terça-feira, 18 de setembro de 2012

Um Dia De Cada Vez




MUDANÇA DE PARADIGMA A NÍVEL PLANETÁRIO?


Os tempos não estão fáceis. Não me parece que haja alguém que saiba realmente o que o futuro próximo nos reserva. E não estou a falar da situação do País, ou da Europa, que pode ser difícil, mas é resolúvel.
Estou a falar da iminência possível do fim dos tempos, segundo uma das leituras do calendário Maia. Ou, o que me parece mais previsível, de uma possível mudança de paradigma a nível planetário.

A idade trouxe-me a reforma e com ela muito tempo livre. Por outro lado, manteve em mim a insaciável curiosidade e interesse pelo que se passa à minha volta. Ainda reajo e me indigno com a política, mas dá-me serenidade saber que a política é um fenómeno sempre em devir e que não há nada estável, nem governos, nem economias.

Vivi o bastante do fenómeno social. Fui casada com um político, tive salários em atraso, fui a manifestações, embora sempre tivesse tido horror a multidões. Devo ter memórias passadas de que uma multidão dinamizada em determinado sentido pode tornar-se num fenómeno incontrolável. Mesmo tendo esse horror físico, e essa memória do passado ou do futuro, não deixei de ir a manifestações quando a minha consciência me dizia que a minha presença era necessária.

Já vivi algo de semelhante ao que se passa hoje e se vai passar. Continuo a indignar-me, mas não estou perturbada. Os políticos passam, o Povo fica. Às vezes, é preciso dar um empurrão para que os políticos passem mais depressa. Estamos a viver um desses momentos. Os países continuam depois de todos os «indispensáveis» terem morrido, envelhecido ou sido afastados. Mas há uma questão maior que ainda não abordei aqui: e se estivermos realmente não no fim da História, mas numa mudança colectiva de paradigma?

Não tenho resposta, claro. Como disponho de muito tempo livre, gasto-o, por vezes, em investigações na Internet. Foi assim que cheguei a um site francês intitulado «Autres Dimensions». Foi uma descoberta de há dois ou três anos, que fui seguindo, nem sempre com regularidade, mas sempre com interesse. Interesse não significa crença absoluta ou confiança cega, mas a minha experiência pessoal confirma muitas das coisas que lá encontrei, sobretudo ao nível da irradiação das energias subtis pelo corpo. Descobri, creio que no ano passado, um blog brasileiro, «Minha Mestria», que publica, em português, os artigos das «Autres Dimensions».

 Vale a pena ir espreitar as «Autres Dimensions». Os ensinamentos são correctos, tanto quanto posso dizer da minha experiência. O fogo do coração, que ensina a estimular, é uma realidade, assim como a abertura da cabeça ao Cosmos, que em mim começou, há mais de 20 anos, então com um fiozinho de energia a sair ou a entrar pelo meio da cabeça. Tudo isso é real, posso confirmá-lo, por experiência.

Não sei nada, porém, sobre o que pode estar para acontecer à Humanidade nos próximos tempos. Não cheguei aí. Ou recuso-me a chegar. Mas sei que escolho ficar na Terra para ajudar a Humanidade que não possa ascender Isto a confirmarem-se as Profecias. Quando digo ficar na Terra, quero simplesmente significar a decisão de voltar a nascer na Terra. E só decidi isto há poucos dias, como se eu pudesse decidir…

«O Povo é sereno!» disse, nos tempos da Revolução, o Almirante Pinheiro de Azevedo, em reacção a um episódio qualquer, acho que de fogo e fumo, durante uma manifestação no Terreiro do Paço. O Povo é sereno e, como a manifestação de sábado provou, vai contestar com serenidade a política deste Governo. Também com serenidade há-de acolher o que está para vir, se algo de radical está para acontecer no Planeta.

 O Povo é sereno e somos todos deuses, filhos de Deus. Com a capacidade de nos adaptarmos e de reagir, como ficou provado. Pode não ser verdade e não estar para acontecer nada à escala planetária, mas não faz mal a ninguém estar informado. E a acontecer, o que antevejo é uma mudança súbita e radical do funcionamento das sociedades. Só não sei que fenómeno ou fenómenos planetários vão levar as pessoas a aderir simultaneamente a um novo relacionamento com o Planeta. Não sei se isso será motivado por uma série de cataclismos ou, e é essa a hipótese para que me inclino, porque vai dar-se, quase simultaneamente, uma mudança de mentalidades, como se as pessoas uma manhã acordassem já num novo paradigma.

Pura fantasia? Será, mas seria bonito. Pois então, vamos cingir-nos só a Portugal. Talvez a mudança tenha começado na Grécia, com toda aquela confusão, e prossiga agora aqui. O Povo já não quer mais do mesmo e o tempo das atitudes ditatoriais já foi. As pessoas têm hoje uma nova consciência de quem são e dos seus direitos. Querer impor restrições às cegas é um disparate. Salazar pôde fazer isso, porque governou um povo maioritariamente analfabeto. Felizmente, não é o que acontece hoje. Essa é a nossa mais-valia, face ao exterior e a possíveis atitudes ditatoriais. Hoje, o colectivo das pessoas sabe que os governantes são meros servidores do Estado e do Povo. SERVIDORES! E têm de ter consciência disso. A sua força vem exclusivamente do apoio que o Povo lhes dá. Quando esse apoio lhes é retirado, a queda é uma questão de tempo. Já não há energia no planeta que possa suportar ditadores.


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A INFÂNCIA DO ESPÍRITO


Soube, aos 21 anos, que tinha uma missão. Eu amava e era amada. Um dia, o meu amado fez-me uma pergunta, que me causou um choque profundo. Ele perguntou-me, num momento de profundo enlevo, quem eu era realmente?

Nesse momento fui transportada a outro local. Eu tinha uma túnica branca até aos pés e estava junto a uma coluna de pedra muito alta. À minha volta havia mulheres ao lado de outras colunas. Numa penumbra viva, ouviu-se uma voz a pedir que alguém se oferecesse para uma determinada tarefa. E eu ofereci-me. Nesse momento houve, à minha volta, um burburinho, como se a tarefa fosse difícil, mas eu não sentia nem o alvoroço nem a dificuldade.

Nessa altura, tive a noção que estava, ao mesmo tempo, em dois locais: nesse templo sem tecto, com outras mulheres de túnica branca como eu, e junto ao meu amado. Dei um grito de espanto por poder estar em dois sítios ao mesmo tempo e voltei a ter consciência de estar só junto ao meu amado. Ou a ter somente consciência disso.

Nos dias seguintes sentia que havia presenças à minha volta e era muito desagradável. Queria vestir-me e despir-me sem me sentir espiada. E declarei alto que não queria gente à minha volta. Acho que devo ter uma vontade forte, porque as vozes e as presenças desapareceram.

Numa outra noite acordei, de madrugada. Na luz da antemanhã vi o busto do meu amado, que dormia a meu lado, suspenso no ar. Fitava-me, fixamente e prolongadamente, como quem me avaliava. Fitei-o também durante muito tempo, sem nenhuma estranheza, até que me cansei. Nessa altura, o busto do meu amado começou a desaparecer, em pontinhos no ar, até que ficaram apenas as primeiras luzes do alvorecer. Virei-me para o outro lado e adormeci.

 Então, tive um sonho. Sonhei que estava num jardim maravilhoso. Um jardim encantado. Tinha um cão a meu lado, grande e muito bonito. Esse cão era o guia que me mostrava e explicava esse jardim. A certa altura, passamos por um castelo, ou uma casa castelo e ele explicou-me do que se tratava, mas não me lembro. A certa altura disse-me: «Daqui a vinte anos…» Continuamos a andar e chegamos a uma igreja. Eu entrei sozinha. No altar-mor havia uma grande cruz, com o Cristo crucificado. E, perante a cruz, eu pensei: é preciso descrucificar Cristo. Acordei e lembrei-me que tempos antes tinha escrito um artigo numa revista do Porto, por altura da Páscoa, com o título: «É preciso descrucificar o Homem.» E pareceu-me a mesma coisa.

Vinte anos depois, como me dissera esse extraordinário cão, e sem ter conhecimento do que isso significava, uma noite, sozinha na cama, descobri a verdadeira natureza do ser humano ao sentir um sopro que fez subir uma poderosa energia pela minha coluna. E eu, sem saber o que significava, disse a mim própria, no fim dessa noite em claro: «Agora falta a cabeça».        

Depois, nas semanas seguintes, a energia inundou a minha cabeça e fiquei ao serviço do Céu e da Terra, esperando que toda a humanidade retomasse a sua ligação ao divino.

Outrora, no Ocidente, isto só poderia acontecer dentro dos conventos e, mesmo aí, a freira ficava sob vigilância apertada, porque no exterior corria o risco de ser considerada bruxa e queimada na fogueira. Santa Teresa d’Ávila, que narra esse processo, em termos religiosos, esteve sempre sob vigilância apertada.
Fui impelida a contar isto hoje, porque creio que, nos próximos tempos, este processo vai alastrar por toda a humanidade. Não sei o ritmo em que vai acontecer. Mas é para mim evidente que esta é a condição para fazermos a ligação ao divino, que somos.


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UM DIA DE CADA VEZ


Se fossemos realmente inteligentes, viveríamos um dia de cada vez. Ou seja, viveríamos a eternidade do momento, que é realmente a única coisa que temos, libertos da preocupação de arrecadar para um futuro imaginário.

Uma noite mostraram-me um lavrador a trabalhar a terra, dizendo-me que o importante não era o fruto que ele haveria de colher, mas o que ele estava a lavrar em si, enquanto trabalhava a Terra, como se o processo fosse idêntico. Talvez seja.

 Cada um de nós, ao longo de múltiplas vidas, lavrou o seu ser íntimo e arrecadou uma série de experiências, que darão porventura um sentido mais vasto, ou pelo menos um outro sentido, à descida do Homem à Terra. Quando regressarmos ao Paraíso -- seja isso o que for! --, os que regressarem irão com uma mais-valia, que não pode ter quem nunca desceu à matéria.

Olho para as memórias que me chegam e verifico que há já muitas repetições. Começo a pensar que é altura de descansar mas, ao mesmo tempo, sinto o fascínio do incerto, as probabilidades que se jogam e descubro-me aventureira. Uma aventureira do espírito, que é o que todos somos, mesmo aqueles de nós que estão assustados com a vida e sofrem com a incerteza do pão nosso de cada dia, que é um direito fundamental.

 Casa, Pão, Saúde, Habitação, segundo um slogan do 25 de Abril, que resumia os direitos essenciais. Direitos que, mais do que nunca, Países e o Planeta têm de assegurar a cada um dos seus habitantes para, finalmente, chegarmos ao equilíbrio. Mas desta vez o slogan deve ter cinco proposições

 CASA, PÃO, SAÚDE, HABITAÇÃO E MUITO AMOR -- como dizia a minha amiga Fátima.

 Este o programa possível para o Planeta Terra dos Novos Tempos.





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