MUDANÇA DE PARADIGMA A NÍVEL PLANETÁRIO?
Os tempos
não estão fáceis. Não me parece que haja alguém que saiba realmente o que o
futuro próximo nos reserva. E não estou a falar da situação do País, ou da
Europa, que pode ser difícil, mas é resolúvel.
Estou a falar da iminência
possível do fim dos tempos, segundo uma das leituras do calendário Maia. Ou, o
que me parece mais previsível, de uma possível mudança de paradigma a nível
planetário.
A idade
trouxe-me a reforma e com ela muito tempo livre. Por outro lado, manteve em mim
a insaciável curiosidade e interesse pelo que se passa à minha volta. Ainda
reajo e me indigno com a política, mas dá-me serenidade saber que a política é
um fenómeno sempre em devir e que não há nada estável, nem governos, nem
economias.
Vivi o bastante do fenómeno social. Fui casada
com um político, tive salários em atraso, fui a manifestações, embora sempre
tivesse tido horror a multidões. Devo ter memórias passadas de que uma multidão
dinamizada em determinado sentido pode tornar-se num fenómeno incontrolável. Mesmo
tendo esse horror físico, e essa memória do passado ou do futuro, não deixei de
ir a manifestações quando a minha consciência me dizia que a minha presença era
necessária.
Já vivi algo
de semelhante ao que se passa hoje e se vai passar. Continuo a indignar-me, mas
não estou perturbada. Os políticos passam, o Povo fica. Às vezes, é preciso dar
um empurrão para que os políticos passem mais depressa. Estamos a viver um desses
momentos. Os países continuam depois de todos os «indispensáveis» terem morrido,
envelhecido ou sido afastados. Mas há uma questão maior que ainda não abordei
aqui: e se estivermos realmente não no fim da História, mas numa mudança
colectiva de paradigma?
Não tenho
resposta, claro. Como disponho de muito tempo livre, gasto-o, por vezes, em investigações
na Internet. Foi assim que cheguei a um site francês intitulado «Autres
Dimensions». Foi uma descoberta de há dois ou três anos, que fui seguindo, nem
sempre com regularidade, mas sempre com interesse. Interesse não significa
crença absoluta ou confiança cega, mas a minha experiência pessoal confirma
muitas das coisas que lá encontrei, sobretudo ao nível da irradiação das
energias subtis pelo corpo. Descobri, creio que no ano passado, um blog
brasileiro, «Minha Mestria», que publica, em português, os artigos das «Autres Dimensions».
Vale a pena ir espreitar as «Autres
Dimensions». Os ensinamentos são correctos, tanto quanto posso dizer da minha
experiência. O fogo do coração, que ensina a estimular, é uma realidade, assim
como a abertura da cabeça ao Cosmos, que em mim começou, há mais de 20 anos,
então com um fiozinho de energia a sair ou a entrar pelo meio da cabeça. Tudo isso
é real, posso confirmá-lo, por experiência.
Não sei
nada, porém, sobre o que pode estar para acontecer à Humanidade nos próximos
tempos. Não cheguei aí. Ou recuso-me a chegar. Mas sei que escolho ficar na
Terra para ajudar a Humanidade que não possa ascender Isto a confirmarem-se as
Profecias. Quando digo ficar na Terra, quero simplesmente significar a decisão
de voltar a nascer na Terra. E só decidi isto há poucos dias, como se eu
pudesse decidir…
«O Povo é
sereno!» disse, nos tempos da Revolução, o Almirante Pinheiro de Azevedo, em
reacção a um episódio qualquer, acho que de fogo e fumo, durante uma
manifestação no Terreiro do Paço. O Povo é sereno e, como a manifestação de
sábado provou, vai contestar com serenidade a política deste Governo. Também com
serenidade há-de acolher o que está para vir, se algo de radical está para
acontecer no Planeta.
O Povo é sereno e somos todos deuses, filhos
de Deus. Com a capacidade de nos adaptarmos e de reagir, como ficou provado. Pode
não ser verdade e não estar para acontecer nada à escala planetária, mas não
faz mal a ninguém estar informado. E a acontecer, o que antevejo é uma mudança
súbita e radical do funcionamento das sociedades. Só não sei que fenómeno ou
fenómenos planetários vão levar as pessoas a aderir simultaneamente a um novo
relacionamento com o Planeta. Não sei se isso será motivado por uma série de
cataclismos ou, e é essa a hipótese para que me inclino, porque vai dar-se,
quase simultaneamente, uma mudança de mentalidades, como se as pessoas uma
manhã acordassem já num novo paradigma.
Pura
fantasia? Será, mas seria bonito. Pois então, vamos cingir-nos só a Portugal.
Talvez a mudança tenha começado na Grécia, com toda aquela confusão, e prossiga
agora aqui. O Povo já não quer mais do mesmo e o tempo das atitudes ditatoriais
já foi. As pessoas têm hoje uma nova consciência de quem são e dos seus
direitos. Querer impor restrições às cegas é um disparate. Salazar pôde fazer
isso, porque governou um povo maioritariamente analfabeto. Felizmente, não é o
que acontece hoje. Essa é a nossa mais-valia, face ao exterior e a possíveis
atitudes ditatoriais. Hoje, o colectivo das pessoas sabe que os governantes são
meros servidores do Estado e do Povo. SERVIDORES! E têm de ter consciência
disso. A sua força vem exclusivamente do apoio que o Povo lhes dá. Quando esse
apoio lhes é retirado, a queda é uma questão de tempo. Já não há energia no
planeta que possa suportar ditadores.
_____
A
INFÂNCIA DO ESPÍRITO
Soube, aos
21 anos, que tinha uma missão. Eu amava e era amada. Um dia, o meu amado fez-me
uma pergunta, que me causou um choque profundo. Ele perguntou-me, num momento
de profundo enlevo, quem eu era realmente?
Nesse
momento fui transportada a outro local. Eu tinha uma túnica branca até aos pés
e estava junto a uma coluna de pedra muito alta. À minha volta havia mulheres ao
lado de outras colunas. Numa penumbra viva, ouviu-se uma voz a pedir que alguém
se oferecesse para uma determinada tarefa. E eu ofereci-me. Nesse momento
houve, à minha volta, um burburinho, como se a tarefa fosse difícil, mas eu não
sentia nem o alvoroço nem a dificuldade.
Nessa
altura, tive a noção que estava, ao mesmo tempo, em dois locais: nesse templo
sem tecto, com outras mulheres de túnica branca como eu, e junto ao meu amado.
Dei um grito de espanto por poder estar em dois sítios ao mesmo tempo e voltei
a ter consciência de estar só junto ao meu amado. Ou a ter somente consciência
disso.
Nos dias
seguintes sentia que havia presenças à minha volta e era muito desagradável.
Queria vestir-me e despir-me sem me sentir espiada. E declarei alto que não
queria gente à minha volta. Acho que devo ter uma vontade forte, porque as
vozes e as presenças desapareceram.
Numa outra noite
acordei, de madrugada. Na luz da antemanhã vi o busto do meu amado, que dormia
a meu lado, suspenso no ar. Fitava-me, fixamente e prolongadamente, como quem
me avaliava. Fitei-o também durante muito tempo, sem nenhuma estranheza, até
que me cansei. Nessa altura, o busto do meu amado começou a desaparecer, em
pontinhos no ar, até que ficaram apenas as primeiras luzes do alvorecer.
Virei-me para o outro lado e adormeci.
Então, tive um sonho. Sonhei que estava num
jardim maravilhoso. Um jardim encantado. Tinha um cão a meu lado, grande e
muito bonito. Esse cão era o guia que me mostrava e explicava esse jardim. A
certa altura, passamos por um castelo, ou uma casa castelo e ele explicou-me do
que se tratava, mas não me lembro. A certa altura disse-me: «Daqui a vinte
anos…» Continuamos a andar e chegamos a uma igreja. Eu entrei sozinha. No
altar-mor havia uma grande cruz, com o Cristo crucificado. E, perante a cruz,
eu pensei: é preciso descrucificar Cristo. Acordei e lembrei-me que tempos
antes tinha escrito um artigo numa revista do Porto, por altura da Páscoa, com
o título: «É preciso descrucificar o Homem.» E pareceu-me a mesma coisa.
Vinte anos
depois, como me dissera esse extraordinário cão, e sem ter conhecimento do que
isso significava, uma noite, sozinha na cama, descobri a verdadeira natureza do
ser humano ao sentir um sopro que fez subir uma poderosa energia pela minha
coluna. E eu, sem saber o que significava, disse a mim própria, no fim dessa
noite em claro: «Agora falta a cabeça».
Depois, nas
semanas seguintes, a energia inundou a minha cabeça e fiquei ao serviço do Céu
e da Terra, esperando que toda a humanidade retomasse a sua ligação ao divino.
Outrora, no
Ocidente, isto só poderia acontecer dentro dos conventos e, mesmo aí, a freira
ficava sob vigilância apertada, porque no exterior corria o risco de ser considerada
bruxa e queimada na fogueira. Santa Teresa d’Ávila, que narra esse processo, em
termos religiosos, esteve sempre sob vigilância apertada.
Fui impelida
a contar isto hoje, porque creio que, nos próximos tempos, este processo vai
alastrar por toda a humanidade. Não sei o ritmo em que vai acontecer. Mas é
para mim evidente que esta é a condição para fazermos a ligação ao divino, que
somos.
_____
UM DIA DE
CADA VEZ
Se fossemos
realmente inteligentes, viveríamos um dia de cada vez. Ou seja, viveríamos a
eternidade do momento, que é realmente a única coisa que temos, libertos da
preocupação de arrecadar para um futuro imaginário.
Uma noite
mostraram-me um lavrador a trabalhar a terra, dizendo-me que o importante não
era o fruto que ele haveria de colher, mas o que ele estava a lavrar em si,
enquanto trabalhava a Terra, como se o processo fosse idêntico. Talvez seja.
Cada um de nós, ao longo de múltiplas vidas, lavrou
o seu ser íntimo e arrecadou uma série de experiências, que darão porventura um
sentido mais vasto, ou pelo menos um outro sentido, à descida do Homem à Terra.
Quando regressarmos ao Paraíso -- seja isso o que for! --, os que regressarem irão
com uma mais-valia, que não pode ter quem nunca desceu à matéria.
Olho para as
memórias que me chegam e verifico que há já muitas repetições. Começo a pensar
que é altura de descansar mas, ao mesmo tempo, sinto o fascínio do incerto, as
probabilidades que se jogam e descubro-me aventureira. Uma aventureira do
espírito, que é o que todos somos, mesmo aqueles de nós que estão assustados
com a vida e sofrem com a incerteza do pão nosso de cada dia, que é um direito
fundamental.
Casa, Pão, Saúde, Habitação, segundo um slogan
do 25 de Abril, que resumia os direitos essenciais. Direitos que, mais do que
nunca, Países e o Planeta têm de assegurar a cada um dos seus habitantes para,
finalmente, chegarmos ao equilíbrio. Mas desta vez o slogan deve ter cinco
proposições
CASA, PÃO, SAÚDE, HABITAÇÃO E MUITO AMOR --
como dizia a minha amiga Fátima.
Este o programa possível para o Planeta Terra
dos Novos Tempos.