quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Uma Rosa Pela Manhã




UMA ROSA VERMELHA AO ACORDAR


                  
Durante dez anos, ao acordar, no tecto do meu quarto, havia sempre uma lindíssima rosa vermelha.

Das primeiras vezes que isso aconteceu, vivi o deslumbramento total. Fiquei a olhar a rosa o tempo em que me foi possível olhar, sem fechar os olhos. Quando não aguentei manter mais tempo o olhar fixo, fechei as pálpebras e, quando as reabri, a rosa já não estava lá. Mas no dia seguinte, ao acordar, a cena repetiu-se e no outro, no outro, durante dez anos recebi todos os dias uma rosa vermelha, sempre a mesma, sempre diferente… Foi sempre assim e sempre desejei que pudesse pestanejar, fechar os olhos e, quando os reabrisse, a rosa continuasse lá.

Lembro-me de que, numa das primeiras vezes, o Ser que colocava a rosa no tecto, e que nunca soube quem era, quis avançar com a mão e o braço para além do tecto, mas algo deve ter falhado e a imagem desapareceu com estalidos muito fortes, como se a energia que fora disponibilizada para o aparecimento daquela forma tivesse rebentado, por qualquer razão. Talvez o ser, anjo ou alma desencarnada, não tivesse experiência daquela situação de contacto entre mundos.

Nunca mais vi a mão nem o braço do ser que me oferecia a rosa mas, anos mais tarde, estava eu na minha casa perto do mar a fazer meditação, na salinha de estar, que dava directamente para o meu quarto, quando abri os olhos vi a umbreira da porta, que estava aberta, engalanada com rosas chá cor-de-rosa. A imagem manteve-se o bastante para que eu a pudesse admirar. Não voltou a repetir-se.

Um dia contei à minha amiga Fátima e ela disse-me que eu devia ter um namorado do outro lado. Rimo-nos ambas, não tomando a observação a sério, mas agora, que penso nisso, veio-me à ideia de que quem me oferecia as rosas deveria ser o meu duplo, mas nessa altura ainda não considerava a hipótese do duplo,
Vai parecer uma enormidade, mas fui eu que pedi para não receber rosas diariamente, tinha-me habituado. A certa altura deixou de haver surpresa. Era certo. De manhã a rosa lá estava no tecto. E eu deixei de sentir o sobressalto. Então pedi que só me dessem a rosa quando eu tivesse feito algo de assinalável, para que pudesse voltar a sentir esse êxtase. Essa alegria no iniciar do dia.

Assim passou a ser. Assim é. Quando faço ou penso, ou descubro algo de novo, ainda que não me tenha dado conta da importância, volto a receber uma rosa vermelha pela manhã. E é muito bom. Aliás, confesso, há já algum tempo que comecei a sentir saudades dessa rosa que me esperava sempre ao acordar… Descubro que era como se fosse uma bênção. Que enormidades cometemos!


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UM BURACO NO TECTO DO MEU QUARTO


A certa altura, comecei a ver, também ao acordar, um buraco redondo no tecto do meu quarto. Perguntei a um amigo o que isso poderia querer dizer, mas ele não respondeu ou não respondeu com clareza. Também já não era preciso. Era como se eu estivesse a escavar esse buraco, para sair por ele.

De tempos a tempos, por vezes meses, lá voltava eu a ver o buraco no tecto, que se ia aprofundando.
Poderia ser para a minha alma subir directamente para o céu, quando eu morresse… Não era relevante.

Passaram anos. Um dia vi que o buraco redondo no tecto do meu quarto estava cheio de luz. Pareceu-me óptimo. Enquanto estava em construção estava do meu lado esquerdo. Agora está do meu lado direito, visto da cama.

Continuo sem saber o que me pretende dizer, mas sei que está tudo bem. Poderei porventura subir por toda aquela luz, quando chegar a hora…


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A ROSA MÍSTICA OU A VIRGEM SOLAR


Sou mais de «saber» do que de «ver». Os desenhos que fiz são projecções, não são visões. Projecto no papel o que devo desenhar. Posso ver a imagem completa, mas a maior parte das vezes vejo linha a linha ou sector a sector. Por exemplo, posso ver um olho ou uma linha, um nariz ou uma cara. Nunca é igual e nunca sei ao certo o que estou a desenhar nem o que o desenho me vai revelar. Isto para falar do quadro em que pintei a Virgem Solar e porquê.

Há já bastante mais de 10 anos, num exame de rotina, o médico descobriu que um dos meus filhos tinha um nódulo num pulmão. Consultou vários especialistas e todos lhe disseram que seria de vigiar, mas que para já não tinha importância.

A minha nora, porém, insistiu que ele fosse operado. Os meus netos eram pequenos e ela não queria correr riscos futuros. Marcaram a operação e eu soube que, naquela data, o acto cirúrgico ia correr mal. Nenhum deles me quis ouvir e eu tive de aceitar a sua decisão.

Então, aconteceu:

O meu filho ia ser operado no dia seguinte. Deitei-me, adormeci, o dia seguinte ia ser difícil e eu tinha de estar com força para o que pudesse acontecer. Então, às duas horas da manhã, fui acordada por um ruído insólito. Alguém serrava madeira! Inimaginável. Levantei-me, com a sensação horrível de que estavam a serrar a urna do meu filho. Nunca senti um pânico semelhante.

Andei corredor sala, sala corredor, a tentar dominar a minha aflição. Sentei-me depois num sofá para pensar e tentar controlar-me. Reconheci que não podia fazer nada. Tinha que aceitar o que pudesse acontecer. Era minha obrigação tentar dormir, para ter forças para enfrentar o dia seguinte.     

Deitei-me disposta a dormir. Mas, antes de adormecer, pedi que me fosse dado um sinal, se tudo fosse correr bem. Fiquei a meditar, ainda deitada de costas, talvez tivesse adormecido, mas despertei de repente, abri os olhos e, no meu quarto, aos pés da minha cama, estava a Virgem Maria no meio de um Sol, a ocupar grande parte do quarto, a olhar para mim. E eu, nesse momento, soube que tudo ia correr bem. Não vou falar do que então pensei ou senti. São momentos demasiado intensos e íntimos, que não comportam palavras.

No dia seguinte, telefonei ao meu filho a dizer-lhe que tudo ia correr bem. E que era provável que a operação fosse adiada.

A meio da tarde, estava eu no jornal, recebo um telefonema do meu filho a dizer que a operação fora adiada…

Anos mais tarde, pintei este quadro em que tentei representar a Virgem Solar, como forma de demonstrar a minha gratidão.

Esta a história do quadro que hoje vos mostro.

Não tenham dúvidas: o Universo é Mágico.

Esta é para mim a imagem da MÃE.

A VIRGEM SOLAR.

 Ámen.

À MÃE!

Obrigada.



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