domingo, 19 de maio de 2013

Uma Mudança Planetária




A GRANDE VIRAGEM ESTÁ EM CURSO

Ainda que a não consideremos como tal, a Grande Viragem já está aí a infiltrar-se nas nossas vidas, de forma mais ou menos profunda. É inelutável. Quer queiramos ou não já está a acontecer e não é só aqui, mas em todo o Planeta. A Idade do Ouro chegou, mas para ter espaço e ganhar forma tem de derrubar a estrutura da civilização em que nascemos e que a mudança do Kali Yuga para a Era do Aquário condenou a desaparecer. Não é um processo fácil. Nenhum de nós renuncia facilmente ao conhecido, quando à sua frente surge a grande incógnita de uma nova forma de viver.

Ainda que possamos estar avisados, o futuro de cada um de nós passou a ser percepcionado segundo parâmetros de grande incerteza. Como é que vamos sobreviver num planeta em que a ordem conhecida iniciou um processo de transformação? Como é que vamos sobreviver num mundo em que os fundamentos e os pressupostos que nos pareciam garantidos de repente desapareceram ou estão prestes a desaparecer? Por exemplo, os nossos depósitos bancários acima de 100 mil euros?! Que vento de loucura é este? Poderão muitos de nós perguntar.

Sim, é um vento de loucura tão grande como o que levou alguns poucos de nós a acumular incalculáveis fortunas, em comparação das quais esses 100 mil euros são uma migalha.  A desigualdade entre os seres humanos a nível do Ter é tão grande que, se tivéssemos o discernimento de olhar de fora para esta situação, veríamos que a ordem que permitiu o aparecimento de consecutivas civilizações assentou sempre no domínio, quase sempre brutal, de um pequeno grupo sobre a maioria. E o percurso que cada um de nós percorreu, ora no papel do senhor todo poderoso, ora no do súbdito servidor ou no do escravo mostra a desigualdade em que tem assente sempre ou quase sempre a ordem em que se têm desenvolvido as consecutivas civilizações. Para que a aprendizagem seja completa, cada um de nós teve que vivenciar tudo, do poder absoluto à escravidão mais ignóbil, da alegria vitoriosa à mais profunda dor.

 Agora, vivemos uma época de transição e as épocas de transição são sempre muito dolorosas, sobretudo para aqueles que não querem mudar nem que nada mude à sua volta e escape ao seu domínio. Enfim, estamos a viver tempos interessantes, se em vez de nos deixarmos apanhar pela fúria da onda, que tudo arrasta, nos posicionarmos num plano de espectador e, sobretudo, na tarefa do bombeiro disponível para acorrer aos pontos onde a catástrofe atingir maiores proporções.

 Não, nada disto é o fim do mundo, mas o fim de um mundo onde coexistem o maior esplendor e a mais profunda miséria. A virtude está sempre no meio, segundo a sabedoria dos mais velhos. Isto é, no equilíbrio, que não tem forçosamente de ser coordenado por qualquer partido político, embora estes possam eventualmente continuar a ter um papel.


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ARAUTOS DO FUTURO

Ocorre-me que estamos no ano zero de um Novo Tempo. No momento em que o magma se mistura, bom e mau, para fazer surgir uma nova realidade. Eu acho que essa nova realidade está a ser trabalhada no plano das ideias, mas também dos sentimentos. É uma nova realidade a ser construída com o melhor dos sonhos de cada um de nós. Sinto-a como um magma sem corpo, suspenso porventura no astral, e que irá descer conforme a disponibilidade das pessoas para o acolherem no seu sonho.  Sabem como pode acontecer? Os Países, de repente, podem parecer todos desregulados e na iminência de uma catástrofe planetária. Mas não é uma catástrofe, é um Parto, O Parto do futuro. Há sempre dor num parto, não é? Mas é um processo que, no tempo cósmico, é sempre muito reduzido. E a criança nasce. É isto que estamos a viver.

 Desde 1986 que sei que a Terra está grávida. Um dia fui a casa de uma amiga e vi lá um quadro de cariz religioso, talvez do século XVII ou XVIII, não perguntei, que mostrava a Terra grávida, com o filho prestes a nascer. Então soube que o que eu julgava saber não era uma invenção minha e fora já sonhado por outros, séculos atrás. A diferença é que eles viam o futuro e eu sentia que iríamos ser confrontados com esse facto no presente. Também já então antecipava que a criança a nascer era uma outra forma de o ser humano ser e viver no planeta Terra.

Isto de que lhes falo é um processo em curso, que está a desenrolar-se paulatinamente.  Crianças que nasceram nas últimas décadas vieram preparadas para introduzir a mudança e estão espalhadas pelos diversos países do mundo. Quando chegar o momento elas vão aparecer com novas ideias, diferentes necessidades e capacidades de implantar no mundo uma nova visão. Isto é, uma nova forma de ser, de estar e de se relacionar com o planeta e os outros. Só posso desejar que a sua influência comece a fazer sentir-se no mundo o mais rapidamente possível  E, nesta perspectiva, os jovens portugueses que foram e estão a ser obrigados a emigrar, como tantos outros de outros países, eles vão ser os iniciadores no mundo da Nova Civilização.  Eles são os Arautos do Futuro.  Orgulhemo-nos deles.



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UM GOVERNO ZOMBIE

 Chegada a este ponto, descubro que o que escrevi hoje já não tem em conta o Governo que ainda nominalmente nos governa ou deveria governar. Foi como se ele já não existisse. Será que existirá? Que tem um propósito colectivo ou é uma manta de retalhos em que cada um puxa para o seu lado? Infelizmente, Passos Coelho fez tudo para merecer isto. Já nem me apetece criticá-lo. Lamento-o e ao facto de estarmos nesta embrulhada. Até porque a sua ideologia política está desfasada dos novos caminhos que o Planeta tem a percorrer.


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FALTA CUMPRIR PORTUGAL

Por muito que saibamos, nada sabemos dos mistérios da Poesia e do Mundo. Fernando Pessoa escreveu que «Falta Cumprir Portugal» e, na alma de cada português há, na realidade, essa sensação.

Entretanto, há uma pergunta pendente: que será isso de cumprir Portugal? Não fizemos os Descobrimentos, não demos Novos Mundos ao Mundo, segundo os Poetas? Que nos falta fazer afinal? Entregar-nos «à nossa apagada e vil tristeza» como a denominou Luís de Camões?

Sinto que tudo está em aberto. Sinto que os portugueses  podem estar a fazer, sem nada fazer, no não fazer espiritual. Vejo quase diariamente que um português deu um novo contributo para um mundo melhor, frequentemente numa nova descoberta científica.

Porque o Mundo precisa de nós, daquilo que trazemos na nossa Alma e no nosso Sonho, exorto os Países que estão a acolher estes Meninos de Oiro, que saem de Portugal para fugir à crise, a que lhes dêem todas as possibilidades de pôr no concreto o Sonho que trazem dentro de Si. Toda a Humanidade terá a ganhar com isso!





domingo, 12 de maio de 2013

Um Panorama Confuso


O EQUILÍBRIO É SEMPRE FRÁGIL


Tenho vivido muito intensamente nas últimas semanas. Hoje apetece-me desligar dos jogos de Poder, que se jogam em Portugal e na Europa. Afinal, por todo o Planeta. No momento em que escrevo, deve estar reunido o Conselho de Ministros. De certa forma tenho pena deles.
Querem  domar a realidade segundo a sua ideologia e tudo lhes está a escapar.
Não têm Passos para os interesses que estão em jogo. São pequenos peões do jogo europeu -- não seria mais objectivo dizer do jogo alemão? -- que visa a concentração do Poder. Os Países, como as crianças, têm tendência a cometer os mesmos erros. E a sofrer com isso.

Não sou pitonisa, não vejo o futuro, mas sei que nada vai resultar como estão a querer a Troika e a toda poderosa Alemanha. O mais certo é a França entrar em recessão profunda. Se isso acontecer, não iremos ver a recessão chegar também em força à Alemanha?
Os meus desenhos ensinaram-me que os países e os continentes vivem num equilíbrio frágil. Quando o desequilíbrio surge atinge não apenas um único corpo, versus país, mas espalha-se e tende a atingir todo o continente. É a isso que estamos a assistir, enquanto vemos nos jornais os tecnocratas tão sorridentes e contentes consigo próprios, que dá pena! Que grande trambolhão os espera na curva do caminho! Ocorre-me a visão do rosto de Gaspar, tão feliz e contente consigo próprio, coitado…


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OS DESENHOS FALAM POR SI

Hoje, não me apetece escrever, nem porventura pensar. Vou mostrar cinco dos meus primeiros desenhos, que documentam, de diferentes maneiras, a floresta de enganos em que todos mergulhamos ao despertar para a vida humana.

Tudo começa no jogo do amor. Reparem na jovem que segue na vida arrastando consigo alguém de olhos vendados e um outro homem que também não quer ver!


A imagem seguinte é mais consistente. Pode dizer-se que é um clã familiar, unido nos afectos e nos interesses, tendo a sua união a consistência de uma rocha, que os aglomera e protege. É essa, aliás, a função do clã.


Este é um casal, unido porventura pelo amor, mas sobretudo pelo seu destino de Poder. A vida como destino e obrigação de liderar outros, no tempo dos reis e grandes famílias. Talvez gostem disso.


O quarto desenho tem duas vertentes. A do casal que domina e orienta e a massa da população que obedece e segue, numa textura cada vez mais  fragmentada, quanto mais presos estão na matéria...


Por fim, um grupo de gente, sempre a mesma, que desempenha sucessivos papeis em vidas sucessivas, numa aprendizagem de autonomia. O grupo, surgindo em diferentes épocas e civilizações, mostra-nos a longa aprendizagem do ser humano, rumo à sagesse. Entretanto, são outros, sempre os mesmos, num nível mais apurado do Ser.


Bem, pode ser que este silêncio interior, que se instalou em mim, tenha florido e dado frutos, no decorrer da próxima semana. Assim o espero.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

Aventureiros do Espírito


UMA EXPERIÊNCIA SINGULAR

        
 1 de Maio de 2013


Há uma categoria de seres humanos que pertence à raça dos Aventureiros do Espírito. Julgo fazer parte deste grupo. Ou seja: não se pode esperar nunca que eu reaja segundo os parâmetros normais ou habituais dos seres humanos. Por exemplo: posso ficar perfeitamente calma numa situação difícil, capaz de encontrar soluções adequadas e rápidas e posso ficar inquieta perante algo que pressinto prestes a acontecer, a mim ou à comunidade em geral, talvez por ter a noção da impotência humana perante a gama possível de probabilidades. Rapidamente, porém, volto à situação de disponibilidade, aceitando antecipadamente o que estiver para acontecer.

A organização social está a desmoronar-se à nossa volta. Há gente a sofrer e a passar fome, a esconder do exterior, por uma questão de dignidade, quanto isso a está a afectar. Há gente a aproveitar a crise para se tornar ainda mais rica, como se o dinheiro fosse o valor absoluto que justifica e dá sentido às suas vidas. Gente que ainda não chegou ao patamar da verdadeira humanidade e vai continuar  nos seus  jogos ilusórios do Ter e do Poder, enquanto muitos outros alcançaram já o patamar do Ser.

Para a humanidade do Ter, estas palavras não terão o mínimo sentido e considerá-las-iam, se a elas tivessem acesso, como mera consolação dos que não conseguiram o estatuto do Tio Patinhas da minha juventude. Lembram-se desse milionário desgraçado que se rebolava em dinheiro, respirava dinheiro e limitava a grandeza da sua humanidade na masmorra do Ter?! O pior de tudo é que os Tios Patinhas não têm sensibilidade, alma, para saber a indignidade em que se afundam, tornando-se os mais pobres dos pobres em Espírito, sem horizontes a não ser mais dinheiro, mais carros, mais jóias, mais roupa, quando só se pode usar e usufruir uma coisa de cada vez. Coitados, a corrupção de alma em que vivem não lhes permite discernir esta coisa simples de apreciar uma coisa de cada vez!

Bem, isto é uma espécie de preâmbulo ao tema que me ocorreu hoje de manhã. Poderia falar do Dia dos Trabalhadores e poderia ter pano para mangas, mas isso estão os leitores a vivê-lo hoje. Pensei então falar de uma experiência que tive há dois ou três anos, em que me senti quase a bater com a cabeça no tecto, um tecto alto, continuando os meus pés ao nível do chão...

Durante largos anos fiz a minha busca espiritual quase sozinha. Foram poucos os períodos em que tive companheiros de jornada. Um dia, porém, resolvi inscrever-me numa aula de Chi Kung, com que tivera contacto tempos antes. Nas primeiras sessões tudo correu bem, mas naquela manhã algo de diferente aconteceu.

A pessoa que orientava o curso deu-se conta de que algo em mim estava fora do habitual e aconselhou-me a ficar sentar numa cadeira e a não participar nos exercícios. Mas eu achei que aguentava. Participei primeiro de um exercício em que simulávamos o andar do urso. Creio que foi o urso o animal de que imitámos o andar. Vivenciei então como era pesado, para mim, o andar desse animal. Foi quase dolorosa a experiência. Passamos depois a outros exercícios e foi então que eu me soltei e, mantendo a consciência no corpo, passei a sentir a minha energia quase a tocar no tecto, que era bastante alto. Sentia-me tão alta que se me tornou difícil manter-me de pé…

Apesar disso não desisti. Tentei controlar a minha estabilidade e acabei por regressar a casa sem problemas. Mas, no dia seguinte… No dia seguinte tive uma experiência profundamente traumática. Acordei de manhã a sentir a cabeça a andar à roda. Não posso dizer que acordei com tonturas, porque era muito pior do que isso. Eram tonturas o que sentia, claro, tonturas que aumentavam terrivelmente quando tentava abrir os olhos. Aí era arrastada por um redemoinho, que parecia estar prestes a explodir. A sensação era tão terrível, tão fora de qualquer experiência que eu tivesse tido até então, tão fora de qualquer sensação de que tivesse ouvido falar, que considerei que tinha chegado a minha hora e que eu ia morrer.
Conto isto por quê? Porque, quando concluí que estava a morrer, aconteceu em mim algo de espantoso. Eu considero que foi espantoso. A minha cabeça estava na agonia de uma tontura absolutamente atroz, mas a minha consciência dissociou-se da dor quando admiti que estava às portas da morte. Eu estava a morrer, isso era um facto para mim. Então, a minha curiosidade pelo fenómeno, a mesma curiosidade e necessidade de compreensão que me levara para o jornalismo, concentrou o que me restava de forças numa despersonalizada observação. Eu queria saber como se morria. Ser a actriz e espectadora da minha própria morte.

 Acho que posso descrever assim o que se passou: aquilo que em mim é atenção, observação, porventura consciência, separou-se da confusão do meu cérebro rodopiante e pôs-se a observar, como se me tivesse colocado no exterior. Observei de fora esse rodopio vertiginoso na minha cabeça. A minha consciência deslocara-se para fora do corpo, não tenho outra explicação. E, de fora, observava conscienciosamente o que se passava em mim. O corpo sofria, mas a consciência, tendo aceite que o meu corpo estava a morrer, ficou serenamente a observar. Só me lembro da motivação. Eu não sabia como é que se morria e era-me dada a possibilidade de perceber. Continuo a achar que esta curiosidade está muito ligada a todo o meu traquejo jornalístico. No acontecimento, a minha obrigação era apreender o máximo de pormenores, sem me envolver…

Não sei quanto tempo estive a observar aquele redemoinho terrível em que eu vogava. Parece que a minha atenção absoluta serviu de controlo ao mecanismo que fazia rodopiar o meu cérebro. Foi como se eu estivesse a olhar um furacão e a minha atenção tivesse exaurido a força desse vendaval, que começou a amainar e desapareceu.

Claro que não cheguei a perceber como se morria, mas nessa manhã, nesse meu olhar sem medo o que julgava ser a morte, senti um grande respeito por aquilo que sou e me tem sido dado viver.

Pode esta experiência servir a alguém?


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O DINHEIRO É UM FAZ DE CONTA


De certa forma, o que estamos a viver na Europa é uma espécie de furacão, de uma tontura que está a expandir-se e vai acabar por apanhar todos os países. A Alemanha inclusivé. Afinal, quem  vai passar a comprar os carros e as máquinas de alta qualidade que fabrica se a população europeia deixar de poder comprar? Que é que a Srª. Merkel vai fazer à produção dos carros e máquinas alemãs se não tiver na Europa gente com possibilidade de comprar? Será que a China lhe vai comprar tudo o que fabricam? E por quanto tempo? Os chineses são muito bons alunos, como se sabe, e aquilo que ainda importam vão começar dentro em pouco a fabricar com a mesma qualidade dos produtos em que se inspiraram. É isso que têm feito e vão continuar a fazer.

Se não fosse trágico, pela quantidade de gente que está a sofrer, estes jogos de domínio e de poder até teriam graça. É a estupidez humana levada ao rubro. Quando é que o ser humano aprenderá que quem domina é o mais desgraçado, porque se torna escravo daqueles que domina e acabará na morte e na destruição como os demais? Será que para termos livre acesso à Era do Aquário teremos de passar por uma terceira guerra?  Quando é que os senhores do dinheiro aprendem que o dinheiro não significa nada de verdadeiro. É um faz de conta, que pode desaparecer quando adoptarmos uma nova realidade.

Nasci em 1940, em plena guerra. Tenho  recordações dos meus três, quatro anos de idade e medos que não esqueci. Em plena guerra nunca faltou nada na casa de meus pais, é verdade. Mas também não faltou o medo, que chegou à criança que eu era.

Lembro-me de quem ia lá entregar as bexigas de porco cheias de azeite, que o meu pai comprava na candonga.

Lembro-me de uma arca com sal, onde se guardava partes do porco, que ele trazia da quinta, na aldeia, para a cidade. 

Lembro-me das histórias que ouvia e dos meus terrores nocturnos, em que pensava nas crianças que matavam na Alemanha e que eu ouvia dizer que punham em arcas. Eu ouvia isso. Que medo eu tinha daquela arca com sal onde guardavam a carne de porco! Ouvia silenciosamente o que diziam, como fazem as crianças, e via os vidros das janelas presos pelas grades de papel.

Lembro-me das notícias no grande rádio que havia lá em casa. Lembro-me do que diziam à minha frente. Até me lembro de ouvir dizer que uma das mulheres que trazia o azeite era amante do guarda fiscal que o arranjava…

Lembro-me como gostava do banacau que o meu pai conseguia através dos militares e de que eu gostava muito. 

Lembro-me como era saboroso e como gostava das bolhas que o banacau fazia quando mo punham na chávena ainda a ferver.

É tudo ainda tão vivo que depois de ter visitado duas vezes a Alemanha, por convite, escrevi muito pouco sobre o que vi, porque não consegui escrever… e sinto-me em falta por isso. Conscientemente, nada tenho contra a Alemanha, mas não pude escrever, como era meu hábito, as séries de reportagens que fazia, quando me convidavam para ir ao estrangeiro. Na altura não encontrei explicação, simplesmente não saía nada, mas agora percebo. O traumatismo da guerra, a que fui fisicamente poupada, marcou indelevelmente a minha história pessoal, a memória dos meus anos de infância.

Espero que nada do que se passou volte a repetir-se e que a destruição em que ficou o país, não tenha desaparecido da memória dos alemães, que fizeram sofrer, mas  também sofreram. Que sofreram com os próprios erros muito mais do que eu.

Não quis escrever nada disto, mas saíu. Deve haver uma lógica nisto. Peço desculpa, mas fui levada por uma força que me ultrapassou.


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2 de Maio


HINO À RENOVAÇÃO DA VIDA



Como estamos, como Povo, numa situação complicada, senti o impulso de terminar a mensagem de hoje com um Hino à Renovação da Vida. Um Hino de que não dou as palavras, mas só o impulso. Cantem-no com o coração aberto ao Cosmos. Cantem-no com a música do corpo, que cada um de nós tem. Cantem-no com a alegria que não se deixa vencer. Cantem-no num louvor à vida em todas as suas dificuldades, sabendo que todos os problemas são o impulso que nos podem destruir, talvez, mas que, se resistirmos, se formos fortes, nos levarão mais além daquilo que somos, permitindo-nos descobrir o Deus que há em nós.

Nenhum cavaco pode travar o impulso dos nossos passos, da nossa alma e da nossa vontade de ser felizes. Somos eternos e cada obstáculo posto à nossa frente é só o estímulo necessário para nos tornarmos mais fortes na vontade de vencer, tudo e todos que nos queiram pequeninos e domados, quando somos o ímpeto da vida a renovar-se em novas ideias e novos ideais.

Estou em crer que o desafio que nos é posto é o de aprender a viver para lá dos mercados e dos jogos de poder. Ou seja, o de vivermos a verdadeira vida, tão radiosa e brilhante como a luz e o Sol que a natureza nos dá. Abrimos outrora novos caminhos ao Mundo. Talvez nos caiba agora descobrir novas formas de estar no Mundo e de ensinar essa nova forma de viver.

Vamos reinventar a vida! Não acham que é isso o que nos está a ser proposto? Vamos pôr os nossos campos a produzir alimentos. Vamos voltar ao nosso mar e ao peixe magnífico da nossa costa. SOZINHOS, SE FOR NECESSÁRIO. Ou com todos aqueles que tenham descoberto que é tempo de reinventar a Vida. Uma vida realmente humana, longe, o mais possível, dos especuladores. COM OU SEM A RESTANTE Europa.

Feito isto vamos ensinar como se faz. É esse o nosso destino, a nossa missão. Depois de darmos novos mundos ao Mundo, vamos ensinar uma nova forma de viver no mundo, mais Humana e Fraterna. E por que não?  Não sentem essa força a libertar-se dentro de vós? É! É isso que nos espera. Acreditem. Vamos em frente!

Até breve.                         
   




domingo, 21 de abril de 2013

E, Por Fim, Compreender…



O GRANDE MISTÉRIO DA VIDA

                          
Debrucei-me, a semana passada, sobre as três etapas do percurso pela Árvore da Vida. Deixei, porém, para hoje, a referência ao que nos espera, a cada um de nós quando, finalmente, conseguirmos atingir a meta. Tenho para mim que a meta a que podemos chegar enquanto portadores de um corpo físico não é a meta final e não é a mesma para todos ao mesmo tempo. Isto é, existem imensas metas a alcançar ao longo da vida, num progressivo aperfeiçoamento.

 O corpo permite-nos uma grande variedade de experiências no decorrer do percurso espiritual. Experiências na vigília, em que a mente pode ter ou não um papel determinante e experiências durante o sono, quando o espírito se liberta do corpo e pode ascender a outros níveis vibracionais. Lembro-me de uma manhã em que, ao acordar, tive de lutar para recuperar o meu corpo, que parecia ocupado por um outro locatário. Isto que conto terá sido real? Para mim foi, mas não tenho nenhuma informação quanto a essa possibilidade. Não voltou a acontecer. Entretanto, aprendi a proteger o meu sono ou tornei-me mais forte.

Complicado, não é? Eu acho, mas não sei dizer mais sobre isto, nem melhor. Mas recordo a aflição e o esforço que fiz para entrar no corpo. Parece loucura.  Sou demasiado ignorante para saber o que se passou realmente, mas que foi uma experiência traumática foi!

Recordo-me agora de outra experiência acontecida ao acordar. Despertei deitada de costas, barriga para cima. Não me podia mexer. Ao mesmo tempo sentia que a minha cabeça era enorme. Tentei chamar a empregada, que já tinha chegado e fazia barulho na cozinha, mas da minha boca não saiu nenhum som. Foi então que pensei que deveria ter tido um AVC. Não podia fazer nada a não ser esperar. É estranho, mas não senti nenhuma angústia. E a minha curiosidade profunda por todos os fenómenos, levou-me a concentrar a minha mente na observação do que me estava a acontecer.

Passou muito tempo. Eu estava presa no corpo sem poder reagir. E não havia em mim aflição alguma, o que me parece estranho. Ou não será. Talvez o essencial em mim soubesse o que estava a acontecer. A minha atenção estava concentrada no cérebro enorme, que parecia ser o meu. Apercebi-me então que, lentamente, muito lentamente, o cérebro ou talvez com mais propriedade a energia cerebral começou a diminuir e a encaixar-se dentro da cabeça.

Sentir que a consciência, o quer que me fazia pensar fora do cérebro, entrava lentamente na cabeça, ocupava-me tanto que não me permitia sentir nenhum tipo de aflição. Era o que era e a que eu assistia, serenamente, como o meu treino de jornalismo me preparara para observar os acontecimentos sem me envolver. Por fim, a minha consciência encaixou dentro do cérebro e eu verifiquei que passara a poder mexer-me e me podia levantar.

Resolvi não contar a ninguém o que me tinha acontecido. Para que é que eu ia preocupar os meus familiares?! Nunca mais voltou a acontecer. Acho que me foi mostrado como funciona o mecanismo da consciência, entre a vigília e o sono. Afinal, da Vida! 

A Vida na sua totalidade e o ser humano em particular são, na realidade, um profundo mistério. Desenhar o que se desconhece e aprender com os próprios desenhos acaba por ser uma pequena amostra do grande mistério que é a manifestação de que fazemos parte, ou simplesmente a Vida, o simples acto de respirar e a possibilidade de sentir amor por um ser em concreto ou um amor difuso que abrange tudo e não privilegia nada.


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A PONTE ENTRE A TERRA E O CÉU


Neste lado do Véu, a que chamamos Vida, temos uma longa e variada aprendizagem a fazer, ficando-nos sempre a sensação de que há mais a descobrir, que o conhecimento que possamos ter divisado é mínimo, é sempre mínimo para o que há a saber. Entretanto, se alguma vez tivermos o privilégio de despertar conscientemente no Grande Oceano da Vida aí, sem espanto, automaticamente, partilhamos de todo o conhecimento, sabendo tudo e sendo tudo, sem deixar de sermos o que ainda somos, simplesmente humanos. Mas a experiência, que é Infinita, é sempre breve, por mais tempo que tenhamos sido ali acolhidos, por mais tempo que tenhamos partilhado simultâneamente o Todo e a Parte, em plena consciência. Sem espanto! Sem espanto, porque sempre fomos isso.

Tive o raro privilégio de me ter sido permitida a vivência desse estado. Nesse Oceano, onde uma noite acordei no sonho, e de que já falei, Ser é Saber, não há diferença nenhuma. E Saber é Ser. Consciencializo isso como nunca o tinha feito antes. Quer dizer: enquanto me esforço por transmitir a mensagem, eu própria estou a aprofundar em mim o Saber e o Ser.
Antes de continuar, quero lembrar que o ponto de partida de todos nós é o da perfeição. Éramos perfeitos e inteiros, completos, quando nos disponibilizamos a trazer o Espírito à matéria. Isto é, todos nós nos disponibilizamos a nascer no Planeta Terra com uma missão. Há uma descida e só quando se bate no fundo é que, de novo se começa a subir. Entretanto, o ser humano cumpriu parte da sua missão. Isto é, impregnou o Espírito na matéria, com a sublime renúncia de esquecer quem era, quem é. Creio que esta aceitação do esquecimento foi, é, continua a ser uma acto sublime, um acto de abnegação. Um acto de renúncia, extraordinário! Neste esquecimento ao longo de séculos, ao longo de milénios, andamos a viver múltiplos papeis, em que fomos sendo algo e o seu contrário, tantos vezes vividos num terrível complexo de culpa.

Depois de ter percorrido a Árvore da Vida e de ter vivenciado os seus ensinamentos, o Ser Humano volta a readquirir as qualidades e potencialidades que lhe são próprias. Conscientemente volta a estar conectado ao Todo. Volta a ter a sua «moleirinha» aberta, como os bebés. Talvez consiga ver os anjos, como eles, e sorrir-lhes, com esse sorriso que as mães tanto gostam de ver, mas que é o sorriso destinado ao anjo, que também lhes sorri.
O rosto de mulher que pintei tendo na cabeça um ninho de pombas, que representa a abertura ao Cosmos, ao Espírito. Abertura que trazemos à nascença com a moleirinha aberta. Com o tempo a moleirinha fecha, mas podemos ter o privilégio de a voltar a abrir e de nos conectarmos com o Todo. Veja-se que a mulher integra em si o seu par. Dois em um, ou seja, o Andrógino Primordial.

A segunda imagem, em que a poalha dourada do Céu entra no cântaro em que se transformou a cabeça da mulher, representa o mesmo que a imagem anterior, porventura num estadio mais avançado.

Repare-se, por fim, que o dragão é o único animal que permanece nesta última etapa. Por quê? Porque ele representa a Kundalini, um elemento essencial da abertura do ser humano ao Cosmos, tornando-o a ponte entre a Terra e o Céu.

Desenhei e pintei este quadro em 1984, sem saber o que significava, mas isso não foi obstáculo à minha entrega total. Guardei-o até agora, num dos sítios mais recatados da casa, agora, que julgo ser o tempo certo para o mostrar.


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TAMBÉM SOMOS OS OUTROS


A tragédia na maratona de Boston, nos EUA, leva-me a chamar a atenção para a tragédia da ignorância e do ódio, que estão na base de toda a violência. Ainda se desconhece o que ou quem esteve por detrás do atentado. Foram os dois irmãos sozinhos que conceberam e realizaram o atentado na maratona, ou haverá alguma força política ou religiosa por trás?

Não é isso, porém, o que me leva a referir esta tragédia. Mas o que há de irracional, sem consistência lógica, nas tragédias deste tipo. O ódio ao outro é antes do mais uma manifestação de ódio por si próprio. É desconhecer que o carrasco é também a vítima.


Pintei um dia um quadro em que a figura principal é um árabe, com a sua família e o seu grupo. Noutra ocasião desenhei um jovem ocidental, com a força de um conquistador, de um guerreiro. E, sabem? Essas duas figuras, nascidas em civilizações opostas, eram a mesma entidade, para não dizer a mesma pessoa, nascendo ora num povo ora no seu rival, talvez ambos com o mesmo ímpeto guerreiro, para aprender porventura o respeito pelo outro, o oposto, que não terá de ser inexoravelmente adversário.


Pode ser que, cosmicamente, nada disto tenha importância. Que no momento em que alguém é árabe ou alguém é ocidental e cristão assume os ódios e a índole do seu povo, atacando hoje o que irá defender amanhã, com outra alma, outra índole e outro corpo. O inimigo de hoje será sempre o irmão de ontem? Será que é mesmo assim? Será que a ignorância de quem somos, do que somos, nos atira uns contra os outros, seja qual for o lado em que estejamos?
A ser assim é tão estúpido, tão limitado, tão pouco avançado espiritual e civilizacionalmente, não acham? Não acham? Quando aprenderemos realmente que somos todos irmãos, que somos todos um?

Quando sairemos desta barbárie?  



    
                      

sábado, 13 de abril de 2013

O Cisne, o Touro e o Dragão


TRÊS ETAPAS DE UM CAMINHO PELA ÁRVORE DA VIDA

Foi um dos primeiros quadros que pintei, mas continuo a achá-lo tão complexo, que me é difícil dispor-me a escrever sobre ele. Sei que há muito a dizer, mas também sei que nunca investiguei suficientemente o assunto para me lançar descontraidamente a escrever sobre ele.
Para encontrar ajuda, andei a pesquisar na Internet o significado de alguns elementos do quadro. Encontrei informações interessantes. Aliás, copiei alguma das informações, com o objectivo de as citar. Mas agora que me disponho a escrever criou-se um vácuo na minha mente, um esquecimento da informação que encontrei, como se ela não fosse relevante para o que devo dizer sobre o quadro. Sinto um vazio que me distancia de tudo o que andei a pesquisar.
Acaba por ser uma sensação engraçada. A minha mente está vazia e como que se recusa a recorrer aos apontamentos que tomei. Então, o que devo fazer? Deixar para amanhã? Não me parece que seja o que o Infinito espera de mim. Devo então escrever quando tenho a cabeça completamente vazia? Nunca tal me aconteceu quando me disponho escrever. Creio que é um desafio que me está a ser posto. Nunca disse que gosto de desafios, de coisas que parecem difíceis ou impossíveis de realizar? Ou simplesmente uma advertência para deixar o assunto amadurecer? Não é imprecindível que escreva hoje!
Coloquei o quadro a meu lado, numa cadeira. É uma cadeira pintada de  branco, que tenho aqui na salinha do computador. Sento-me nela quando vem o meu neto para me ajudar na paginação. É ele que tira as fotografias, faz as fotocópias, enfim, é um privilégio tê-lo a meu lado nesta aventura. Enquanto ele tiver disponibilidade, continuarei a recusar-me a assumir essa parte da tarefa. Ele sabe disso e parece-me que acha graça.
O título diz o essencial do quadro. Há nele um cisne, um touro e um dragão, porventura nas cores erradas. Por quê? Creio que, na realidade da natureza, não há cisnes dourados, mas brancos e negros. Simplesmente, o meu cisne é dourado, Quem sabe a razão?
O touro é verde. Não há! Não creio que haja touros verdes, mas o meu touro é verde. Talvez o dragão seja verde, tal com o pintei, mas será que isso é relevante? Mas é relevante dizer, ao que creio, que estes três elementos assinalam três etapas do longo caminho pela Árvore da Vida e representam as três forças essenciais para o ser humano realizar a ascensão.

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O CISNE DOURADO

De todas as personagens que habitam o quadro só reconheço duas ou três. Uma delas é a senhora junto ao cisne, que parece nascer das raízes e tronco da árvore, Cléopatra, que reconheço sobretudo pelo grande nariz. Acabei de ir comparar com outros desenhos e é efectivamente ela, Cléopatra oitava, rainha do Egipto.
Que estranho! Pintei este quadro em 1989 e só agora me concentro para descodificar a sua mensagem. Como se não fosse importante saber, mas viver isso. Isso que se passava no quadro, essas pombas a fazerem ninho no alto da cabeça ou ser o vaso que recebe o ouro do céu…
Nunca quis pertencer a nenhuma organização esotérica, porque não queria que condicionassem a minha busca. Demorei porventura mais tempo, mas creio ter avançado num caminho sem sinais, ao encontro de consecutivas descobertas, sempre no tempo certo.
É minha convicção de que só compreendemos o que há a compreender e integramos esse conhecimento quando interiormente estamos prontos. Podemos saber intelectualmente, mas isso não é saber, isso não é tornarmo-nos naquilo que sabemos. Isso é ser simplesmente porventura um intelectual ou perito ou um sábio, não é estar ligada/o ao que nos transcende. Isso que também somos nós.
É estranho, estou a querer traduzir a pintura em palavras e descubro que, embora sabendo eu nunca consciencializara o que estou agora a escrever. Nunca olhei para esse cisne dourado como parte integrante da caminhada espiritual, como fio dourado que poderá conduzir-nos ao centro do Universo, a um conhecimento mais fundo do próprio ser. E sim, o cisne está ligado aos grandes ideais, que podem dar largueza e grandeza à mais modesta vida humana. Porque a verdadeira grandeza é interior. Cleópatra foi rainha, mas não é preciso ser rainha para se abraçar grandes ideais e tentar realizá-los, Creio, aliás, que qualquer função que exija representação pública é ou pode ser um grande handicap à realização de uma profunda jornada interior.
Ainda a propósito: a cor dourada está ligada ao sol, à abundância e ao poder e… aos grandes ideais!

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HARMONIZAR O TOURO E O DRAGÃO

Não identifico a personagem que se encontra entre o Touro e o Dragão. Na mão direita tem a vara com que apascenta o touro enquanto pela mão esquerda irradia a energia do dragão que domou em si, na harmonização das duas forças que podem permitir-lhe atingir o expoente do Ser, isto é, fazer a ligação harmoniosa entre a Terra e o Céu.
O Ser Humano é o elemento condutor entre estas duas energias, a energia telúrica, que sobe pelos seus pés e a energia divina, que entra pela sua cabeça, indo encontrar-se e florir no coração, irradiando pelos braços, formando a cruz da salvação. A cruz de energia que restitui a divindade ao ser humano, tornando-o verdadeiramente filho de Deus. Este foi o grande segredo guardado por raros privilegiados, até que chegou o tempo em que o Céu e a Terra se vão casar em todos os seres humanos, iniciando então verdadeiramente a Idade do Ouro.



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UM LONGO CAMINHO


Repare-se agora na Árvore da Vida. No longo caminho a percorrer para chegar ao topo, à liberdade. Repare-se nas duas saídas; o casal ou a vida monástica, ambos permitem chegar ao destino. O destino parece traduzir-se, segundo as imagens, na união do par. Que pode ser entendida de forma literal ou pela androginia, em que o ser humano voltará a concentrar em si, como nos tempos primordiais, os dois sexos. Mas disto nada sei.
 Parece-me, contudo, muito mais criativo e estimulante a interação dos dois sexos. Logo se verá…






quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nunca Estamos Sós



NÃO PODEMOS SEPARAR O SER DO FAZER

Embora muitos de nós padeçam de solidão, a verdade é que nunca estamos sós.  Em primeiro lugar, porque somos múltiplos.  Claro que temos uma máscara, a personalidade que assumimos como elemento identificador, mas todos somos vários, a esforçarmo-nos por vezes por dar aos outros uma imagem coerente de nós próprios.

 Nós somos isto, parecemos dizer quando nos identificamos com o papel que desempenhamos. Mas não, nós somos isto e tantas vezes o seu contrário. Somos isto e o que não sabemos que somos. Somos o indefinível, que durante toda a vida tentamos atingir e compreender. E, definitivamente, somos, na maior parte dos casos, perfeitos desconhecidos para nós próprios. Reparem no que nós, por vezes, nos atrevemos a fazer! E no fazer baralhamos a ideia que tínhamos de nós, do nosso ser, no melhor e no pior. Aliás, não podemos separar o ser do fazer. Nós somos também intrinsecamente aquilo que fazemos, embora isso colida tantas vezes com aquilo que somos, julgamos ser ou queremos ser.




Mostro-lhes, em primeiro lugar, a “multidão” de seres que fazem parte da vida, da herança cármica ou do imaginário desta mulher. Há seres que se “passeiam” na sua aura. Outros que vivem grudados ao seu corpo, porque a amam ou amaram e passaram a fazer parte do seu ser.  Vejam só a multidão de seres que cada um de nós transporta! É por isso que digo que nunca estamos sós.

Aqueles que amamos e já não fazem parte do nosso quotidiano, da vida que reconhecemos como concreta, de certeza que se encontram na nossa aura, por vezes quase presença, de outras vezes numa persistente saudade. Há os que se misturam nos nossos cabelos e os que se encostam, amorosamente, à nossa roupa. Eles estão presentes com maior ou menor intensidade. São recordações, memória. Saudade. São somente aquilo que lhes concedemos, para podermos seguir em frente e sobreviver.


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OS VIGILANTES QUE NOS PROTEGEM



Há outras formas de não estarmos sós, porventura menos invasiva e próxima, mas da mesma forma vigilante. Refiro-me aos seres que amorosamente nos seguem e nos protegem de um plano mais elevado, mas ainda e sempre próximos. Serão porventura aparentemente menos invasivos, mas estão lá para acudir e ajudar para que os nossos sonhos se plasmem no concreto. Serão talvez a força invisível que manda ao nosso encontro o amigo em que estávamos a pensar ou nos alertam para um perigo iminente.  Uma espécie de anjos da guarda.

Claro que nada disto são certezas. Olho desenho a desenho e deixo que ele me fale, me comunique sem palavras o seu segredo. Será que interpretei bem? Quando me afasto da mensagem possível talvez uma campainha ressoe no meu corpo e me deixe inquieta, obrigando-me a reescrever o texto até uma realidade próxima, aliás sempre questionável. Não tenho o monópilo da sua interpretação. Acreditem, o que virem neles é a mensagem certa, a verdade que o desenho tem para cada um de vós e não aquilo que eu vos possa dizer..



O universo feminino que se espalha pelo rosto deste homem, define o fluxo da quantidade em que ele se banhou. Será que amou todas essas mulheres ou esse fluxo feminino foi a forma de ele ultrapassar a sua incapacidade de amar? Ao nível da garganta começa a fazer-se a solidão. A partir daí é um homem só.

É a história do reino da quantidade… ou não será?

Um dia, em Estrasburgo, entrevistei um filósofo, de que já não recordo o nome. Mas recordo, sim, o que ele me disse e isso para mim é o mais importante. Falámos da quantidade e ele dissertou sobre os sentimentos. Recordo-me que ele me disse que durante a nossa vida só podemos verdadeiramente amar quatro ou cinco pessoas. E não estava exclusivamente a falar do amor romântico, mas de afecto. O resto das pessoas com quem  lidamos são conhecidos, mais ou menos próximos..E o amor, o verdadeiro amor, é tão inesperado, segundo nos disse, que o podemos encontrar até no corredor de um supermercado.


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O AMOR MODELA-NOS



 Os amores que vivemos ao longo das nossas múltiplas vidas modelam o nosso rosto, o nosso ser. De certa forma passamos a ser esses seres que cruzaram connosco e nos marcaram. Julgamos que somos uma individualidade separada e somos todos esses seres que deixaram uma marca, mais ou menos forte, em nós. Somos nós e eles, o que nos leva a essa verdade que precisa que tenhamos atingido a humildade e a grandeza mais absoluta: a de que somos tudo. Cada um de nós é tudo e isso faz-me reviver uma experiência de que já falei aqui; a do ser humano enquanto partícula de um oceano de energia, sendo ao mesmo tempo ele próprio e tudo. Talvez haja um passo mais à frente que é o de, ao tornar-se tudo, deixar ao mesmo tempo de ser. Mas isso está a infinitos da minha experiência, o que é, ao mesmo tempo, que dizer que nada sei.



Para mim, nesta experiência de ser humana na Terra, já é algo de extraordinário a integração do espírito no ser, mostrada neste desenho pela presença da pomba e da integração em nós dos seres que realmente amamos.

Deixo-vos isto não como verdade absoluta, que não possuo, mas como matéria para reflexão.