domingo, 26 de maio de 2013

Mudança de Paradigma


CONHECIMENTO

Será que cada um de nós traz um conhecimento, gravado no seu cérebro e nas suas células, à espera de ser descoberto?


                                                                                        _____

A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO

O que vou dizer não é novo, mas um estranho silêncio se abateu e parece ter apagado ideias de há cerca de vinte anos atrás. Começou a falar-se então de que, num futuro próximo, o trabalho versus emprego iria escassear. Lembro-me de ter feito uma entrevista a uma das personalidades que participaram numa Conferência Internacional, creio que denominada Conferência de Lisboa, em que se apresentaram soluções organizacionais das sociedades para um futuro próximo.                    

A propósito dessa conferência fiz uma entrevista ao Dr. João Caraça, então director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian. Entrevista que recordo como uma nova visão das sociedades a existir num futuro próximo e do novo tipo de relação do ser humano com o trabalho.  Segundo a previsão dos especialistas, que se reuniram em Lisboa, a humanidade em breve iria passar a trabalhar menos horas e menos dias por semana, porque a maior parte do trabalho seria realizado por máquinas. As pessoas seriam especialmente subsidiadas para protegerem a sua saúde, ocuparem os tempos livres e aprofundarem os seus conhecimentos, ao longo da vida. Seria, finalmente, uma vida realmente humana.

A perspectiva poderá parecer idílica, mas os congressistas que vieram a Lisboa debater estas ideias eram cientistas de renome, que assumiam a tarefa de preparar as sociedades para as mudanças que se avizinhavam.

Vinte anos depois, que balanço podemos fazer? Uma parte da mensagem dos congressistas concretizou-se. Não há trabalho para todos, na Europa como nos Estados Unidos, porventura em outros lugares do mundo. É um dado adquirido, que devia ser oferecido à humanidade como uma benesse. Mas não é. E não é, porque o grande capital, o conjunto dos que continuam a garantir o mecanismo da produção, escolhem continuar a encher o seu pote de oiro, enquanto condenam ao desemprego, que é o mesmo que dizer à fome e à miséria, uma parte substancial da humanidade! Aonde é que isto nos levará? Os levará? Que pode sair daqui? Francamente, francamente, não há nada mais explosivo do que uma população sem rendimento nem trabalho. A fome, salvo raras excepções, não é boa conselheira, como todos sabem. É o barril de pólvora mais explosivo que se possa imaginar.

Este é o panorama. Chegamos ao ponto em que os cofres fortes dos paraísos fiscais vão ser abertos, em que a verdade das fortunas acumuladas vão ser reveladas, tudo isto agora, numa altura em que o tempo se cumpriu e uma nova realidade se está a instalar, vinda de uma força superior, que ninguém pode suster.

 O Tempo Cumpriu-se. A Idade do Oiro começou. Não importa que se acredite nisto ou não. Importa que a Vida flua e espalhe as modificações que têm de se instalar. E não haverá choro nem ranger de dentes. Porque, simplesmente, o Ser Humano evoluiu. Está a evoluir. E vai ser tudo isto AGORA. 

 PS: A propósito, leiam no Expresso desta semana: «Investigação internacional às offshores revela ligações a Portugal»… Ou uma das formas de permitir que o que tem estado escondido passe a ser revelado.


                                                                                        _____

PODEREMOS NÓS VIVER SEM DINHEIRO?

 Estamos tão habituados a usar o dinheiro como moeda de troca, que poderá ser considerada irrealista a possibilidade de as sociedades humanas poderem algum dia sobreviver sem dinheiro. E, todavia, ainda não há muitos séculos, as sociedades mantinham sistemas de trocas que lhes permitiam sobreviver sem ter obrigatoriamente de usar o dinheiro nas suas trocas diárias. As sociedades rurais podiam facilmente trocar meio quilo de cenouras por um quilo de batatas ou uma galinha por um coelho…

Claro que, na nossa actual sofisticação, este sistema de trocas parece à partida um absoluto atraso de vida. Quem o quererá adoptar? No entanto, essa experiência está a ser levada a cabo, em várias partes do mundo, por gente com formação e nível intelectual elevado, que começa a abrir brechas no actual sistema de vida e de trocas. Gente que podendo leccionar em Universidades,  recusa e aceita somente fazê-lo em determinada disciplina, que porventura lhes permitirá receber o mínimo que precisam para sobreviver. E esta escolha permite-lhes usar todo o seu restante tempo em pesquisas que realmente os apaixonam, segundo o ritmo e a orientação que se lhes adequa e acham melhor. Ainda há dias tomei conhecimento de um caso desses pela Internet. Eventualmente, muitos outros estarão a fazer escolhas semelhantes, sem o publicitarem.

Quer dizer; é possível viver de maneira diferente! Rodeados por solicitações por todos os lados, poderemos começar a viver com mais frugalidade, Porquê? Porque há que fazer uma mudança de paradigma, sem ficar à espera da mudança que começa a desenhar-se no horizonte, como forma de pressão.

Reparem: a experiência que o grande capital ensaiou no sistema bancário em Chipre foi uma amostra do que poderá estar a preparar-se para ser aplicado em grande escala.  E não faço aqui considerações de valor. Não importa como o sistema vai mudar. Importa que mude segundo o interesse da maioria e não para beneficiar os grupos que se aproveitaram do conhecimento dos mercados para os manipular a seu favor. E a forma mais correcta e criativa que pode encontrar-se é deixar claro que os jogos do Poder e do dinheiro não passam de jogos de faz de conta, que só valem na medida em que a sociedade os validar. A partir do momento em que uma maioria diga «não queremos ir por aí», que é o mesmo que dizer «só têm poder na medida em que nós o confiramos», a partir daí há condições para que o equilíbrio ganhe outra expressão e outra força.

O ser humano é uma eterna criança, sempre à espera do brinquedo novo com que se possa entreter. Pode ser um iPad ou um avião supersónico, ambos expressões de uma lógica que pretende afastar o ser humano de si mesmo e da imensidão que guarda em si. Podemos distraí-lo a partir do exterior, ou revelá-lo a si próprio a partir do seu coração. O coração que bate no meio do peito e pode brilhar numa chama de grande esplendor.
Acho que não consegui dizer o que pretendia dizer. Talvez ainda não esteja pronta. Ficará para uma próxima vez.


                                                                                        _____

O TRABALHO COMO CASTIGO OU O TRABALHO CRIADOR?

O Catolicismo ensinou-nos desde crianças que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso e condenados a ganhar o pão com o suor do seu rosto.

Desde crianças que fomos levados a considerar o trabalho como um castigo. Será? Ou foram os homens que lhe deram essa conotação e criaram as condições para que ele não fosse uma actividade lúdica, mas um fardo pesado?

Não. O trabalho não é um castigo, mas as condições em que é executado é que podem ser consideradas como tal. E isso não resulta da maldição divina, mas da ganância do ser humano, que dá más condições de trabalho aos seus ajudantes, em benefício próprio, para ter mais lucros. Podendo sempre utilizar o álibi da Bíblia.

O trabalho, todo o trabalho pode ser uma manifestação da criatividade humana. A maior parte é uma estopada, em resultado da configuração social, para acentuar a diferença entre o senhor e o que trabalha, o escravo, numa conotação pejorativa. Há trabalho que é uma pura perda de tempo, que só serve para tornar as pessoas mais obtusas e revoltadas. E depois, há o Trabalho que permite as pessoas crescerem dentro de si, aprofundarem o conhecimento que trazem gravado no seu cérebro e nas suas células, à espera de ser descoberto. Esse trabalho é uma epifania. É esse o trabalho criador, seja qual for a expressão que tenha, é esse que liberta o Divino no Homem, permitindo-lhe finalmente reconhecer-se.

E esse o trabalho que espera o ser humano no Novo Tempo. Esse que nos permitirá a todos sermos o que somos: Criadores.





Sem comentários:

Enviar um comentário