sábado, 12 de janeiro de 2013

O Fascínio das Grutas




VER O QUE IMAGINAMOS OU O QUE ESTÁ LÁ?


A realidade é o que é ou o que nela projectamos e queremos ver?  Este é o ponto de partida para a nossa conversa de hoje.

Há muitos anos deixei-me fascinar pelo Cromeleque dos Almendres. Lembro-me que, uma vez, talvez há mais de 15 anos, fui lá com o meu filho mais velho e a família. O meu neto, então com cinco ou seis anos, subiu para uma das rochas, onde o fui encontrar sentado na posição de lótus. O espanto desse dia foi verificar que o meu neto sabia reconhecer que aquele era um local sagrado.

 Foi, porém, na minha primeira ida ao cromoleque dos Almendres que descobri a Gruta do Escoural. É aí que hoje vos vou levar, a essa visita feita há mais de uma dúzia de anos e de que guardo uma incerteza, uma interrogação.

O lugar ainda era pouco conhecido. Havia um guarda, sim, que nos permitiu a entrada, mas não havia espaços de recepção, guias, nada. Era tudo ao natural. Aventurei-me com o repórter fotográfico para dentro da gruta. Eu tirei as minhas fotografias, ele as que achou possível que eu pudesse vir a precisar, mas são as minhas fotos que guardo e, pelo menos uma delas, me deixou sempre uma inquietação. Tanto que voltei lá, meses mais tarde para verificar se era realmente real o que eu tinha fotografado. E como então via muito o invisível, na altura não quis mostrar as minhas fotos a ninguém. E se eu via e ninguém mais conseguisse ver o que achava que estava lá?

Um dia, ao falar com outro fotógrafo, referi as imagens impossíveis que eu tinha captado, sem dizer o quê, e ele, que tinha experiência de grutas, disse-me que a realidade nas grutas era diferente e eu não perguntei mais, porque também não queria ir mais longe. Até porque não sabia se os outros veriam o que eu via na fotografia… Bem, o meu neto vê e isso dá-me a segurança de eu não estar a projectar ou a imaginar.


Aqui está. A formação da rocha faz uma espécie de altar branco azulado. Tem formação de rocha até ao chão, vêem? É uma formação muito bonita, parecem pregas na rocha, que sustem a pedra, a que chamei altar. Agora avancem até ao fundo dessa «pedra de altar», até à rocha que continua na vertical. Que vêem na junção das duas rochas? Eu vejo a cabeça de um homem com barba, morto, com um fato azulado, ali, no espaço entre o altar horizontal e a rocha vertical, entre as duas rochas.


Voltei lá logo que me foi possível. As primeiras fotos foram tiradas no Inverno, com a pedra húmida. Viva. Voltei lá no Verão, com a rocha seca, sem luminosidade. E sem a nitidez da primeira foto, o rosto do homem continuava lá. Comparem. É uma projecção ou é uma verdade? Seja como for, ainda que esse homem tenha sido sacrificado naquela pedra, isso foi já há tanto tantos séculos ou milénios, que não seria caso de polícia. É uma curiosidade, não um crime a denunciar.


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O GÉNIO DA GRUTA?




As grutas têm uma realidade fantasmática? Talvez, mas é porventura repetível, pelo menos na maior parte dos casos. O génio da gruta, que fotografei, não o vi da primeira vez e não sei se o voltarei jamais a ver.

Digamos, deixou-se ver em determinadas circunstâncias atmosféricas e pode ser simplesmente uma ilusão de óptica.  Não sei se, porventura, voltasse à Gruta do Escoural, eu poderia encontrar de novo o ângulo propício a fotografar esse rosto que ri, de boca aberta, a língua rosada, vendo-se na zona onde os dentes nunca existiram ou terão já existido e caíram. Um rosto de olhos franzidos, que observam com curiosidade a visitante, que talvez só se tivesse manifestado no momento em que a máquina fotográfica disparou e a luz se tornou cúmplice de uma imagem, que será porventura apenas imaginação, resultado do jogo de luz e sombras. Com existência real ou não, esse rosto deixou-se ver e mostro-o como coisa concreta, captada pela máquina fotográfica, ainda que tenha sido somente o resultado do jogo de luz e sombra…



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UMA AVE QUE TRANSFORMEI EM CAVALO


A imagem é a de uma ave pré-histórica fixada em pedra numa das paredes da gruta. Fotografei-a, mas, mais tarde, desenhei-a e pintei-a como cavalo alado. O cavalo que transporta os curandeiros pelos mundos invisíveis, em busca da cura para os seus doentes. Entretanto, esqueci-me de que me inspirara numa ave, até que a reencontrei entre as minhas recordações e é uma majestosa ave que, em tempos pré-históricos poderá ter exercido idêntica função.


A imaginação não tem limites. A realidade também a ela própria se pode recriar.



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ALGURES, NO ALENTEJO…


Nunca até hoje mostrei esta foto. É uma rocha perdida na planície do Alentejo e que não vou localizar. É um lugar muito especial. Fui lá levada por alguém da região, que quis mostrar esta rocha como uma formação especial.

Eu fazia parte de um grupo. E as pessoas iam subindo para a rocha, sem que nos fossem dada explicações específicas. Era uma rocha especial e isso bastava.

Subiram duas ou três pessoas antes de mim, até que chegou a minha vez. Subi e uma energia muito forte fez-se sentir no meu pescoço, a ponto de ter posto imediatamente a mão direita sobre o pescoço. Olho para trás. A senhora que vinha atrás de mim, também ela tinha a mão no pescoço.

Então verifiquei que, naquela pedra, a energia não subia do solo, mas descia directamente do céu. A pessoa que nos levou lá, embora porventura soubesse, não deu qualquer tipo de informação.

Nunca escrevi nada sobre esta pedra, nem falei dela a ninguém. Não sei porquê, como também não sei porque sou levada, precisamente agora, a falar dela e a mostrá-la.
Não preciso saber mais. Para mim está tudo bem.


E uma última recordação do cromeleque dos Almendres.  A desta rocha que tinha, no dia em que lá fui, uma formação que parece e quase é o mapa de Portugal. Creio que, entretanto, desapareceu. A partir de então não mais lá voltei.


Observação: a Natureza só se revela a quem se entrega…


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