VIVER TUDO E EXPERIMENTAR TUDO
As nossas vidas são demasiado curtas para termos
verdadeiramente uma perspectiva do significado daquilo que vivemos e o porquê
de certos acontecimentos, que desabam sobre nós e tudo modificam, muitas vezes
o nosso próprio ser e, infelizmente, nem sempre para melhor.
A minha perspectiva é que a Vida é uma aventura que nos é
propiciada viver, tendo como objectivo último, e só raramente percebido, o
apuramento do Ser, no seu melhor.
Todos somos o que fizemos das nossas vidas, das
circunstâncias que criamos ou que nos apanharam, muitas vezes sem nos
apercebermos, verdadeiramente, o que desencadeou o rumo que tomamos, embora
sempre tenhamos sido responsáveis pelas situações em que nos encontramos,
tenhamos ou não consciência disso.
Pessoalmente, acredito que o que somos hoje é o resultado
do que fomos em outras encarnações e, simultâneamente, do que escolhemos
experienciar ou reparar na vida actual. É esta a nossa responsabilidade e o
nosso privilégio, que torna cada dia de vida como uma magnífica oportunidade de
nos ultrapassarmos, de sermos o que somos realmente no Infinito de que fazemos
parte.
Resolvi hoje escolher três desenhos que reportam aspectos
da vida da mesma personagem em outras tantas encarnações. A figura principal é
um homem, o mesmo homem, em três fases da sua evolução.
Que nos conta o primeiro desenho? O drama de um homem que
se deixou encurralar pelo amor a uma mulher, que não o ama ou que o ama da
forma desprendida de quem pode ter simultâneamente vários amores, Ele sofre,
acorrentado a uma morte em vida, preso num sem-sarcófago, porventura inspirado
na civilização egípcia.
Francamente, não sei exactamente o que significa nem
porque fui levada a desenhar este par tão pouco em sintonia.
O mesmo par surge, no segundo desenho, em outra
civilização e num outro jogo de vida. A mulher leviana do primeiro desenho apresenta-se
aqui como um ser construído e cheio de serenidade, aceitando ou ignorando a
segunda mulher, que introduz a mão na bolsa do homem, então indiferente ou superior
à situação, que reconhece, mas não o afecta.
Finalmente, no terceiro desenho o homem como que
completou a sua aprendizagem e assume então o papel de guia. Pelo caminho
ficaram múltiplas experiências, múltiplas parceiras da aprendizagem da Vida e
do Ser, cada uma com a parte do ensinamento que há a experimentar e integrar. Em
resultado das múltiplas vivências e do apuramento do ser que acabaram por induzir,
este homem tornou-se um guia, acima das contingências.
Todos nós passamos por estas diversas aprendizagens,
tantas vezes quantas as necessárias para integrarmos as qualidades que nos
permitam avançar na escala da evolução.
É muito triste verificar que a maior parte da humanidade
continua crucificada na experiência do Ter. E o mais dramática é que não tem
consciência disso.
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EXORCIZAR
FANTASMAS…
Tinha resolvido não
falar hoje de política. Mas como me veio ter à mão um desenho que julgo
reproduzir a imagem de Salazar e do cardeal Cerejeira, personagem que serviu sempre
para sancionar as políticas do «ditador», não resisto à tentação de deixar aqui
este apontamento. Talvez como forma de exorcizar fantasmas ou de tomar
consciência de como eles ainda hoje nos perseguem, prontos a enraizarem-se, se
os deixarmos…




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