sexta-feira, 29 de março de 2013

A Crise É Planetária


UMA NOVA ORDEM MUNDIAL


O horizonte está muito nublado. Tenho adiado a minha presença aqui à espera de um sinal positivo, que me levasse a formular palavras de esperança. De esperança na mudança próxima da Ordem Planetária. Que se vai dar, disso não tenho dúvidas, mas ao que parece vai ser necessário percorrer ainda alguns labirintos antes de se conseguir encontrar a saída certa para a Nova Ordem Mundial.

A certeza que tenho é que a Ordem que tem regido o Planeta está a desmoronar-se, com maiores ou menores sobressaltos. Ao mesmo tempo sinto, sei que o que está a perfilar-se no horizonte é uma desordem há muito programada pelas forças que detêm o Poder. E quem verdadeiramente detém o Poder não são os rostos que nos habituamos a ver na cena internacional, mas os que mexem os cordelinhos nos corredores, os que fomentam cirurgicamente as crises, de forma a delas tirarem proveito. Mas nem sempre saem vitoriosos. Muitas vezes são sacrificados pelas tormentas que fomentaram, o que é o menor dos males.

 A crise não é um mal inevitável, mas um processo programado por certos interesses. Analisando a realidade próxima, podemos ver que a primeira etapa foi a do dinheiro fácil, lembram-se? Não foi ainda há muito tempo que os bancos quase nos pediam para que recorrêssemos aos seus empréstimos, a juro baixo! Foi um regabofe em que muitos de nós se deixaram cair.

Então, ao mesmo tempo que o mercado de arrendamento quase desapareceu, proliferou a oferta de venda de apartamentos, a preço mais ao menos convidativo. O tempo não estava para o aforro, mas para comprar. E os Bancos, pressurosos, ofereciam dinheiro barato a quem quisesse comprar casa, carro, viagens ao estrangeiro… A oferta era tão aliciante que se tornava irresistível e foram muitos os que se deixaram ir no engodo.

 Grécia, Irlanda, Portugal, foram apanhados no primeiro round desta estratégia. De seguida «atacou» a Espanha, depois a Itália e agora Chipre. A França virá a seguir, não há como escapar. Para já a Inglaterra lava as mãos, não tem nada a ver com o Euro. Mas quando a recessão chegar à Alemanha, e já está a chegar, mais depressa do que os economistas quereriam prever, então estaremos em face de duas saídas: a Guerra, como solução tradicional para as crises, ou a autêntica reformulação económica, que poderá fazer surgir uma Nova Ordem Mundial, assente em novos valores e não no despudorado jogo do lucro, que sacrificou gerações nas primeiras quatro décadas do século passado. Quem fica a ganhar com as guerras é exclusivamente a tenebrosa e poderosa indústria do armamento. Será que não aprendemos nada e continuamos a repetir os mesmos erros ciclicamente?

Este é um dos cenários possíveis para a crise, que tem vindo a ser cirurgicamente fomentada na Europa, mas que vai estender-se, em breve, ao resto do mundo, se não houver o mínimo de bom senso para a suster e debelar. Não tenhamos dúvidas de que é uma crise laboriosamente planeada por um grupo de financeiros, que de humano só tem a aparência. De resto, o entusiasmo beligerante da Coreia do Norte e do Irão podem fazer o resto. E a catástrofe desta vez poderá afectar todo o Planeta. Esta é a ameaça pendente, cuja concretização vai depender de cada um de nós.

 Desculpem o aparente pessimismo, mas que é sobretudo um toque de campaínha que pretende chamar o ser humano à responsabilidade. Poucos lerão esta mensagem? Não faz mal. O pensamento emitido fica a circular no espaço. Se eu já uma vez ouvi conscientemente um pensamento a passar, porque outros não poderão registar os pensamentos que circulam na atmosfera, ainda que não tenham consciência de que o que pensam é o eco do que foi pensado por outros?

 Uma Nova Ordem Mundial vai surgir. Depende de nós que se concretize sem uma ciclópica depuração.

É quinta-feira santa. Talvez o peso da época influa no meu discernimento. Será que as mudanças que se vão dar em Portugal poderão afectar positivamente o Mundo? Ou serão irrelevantes? Pergunto e a resposta surge dentro de mim. Não são irrelevantes. O que acontecer em Portugal vai influenciar positivamente o mundo. Assim o creio. E não vou falar de política...


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DE BRAÇOS ABERTOS


Escolhi para hoje um desenho, que me parece adequado à semana da Páscoa. Um dia, quando lia o jornal, parei numa página que tinha a imagem do Cristo Rei, que podemos ver na outra margem de Lisboa.

Que pretende dizer este desenho? Não sei. Sei só que me senti compelida a desenhar estas figuras sobre e ao lado da escultura, admitindo que uma delas regista o verdeiro rosto do homem que foi Jesus. E, como não tenho certezas absolutas, deixo-lhes o desenho, com o mínimo de palavras, para que o possam interpretar, nesta semana em que os católicos assinalam a morte e ressurreição de Jesus da Nazaré.


Boa Páscoa.


domingo, 17 de março de 2013

Estamos No Olho do Furacão


É PRECISO OLHAR O HORIZONTE PARA NÃO ENJOAR


Começo a escrever com a sensação estranha de que me encontro (porventura nos encontramos) no momento de silêncio que antecipa as grandes convulsões. Telúricas, atmosféricas, porventura sociais. É um silêncio que antecipa uma tempestade, não sei com que expressão. Um silêncio que me obriga a ficar parada, alerta, à espera, sem saber exactamente o que se aproxima.

 Acho que, neste preciso momento, ninguém sabe. Mas há uma ameaça pendente. Uma ameaça a exigir uma reflexão individual, uma reflexão colectiva, porventura uma reflexão planetária. Estamos a abrir convenientemente as portas do futuro?

O voluntarismo e a arrogância não servem de nada. Só com humildade poderemos avançar. A humildade dos nossos erros individuais e colectivos, a humildade da nossa ignorância e dos problemas que a nossa ignorância e irresponsabilidade acabam por desencadear. Surgem-me imagens que me poderiam levar a dizer: «estamos no olho do furacão». Para onde é que ele nos vai projectar? Numa revolução? Numa guerra civil? No desespero total? Tudo é possível neste momento.

Portugal tem sido, ao longo dos tempos, um laboratório onde o futuro se experimenta. Lembrem-se: somos uma das primeiras nações independentes da Europa. Abrimos o mar ao mundo e tornámos mais próximo o Oriente do Ocidente. Tivemos um império que outros, em maior número e maiores capacidades, se apropriaram em parte. A parte restante retomou a liderança do seu caminho, quando o tempo se cumpriu e reclamaram esse direito. O 25 de Abril ajudou a que a autonomia se consumasse sem grandes sobressaltos. E agora? Depois de nos termos rendido à armadilha das facilidades insidiosamente oferecidas pelas instituições bancárias, ficámos, como Povo, ignomiosamente apanhados na teia da facilidade engenhosamente desenvolvida pelo grande capital. Fomos apanhados, A habilidade dessa engenhosa organização que lucrou enquanto nos endividamos e lucra ainda mais quando precipitaram as circunstâncias que não nos vão permitir pagar.

É preciso olhar para tudo isto com serenidade, considerando que é um jogo. Sim, é um jogo que pode ter consequências mortais. Mas é apenas um jogo, jogado pelos grandes interesses que movem na sombra os cordelinhos e espreitam a oportunidade de aumentar os seus dividendos, ainda que isso possa incluir o desencadear de uma guerra. Seria interessante dispor dos números e das perspectivas da indústria de armamento. Podem ter a certeza de que estão já feitas todas as projecções dos lucros que vão obter se alguns focos de guerra se despoletarem em áreas pouco sensíveis da Europa, e do planeta.

É estupidez absoluta. Neste momento não há países nem continentes distantes. É tudo muito próximo. Tudo tem a ver com tudo, que é o mesmo que dizer que todos têm a ver com todos. Esta é a nova consciência do século XXI. Um conflito armado em Portugal vai ter repercussões na China. A China fica já ali, numa curva do mar. Esta é a nova realidade que a Humanidade como um todo tem que enfrentar. Aliás, como sinal de maturidade.

A Humanidade está madura para assumir uma nova forma de viver. Para corporizar uma nova forma de Ser, que se deve sobrepor e controlar a pandemia do Ter. O Ter já foi uma forma de sobrevivência num planeta hostil. Hoje o Ter é, não tenham dúvidas, a peste dos novos tempos, que pode dizimar o planeta, se o bom senso não chegar a todos os que movem os cordelinhos do jogo do Poder e do dinheiro.

De resto, os problemas que estamos colectivamente a enfrentar foram anunciados nos anos 80/90 do século passado por Agostinho da Silva. Dizia o filósofo:

 «Vem aí um tempo em que não vai haver empregos e os jovens vão passar os dias encostados às paredes da Baixa». E acrescentava: «Para não enjoar vai ser preciso olhar o horizonte, como se faz nos barcos, no alto mar».


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JÁ NASCEMOS EM OUTROS PAÍSES E OUTROS CONTINENTES


A Terra é una. Cada um de nós já nasceu em outros países e outros continentes. Vou contar uma história que se passou comigo há mais de 15 anos.

Um técnico chegara do estrangeiro para dar um curso de formação no jornal onde trabalhava. O corpo redactorial tinha-se reunido com ele para ouvir as novas orientações de paginação, lides, etc.. Estava a olhá-lo e, de repente, fiquei muito perturbada porque vi que o conhecia, de tempos muito antigos.  

De noite o sonho trouxe-me a explicação. Ele entrava em competições de uma arte marcial japonesa, o sumô. Eu vivia com ele. Não sei se era mulher ou concubina. Ele era corrupto. Recebia dinheiro para perder competições. Nessa noite, ele ia entrar numa competição. E eu implorava-lhe que ele não se deixasse comprar. Essa era a condição para eu continuar com ele e, ao que me pareceu, eu amava-o, mas não ficaria com ele se ele se vendesse de novo. O certo é que naquela noite ele vendeu-se e eu deixei-o.

Acordei. Fora um sonho diferente de todos os que tivera até então. Corresponderia a algo de verdadeiro, que se tivesse passado em outra vida? Não sei. Confirmei, porém, que o técnico que despoletou este sonho continuava a gostar muito de dinheiro. E ele voltou para a sua terra sem que lhe tivesse contado o que me fora mostrado sobre ele.
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ANGELA MERKEL CONTRA SALÁRIOS DESMEDIDOS


Veio a público recentemente a atitude de Angela Merkel de condenar os salários e bónus desmedidos que recebem os altos executivos de algumas empresas alemãs.

Este apontamento serve para aplaudir a chanceler alemã, mas tenho alguma coisa a acrescentar. A crítica de Merkel não pode ficar por aqui. Sim, há que diminuir os grandes salários dos executivos, mas também os grandes lucros das empresas e o fomento das falsas necessidades entre os consumidores para que a vida se torne mais justa e agradável.

Assim Seja. Na Alemanha e em todas as partes do Mundo.


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QUANDO "NASCI" NOS ESTADOS UNIDOS…


O xenofobismo é um sentimento contra natura. Já nascemos todos em outros países e outros continentes. Acontecem-nos coisas na vida que, na altura, não percebemos o porquê. Por exemplo, o convite para visitar os EUA? Por quê? Porque eu era jornalista, é evidente, mas havia já então tantos jornalistas em Portugal, porquê eu?

Quando comecei a projectar e a desenhar percebi o porquê. Eu nasci várias vezes nos EUA… Pelo menos, os meus desenhos mostram-me isso e os homens que me rodeiam não são de todo desconhecidos… De certa forma é engraçado. Não é misteriosa a vida? O problema é que a maior parte de nós passa pelos sinais e não os reconhece. Que pena!
Vejam se identificam alguém… Eu acho a vida um espanto!     

Aproveitem. Não estraguem. Não deixem que outros destruam e enfernizem o Paraíso a que temos direito por nascimento. 





Desculpem a má qualidade das imagens, mas foi difícil fazer o scan do livro onde desenhei. Vou passar a tinta da china...





sexta-feira, 8 de março de 2013

Um Povo de Novo Triste


UMA CALDEIRA EM RISCO DE EXPLODIR

Fotografia do jornal Público


A multidão silenciosa que percorreu, sábado passado, várias cidades de Portugal, para protestar contra os cortes nos salários e nas pensões de reforma, deu testemunho ao Mundo da grandeza do Povo Português. Espoliado para lá do limite suportável mostrou, com contensão, a sua revolta e indignação.

As reacções do Executivo são poucas. Talvez seja desatenção minha, mas até agora não ouvi o Primeiro Ministro reagir. Parece que se ausentou para um outro País. O que seria bom. Talvez pense que a manifestação passou e se entrou de novo na rotina, sem consequências, pelo menos durante mais três meses. E deve considerar que o melhor é passar à frente como se nada tivesse acontecido e uma caldeira efervescente de indignação não estivesse prestes a explodir.

Somos um Povo de brandos costumes. O Governo sabe disso, mas é preciso saber também que tudo tem um limite. E o limite já foi atingido. A aparente serenidade de Passos Coelho não engana ninguém. Denuncia-o o cabelo cada vez mais ralo, a magreza, um envelhecimento precoce. Talvez ainda o não queira reconhecer, mas governar um País é areia demais para a sua camioneta. Um País não é apenas um território, mas gente. Gente de carne e osso, gente que também tem filhos e chora por já não ter o suficiente para lhes dar de comer. A aparente displicência com que fala na televisão dá voltas ao estômago da maior parte de nós.

De uma outra forma, a sua voz está a tornar-se tão monocórdica quanto a do ministro das Finanças. A desencadear anticorpos. Está a tornar-se tão intolerável, que talvez seja melhor manter-se calado por uns tempos. Ainda que possa ser pose, o ministro dos Negócios Estrangeiros, pelo menos, dá a impressão de que se importa com a aflição do Povo. Talvez seja porque tem sensibilidade ou simplesmente por ter um traquejo do palco político que, obviamente, continua a faltar a Coelho.

A multidão grita o desejo de que Passos Coelho abandone o poder, mas ele faz de conta que as vozes, que não pode deixar de ouvir, não são relevantes. Não seria melhor para o País, mas também para ele próprio, apresentar a demissão e ir-se embora? Até porque a receita política que tem para o País está desfasada no tempo. Se estivesse verdadeiramente atento ao que se passa no mundo perceberia que está imanente e iminente uma Nova Ordem Social, que não tem nada a ver com a receita que está a querer implantar em Portugal. País que, aliás, parece estar a ser empurrado a ir na contra-corrente do que está a despontar no mundo. Assim como a Revolução de Abril influenciou na época o que se passou em outros países, também a forma como Portugal vai integrar esta receita draconiana vai porventura influenciar o aparecimento de uma nova forma de estar no mundo, mais despojada e mais humana, em que o dinheiro deixará de ter o peso que tem actualmente. E isso acabará por ser benéfico, mas ele já não estará no palco político.

A propósito, quero chamar a atenção para o que aconteceu no passado fim de semana, na Suíça, em que o Povo aprovou, em referendo, uma lei que limita os salários abusivos dos patrões. Extraordinário, principalmente vindo da Suíça, não é? Isto é só o princípio. O que virá de seguida será a fixação de um limite para os lucros, o que ajudará a regularizar os mercados e a construir uma sociedade mais humana e igualitária!

Segundo o Jornal Público, casos recentes tiveram influência na atitude dos eleitores suíços. Um deles foi a indemnização de 72 milhões de francos suíços (60 milhões de euros) atribuída ao presidente cessante do conselho de administração da farmacêutica Novartis. O outro resultou dos problemas financeiros do banco USB, que perdeu milhares de milhões de euros entre 2008 e 2011, quer com activos tóxicos como com negócios fraudulentos. E, claro, lá como cá, o Banco foi salvo com o dinheiro público. Só que os contribuintes suíços assumiram os seus direitos e a sua força e dizem que não voltarão a pactuar com nada de semelhante.
O que é que estes casos fazem recordar aos portugueses? Primeiro, que até agora têm sido os contribuintes a pagar os desmandos deste jaez, quer na Suiça como em Portugal. Segundo, e mais importante, que o Tempo e a Consciência dos Povos mudaram. O que aconteceu na Suíça acendeu um rastilho que vai explodir pelo mundo, limpando-o desta desordenada exploração.

 Nota: Afinal, Passos Coelho deu-se conta que houve uma manifestação. Admitiu-o hoje, quarta-feira, no Parlamento, sublinhando que isso não o leva a alterar em nada a sua acção política. Se não houvesse tanta gente a sofrer, até que pode vir a ser interessante observar os próximos acontecimentos…


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NO ESTERTOR DE UMA CIVILIZAÇÃO

É um tempo limite este em que vivemos. Estamos a assistir ao estertor de uma civilização que se desenvolveu sobre o esteio de profundas desigualdades. No passado eram os chamados nobres que detinham a riqueza e o poder. Nos últimos séculos, uma burguesia pujante conseguiu chamar a si uma importante fatia do bolo, criando a nova aristocracia do dinheiro.  Estamos agora num tempo de charneira, entre os erros do passado e o futuro novo a construir. Não vai ser fácil desmantelar os privilégios adquiridos.  Mas o tempo e a consciência colectiva estão rapidamente a evoluir.

O arrivismo e o interesse próprio estão a trazer à ribalta «novos heróis». A crónica de Henrique Monteiro, no Expresso, sobre os «os indignados ricos ou a prevalência do eu» tem um aspecto pícaro, mas ao mesmo tempo desolador. O ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, volta à ribalta agora para liderar o movimento dos «reformados indignados». O que o faz reagir? A solidariedade para com os reformados com pensões de 300 euros, por exemplo, que vão receber ainda menos, como se fosse fácil ou sequer possível sobreviver com o mínimo de dignidade e de conforto a que teria direito a velhice, com 300 euros, para renda da casa, comida e medicamentos?  Ou o interesse próprio, já que ele é um dos privilegiados que muito tem a perder com os cortes das pensões?!

O interesse próprio por vezes casa-se com o interesse colectivo e talvez o Dr. Pinhal esteja com este impasse a aprender a solidariedade, o que é porventura possível e seria louvável. Mas quando a sua reforma foi substancialmente cortada, será que se apresenta a defender o interesse alheio, ou está simplesmente a usar a bandeira dos desprotegidos para a usar em benefício próprio?

Segundo o Correio da Manhã, o ex-banqueiro recebe de reforma 649 mil euros anuais que dá a «módica» quantia de 46 mil euros por mês. Não registei quanto é que ele ia efectivamente perder. Tenho pena. Lembro-me que era muito, mas que continuava a ser muito aquilo que continuaria a receber.

De qualquer das formas, há um imenso abismo entre o interesse próprio e o drama dos que defende para afinal se defender!


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ARAUTOS DE UM NOVO TEMPO


Que um milionário resolva distribuir uma parte substancial da sua fortuna pelos mais desfavorecidos, isso poderá ser considerado uma excentricidade. Agora, que 50 milionários se aliem para aplicar metade da sua fortuna em projectos de ajuda humanitária, isso já não tem o cariz de uma mera excentricidade, mas algo muito maior. Diria que chegam do futuro, lançando os primeiros raios da alvorada de um Novo Tempo.

Fotografia da Internet
A ideia surgiu em 1989, num jantar de milionários, altura em que Bill Gates decidiu doar metade da sua fortuna para obras filantrópicas. Desde então, como é do conhecimento público, desenvolveu uma acção notável, tornando-se efectivamente num dos arautos do Novo Tempo.

Segundo os dados que consegui recolher, a ideia surgiu num jantar, em Maio de 2009, em que participaram os milionários Bill Gates (53 bilhões de dólares), então o homem mais rico do mundo e Warren Bufet (47 bilhões), o segundo mais rico.

Lançaram-se à concretização do projecto. Passado um ano, Bill e Warren tinham conquistado mais 40 milionários para a causa, decidindo cada um deles aplicar metade das suas fortunas na ajuda de populações carenciadas. Em Agosto de 2010, anunciaram ao mundo a sua decisão.

Há quem diga que muitos destes milionários se dispuseram a ceder metade das fortunas por terem começado a ser mal vistos, mas outros simplesmente porque «chegada a uma determinada quantia, o dinheiro já não se consegue gastar».

O grupo que, com a sua acção quer, ao fim e ao cabo, tornar o mundo melhor, não decidiu então a forma como o dinheiro seria gasto. Na altura ficou apenas assente que cada membro do clube financiaria projectos de saúde, educação e arte.

Bloomberg, um dos milionários filantropos, declarou que para ele «nunca houve muito sentido ajudar o mundo a melhorar e não estar presente para ver a mudança». Os filhos, diz, nunca ficarão desamparados e, talvez cansado da montanha de dinheiro sem aplicação, reconheceu que «chega a uma determinada quantia que já não se pode gastar».

 Entretanto, o movimento dos milionários continua a crescer. Já no decorrer do ano em curso, aumentou o número dos milionários que aceitaram doar metade das suas fortunas. Mais doze, para já. E sempre com o objectivo de financiar iniciativas filantrópicas.

Entretanto, o movimento continua a crescer. Warren Buffett e Bill e Melinda Gates lançaram agora uma petição a convidar milionários a dar metade do seu valor patrimonial. O documento já foi assinado por mais de cem famílias.

Um dos signatários, o magnata dos media Vladimir Patanin, afirmou
em comunicado que não pretende ser lembrado como filantropo. E acrescentou:

«Acredito genuinamente que a riqueza deve ser usada como um bem público. Vejo-o também como uma forma de proteger os meus filhos do fardo da riqueza extrema, que os poderia privar de ter motivação para conquistar, por eles mesmos, algo na vida!»

Se não há aqui sinais de que o mundo e as pessoas estão a mudar, onde haverá?


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É INDISPENSÁVEL SONHAR



O Novo Mundo tem que ser sonhado por cada um de nós. Sonhado, imaginado, construído em primeiro lugar no nosso coração. Só assim o poderemos plasmar no concreto, torná-lo realidade. Tudo é sonho, todo o nosso Mundo é uma criação onírica plasmada na matéria. Cabe-nos a nós transmutá-la. Recriá-la com o nosso sonho e irradiá-la para o mundo que chamamos real.

 Um dia comprei um cristal numa loja de indianos para os lados do Martim Moniz. Apaixonei-me por ele. Ele era feio, sem brilho, mas eu via nele um esplendor inexplicável por debaixo do pó ou do quer que o ofuscava.

Primeiro lavei-o, energizei-o e coloquei-o num local que me permitia pousar nele o olhar frequentemente. Um dia percebi que tinha de o colocar na vertical. Foi a partir daí que se formou ou eu passei a ver nele aquela a quem chamei a Virgem dos Cristais. Uma mulher sentada, cheia de luz, com o braço esquerdo estendido, tendo na mão uma flor.

Haverá alguém que veja essa imagem que criei porventura imaginariamente ou se recriou para mim nesse cristal? Não importa. Faz parte do quotidiano dos meus sonhos. A sua presença torna mais mágico o meu viver.

Partilho convosco hoje esse cristal, talvez para dar um pouco de alegria e esperança aos portugueses. Partilho a minha Virgem dos Cristais, nascida do meu sonho, e que talvez só eu possa ver, para transmitir uma energia de mudança a este Povo e este País.

O que quero transmitir como mensagem? Esta exortação «Na verdade aparente recriem o Vosso Sonho e tornem-no realidade!»



sábado, 23 de fevereiro de 2013

Três Histórias de Vida




A BAILARINA DE CABELOS AO VENTO


Não sei os nomes. Desconheço quem foram e em que época viveram. Sei só que vieram até mim ou, mais concretamente, até à expressão do fluxo criador que, a certa altura, me toma, mas assim como surgiram despareceram, parece que para sempre. Não lhes sei os nomes, mas sei que existiram num passado longínquo. Elas são as únicas três personagens que, num único quadro, me deram uma panorâmica da sua vida. Por isso as associo nesta mensagem de hoje, como as personagens que de uma só vez me resumiram as suas vidas.

A primeira a surgir, andava eu ainda pelos lápis de cera de óleo, foi uma bailarina. Isso eu sei que foi. Ou isso eu sei que fui, embora nesta vida nunca tenha aprendido verdadeiramente a dançar. Também sei que essa que surge no desenho dançava nua com uma serpente nos ombros, que se esconde agora no azul do fundo do quadro. Creio que era uma dança ritual. Ainda nesse azul do fundo do quadro vi, nesse primeiro tempo, a multidão de homens que assistiram a essa dança, a esse voo do corpo, que hoje me parece irreal. Lembro-me que até aos dez anos dancei frente ao espelho do guarda-fatos, às escondidas de todos. Depois dessa data não voltei a repetir essa dança. Mas sim, voltei a dançar, muito mais tarde, de olhos fechados, sozinha, quando a energia começou a dançar em mim, sabendo que essa dança facilitava o percurso da energia… Ou estaria a inventar? Como é misteriosa a vida e como somos todos levados a ignorá-la e a só viver a face exterior!

É uma obra muito imperfeita a desta bailarina, mas a mim isso não importa, mas o significado, a força que me levou a desenhar, ainda que o não soubesse fazer, a desenhar vida que continua a pairar na fluidez do tempo e, quem sabe se não voltará ainda de novo a visitar-me?! E, afinal, que é a vida se não esta dança que dançamos diariamente? Que dançamos com e sem ritmo, mas que com ela traçamos um percurso singular, que é o nosso, que foi o nosso em qualquer curvatura do tempo. Estivemos lá e estamos cá, esse é o grande mistério. Mistério que, ao tomar consciência disso, o ser anseia aprofundar, ainda que cada lampejo de vida acabe por ser só um flash, que continua gravado na espiral do Tempo.

Pronto, é muito pouco o que guardo em mim desta bailarina, tão mal desenhada e pintada, mas que, mesmo assim, exprime toda a sua vida, desde criança à velhice, rodopiando nesse volteio que acaba afinal por ser o de todas as Vidas.


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UMA LONGA E SERENA VIDA?


A segunda personagem, de que dou um leque mais vasto da sua longa vida, acaba por me ser tão desconhecida quanto a primeira e ainda menos próxima. Que sei dela? Que foi obviamente amada e isso é muito importante para todos os seres humanos, mas muito especialmente para as mulheres. Tem a seu lado um homem forte, talvez um guerreiro e, numa outra imagem, um homem ligado ao Poder.

O que me faz dizer que ela teve uma boa vida, serena e profunda, é o ar doce do seu sorriso e dos seus olhos, quando já é uma mulher de meia idade. Olhando este quadro eu diria que foi uma vida conseguida, uma vida cheia de anos e de luz.

Claro que tudo isto não passa de especulações, mas cada um/a de vós pode reiventar a vida desta mulher, em outra época e outra forma de viver. Por mim, continuo a achar que soube aproveitar das lições da vida e crescer interiormente com o que me foi dado viver. E que é aliás, o que é pedido a cada um  de nós


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PORVENTURA UMA GRANDE SENHORA, MAS…


A terceira e última mulher de que pintei num mesmo quadro os aspectos mais importantes da sua vida não me parece ter sido verdadeiramente feliz. E sim, considero a felicidade um elemento importante para definir a vida de uma pessoa. Porque a felicidade de cada um é uma condição interior, muito mais do que o resultado do que rodeia a pessoa, da forma e do ambiente onde vive, de quem a ama e de quem ela ama. A felicidade é um estado interior, uma harmonia a que se chega para lá do que se é e de quem nos rodeia, para lá da situação em que vivemos e da própria situação do País. A felicidade é algo que verdadeiramente só se atinge no silêncio do coração.
 Um dia, uma pessoa com quem tinha uma relação não diria de amizade profunda, mas de camaradagem, confessou-me sentir-se culpado por, num mundo cheio de sofrimento, se sentir feliz.
A minha reacção de então seria igual à de hoje. Não, ela não devia preocupar-se por, num mundo em sofrimento, se sentir feliz. Pelo contrário, o Planeta Terra precisa da felicidade das pessoas para poder evoluir harmoniosamente. A dádiva maior que podemos, aliás, oferecer-lhe é a da nossa felicidade, versus nosso amor. É essa felicidade que voltará a desvelar o Paraíso que é o nosso Planeta. 
É nosso privilégio o de sermos felizes e de poder descobrir felicidade até nas situações mais difíceis. Aliás, as dificuldades são sempre a condição para podermos dar mais um passo em frente! Para podermos descobrir a nossa verdadeira dimensão. E isso só pode ser feito passo a passo ou correríamos o risco de sermos inundados de luz e então talvez já não conseguíssemos manter-nos aqui, talvez quiséssemos simplesmente voltar à origem…

Todos nós somos e irradiámos energia. Ora, é essa energia que influi na dinâmica do Planeta e das sociedades. O que temos à nossa volta foi aquilo que nós criamos. Os Passos e os Gaspar são nossas criações. Símbolos da nossa menoridade. Só existem e têm os lugares que ocupam porque os criamos com os nossos erros e a nossa incapacidade de previsão. Porque fomos marionetas dos interesses que nos manipularam e nós deixamo-nos manipular, sem parar para reflectir nos riscos que corríamos. Eles são a imagem da nossa irreflexão e porque criámos condições para que surgissem. São a manifestação da parte irresponsável e imatura da maior parte de nós. Seres que dançam ao ritmo dos interesses dos mercados e do grande capital, seres em quem fazem despertar necessidades e através delas os manipulam e escravizam. É só um jogo, mas é preciso reconhecê-lo e saber evitá-lo. Sem eficácia, ele acaba automaticamente por se destruir…

As crianças têm de respirar alegria para crescerem harmoniosamente e se tornarem boas pessoas. Crianças infelizes fazem homens e mulheres revoltados que, por sua vez, farão sociedades e países conflituosos e dominadores.  Em resumo: é nossa obrigação transformar situações problemáticas em alavanca para a construção de uma sociedade melhor.

Não, e para terminar, não creio que esta senhora tenha sido feliz. Em jovem olhava à sua volta com um olhar de superioridade e talvez de desdém. Talvez por isso lhe tenha pintado os olhos desnivelados. E, ao lado, já mais idosa, o seu olhar está cheio de nostalgia e, ao mesmo tempo, com uma expressão de defesa. Aliás, cada um de nós torna-se naquilo que viveu…


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MILIONÁRIOS DÃO METADE DAS SUAS FORTUNAS


Depois de Bill Gates, mais 50 milionários americanos passaram a disponibilizar metade das suas fortunas para ajudar outros seres humanos.

Reparem, a sociedade está a mudar. O SER HUMANO está a aprender. Uma nova forma de viver está em gestação.

 O Paraíso vai voltar a estar ao alcance dos Homens.  A felicidade também.

 Voltaremos a este assunto na próxima semana.


  

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O Mundo de Orwell



Terça-feira

A MODA DA REFUNDAÇÃO











Falei aqui, pela primeira vez, na Refundação de Portugal, a 7 de Abril do ano passado. Entretanto, a palavra, que não consta dos meus velhos dicionários, embora seja usada no Brasil, tornou-se popular na actual linguagem do Poder. Claro que o objectivo que a lançou no circuito político não tem nada a ver com a intenção que ma fez utilizar. 

Segundo o que então escrevi, a refundação de Portugal assenta em três personagens: a Rainha Santa Isabel, o conde D. Henrique e a Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I. E sublinhei então que se tratava de «uma trindade composta por uma santa, um guerreiro e uma mulher culta que, ao reino de Portugal, sacrificara o seu amor».

Mostrei depois a imagem de D. Teresa como a portadora do Graal. Fi-lo porque senti que chegara o tempo de revelar algo que tinha desenhado e pintado, vendo as imagens na tela e no papel.

Impôs-se-me depois outra personagem, a figura de Santa Clara, que foi acolhida e venerada pelos portugueses, desde os primeiros anos da sua canonização. Santa Clara impôs-se ao meu imaginário a partir do dia em que me atrevi a olhar o sol de frente, tendo visto, ao meio dia, sair do sol fios de luz até às minhas mãos, como se eu pudesse segurar e espalhar aquela luz à minha volta.







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OS PORTAIS DO TEMPO


Escrevi e publiquei, há 12 anos, o livro «Os Portais do Tempo», que relata a história do mundo tal como a vivenciei nos meus desenhos. Arrependi-me mal o publiquei, porque não tinha então estrutura para aguentar o que os leitores pudessem pensar e dizer. É certo que vivia uma experiência singular, mas queria exteriormente aparentar uma vivência conforme os parâmetros normais do meu meio e da minha profissão.

Foram precisos mais de 12 anos para eu ganhar a coragem de assumir o meu percurso interior.  Ajudou-me ter envelhecido, ter deixado o jornalismo e ter, finalmente, integrado e assumido o privilégio das minhas experiências. Hoje sei que a mensagem chegará a quem se destina. E que a corrente de Luz que está a correr o Mundo e de que sou somente uma ínfima chama, vai ser tão poderosa que só não a verá quem escolher não a ver. E esse é o seu direito, também sagrado. Quando a humanidade estiver pronta, inevitavelmente acabará por ver o que estará à vista de todos. O Espírito vai bater à sua porta, porque o tempo de hoje é diferente e é exigida, a cada um de nós, a abertura do coração.

 O nome do Deus a que prestamos culto é muito menos importante do que a pureza que tivermos no coração.  De resto, há um só Deus, que não precisa de nome e reúne em si toda a Criação. E todos somos Ele. Ou Ele é todos nós.


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OS PORTUGUESES NOS NOVOS TEMPOS


Como é que eu vejo a articulação das personagens que, ao trabalhar os arquétipos, vão permitir aos portugueses colaborar na renovação do Mundo?

O Conde D. Henrique e, naturalmente, o filho, D. Afonso Henriques  portam a espada, são os guardiães da acção e da renovação do Território. Eles dão firmeza e segurança ao futuro.

Tareja, por tantos séculos guardiã do Graal, continuará a ser a mãe, a que vela por nós, espalhando equitativamente os dons da abundância pelo Mundo. Uma abundância adequada à fome de cada um. E para isso é preciso ainda desvelar qual é a verdadeira fome dos Portugueses. Fome do Ser ou do Ter?

Santa Clara, com o ostensório, transporta o pão do Espirito e é, de certa forma, uma outra portadora do Graal.  

A Rainha Santa Isabel continua a trazer no seu regaço os pães que são rosas ou as rosas que são pão. Dito de outra forma, o alimento do novo tempo.

Por fim, a Infanta D. Maria cantará o amor e espalhará o dom da Cultura, assumindo finalmente o seu amor pelo Poeta e pela Poesia, que é o verdadeiro fermento da Alma Portuguesa.


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Quinta-feira

O RIDÍCULO TAMBÉM DEVIA PAGAR IMPOSTO

O inimaginável aconteceu! Esta fatia de terra plantada à beira mar, acho que é assim que se diz, vai ter o Estado policial mais abrangente do mundo. À porta de cada café, porventura postado desde manhã até à noite, vai haver um fiscal dos impostos para saber se pedimos a factura pela saborosa bica, que tanto apreciamos e que nos dá o abanão necessário a sermos eficazmente produtivos. Se não a tivermos pedido, pimba, lá vamos ter de pagar a imaginada multa pelo mais piroso Governo que jamais teve este País.

Só por piroseira se pode imaginar a mente brilhante do nosso primeiro ministro ou do ministro das Finanças a conceber esse definitivo contributo para o equilíbrio das nossas contas públicas: o recibinho de cada cafezinho que emborcarmos durante o dia.

 Fenomenal! O Universo de Orwell, relatado no livro «1984», parece ter passado da imaginação para a realidade. Vamos ter diariamente um fiscal dos impostos a controlar todas as nossas despesas. Haja Deus! Ou melhor, haja a mente brilhante de Vítor Gaspar, só ele podia ter imaginado tal coisa. Imagino o Primeiro Ministro a dizer: «Bestial, Vítor, acabaste de descobrir a pólvora! Estes portugueses encharcam-se de café. Em menos de nada vamos cobrir o déficit. Só tu, só tu salvador da pátria, se lembraria de tal coisa!»

 Ou vice-versa. Talvez tenha sido o primeiro ministro a ter essa ideia. O meu instinto, porém, diz-me que foi Gaspar, ele é que é miudinho. Só a lentidão das suas inegáveis qualidades permitiriam este arrincanço.

E, já agora, tenho muita pena, mas só vou contribuir para saldar o déficit com o corte substancial da minha pensão de reforma, que paguei antecipadamente por mais de 40 anos. É que, depois de ter bebido três a quatro cafés por dia durante anos, deixei o «vício» quando me reformei. Mas, apesar disso, vou estar muito atenta às portas dos cafés. Acho que vou assistir a cenas edificantes.

Se o ridículo pagasse imposto, estavamos safos, a dívida pagava-se num ápice!


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  Sexta-feira        


FISCAIS DAS FINANÇAS MAIS RADICAIS QUE O MINISTRO?

Afinal, «os diversos processos de contra-ordenação» que o fisco instaurou a consumidores que beberam café e não pediram factura, resultou «de acções de fiscalização experimentais e não de uma iniciativa concertada a nível nacional», segundo declaração do Ministério das Finanças ao jornal Público.

Pode ser que tenha sido assim, ou não, mas o Governo ficará para sempre ligado ao ridículo de pôr fiscais atrás dos viciados em café. Se tivesse resultado, os próximos visados seriam provavelmente os mendigos, que afinal também não declaram rendimentos nem pagam impostos, ou não é?

Entretanto, o sindicato dos Trabalhadores dos Impostos veio dizer que as multas foram fruto de acções experimentais, etc., como se isso pudesse caucionar o ridículo. As multas que foram entretanto  passadas vão ser cobradas ou não? E, já agora, não será altura do ridículo também pagar imposto?

Sobra uma questão: então os fiscais das finanças, por livre arbítrio, foram para os cafés multar quem saísse sem recibos nos conformes? Não acham que é pouco credível?
Informação:

A factura de um café, que custa 60 cêntimos, ou de um almoço, por exemplo, de seis euros, afinal não tem de ter o nome nem o número de contribuinte. Valha-nos isso. É que os portugueses já estavam a pensar que tinham sido escolhidos para testar a realidade de Orwell.

Isto, porém, são meras manifestações de um quotidiano que está a degradar-se a um ritmo muito acelerado. Na verdade, não somos os gregos, como se repete frequentemente. Não somos. Mas, por favor, não continuem a testar as semelhanças! É que, apesar dos brandos costumes, mostra a História que, por vezes, também nos zangamos… E não gostaria nada de ver os Portugueses zangados! Mesmo nada!