O PLANETA TERRA ESTÁ EM TRABALHO DE PARTO
| Vesica Piscis: uma imagem sagrada |
O Planeta
Terra entrou, há já alguns anos, em trabalho de parto. De Parto do Futuro. Esta
realidade tonou-se presente em mim, com toda a força da evidência, na altura em
que pintei um quadro prenunciador, em 1991. Há 21 anos. Esse quadro foi, de
certa forma, o corolário de uma revelação.
Eu era
ingénua. Ainda o sou e acho que vou conservar essa característica até ao meu
último suspiro. Só a minha ingenuidade, aliás, me dá forças para revelar tudo
isto. Também sou destemida, o que leva a um efeito arrasador.
A propósito,
ou despropósito, não sei bem, ocorreu-me um episódio que se passou comigo, em
1975, depois da revolução dos cravos. Eu trabalhava no jornal «República» e,
nesse dia, as instalações do jornal foram ocupadas pelos tipógrafos, que não
consideravam nem a direcção nem os jornalistas suficientemente à esquerda… De
uma assentada pretendiam afastar-nos a todos.
Durante uma
noite estive, com os outros jornalistas e direcção do jornal, sequestrada na
sala da Redacção. Ficámos lá a noite inteira, com milhares de pessoas, na rua,
a apoiar-nos. Eu chorei, só que as pessoas não souberam porque chorava. Chorei
porque soube então, desta maneira fulgurante com que de repente sei coisas, que
não voltaria a entrar naquela Redacção. E não voltei. Nenhum de nós voltou.
Nos dias
seguintes, houve manifestações à porta do jornal. Nunca mais esquecerei a
reacção inimaginável que tive num desses dias. Eu estava à porta da tipografia
e havia um grupo de pessoas a fazer barreira junto à porta, para que ninguém
entrasse. Gente que não fazia parte do grupo de trabalhadores do jornal.
Talvez eu me
tivesse aproximado demais, talvez tivessem receio de que eu forçasse a entrada,
embora não fosse essa a minha intenção. Nessa altura, um rapaz, talvez de 18 ou
20 anos, avançou para mim, de matraca enfiada nos dedos da mão. Não fui eu que
reagi, foi o meu corpo. E disse-lhe, apresentando-lhe o meu rosto: «Bate, só se
morre uma vez!»
Não chegou a
bater. Alguém o puxou para trás e ele desapareceu na multidão. Não me lembro do
seu rosto, só dessa frase, dita por mim, e que ainda hoje me surpreende.
Afinal,
morre-se e nasce-se milhares de vezes. Eu não o sabia então. Ainda o não sabia.
Estava a preparar-me no jogo da vida para ter condições de o saber. O que,
aliás, só aconteceria em 1986, gradativamente, até que me fosse dado um novo
olhar. Mas já então não tinha medo de morrer.
Quando pintei o «Parto do Futuro», não sabia o
que estava a pintar, como aliás sempre acontece, quando pinto ou desenho. Sabia
o óbvio: que estava a pintar um parto mental, que se realizava dentro da Vesica
Piscis, uma figura geométrica sagrada. Que eu ligava então exclusivamente ao
peixe, com que os primeiros cristãos se identificavam. O gigante que, do lado
direito do quadro, guarda algo dentro de uma barca, desde o início que considerei
que ele estava a proteger a semente do futuro, ainda frágil. Isso sabia.
Só hoje,
acreditem ou não, a fim de me sentir mais à vontade para escrever sobre este
quadro, fiz uma investigação na Internet sobre a Vesica Piscis. E descobri que
é não só o que eu já sabia, mas muito mais. Eis o que trago como informação:
«A Vesica Piscis simboliza a união de Deus e da Deusa para
criar uma prole. É um símbolo de reconhecimento usado pelos primeiros cristãos.
Foi utilizada como auréola, em escultura, na Idade Média. Representa a vagina
da deusa. É o motivo básico da Flor da Vida e uma sobreposição da Árvore da
Vida. É ainda uma descrição geométrica da raiz quadrada e proporções
harmónicas. Finalmente, é uma fonte de imenso poder e energia.»
Não estou
assustada, porque já pouca coisa me assusta, mas sinto-me muito pequena face a tudo
isto. E, de certa forma, irresponsável porque, há alguns anos, ofereci este
quadro e hoje descubro que era um quadro de que não me devia ter separado.
O pintor
Lima de Freitas trouxe um dia a minha casa o físico teórico Besarab Nicolescu,
para que eu o entrevistasse sobre a transdisciplinaridade, que Besarab
pretendia divulgar no nosso País. No final da entrevista, Lima de Freitas deu
uma volta à sala e parou bastante tempo frente ao quadro que agora vos mostro.
Achei estranho e perguntei-lhe porquê. E ele respondeu-me: «Fiz um quadro
semelhante nas últimas semanas…» Não cheguei a ver esse quadro, mas ele era
pintor. Deve existir e ser muito melhor do que o meu.
Finalmente,
observem a pintura. Reparem que se trata de um parto, um parto mental, que se
processa na cabeça da deusa. E isso passa-se tendo, a encimar a Vesica Piscis,
o rosto de D. Teresa, a mãe do primeiro rei de Portugal. D. Teresa, reparem, tem,
sobre a sua cabeça, uma Pomba, símbolo do Espírito Santo…
São muitas
pistas para seguir. E narro tudo isto enquanto Portugal sofre um dos períodos
mais negros da sua história. Ouvem-se e
lêem-se as notícias sobre o Governo e não se sabe se há alguém em quem se possa
confiar…
Será que
Portugal tem de passar por tudo isto, para que, finalmente, cumpra a sua
missão? Para onde o querem arrastar? Estamos a descer muito baixo. A
promiscuidade das secretas com um ramo da maçonaria e os grandes negócios
fazem-me desejar que esta gente seja rapidamente corrida.
Rapidamente,
rapidamente, rapidamente! E quem mantem o sentido de honra no Governo que se
demita ou se pronuncie. Não vão querer que o seu nome fique ligado a estas
trapalhadas.
E já agora
vou lembrar o dia em que ouvi o então candidato a Primeiro-ministro, Passos Coelho,
na televisão, chamar mentiroso a Sócrates. Disse-o com tal convicção, que admiti
que houvesse alguma verdade na sua afirmação.
Tenho
assistido ao seu comportamento e agora vi-o, junto de crianças, a ensiná-las a
utilizar a voz. E percebi: ele aprendeu a utilizar a voz e a dar veracidade às
suas palavras. É um bom actor, mas está a ficar cansado. E nós dele. Já não
engana ninguém.
_____
A FECUNDAÇÃO
DO PLANETA
Há um quadro
que não posso mostrar. Ofereci-o, ao então director do «Diário de Notícias,
Mário Bettencourt Resendes, como recordação, em vésperas de deixar o jornal. E
não fiquei com nenhuma fotografia.
Gostei de
pintar esse quadro, mas sei que não era facilmente compreensível. «Que
significa?» -- perguntou-me. E eu mostrei-lhe os espermatozóides de fogo a
descer do Céu e a fecundara Terra. Era óbvio, mas não era espectável que eu
pintasse algo de semelhante.
Sim, num
tempo próximo. o Planeta Terra foi fecundado. Primeiro, foram os terramotos em
diversas partes do planeta, numa frequência não habitual. Depois vieram os
grandes furacões. A seguir, foram as grandes tempestades e inundações. Os tsunamis. Por fim, o despertar dos
vulcões em várias partes do mundo. Um a um, os quatro elementos entraram em
convulsão. A fecundação da Terra verificou-se antes ou depois disso? Eu
registei-a antes.
O ciclo das
grandes catástrofes está, porém, a renovar-se. A última revista Science & Vie, já de Junho, tem como
chamada de capa a repetição dos megassismos. E faz esta pergunta bombástica: «A
Terra enlouqueceu?» Eu digo-o de outra forma: a terra entrou em trabalho de
parto. Que preferem? O Planeta vai expandir-se… Talvez sejamos apanhados nessa
convulsão. Alguns ou muitos de nós. A Terra vai dar à luz o futuro, o seu e o
nosso. Será um planeta renovado, que vai
oferecer às novas gerações. Iniciando, desta maneira, a Nova Idade do Ouro, uma
era de criatividade, da descoberta do Um no Todo e o Todo no Um. Mas todas as
mudanças de Ciclo são problemáticas…
Quem quiser
que pense que tudo isto não passa de especulações! Se calhar têm razão. Ao
certo, ao certo, que sei eu? Nada. Só o que os desenhos me dizem e posso estar
a fazer especulações incorrectas. Antes de tomarem posição, ouçam a vossa voz
interior. Todos a têm. Muitos abafam-na na obsessão do trabalho, no álcool ou
na balbúrdia dos cabarets. Ao fazê-lo
estão a ser infiéis a si próprios, que é a verdadeira e total infidelidade, de
que todas as outras decorrem.
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A MÃE DESCEU DE NOVO À TERRA
| A Mãe é una, constituída por um conjunto de seres... |
Hesitei
bastante antes de me decidir a publicar esta pintura, por muito tempo
inacabada. É a descida da Mãe celeste de novo à Terra. Simplesmente, o seu
corpo é formado por diversos corpos. A Mãe desceu ou está a descer com
múltiplos rostos e múltiplas personalidades e porventura em múltiplos lugares
da Terra.
Pode ser que
seja uma invenção minha. Como posso eu ter a certeza do quer que seja?
Simplesmente, o desenho ou a pintura surge. Houve até tempo, muito tempo, que
me recusei a pintar. E há muito tempo que deixei de querer projectar imagens no
papel. Se estou desprevenida, projecto ainda imagens na parede, mas isso afasta
a tentação de passar o lápis por cima. Afasta a tentação de fixar no tempo o
que é intemporal. Só o voltarei a fazer se sentir que voltou a ser importante.
Se sentir que, mais do que o passado, é o futuro que vou desenhar. É o futuro
que vou descodificar. E quererei eu saber o futuro? Aliás, acredito que não há
um futuro fixo, mas possibilidades múltiplas de o vivenciar. Que seremos nós
que o iremos criar segundo aquilo que somos e aquilo em que nos formos
tornando.
Vai haver
uma mudança. Isso, eu sei. Vai haver uma mudança na constituição de todos os
seres, que vão ser confrontados com aquilo que são e aquilo que podem vir a
ser. Acredito que, em certo limite, lhes vai ser dada a possibilidade de
escolha no que vão fazer de si próprios, no que se vão tornar.
Porque todos
somos deuses, mas nem todos nos preparamos para assumir essa divindade e muitos
de nós continuarão a precisar da matéria densa para fazer as suas experiências.
É essa a força alquímica da dor que, por atalhos, nos guia para o melhor de nós
próprios. Uma coisa parece certa: não mais nos será permitido esquecer de onde
viemos e para onde vamos. E isso é um passo gigante na evolução.
Poderemos
continuar neste jogo de provas contínuas de prazer e dor, mas saberemos sempre
o que nos espera no final da caminhada. E só isso, essa consciência de quem se
é e da meta que será mais tarde ou mais cedo a nossa, só isso modificará
profundamente o humano que somos. O homem deus.
Não
estaremos sós. A nosso lado, para nos apoiar, haverá sempre alguém que se
disponibilizou a dar-nos a mão e a mostrar-nos o caminho. Esses que desceram
com o único objectivo de tornar o nosso caminho mais fácil. E isso é para já.
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A IMAGEM DO AGIOTA
A imagem do
agiota da Idade Média é a que me ocorre quando penso nos juros que são
praticados nos países em dificuldades. Será que o dinheiro emprestado é para
ajudar os países ou para os fazer cair rapidamente, criando condições para um “fartar
vilanagem”, que é o que acontece às pessoas e aos países em situações de
aflição. Ficar à disposição do credor, que leva sempre o melhor.
Qual foi o
juro que os EUA cobraram à Alemanha, para a ajudar a recuperar o atraso na
Alemanha do Leste? Lembram-se? Pensem nisso e na diferença de tratamento da
Alemanha em relação aos países hoje em dificuldade.
Este é o
tempo em que os países e as pessoas vão ser confrontados consigo próprios. Está
a acontecer com Portugal, mas os países ricos também não escaparão a essa
confrontação. E cada um vai ver-se tal qual é. Até que cada um descubra e
interiorize que somos realmente todos irmãos. E que até a cigarra é necessária
para alegrar os dias cinzentos da formiga.
Não era nada
disto que queria dizer, mas a prosa escreveu-se a si própria, rapidamente,
através das minhas mãos. Eu penso isto? Claro que penso, mas no meu coração
sinto que é preciso que todos, muito rapidamente, dêem as mãos. Até para que a
Mãe Terra não estremeça e crie condições para que, finalmente, os homens
descubram a verdadeira solidariedade. Então numa autêntica situação de
catástrofe e igualdade. Ao que, admito, ninguém quer chegar.
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