A GRANDE VIRAGEM ESTÁ EM CURSO
Ainda que a não consideremos como tal, a Grande Viragem
já está aí a infiltrar-se nas nossas vidas, de forma mais ou menos profunda. É
inelutável. Quer queiramos ou não já está a acontecer e não é só aqui, mas em
todo o Planeta. A Idade do Ouro chegou, mas para ter espaço e ganhar forma tem
de derrubar a estrutura da civilização em que nascemos e que a mudança do Kali
Yuga para a Era do Aquário condenou a desaparecer. Não é um processo fácil.
Nenhum de nós renuncia facilmente ao conhecido, quando à sua frente surge a
grande incógnita de uma nova forma de viver.
Ainda que possamos estar avisados, o futuro de cada um de
nós passou a ser percepcionado segundo parâmetros de grande incerteza. Como é
que vamos sobreviver num planeta em que a ordem conhecida iniciou um processo
de transformação? Como é que vamos sobreviver num mundo em que os fundamentos e
os pressupostos que nos pareciam garantidos de repente desapareceram ou estão
prestes a desaparecer? Por exemplo, os nossos depósitos bancários acima de 100
mil euros?! Que vento de loucura é este? Poderão muitos de nós perguntar.
Sim, é um vento de loucura tão grande como o que levou
alguns poucos de nós a acumular incalculáveis fortunas, em comparação das quais
esses 100 mil euros são uma migalha. A
desigualdade entre os seres humanos a nível do Ter é tão grande que, se tivéssemos
o discernimento de olhar de fora para esta situação, veríamos que a ordem que
permitiu o aparecimento de consecutivas
civilizações assentou sempre no domínio, quase sempre brutal, de um pequeno
grupo sobre a maioria. E o percurso que cada um de nós percorreu, ora no papel do
senhor todo poderoso, ora no do súbdito servidor ou no do escravo mostra a desigualdade
em que tem assente sempre ou quase sempre a ordem em que se têm desenvolvido as
consecutivas civilizações. Para que a aprendizagem seja completa, cada um de
nós teve que vivenciar tudo, do poder absoluto à escravidão mais ignóbil, da
alegria vitoriosa à mais profunda dor.
Agora, vivemos uma
época de transição e as épocas de transição são sempre muito dolorosas,
sobretudo para aqueles que não querem mudar nem que nada mude à sua volta e
escape ao seu domínio. Enfim, estamos a viver tempos interessantes, se em vez
de nos deixarmos apanhar pela fúria da onda, que tudo arrasta, nos posicionarmos
num plano de espectador e, sobretudo, na tarefa do bombeiro disponível para
acorrer aos pontos onde a catástrofe atingir maiores proporções.
Não, nada disto é
o fim do mundo, mas o fim de um mundo onde coexistem o maior esplendor e a mais
profunda miséria. A virtude está sempre no meio, segundo a sabedoria dos mais
velhos. Isto é, no equilíbrio, que não tem forçosamente de ser coordenado por
qualquer partido político, embora estes possam eventualmente continuar a ter um
papel.
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ARAUTOS DO FUTURO
Ocorre-me que estamos no ano zero de um Novo Tempo. No momento em que o magma se mistura, bom e mau, para fazer surgir uma nova
realidade. Eu acho que essa nova realidade está a ser trabalhada no plano das
ideias, mas também dos sentimentos. É uma nova realidade a ser construída com o
melhor dos sonhos de cada um de nós. Sinto-a como um magma sem corpo, suspenso
porventura no astral, e que irá descer conforme a disponibilidade das pessoas
para o acolherem no seu sonho. Sabem
como pode acontecer? Os Países, de repente, podem parecer todos desregulados e
na iminência de uma catástrofe planetária. Mas não é uma catástrofe, é um Parto,
O Parto do futuro. Há sempre dor num parto, não é? Mas é um processo que, no
tempo cósmico, é sempre muito reduzido. E a criança nasce. É isto que estamos a
viver.
Desde 1986 que sei
que a Terra está grávida. Um dia fui a casa de uma amiga e vi lá um quadro de
cariz religioso, talvez do século XVII ou XVIII, não perguntei, que mostrava a
Terra grávida, com o filho prestes a nascer. Então soube que o que eu julgava
saber não era uma invenção minha e fora já sonhado por outros, séculos atrás. A
diferença é que eles viam o futuro e eu sentia que iríamos ser confrontados com
esse facto no presente. Também já então antecipava que a criança a nascer era
uma outra forma de o ser humano ser e viver no planeta Terra.
Isto de que lhes falo é um processo em curso, que está a
desenrolar-se paulatinamente. Crianças
que nasceram nas últimas décadas vieram preparadas para introduzir a
mudança e estão espalhadas pelos diversos países do mundo. Quando chegar o
momento elas vão aparecer com novas ideias, diferentes necessidades e
capacidades de implantar no mundo uma nova visão. Isto é, uma nova forma de
ser, de estar e de se relacionar com o planeta e os outros. Só posso desejar
que a sua influência comece a fazer sentir-se no mundo o mais rapidamente
possível E, nesta perspectiva, os jovens
portugueses que foram e estão a ser obrigados a emigrar, como tantos outros de
outros países, eles vão ser os iniciadores no mundo da Nova Civilização. Eles são os Arautos do Futuro. Orgulhemo-nos deles.
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UM GOVERNO
ZOMBIE
Chegada a este
ponto, descubro que o que escrevi hoje já não tem em conta o Governo que ainda
nominalmente nos governa ou deveria governar. Foi como se ele já não
existisse. Será que existirá? Que tem um propósito colectivo ou é uma manta de
retalhos em que cada um puxa para o seu lado? Infelizmente, Passos Coelho fez
tudo para merecer isto. Já nem me apetece criticá-lo. Lamento-o e ao facto de
estarmos nesta embrulhada. Até porque a sua ideologia política está desfasada
dos novos caminhos que o Planeta tem a percorrer.
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FALTA CUMPRIR
PORTUGAL
Por muito que saibamos, nada sabemos dos mistérios da
Poesia e do Mundo. Fernando Pessoa escreveu que «Falta Cumprir Portugal» e, na
alma de cada português há, na realidade, essa sensação.
Entretanto, há uma pergunta pendente: que será isso de
cumprir Portugal? Não fizemos os Descobrimentos, não demos Novos Mundos ao
Mundo, segundo os Poetas? Que nos falta fazer afinal? Entregar-nos «à nossa apagada
e vil tristeza» como a denominou Luís de Camões?
Sinto que tudo está em aberto. Sinto que os portugueses podem estar a fazer, sem nada fazer, no não
fazer espiritual. Vejo quase diariamente que um português deu um novo
contributo para um mundo melhor, frequentemente numa nova descoberta
científica.
Porque o Mundo precisa de nós, daquilo que trazemos na
nossa Alma e no nosso Sonho, exorto os Países que estão a acolher estes Meninos
de Oiro, que saem de Portugal para fugir à crise, a que lhes dêem todas as
possibilidades de pôr no concreto o Sonho que trazem dentro de Si. Toda a Humanidade
terá a ganhar com isso!










