamados nobres que detinham a riqueza e o poder. Nos últimos séculos, uma burguesia pujante conseguiu chamar a si uma importante fatia do bolo, criando a nova aristocracia do dinheiro.  Estamos agora num tempo de charneira, entre os erros do passado e o futuro novo a construir. Não vai ser fácil desmantelar os privilégios adquiridos.  Mas o tempo e a consciência colectiva estão rapidamente a evoluir.

O arrivismo e o interesse próprio estão a trazer à ribalta «novos heróis». A crónica de Henrique Monteiro, no Expresso, sobre os «os indignados ricos ou a prevalência do eu» tem um aspecto pícaro, mas ao mesmo tempo desolador. O ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, volta à ribalta agora para liderar o movimento dos «reformados indignados». O que o faz reagir? A solidariedade para com os reformados com pensões de 300 euros, por exemplo, que vão receber ainda menos, como se fosse fácil ou sequer possível sobreviver com o mínimo de dignidade e de conforto a que teria direito a velhice, com 300 euros, para renda da casa, comida e medicamentos?  Ou o interesse próprio, já que ele é um dos privilegiados que muito tem a perder com os cortes das pensões?!

O interesse próprio por vezes casa-se com o interesse colectivo e talvez o Dr. Pinhal esteja com este impasse a aprender a solidariedade, o que é porventura possível e seria louvável. Mas quando a sua reforma foi substancialmente cortada, será que se apresenta a defender o interesse alheio, ou está simplesmente a usar a bandeira dos desprotegidos para a usar em benefício próprio?

Segundo o Correio da Manhã, o ex-banqueiro recebe de reforma 649 mil euros anuais que dá a «módica» quantia de 46 mil euros por mês. Não registei quanto é que ele ia efectivamente perder. Tenho pena. Lembro-me que era muito, mas que continuava a ser muito aquilo que continuaria a receber.

De qualquer das formas, há um imenso abismo entre o interesse próprio e o drama dos que defende para afinal se defender!


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ARAUTOS DE UM NOVO TEMPO


Que um milionário resolva distribuir uma parte substancial da sua fortuna pelos mais desfavorecidos, isso poderá ser considerado uma excentricidade. Agora, que 50 milionários se aliem para aplicar metade da sua fortuna em projectos de ajuda humanitária, isso já não tem o cariz de uma mera excentricidade, mas algo muito maior. Diria que chegam do futuro, lançando os primeiros raios da alvorada de um Novo Tempo.

Fotografia da Internet
A ideia surgiu em 1989, num jantar de milionários, altura em que Bill Gates decidiu doar metade da sua fortuna para obras filantrópicas. Desde então, como é do conhecimento público, desenvolveu uma acção notável, tornando-se efectivamente num dos arautos do Novo Tempo.

Segundo os dados que consegui recolher, a ideia surgiu num jantar, em Maio de 2009, em que participaram os milionários Bill Gates (53 bilhões de dólares), então o homem mais rico do mundo e Warren Bufet (47 bilhões), o segundo mais rico.

Lançaram-se à concretização do projecto. Passado um ano, Bill e Warren tinham conquistado mais 40 milionários para a causa, decidindo cada um deles aplicar metade das suas fortunas na ajuda de populações carenciadas. Em Agosto de 2010, anunciaram ao mundo a sua decisão.

Há quem diga que muitos destes milionários se dispuseram a ceder metade das fortunas por terem começado a ser mal vistos, mas outros simplesmente porque «chegada a uma determinada quantia, o dinheiro já não se consegue gastar».

O grupo que, com a sua acção quer, ao fim e ao cabo, tornar o mundo melhor, não decidiu então a forma como o dinheiro seria gasto. Na altura ficou apenas assente que cada membro do clube financiaria projectos de saúde, educação e arte.

Bloomberg, um dos milionários filantropos, declarou que para ele «nunca houve muito sentido ajudar o mundo a melhorar e não estar presente para ver a mudança». Os filhos, diz, nunca ficarão desamparados e, talvez cansado da montanha de dinheiro sem aplicação, reconheceu que «chega a uma determinada quantia que já não se pode gastar».

 Entretanto, o movimento dos milionários continua a crescer. Já no decorrer do ano em curso, aumentou o número dos milionários que aceitaram doar metade das suas fortunas. Mais doze, para já. E sempre com o objectivo de financiar iniciativas filantrópicas.

Entretanto, o movimento continua a crescer. Warren Buffett e Bill e Melinda Gates lançaram agora uma petição a convidar milionários a dar metade do seu valor patrimonial. O documento já foi assinado por mais de cem famílias.

Um dos signatários, o magnata dos media Vladimir Patanin, afirmou
em comunicado que não pretende ser lembrado como filantropo. E acrescentou:

«Acredito genuinamente que a riqueza deve ser usada como um bem público. Vejo-o também como uma forma de proteger os meus filhos do fardo da riqueza extrema, que os poderia privar de ter motivação para conquistar, por eles mesmos, algo na vida!»

Se não há aqui sinais de que o mundo e as pessoas estão a mudar, onde haverá?


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É INDISPENSÁVEL SONHAR



O Novo Mundo tem que ser sonhado por cada um de nós. Sonhado, imaginado, construído em primeiro lugar no nosso coração. Só assim o poderemos plasmar no concreto, torná-lo realidade. Tudo é sonho, todo o nosso Mundo é uma criação onírica plasmada na matéria. Cabe-nos a nós transmutá-la. Recriá-la com o nosso sonho e irradiá-la para o mundo que chamamos real.

 Um dia comprei um cristal numa loja de indianos para os lados do Martim Moniz. Apaixonei-me por ele. Ele era feio, sem brilho, mas eu via nele um esplendor inexplicável por debaixo do pó ou do quer que o ofuscava.

Primeiro lavei-o, energizei-o e coloquei-o num local que me permitia pousar nele o olhar frequentemente. Um dia percebi que tinha de o colocar na vertical. Foi a partir daí que se formou ou eu passei a ver nele aquela a quem chamei a Virgem dos Cristais. Uma mulher sentada, cheia de luz, com o braço esquerdo estendido, tendo na mão uma flor.

Haverá alguém que veja essa imagem que criei porventura imaginariamente ou se recriou para mim nesse cristal? Não importa. Faz parte do quotidiano dos meus sonhos. A sua presença torna mais mágico o meu viver.

Partilho convosco hoje esse cristal, talvez para dar um pouco de alegria e esperança aos portugueses. Partilho a minha Virgem dos Cristais, nascida do meu sonho, e que talvez só eu possa ver, para transmitir uma energia de mudança a este Povo e este País.

O que quero transmitir como mensagem? Esta exortação «Na verdade aparente recriem o Vosso Sonho e tornem-no realidade!»