CONHECIMENTO
Será que cada um de nós traz um conhecimento, gravado no
seu cérebro e nas suas células, à espera de ser descoberto?
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A CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO
O que vou dizer não é novo, mas um estranho silêncio se abateu
e parece ter apagado ideias de há cerca de vinte anos atrás. Começou a falar-se
então de que, num futuro próximo, o trabalho versus emprego iria escassear.
Lembro-me de ter feito uma entrevista a uma das personalidades que participaram
numa Conferência Internacional, creio que denominada Conferência de Lisboa, em
que se apresentaram soluções organizacionais das sociedades para um futuro
próximo.
A propósito dessa conferência fiz uma entrevista ao Dr.
João Caraça, então director do Serviço de Ciência da Fundação Calouste
Gulbenkian. Entrevista que recordo como uma nova visão das sociedades a existir
num futuro próximo e do novo tipo de relação do ser humano com o trabalho. Segundo a previsão dos especialistas, que se
reuniram em Lisboa, a humanidade em breve iria passar a trabalhar menos horas e
menos dias por semana, porque a maior parte do trabalho seria realizado por
máquinas. As pessoas seriam especialmente subsidiadas para protegerem a sua
saúde, ocuparem os tempos livres e aprofundarem os seus conhecimentos, ao longo
da vida. Seria, finalmente, uma vida realmente humana.
A perspectiva poderá parecer idílica, mas os congressistas
que vieram a Lisboa debater estas ideias eram cientistas de renome, que assumiam
a tarefa de preparar as sociedades para as mudanças que se avizinhavam.
Vinte anos depois, que balanço podemos fazer? Uma parte
da mensagem dos congressistas concretizou-se. Não há trabalho para todos, na Europa
como nos Estados Unidos, porventura em outros lugares do mundo. É um dado
adquirido, que devia ser oferecido à humanidade como uma benesse. Mas não é. E
não é, porque o grande capital, o conjunto dos que continuam a garantir o
mecanismo da produção, escolhem continuar a encher o seu pote de oiro, enquanto
condenam ao desemprego, que é o mesmo que dizer à fome e à miséria, uma parte
substancial da humanidade! Aonde é que isto nos levará? Os levará? Que pode
sair daqui? Francamente, francamente, não há nada mais explosivo do que uma
população sem rendimento nem trabalho. A fome, salvo raras excepções, não é boa
conselheira, como todos sabem. É o barril de pólvora mais explosivo que se
possa imaginar.
Este é o panorama. Chegamos ao ponto em que os cofres fortes
dos paraísos fiscais vão ser abertos, em que a verdade das fortunas acumuladas
vão ser reveladas, tudo isto agora, numa altura em que o tempo se cumpriu e uma
nova realidade se está a instalar, vinda de uma força superior, que ninguém
pode suster.
O Tempo
Cumpriu-se. A Idade do Oiro começou. Não importa que se acredite nisto ou não.
Importa que a Vida flua e espalhe as modificações que têm de se instalar. E não
haverá choro nem ranger de dentes. Porque, simplesmente, o Ser Humano evoluiu.
Está a evoluir. E vai ser tudo isto AGORA.
PS: A propósito,
leiam no Expresso desta semana: «Investigação internacional às offshores revela
ligações a Portugal»… Ou uma das formas de permitir que o que tem estado
escondido passe a ser revelado.
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PODEREMOS
NÓS VIVER SEM DINHEIRO?
Estamos tão
habituados a usar o dinheiro como moeda de troca, que poderá ser considerada
irrealista a possibilidade de as sociedades humanas poderem algum dia sobreviver
sem dinheiro. E, todavia, ainda não há muitos séculos, as sociedades mantinham
sistemas de trocas que lhes permitiam sobreviver sem ter obrigatoriamente de
usar o dinheiro nas suas trocas diárias. As sociedades rurais podiam facilmente
trocar meio quilo de cenouras por um quilo de batatas ou uma galinha por um
coelho…
Claro que, na nossa actual sofisticação, este sistema de
trocas parece à partida um absoluto atraso de vida. Quem o quererá adoptar? No
entanto, essa experiência está a ser levada a cabo, em várias partes do mundo,
por gente com formação e nível intelectual elevado, que começa a abrir brechas
no actual sistema de vida e de trocas. Gente que podendo leccionar em
Universidades, recusa e aceita somente
fazê-lo em determinada disciplina, que porventura lhes permitirá receber o
mínimo que precisam para sobreviver. E esta escolha permite-lhes usar todo o
seu restante tempo em pesquisas que realmente os apaixonam, segundo o ritmo e a
orientação que se lhes adequa e acham melhor. Ainda há dias tomei conhecimento
de um caso desses pela Internet. Eventualmente, muitos outros estarão a fazer
escolhas semelhantes, sem o publicitarem.
Quer dizer; é possível viver de maneira diferente!
Rodeados por solicitações por todos os lados, poderemos começar a viver com
mais frugalidade, Porquê? Porque há que fazer uma mudança de paradigma, sem
ficar à espera da mudança que começa a desenhar-se no horizonte, como forma de
pressão.
Reparem: a experiência que o grande capital ensaiou no
sistema bancário em Chipre foi uma amostra do que poderá estar a preparar-se
para ser aplicado em grande escala. E
não faço aqui considerações de valor. Não importa como o sistema vai mudar.
Importa que mude segundo o interesse da maioria e não para beneficiar os grupos
que se aproveitaram do conhecimento dos mercados para os manipular a seu favor.
E a forma mais correcta e criativa que pode encontrar-se é deixar claro que os
jogos do Poder e do dinheiro não passam de jogos de faz de conta, que só valem
na medida em que a sociedade os validar. A partir do momento em que uma maioria
diga «não queremos ir por aí», que é o mesmo que dizer «só têm poder na medida
em que nós o confiramos», a partir daí há condições para que o equilíbrio ganhe
outra expressão e outra força.
O ser humano é uma eterna criança, sempre à espera do brinquedo
novo com que se possa entreter. Pode ser
um iPad ou um avião supersónico, ambos expressões de uma lógica que pretende afastar
o ser humano de si mesmo e da imensidão que guarda em si. Podemos distraí-lo a
partir do exterior, ou revelá-lo a si próprio a partir do seu coração. O
coração que bate no meio do peito e pode brilhar numa chama de grande
esplendor.
Acho que não consegui dizer o que pretendia dizer.
Talvez ainda não esteja pronta. Ficará para uma próxima vez.
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O
TRABALHO COMO CASTIGO OU O TRABALHO CRIADOR?
O Catolicismo ensinou-nos desde crianças que Adão e Eva
foram expulsos do Paraíso e condenados a ganhar o pão com o suor do seu rosto.
Desde crianças que fomos levados a considerar o trabalho
como um castigo. Será? Ou foram os homens que lhe deram essa conotação e
criaram as condições para que ele não fosse uma actividade lúdica, mas um fardo
pesado?
Não. O trabalho não é um castigo, mas as condições em que
é executado é que podem ser consideradas como tal. E isso não resulta da maldição
divina, mas da ganância do ser humano, que dá más condições de trabalho aos
seus ajudantes, em benefício próprio, para ter mais lucros. Podendo sempre
utilizar o álibi da Bíblia.
O trabalho, todo o trabalho pode ser uma manifestação da
criatividade humana. A maior parte é uma estopada, em resultado da configuração
social, para acentuar a diferença entre o senhor e o que trabalha, o escravo,
numa conotação pejorativa. Há trabalho que é uma pura perda de tempo, que só
serve para tornar as pessoas mais obtusas e revoltadas. E depois, há o Trabalho
que permite as pessoas crescerem dentro de si, aprofundarem o conhecimento que
trazem gravado no seu cérebro e nas suas células, à espera de ser descoberto.
Esse trabalho é uma epifania. É esse o trabalho criador, seja qual for a
expressão que tenha, é esse que liberta o Divino no Homem, permitindo-lhe
finalmente reconhecer-se.
E esse o trabalho que espera o ser humano no Novo Tempo.
Esse que nos permitirá a todos sermos o que somos: Criadores.





