QUANDO
PROJECTEI D. DINIS NAS PÁGINAS DE UM JORNAL
Houve tempo em que vivi apaixonadamente a compulsão que
me levava a desenhar. O detonador era simplesmente o facto de começar a ver
aparecer no papel as figuras que projectava. Em qualquer papel. Algumas vezes,
em papel de jornal. Também via as figuras projectadas em paredes brancas, como
creio já ter dito aqui há cerca de um ano, mas nesse caso nunca me atrevi a
gravar na parede o que via, até por uma questão prática: se me aproximava da
parede deixava de projectar. Enfim, nunca me ocorreu sequer rabiscar a parede.
Só agora penso nisso…
Também só hoje admiti realmente a hipótese de mostrar
dois dos desenhos que desenhei projectando no jornal «Expresso», de que não sei
a data, porque recortei os desenhos, sem me lembrar sequer desse importante
pormenor.
Sentei-me, de manhã, ao computador e não tive a coragem
de avançar com a ideia. Escrevi, sim, mas sobre outra coisa totalmente
diferente. Agora, a meio da tarde,
voltei a sentar-me ao computador. Quer dizer: este é o segundo texto que
escrevo hoje. O primeiro pode ser que ainda venha a ser utilizado hoje se, à
última hora, decidir que não devo publicar o que agora, finalmente, estou a
começar a escrever.
Espero que não caia sobre mim nem o Carmo nem a Trindade.
Eu não desenho o que quero, mas o que vejo. As leituras que faço são meras
leituras de uma parte de mim, que parece saber muito menos do que aquela parte
que desenha. Não é um jogo, mas parece. E tenho de confessar que me diverte
esta duplicidade: a de desenhar o que não sei e depois interpretar como se
soubesse. Confesso, a minha vida ganhou outra cor, tornou-se muito mais
empolgante desde que passei a desenhar o que vejo projectado no papel por uma parte
de mim que sabe muito mais do que eu.
Bem, toda esta conversa é um andar à volta de mim mesma à
procura de encontrar finalmente a coragem da decisão. Que está tomada. Vou mesmo
avançar. Não consigo resistir ao desafio, sobretudo depois de ter visto o Dr.
Mário Soares na Aula Magna a dinamizar a esquerda, contra este Governo, que a
população não quer. Não quer!
_____
IMAGENS DE D. DINIS E D. ISABEL
Vou começar por mostrar alguns dos desenhos que desenhei,
nos anos 80, numa entrevista que o Expresso fez ao Dr. Mário Soares, durante o
seu primeiro mandato como Presidente da República.
Lembro-me que foi depois de almoçar que me sentei no sofá
para ler a entrevista e que, a certa altura, comecei a ver imagens nas fotos
que a ilustravam. Fui buscar um lápis e comecei a desenhar. Mais do que fazer interpretações vou tentar mostrar,
um a um, os desenhos, à volta de duas fotos, no fato, na camisa, numa das mãos,
no rosto. É provável que houvesse mais fotos, mas foi nestas que desenhei e são
estas que guardo.
Vou então mostrar, como se fosse banda desenhada, o
conteúdo dos desenhos.
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| 1- O rei D.Dinis e a Rainha Isabel de Aragão, que depois foi considerada santa, e gente da sua corte. |
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| 2- A rainha, de costas voltadas, e duas das suas damas |
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| 3- Sobre o pullover, de novo Isabel, profusamente desenhada. É estranho mas há um retrato também sobre o coração.... |
A segunda foto tem mais secções:
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| Ao alto, à esquerda: D. Dinis e Isabel jovens e belos... |
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| Ao alto, à direita: De novo Isabel, de rosto encostado em D. Dinis, já com a pomba pousada na cabeça |
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| Na mão direita: Uma corte feminina muito vasta, que faz jus à fama de D. Dinis. |
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| No casaco é a figura da Rainha Santa que predomina... |
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| E depois, na camisa e na gravata, aspectos da vida de um rei, que fez tudo quanto quis... |
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| Por último, a imagem da testa, onde se vê aberta a estrela da terceira visão... |
A terminar,
repare-se nas duas fotos que ilustraram a entrevista de Mário Soares ao
Expresso, há cerca de duas décadas.
Pergunto: será que estes desenhos terão a ver com alguma possível realidade
vivida há cerca de seis séculos?
Ou vi só o que a minha imaginação projectou?
Francamente, não sabia que tinha tamanha imaginação… e
avaliando o impacto que possam ter os desenhos, acho que tanto podem ser
levados a rir ou ser considerados como a expressão de uma possível realidade.
De qualquer das formas, não ofendem ninguém, pelo contrário. E se tentarmos a
comparação, talvez como D. Dinis Mário Soares fez tudo quanto quis. Ou quase…




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