sábado, 22 de setembro de 2012

A Iluminação



A ILUMINAÇÃO DO SOL, DA TERRA E DA

HUMANIDADE


Em 2006, pintei um quadro a que chamei Iluminação. Quando se fala em iluminação, pensamos na iluminação de um ser humano que conseguiu, na Terra, mergulhar no Divino.

Francamente, não sei como me surgiu a ideia, mas o quadro que pintei vai para além do humano. A iluminação que me inspirava acontecia simultaneamente no Sol, no planeta Terra e no Ser Humano.

De certa forma sentia-me insignificante perante a ideia e não consegui dar a magnitude do acontecimento cósmico que me era desvendado. Tive dificuldade em encontrar o termo adequado. Revelação não era o termo, porque eu não passei a saber de repente que, num futuro próximo, se ia dar uma tripla iluminação. Foi diferente, na diferença que há entre desvelamento e revelação. Revelação é algo de fulminante, aparentemente vindo de fora. Não foi assim. A ideia foi surgindo no quadro, como se estivesse a fazer surgir algo que estava velado, mas que estava lá, sempre esteve lá. Na Terra, no Sol, no ar que respiramos, na Humanidade. Só era preciso desvelar. Não sei dizer melhor. Recentemente vi confirmada esta ideia nas «Autres Dimensions».

Quando me perguntavam o que eu pretendia dizer naquela pintura, metia os pés pelas mãos e mudava de assunto. Como é que uma pessoa igual às outras pode afirmar que se vai dar uma iluminação colectiva? É pura loucura, não é? Agora, já não estou sozinha.

Depois, há outra questão: e se me perguntassem o que irá ser a iluminação do Sol, da Terra e do Ser Humano? Não sei. Talvez seja uma transfiguração, foi a palavra que me ocorreu. Olhando para dentro, seja o que for que vai acontecer, é muito belo e vai ao mais fundo do coração.

Resolvi mostrar esta «iluminação», no dia do Equinócio do Outono. Deve haver uma razão, que eu não sei.


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A LIGAÇÃO DO ORIENTE AO OCIDENTE


Porque hoje é o equinócio sou também compelida a mostrar dois quadros com a mesma personagem central: a Infanta D. Maria, filha do rei D. Manuel I e da sua mulher, a rainha D. Leonor, irmã de Carlos V.
Ambos os quadros foram pintados em 1990, um dos quais numa tarde, num hotel da Praia Grande, frente ao mar. Nunca me tinha acontecido pintar uma história tão complexa em tão pouco tempo.

O mais estranho para mim é que tenha pintado, com intervalo de meses, dois quadros a dizer a mesma coisa. D. Maria surge como a figura central, a força que reúne em si o Oriente e o Ocidente, através de várias personagens históricas.

Reparem que, num dos quadros, o toucado de D. Maria tem uma letra japonesa, que não sei o que significa, mas que estava lá e a que eu somente dei cor. Há ainda uma mensagem, que não descodifico, num retábulo, ao alto, no seu lado esquerdo, depois do casario.

Sinto que coube a esta mulher fazer em si a ligação de vários tempos, num determinado País, que foi Portugal. Não, não sei o sentido, mas ambos os quadros dão a mesma mensagem: um passado de muitas vidas que se reúne à volta da personagem central, como se ela fosse a forma centralizadora. É um reencontro e uma integração, num ser que resguardou a sua intimidade e que aparece a chorar, num dos muitos desenhos e pinturas que dela fiz, «contando-me» o drama da sua vida.


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A DESCIDA DA JERUSALÉM CELESTE?


À última hora resolvi mostrar-vos um óleo com diversas imagens da Rainha Santa Isabel numa situação que de há muito se espera e que talvez, finalmente, esteja para acontecer: a da descida da Jerusalém Celeste. Veja-se a rainha a observar a descida, sorrindo, mas de certa forma espantada com o que vê, com a mão erguida à frente da boca.

O quadro foi pintado em 1990. Lembro-me de o ter mostrado a uma colega que fazia crítica de arte. Para meu espanto, ela olhou e recuou assustada. Na altura, eu não fazia ideia do que a pintura poderia querer dizer. Para mim era estranha, só isso, e talvez a tenha mostrado para ver se suscitava uma interpretação.
A minha colega não soube dizer-me porque reagira daquele modo. Disse-me qualquer coisa, como «faço crítica de arte, porque tenho uma reacção especial em relação à pintura…» E não disse mais.

Eu via a estrutura que descia do céu, mas não sabia interpretar. Só recentemente me perguntei: «será que é a Jerusalém Celeste?» Não é uma afirmação, mas uma interrogação. Sinto-me humilde, muito humilde, perante o mistério. E nunca me atreverei a afirmar: eu sei. Não, posso enganar-me nas interpretações que faço. A minha verdade é que recebi uma mensagem e a passo. Espero que a possam compreender. Se isso acontecer, sentir-me-ei compensada por esta exposição, que é contra a minha natureza.  
E, por hoje, fico por aqui. Bom Equinócio.




terça-feira, 18 de setembro de 2012

Um Dia De Cada Vez




MUDANÇA DE PARADIGMA A NÍVEL PLANETÁRIO?


Os tempos não estão fáceis. Não me parece que haja alguém que saiba realmente o que o futuro próximo nos reserva. E não estou a falar da situação do País, ou da Europa, que pode ser difícil, mas é resolúvel.
Estou a falar da iminência possível do fim dos tempos, segundo uma das leituras do calendário Maia. Ou, o que me parece mais previsível, de uma possível mudança de paradigma a nível planetário.

A idade trouxe-me a reforma e com ela muito tempo livre. Por outro lado, manteve em mim a insaciável curiosidade e interesse pelo que se passa à minha volta. Ainda reajo e me indigno com a política, mas dá-me serenidade saber que a política é um fenómeno sempre em devir e que não há nada estável, nem governos, nem economias.

Vivi o bastante do fenómeno social. Fui casada com um político, tive salários em atraso, fui a manifestações, embora sempre tivesse tido horror a multidões. Devo ter memórias passadas de que uma multidão dinamizada em determinado sentido pode tornar-se num fenómeno incontrolável. Mesmo tendo esse horror físico, e essa memória do passado ou do futuro, não deixei de ir a manifestações quando a minha consciência me dizia que a minha presença era necessária.

Já vivi algo de semelhante ao que se passa hoje e se vai passar. Continuo a indignar-me, mas não estou perturbada. Os políticos passam, o Povo fica. Às vezes, é preciso dar um empurrão para que os políticos passem mais depressa. Estamos a viver um desses momentos. Os países continuam depois de todos os «indispensáveis» terem morrido, envelhecido ou sido afastados. Mas há uma questão maior que ainda não abordei aqui: e se estivermos realmente não no fim da História, mas numa mudança colectiva de paradigma?

Não tenho resposta, claro. Como disponho de muito tempo livre, gasto-o, por vezes, em investigações na Internet. Foi assim que cheguei a um site francês intitulado «Autres Dimensions». Foi uma descoberta de há dois ou três anos, que fui seguindo, nem sempre com regularidade, mas sempre com interesse. Interesse não significa crença absoluta ou confiança cega, mas a minha experiência pessoal confirma muitas das coisas que lá encontrei, sobretudo ao nível da irradiação das energias subtis pelo corpo. Descobri, creio que no ano passado, um blog brasileiro, «Minha Mestria», que publica, em português, os artigos das «Autres Dimensions».

 Vale a pena ir espreitar as «Autres Dimensions». Os ensinamentos são correctos, tanto quanto posso dizer da minha experiência. O fogo do coração, que ensina a estimular, é uma realidade, assim como a abertura da cabeça ao Cosmos, que em mim começou, há mais de 20 anos, então com um fiozinho de energia a sair ou a entrar pelo meio da cabeça. Tudo isso é real, posso confirmá-lo, por experiência.

Não sei nada, porém, sobre o que pode estar para acontecer à Humanidade nos próximos tempos. Não cheguei aí. Ou recuso-me a chegar. Mas sei que escolho ficar na Terra para ajudar a Humanidade que não possa ascender Isto a confirmarem-se as Profecias. Quando digo ficar na Terra, quero simplesmente significar a decisão de voltar a nascer na Terra. E só decidi isto há poucos dias, como se eu pudesse decidir…

«O Povo é sereno!» disse, nos tempos da Revolução, o Almirante Pinheiro de Azevedo, em reacção a um episódio qualquer, acho que de fogo e fumo, durante uma manifestação no Terreiro do Paço. O Povo é sereno e, como a manifestação de sábado provou, vai contestar com serenidade a política deste Governo. Também com serenidade há-de acolher o que está para vir, se algo de radical está para acontecer no Planeta.

 O Povo é sereno e somos todos deuses, filhos de Deus. Com a capacidade de nos adaptarmos e de reagir, como ficou provado. Pode não ser verdade e não estar para acontecer nada à escala planetária, mas não faz mal a ninguém estar informado. E a acontecer, o que antevejo é uma mudança súbita e radical do funcionamento das sociedades. Só não sei que fenómeno ou fenómenos planetários vão levar as pessoas a aderir simultaneamente a um novo relacionamento com o Planeta. Não sei se isso será motivado por uma série de cataclismos ou, e é essa a hipótese para que me inclino, porque vai dar-se, quase simultaneamente, uma mudança de mentalidades, como se as pessoas uma manhã acordassem já num novo paradigma.

Pura fantasia? Será, mas seria bonito. Pois então, vamos cingir-nos só a Portugal. Talvez a mudança tenha começado na Grécia, com toda aquela confusão, e prossiga agora aqui. O Povo já não quer mais do mesmo e o tempo das atitudes ditatoriais já foi. As pessoas têm hoje uma nova consciência de quem são e dos seus direitos. Querer impor restrições às cegas é um disparate. Salazar pôde fazer isso, porque governou um povo maioritariamente analfabeto. Felizmente, não é o que acontece hoje. Essa é a nossa mais-valia, face ao exterior e a possíveis atitudes ditatoriais. Hoje, o colectivo das pessoas sabe que os governantes são meros servidores do Estado e do Povo. SERVIDORES! E têm de ter consciência disso. A sua força vem exclusivamente do apoio que o Povo lhes dá. Quando esse apoio lhes é retirado, a queda é uma questão de tempo. Já não há energia no planeta que possa suportar ditadores.


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A INFÂNCIA DO ESPÍRITO


Soube, aos 21 anos, que tinha uma missão. Eu amava e era amada. Um dia, o meu amado fez-me uma pergunta, que me causou um choque profundo. Ele perguntou-me, num momento de profundo enlevo, quem eu era realmente?

Nesse momento fui transportada a outro local. Eu tinha uma túnica branca até aos pés e estava junto a uma coluna de pedra muito alta. À minha volta havia mulheres ao lado de outras colunas. Numa penumbra viva, ouviu-se uma voz a pedir que alguém se oferecesse para uma determinada tarefa. E eu ofereci-me. Nesse momento houve, à minha volta, um burburinho, como se a tarefa fosse difícil, mas eu não sentia nem o alvoroço nem a dificuldade.

Nessa altura, tive a noção que estava, ao mesmo tempo, em dois locais: nesse templo sem tecto, com outras mulheres de túnica branca como eu, e junto ao meu amado. Dei um grito de espanto por poder estar em dois sítios ao mesmo tempo e voltei a ter consciência de estar só junto ao meu amado. Ou a ter somente consciência disso.

Nos dias seguintes sentia que havia presenças à minha volta e era muito desagradável. Queria vestir-me e despir-me sem me sentir espiada. E declarei alto que não queria gente à minha volta. Acho que devo ter uma vontade forte, porque as vozes e as presenças desapareceram.

Numa outra noite acordei, de madrugada. Na luz da antemanhã vi o busto do meu amado, que dormia a meu lado, suspenso no ar. Fitava-me, fixamente e prolongadamente, como quem me avaliava. Fitei-o também durante muito tempo, sem nenhuma estranheza, até que me cansei. Nessa altura, o busto do meu amado começou a desaparecer, em pontinhos no ar, até que ficaram apenas as primeiras luzes do alvorecer. Virei-me para o outro lado e adormeci.

 Então, tive um sonho. Sonhei que estava num jardim maravilhoso. Um jardim encantado. Tinha um cão a meu lado, grande e muito bonito. Esse cão era o guia que me mostrava e explicava esse jardim. A certa altura, passamos por um castelo, ou uma casa castelo e ele explicou-me do que se tratava, mas não me lembro. A certa altura disse-me: «Daqui a vinte anos…» Continuamos a andar e chegamos a uma igreja. Eu entrei sozinha. No altar-mor havia uma grande cruz, com o Cristo crucificado. E, perante a cruz, eu pensei: é preciso descrucificar Cristo. Acordei e lembrei-me que tempos antes tinha escrito um artigo numa revista do Porto, por altura da Páscoa, com o título: «É preciso descrucificar o Homem.» E pareceu-me a mesma coisa.

Vinte anos depois, como me dissera esse extraordinário cão, e sem ter conhecimento do que isso significava, uma noite, sozinha na cama, descobri a verdadeira natureza do ser humano ao sentir um sopro que fez subir uma poderosa energia pela minha coluna. E eu, sem saber o que significava, disse a mim própria, no fim dessa noite em claro: «Agora falta a cabeça».        

Depois, nas semanas seguintes, a energia inundou a minha cabeça e fiquei ao serviço do Céu e da Terra, esperando que toda a humanidade retomasse a sua ligação ao divino.

Outrora, no Ocidente, isto só poderia acontecer dentro dos conventos e, mesmo aí, a freira ficava sob vigilância apertada, porque no exterior corria o risco de ser considerada bruxa e queimada na fogueira. Santa Teresa d’Ávila, que narra esse processo, em termos religiosos, esteve sempre sob vigilância apertada.
Fui impelida a contar isto hoje, porque creio que, nos próximos tempos, este processo vai alastrar por toda a humanidade. Não sei o ritmo em que vai acontecer. Mas é para mim evidente que esta é a condição para fazermos a ligação ao divino, que somos.


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UM DIA DE CADA VEZ


Se fossemos realmente inteligentes, viveríamos um dia de cada vez. Ou seja, viveríamos a eternidade do momento, que é realmente a única coisa que temos, libertos da preocupação de arrecadar para um futuro imaginário.

Uma noite mostraram-me um lavrador a trabalhar a terra, dizendo-me que o importante não era o fruto que ele haveria de colher, mas o que ele estava a lavrar em si, enquanto trabalhava a Terra, como se o processo fosse idêntico. Talvez seja.

 Cada um de nós, ao longo de múltiplas vidas, lavrou o seu ser íntimo e arrecadou uma série de experiências, que darão porventura um sentido mais vasto, ou pelo menos um outro sentido, à descida do Homem à Terra. Quando regressarmos ao Paraíso -- seja isso o que for! --, os que regressarem irão com uma mais-valia, que não pode ter quem nunca desceu à matéria.

Olho para as memórias que me chegam e verifico que há já muitas repetições. Começo a pensar que é altura de descansar mas, ao mesmo tempo, sinto o fascínio do incerto, as probabilidades que se jogam e descubro-me aventureira. Uma aventureira do espírito, que é o que todos somos, mesmo aqueles de nós que estão assustados com a vida e sofrem com a incerteza do pão nosso de cada dia, que é um direito fundamental.

 Casa, Pão, Saúde, Habitação, segundo um slogan do 25 de Abril, que resumia os direitos essenciais. Direitos que, mais do que nunca, Países e o Planeta têm de assegurar a cada um dos seus habitantes para, finalmente, chegarmos ao equilíbrio. Mas desta vez o slogan deve ter cinco proposições

 CASA, PÃO, SAÚDE, HABITAÇÃO E MUITO AMOR -- como dizia a minha amiga Fátima.

 Este o programa possível para o Planeta Terra dos Novos Tempos.





quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Os Quatro Elementos




UMA INICIAÇÃO A QUATRO TEMPOS


A experiência de Vida do Ser Humano tem decorrido no jogo dos quatro elementos: Terra, Água, Fogo e Ar. Creio que são estes quatro elementos que nos permitem desenvolver e testar o nosso Ser interno, nesta aventura que é a nossa passagem pelo planeta Terra. E isto sem fazer considerações nem especulações acerca das razões porque estamos aqui. E porque voltamos e voltamos e voltamos. Há os que dizem que viemos aperfeiçoar-nos ou liquidar culpas passadas. O que nos leva a perguntar: e da primeira vez que viemos já teríamos culpas? Não fomos criados perfeitos? Seremos nós os anjos caídos? E que imperfeição na Criação terá permitido que os Anjos pudessem decair?

 Claro que não vou responder. Não sei. Com os dados disponíveis só posso especular. E, aliás, não estou preocupada com este tipo de questões. O que me importa realmente é tentar saber como podemos escapar a este jogo. Ou como podemos jogá-lo conscientemente, com grandeza. Quando um poeta diz: «faz da tua dor um poema», está a apontar-nos uma saída: a da Grandeza Interior: O poema que oferece é a oportunidades de outros ultrapassarem os seus limites e se tornarem eles próprios poema. E se cada um de nós fosse um poema, a Vida Humana seria uma sinfonia incomparável. Deus, ou aquilo a que chamamos Deus, só pode ser um poema, em que cada um de nós é uma estrofe. Se calhar é esse estadio que nos espera. É por isso que digo que somos deuses.

A maior parte de nós passa ao lado do mistério da Vida. Está tudo em nós. É só preciso activá-lo, mas isso só pode acontecer se nos despirmos dos jogos deste mundo, se caminharmos pela verdade do ser, pela fragilidade da sua grandeza. Tinha eu 46 anos quando descobri o mistério da ligação do ser Humano ao Divino. Ou, pelo menos, a uma Vida mais vasta, em que acreditar não é uma expressão de fé, mas a vivência quotidiana do mistério. Descobri circuitos de energia no corpo, que desconhecia. Passei a olhar o Sol de frente. Ouvi música na minha cabeça, que teria podido registar se a soubesse escrever. Via o Sol de noite, de olhos fechados e, pelo menos duas vezes, no meu quarto, de olhos abertos. E fui muito feliz, num equilíbrio conseguido entre duas realidades.

Vem tudo isto a propósito de um sonho, que tive por essa altura e que vou contar, por me parecer que pode ajudar alguém. Trata-se de um sonho sobre os quatro elementos, Terra, Água, Fogo e Ar. Por esta ordem. Um sonho que me revelava a mim própria. Um sonho, em quatro partes, na mesma noite.

Eu era muito jovem. Talvez tivesse 15 anos ou um pouco mais. Era sacerdotisa, mas estava sentada no colo de um homem, numa rocha, no meio de um campo de papiros. Beijávamo-nos, quando tive a percepção de estar a ser vigiada por um sacerdote. Tive medo e o sonho terminou, para continuar de seguida à beira mar.

 As ondas eram baixas e derramavam-se preguiçosamente em espuma na areia. Então vi, na babugem da água, que a minha cabeça cortada boiava nas ondas, indo e voltando de novo até à areia, repetidamente, até que a imagem desapareceu.

No terceiro sonho eu teria dez, onde, o máximo doze anos. Estava bem vestida, com roupa ritual e ia a subir a montanha. Eu sabia que subia à montanha para ser sacrificada ao vulcão. O grande sacerdote ia a meu lado, mas a minha sensação era que não estava a ser tratada com a elevação e o respeito que a cerimónia exigia e, conforme andava, ia acumulando um certo ressentimento. Ia ser sacrificada e isso exigia que me mostrassem reverência. Era isso que sentia, não revolta por ir ser sacrificada ao vulcão.

Chegamos. O grande sacerdote estava a preparar-se para o sacrifício. Estou junto à boca do vulcão, vejo o vermelho do fogo. A minha decisão está tomada. O sacerdote está a terminar o ritual. Nesse momento, antes que o sacerdote me toque, eu lanço-me voluntariamente ao magma ardente da lava do vulcão.

Recordo a entrada nesse magma vermelho de fogo e sinto que sou ternamente envolvida, impregnada dessa força ígnea, amada, poderosa, feliz. A sensação foi tão arrebatadora que acordei. Revivi todo o cerimonial, essa entrega voluntária, a transmutação pelo fogo, depois da passagem pela Terra e pela Água e ouvi-me dizer: “Agora falta o Ar»! E adormeci.

Estava no cimo de uma montanha, junto ao precipício. Mais um passo e caio no abismo. Por trás de mim, o mesmo homem que me espiou e me levou ao vulcão está radiante. Eu não tenho escapatória. Finalmente, vai poder aprisionar-me. Olho-o, sem dizer nada. Olho o abismo. Acho que não penso nada. Tenho só uma sensação de liberdade, que ninguém pode coarctar. E então atiro-me ao abismo.

Atiro-me ao abismo, mas não caí. Não sabia, mas tinha ganho asas e em vez de cair, voei.

Conto isto, porque acho que todo o ser humano tem que passar pela iniciação dos quatro elementos e só atingirá a liberdade, seja isso o que for, quando conseguir «voar».


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OS QUATRO SÍMBOLOS DO CONHECIMENTO


É um desenho, de 1989, a tinta-da-china, que se estende por uma folha de 44/64 cm. Mandei-o emoldurar há muitos anos, mas ao contrário de quase todos os outros, não conheço uma parte das personagens. Admito que uma delas sou eu ou, pelo menos, é muito parecida com o que eu era quando nova. A mesma atenção, a mesma determinação e traços muito semelhantes. Mas não me foi revelado o contexto nem a civilização em que o jogo das personagens se inscreveu. Mas isso, ao fim e ao cabo, não é muito relevante.

Trago aqui este quadro para mostrar quatro símbolos de iniciação, num contexto amoroso. O engraçado é que ainda hoje gostaria daquela personagem masculina… Claro que é uma graça.


Reparem no extremo direito, em baixo, a imagem do mensageiro, com asas, a selar os lábios de uma possível mulher de conhecimento. Tudo isto se passou no tempo em que o conhecimento era restrito a um grupo escolhido de iniciados.

Observem e descubram os símbolos espalhados pelo quadro. Comecem pelo seu lado esquerdo, em baixo. Vêem o cordeiro, tantas vezes imolado aos deuses?

Os pombos, que surgem em muitos dos meus outros quadros e que são o símbolo dos mensageiros. O papagaio, junto da pitonisa, a mensageira dos deuses. E, por fim, a serpente, símbolo da kundalini, que passa pela cabeça de várias personagens, que vieram dos fundos do tempo, talvez para me levar a recordar.
Espero que possam tirar alguma informação deste desenho. Se outra coisa não resultar, fica pelo menos a informação de que a sacralização do Homem atravessa e persiste ao longo das civilizações, como algo eterno.


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A INSENSIBILIDADE SOCIAL DO PRIMEIRO-MINISTRO 


É legítima e apropriada a Onda de Indignação contra a comunicação ao País do Senhor Primeiro-Ministro. A minha é tão grande que varri o seu nome da minha memória. Não me lembro como ele se chama. Não quero lembrar-me. Não tem existência real. É um fantasma. O mais do mesmo que ainda conheci e que, felizmente, caiu de uma cadeira. Há sempre uma cadeira de onde se pode cair. Toda a gente sabe. A cadeira do Poder é das mais frágeis.

 Chamo-lhe o salazarento, fora do tempo e do contexto. Salazarento, porque é um salazar com técnicas e tácticas desfasadas do tempo. Já foi. Não queremos mais. Deixou nos cofres um ouro que não se pode vender, e um país de analfabetos. Um País silenciado e envergonhado.

Recordo-me que quando regressei da viagem aos Estados Unidos, que já referi neste blog, o choque maior que sofri ao passear pelas ruas de Lisboa foi ver as pessoas, todas as pessoas, a olhar para o chão. Choro ao pensar nisso. E lembro que a população do meu País só levantou os olhos do chão e passou a olhar em frente depois do 25 de Abril.

Não quero ver o Povo a que pertenço a olhar de novo para o chão, vencido. Não quero ver de novo o meu Povo a emigrar em massa, a oferecer aos outros países a alta qualidade intelectual que, entretanto, desenvolveu e que não deve a nenhum salazar. Não quero que os chicos espertos tomem conta do meu País e destruam a sua alma, a sua garra, a sua criatividade. Não podemos deixar que isso se faça! Não podemos deixar que a RTP1 vá ser o canal de uma ideologia e o pote de ouro de um grupo. Não, não!

Dói-me a ligeireza com que o Primeiro-Ministro, de que não quero lembrar o nome, e a mulher, depois daquele murro no estômago dos portugueses que foi a sua comunicação ao País, se dirigiram com sorrisos e leveza para um concerto, onde foram divertir-se e rir. Isto chama-se insensibilidade social. Pelo menos podia fingir-se preocupado e ir para casa, onde podia esconder o riso à vontade. Agora lançar para o ar um pacote daqueles e ir divertir-se de seguida, não lembra ao diabo! É o máximo de insensibilidade social. E um Primeiro-Ministro de um qualquer País não pode exibir insensibilidade social. Não pode abrir uma ferida e lançar pimenta por cima. Foi o que fez. Este Povo não lhe vai perdoar. Amen.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Cipreste Sagrado




O CAMINHO DA DOR E DA SOLIDÃO



As histórias infantis contam-nos as vidas fabulosas de príncipes e princesas, como se elas fossem o expoente máximo que o comum dos mortais desejaria poder ser e viver. Que grande ficção! As histórias de príncipes e princesas são fábulas que pretendem dar exemplos de vida. Na realidade, o aparato de vidas faustosas esconde a mais profunda solidão e submissão aos interesses do grupo e à consolidação do poder. Tudo é sacrificado a esses dois objectivos, desde a vontade e as inclinações pessoais à própria liberdade de sonhar. Tudo está condicionado aos interesses da família a que pertencem. E só o espírito de missão, a lealdade familiar, o medo de perder as benesses que o estatuto confere, permitiu que o mito se mantivesse até aos nossos dias.

Nem sempre foi assim e, felizmente, tudo isto parece prestes a desaparecer. Quando pudemos ver o príncipe Harry nu, isso significa que finalmente o tabu foi vencido e que o estatuto perdeu a primazia para dar lugar ao humano. A etapa seguinte, é claro, vai ser menos agradável, quando os britânicos integrarem que não vale a pena continuar a manter a ficção da grandeza da realeza, quando é ela própria a expor na rua a sua nudez.

Isto vem a propósito da solidão e da dor que marcou a vida da Rainha Santa Isabel. Quando eu era criança ouvi e li, como a maior parte dos portugueses, histórias sobre a Rainha Santa. Lembro-me de a imaginar com o avental cheio de rosas, num pátio onde havia um sino e uma escada estreita, que a rainha iria descer. O milagre das rosas ficou fixado para mim neste flash, que não sei se tem apoio no real e que, aliás, nunca quis esclarecer. É possível que o tenha lido num poema, no livro da primeira ou segunda classe. Ou visto em sonhos. Não sei.

Como já referi em outra oportunidade, Isabel de Aragão foi uma das primeiras personagens que surgiram quando comecei a desenhar e a esculpir. Ela surgiu no dia em que fiz os primeiros desenhos. Aliás, Isabel de Aragão foi um dos poucos rostos identificáveis nos desenhos dos primeiros tempos. O outro, que identifiquei um pouco mais tarde, foi o da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel. Este foi um desenho que me incomodou especialmente. Isso não aconteceu com mais nenhuma personagem, e incomoda-me falar disso, mas acho que o devo revelar: o rosto de D. Maria surgiu associado a um demónio, que a torturava. Quis ignorar essa figura, mas ela ressurgiu no extremo do desenho, (à direita), como testemunho de algo que tornou a Infanta infeliz durante toda a sua vida. E o estranho é que, ao querer ignorá-la, a imagem acabou por tornar-se maior. Acabei por aceitá-la e deixá-la ficar.

Na mesma página desenhei um velho, aparentemente judeu, que nunca cheguei a identificar. E, já agora, chamo a atenção para a mulher com o barrete branco dos condenados ou suspeitos de heresia, que obviamente esteve sob a alçada da Inquisição. Não sei o que lhe aconteceu. Estes foram caminhos que acabaram por não se desvelar. Talvez não se tenham tornado relevantes ou necessários para o meu percurso de vida. Ou talvez ainda se venham a manifestar… Se algumas destas personagens ilustram o meu percurso na Terra, devo ter passado por algumas situações muito complicadas. Felizmente hoje trata-se só de imagens, lembranças, porventura imaginações que serviram e servem para lições de vida.


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A REALEZA E O SAGRADO


No percurso do planeta Terra, a realeza desempenhava uma importante função: a da ligação do Humano com o Divino. Os Reis eram intermediários entre as forças celestes e terrestres. Garantes da harmonia entre o Céu e a Terra e da fecundidade do Planeta.

 Era, portanto, uma função sagrada, sacralizada, a da realeza. Foi o tempo dos reis pastores e reis sacerdotes, que tinham como insígnia de poder o sinal que assinalei quando vos falei do cromeleque dos Almendres ou Almendra, segundo a nova grafia.

O mais próximo que temos com a realeza desses tempos míticos é a lenda do Rei Artur. O Rei que tirou a espada da pedra. Isto é, o Rei a quem o Céu concedeu a espada, a insígnia do Guerreiro Espiritual, como instrumento de Vida, não de morte. A espada como receptor e catalisador de energia, a ligar a Terra e o Céu. A espada como símbolo de fecundidade. Da verdade última do Ser.

Não vou alongar-me em explicações sobre o simbolismo da espada. A Internet tem imensa informação; mas não é essa que é verdadeiramente importante, mas a explicação que encontrar dentro de si. É aí, no interior do seu coração que deve procurar o significado da espada e o sentido que ela pode ter na sua vida. É aí, nesse fio-de-prumo, que deve temperar o seu coração: Nessa espada de luz, a que cada um de nós virá a ter acesso no decurso da sua evolução.

 Viemos à Terra para nos experimentarmos. Sem pecado nem castigo. A Vida é uma aventura e se não passarmos por todos os papéis, como poderemos avaliar as suas potencialidades? Cada um de nós já foi rei e mendigo, poeta e salteador de estradas, temos de experimentar todos os papéis para termos a medida da grandeza absoluta e da pequenez mais total. O problema é que não temos sentido da experiência e nos deixamos soçobrar na pequenez e o que não é menos grande na própria grandeza. E tudo se repete até que um dia, nessa busca interna, vamos descobrir quanto nos distanciamos do que realmente é importante! Empurrados a modelar o nosso ser segundo uma ilusão, próximo de uma máscara de Carnaval, acabaremos todos, mais dia, menos dia, por a deixar cair quando nos aproximarmos da nossa verdade interna. Revestidos de uma importância fictícia vamos um dia descobrir, admirados, que afinal somos muito mais importantes do que alguma vez julgamos ser ou vir a ser. E só poderemos descobrir isso na maior humildade.


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O PERCURSO DE ISABEL



Destinei a mensagem de hoje a Isabel de Aragão, rainha e santa em Portugal, e vejo-me a perder-me em palavras porque me é difícil abordar a personagem que ela foi. Reparo que faço uma separação entre a mulher a caminho da santidade e a rainha. E não percebo este mecanismo. Se penso na santa custa-me seguir o sofrimento e as lágrimas que surgem nos desenhos. E vejo-me a ter pudor de mostrar a dor que marcou a vida dessa mulher. Na minha memória de criança ela continua a ser a santa do milagre das rosas e não a que chora, porque o filho se revoltou contra o pai. E não a que se deixa abater em profunda tristeza, no final da vida, ao fitar o panorama do que viveu.


Vejam Isabel, segundo as imagens que dela fui tendo. Isabel menina, com uma curiosidade e avidez insaciável. Avidez de saber, de conhecer, espreitando até o que pretenderiam esconder-lhe. Desenhei-a, pintei-a, modelei-a tantas vezes, que se me tornou próxima, familiar e, ao mesmo tempo, distante. 

Aproximo-me dela a medo, medo de não a perceber, de interpretar mal o que dela li, o que dela vi, o que dela julgo saber. Adi-o escrever, como se estivesse à espera que ela ganhe densidade em mim. Vejo a curiosidade e a dor: também vejo a determinação. E sinto a minha atrapalhação perante uma personagem que se tornou real para mim nos desenhos e no barro e me parece escapar à concretização da palavra.


Não consigo ser a receptora do que ela tem para dizer. Talvez porque ache que tenho algo a dizer por ela, algo que ainda não sei o que é. Vou dormir. Talvez amanhã saiba o que há a dizer, se alguma coisa há a dizer. De repente pensei que devia calar-me e apresentar sem palavras, o que dela tive consciência ao longo dos últimos 25 anos. É isso. Não vou dizer mais nada. Vou deixar que as imagens o digam. Façam a vossa leitura. Retiro-me para que ela seja. Deixo-vos Isabel como o Cipreste Sagrado. Uma árvore de silêncio e solidão, que cresceu com ela e se tornou frondosa. Uma árvore que resiste ao tempo, cada vez mais bela.





quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Idade do Ouro




ISABEL ANTECIPOU EM PORTUGAL A IDADE DO OURO



Com Isabel de Aragão, mulher do rei D. Dinis, passo a uma nova etapa desta conversa. Hesitei entre conversa e monólogo, mas trata-se de uma conversa, porque vou sentindo as vossas reacções, nomeadamente pelo interesse demonstrado por determinadas mensagens.

Já vos falei da rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques e de Santa Clara, duas figuras femininas que, por diferentes razões, foram determinantes na estruturação da alma do Povo Português, ou seja da alma de Portugal. Hoje vou falar-vos da rainha Santa Isabel, a rainha que antecipou, no concreto, em plena Idade Média, aspectos da Idade do Ouro.

Ao casar com o rei D. Dinis, Isabel de Aragão trouxe para Portugal todo um imaginário que ultrapassa a doutrina católica, com a teoria das três Idades do Mundo (a Idade do Pai, a Idade do Filho e a Idade do Espirito Santo), que vinha anunciar à humanidade a próxima etapa, a idade Espírito Santo. Os aspectos relevantes dessa Nova Idade incluíam a coroação do Menino Imperador; a distribuição de comida gratuita; e a abertura das portas das prisões. Calculem, um programa de vida em sociedade, que ainda hoje seria considerado subversivo!

O Povo Português aderiu desde logo ao culto do Espírito Santo e o local emblemático tornar-se-ia então Alenquer, mas ainda recentemente havia festas ligadas a esse culto em Sintra e em Monsanto. Foi nos Açores que o culto do Espírito Santo se arreigou mais profundamente, sendo ainda hoje praticado nas nove ilhas. Será ainda praticado também no Brasil e nos Estados Unidos da América.

Esta é a herança que Isabel nos legou e que sobreviveu ao tempo e às convulsões sociais: a esperança num mundo mais justo, com uma mais equitativa distribuição da riqueza. Uma herança que sobrevive há mais de seis séculos e que vai encontrar um novo enquadramento social no tempo novo que está a chegar, com o planeta Terra em trabalho de parto.

Que há algo de diferente no horizonte, isso ninguém pode negar. Há um fosso mais fundo entre países ricos e países pobres e uma indecisão que está a aprofundar-se entre uns e outros, como se fosse possível seguir cada um o seu caminho sem que todos sejam afectados. O espectáculo dos recuos e avanços, da indecisão, é o sinal positivo da percepção que se está a tornar, cada vez mais nítida, de que a Terra é una e que a crise de uns vai afectar (está a afectar) todos os outros. Se não houvesse a dor das pessoas, de repente apanhadas na convulsão, com as regras do jogo sempre a mudar, teoricamente até seria um drama interessante: Mas há a insegurança, a dor, a aflição e a fome a aumentar até entre grupos sociais que pareciam imunes à crise. Tudo isto está a tornar-se numa grande aflição, com riscos previsíveis a aumentar no horizonte. «O Povo é sereno», segundo a frase que ficou célebre dos tempos da Revolução. É sereno, mas não se pode nunca puxar demasiado a corda porque pode partir. É isso que se tem feito e o risco de algo se quebrar na estrutura social é cada vez mais previsível. As pessoas estão zangadas e a consumir mais álcool, o que é visível sobretudo nas terras pequenas. Os assaltos aumentam e no silêncio da cidade à noite ouvem-se cada vez com mais frequência ruídos estranhos e o que é ainda mais estranho é que ninguém levanta as persianas para ver o que se passa. Isto tem um nome, chama-se medo. Um medo que tem que ser ouvido por quem de direito, antes que seja tarde.


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A DOÇURA DE ISABEL





Entre o mundo ideal que nos é prometido pela sucessão das eras e a realidade concreta há um enorme fosso. Estamos numa esquina da história e não sabemos o que vai acontecer. Tudo é possível. Um empobrecimento acelerado dos países mais pobres, com um fosso cada vez maior em relação aos países ricos ou a busca do equilíbrio. Vamos acreditar hoje no estabelecimento do equilíbrio. Na vitória da doçura de Isabel. A minha escolha de hoje é a da felicidade. E, dos vários trabalhos que tenho sobre Isabel, vou mostrar o seu lado radioso, quando nela era tudo amor a espalhar à sua volta.

 Dos múltiplos rostos de Isabel, desenhados a tinta-da-china, escolhi hoje o que melhor representa a sua doçura. É o desenho que expus no meu lugar preferido. Segundo esse desenho, ela era bonita, muito bonita, mas levemente estrábica do olho esquerdo. Simplesmente, não sei se isso traduz um facto real ou pretende simplesmente dar a profundidade, a leitura do interior da alma ou do infinito que esse olhar parece poder desvendar. Ao mesmo tempo é um olhar vivo, impregnado de uma extrema doçura. É isto que sinto, isto que me liga especialmente a este desenho.

Estou enamorada deste quadro. Isabel fala comigo através dos seus olhos. Sinto esse olhar no meio do peito, como se me pudesse transportar à concretização plena da Idade do Espírito Santo, que Isabel veio anunciar. Melhor, como se esse olhar me pudesse situar no melhor da Idade do Espírito Santo, que Isabel pretendeu antecipar. Uma Idade em que já entramos e que é sobretudo conhecida pelo nome de Idade do Ouro. Ou seja, o tempo do regresso ao feminino. Do regresso à Mãe e à partilha solidária. Ao Menino Imperador e à comida gratuita. Uma recriação da Idade da Inocência. Como se dará esse milagre?

Não tenho dúvidas de que o Planeta não aguenta mais esta desenfreada exploração e espoliação de recursos. Não tenho dúvidas de que estamos naquela esquina da história que permite grandes transformações. Até a transformação do próprio Homem. Não tenho dúvidas de que a Mulher vai ter um papel decisivo na mudança da sociedade. Uma mudança que vai ser exigida pela própria natureza. O recente apagão da electricidade na Índia foi uma amostra das mudanças que o Planeta vai exigir à Humanidade. De repente, sem electricidade, como vamos organizar a Vida? De que nos vão servir os computadores e esta alta sofisticação de Vida? Se cada um de nós tiver de se abastecer de água nos rios, em que estado fica a nossa organização social?

Lembro-me de o Prof. Agostinho da Silva ter afirmado publicamente, há cerca de 20 anos que, num futuro próximo, não ia haver empregos e de que os jovens iam passar os dias encostados às paredes: Um jornalista conhecido, então director ou director-adjunto de um semanário, escreveu um cometário em que classificava o Professor de falso profeta. Menos de vinte anos depois a profecia cumpriu-se, o desemprego instalou-se e não só em Portugal, mas no mundo. Terá esse jornalista a percepção do mal que então fez a esse homem que tinha a coragem e a ingenuidade de dizer aquilo que via e que sabia? Porque é preciso ser ingénuo, isto é, de coração puro, para uma pessoa consciente dizer determinadas verdades. 

 Recordo este episódio para lembrar que o que se está a passar no mundo do trabalho era previsível há 20 anos e nem era preciso ter qualidades de profeta para o prever, mas realismo -- coisa que faltou ao grande capital, sempre ávido de mais e afinal não muito inteligente --, aos Governos, que andam a reboque de quem tem o dinheiro e, ao fim e ao cabo, à sociedade em geral.

O Planeta entrou numa espécie de desregulação, que é sempre o princípio da estruturação de uma Nova Ordem. Como é que tudo vai evoluir? Infelizmente, o ser humano contínua ávido do Ter e a riqueza mantem-se nas mãos de um reduzido número de pessoas. A certa altura a situação pode tornar-se explosiva. Ninguém vê os sinais de tempestade no horizonte? Que uma nova ordem económica vai ter que eclodir não só em Portugal, mas no mundo? E que seria bom para todos que isso pudesse acontecer sem grandes convulsões?!

Isabel que veio do passado mostrar-se para eu a desenhar, pintar e esculpir é para mim a mensagem de esperança de que tudo vai correr pelo melhor e a humanidade saberá escolher o caminho certo para a sua evolução.


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O MILAGRE DA PARTILHA





Vejam a rainha, de costas, segurando o seu rei, os seus filhos e o seu povo no regaço e no seu manto. Ela arrasta todos consigo, conseguindo o milagre da partilha simbólica nas Festas do Divino Espírito Santo, o feminino da Divindade. E transforma o pão em rosas. E rosas em pão. Com ela tudo é possível.

Vejam como caminha, hierática e só para esse Paraíso em que pretende transformar a Terra. 

Venham. Vamos segui-la. Vamos aprender o milagre da partilha.

Assim seja.

Ámen. 







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PS: Para a semana não publicarei nada no blog. Portanto, até princípios de Setembro. Boas férias.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Capa e a Espada



A CAPA E A ESPADA NO CAMINHO ESPIRITUAL


Quando uma pessoa se abre para a vida espiritual ganha uma vulnerabilidade que não tinha antes. Uma vulnerabilidade física e psíquica. Só a impecabilidade lhe permite passar incólume pelas forças contraditórias e algumas destrutivas que a vão pôr à prova. No final, quando o iniciado aprendeu a impecabilidade, dá tudo certo e aquilo que a poderia destruir acaba por lhe dar mais força, segurança e proximidade ao divino. Quer dizer: todas as forças em jogo, construtivas ou destrutivas, trabalham para temperar a alma e o carácter da pessoa. É neste patamar que surgem, por ordem, a capa e a espada.

Eu não sabia nada disto. Leitora compulsiva, não encontrei qualquer informação sobre estas questões. Será proibido revelá-las? Depois de me pôr a questão, parei, recolhi-me e fiz a pergunta ao meu coração. O coração espiritual do meio do peito que responde às perguntas pelo ardor do fogo ou pelo silêncio ou turvação. Esta consulta aprendi-a no site «Autres Dimensions». O grande calor do meu peito e das minhas costas permite-me continuar.

Um dia, ao acordar, no tecto do meu quarto havia uma capa cor de açafrão, dentro de um círculo. Foi uma visão rápida. Dias mais tarde, contei o episódio a um amigo, que me respondeu: «A capa é sua. Use-a:» Disse-me só isto. Acho que foi o bastante para me elucidar, pelo menos não me lembro de lhe ter pedido mais explicações. Usei a capa durante muito tempo, acho que até ganhar confiança no novo ser em que me estava a tornar. Depois descurei o seu uso.

Anos depois, quis dar uma explicação à distância a uma pessoa, como quem reza. Não pus a capa, não me lembrei sequer, nem pensei ser necessário. Estava de pé, em posição de oração, quando dois seres que não vi, mas senti, puseram nos meus ombros uma outra capa, de veludo cor-de-rosa, até aos pés, lindíssima.

Depois da minha recente queda percebi que tinha de voltar a usar uma das capas, pois talvez este blog me tenha tornado vulnerável. E, o que não foi dito então e me parece altura de esclarecer, é que os mestres da Escola do Sonho são seres humanos como nós, com certas capacidades mediúnicas que, numa atitude de serviço, muito louvável, se dispõem a prestar ensinamentos, nos períodos do sonho, quando os espíritos vagueiam pelo astral. É uma tarefa meritória, com os riscos inerentes à evolução do “mestre” que ensina e que pode não ter ultrapassado ainda as humanas reacções temperamentais. É por isso que peço desculpa à pessoa que se dispôs ensinar-me e que tratei talvez de forma irreverente.

É claro que o nível dos mestres depende da evolução do discípulo, e eu espero ter aprendido alguma coisa nos últimos 20 anos. Até em humildade e despreendimento, tendo adquirido uma ideia de serviço, que não espera reconhecimento nem gratidão. Pessoalmente, estou grata a todos os que me proporcionaram situações, por vezes difíceis, em que pude reconhecer-me e escolher o meu caminho. Pessoalmente, considero que o mais elevado dom concedido ao ser humano é o da liberdade, porque só em liberdade se pode verdadeiramente Amar.


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UMA ESPADA DE ESMERALDA


Depois da capa foi-me dada uma espada. Foi uma vivência de tal forma extraordinária que, ainda hoje, quando a recordo, se faz um silêncio fundo no meio do meu peito. Como é que isso me pôde acontecer? Como é que na minha ignorância lidei com a situação, sem medo, numa entrega total, acontecesse o que acontecesse?

Eu estava de férias, sozinha, na casa de uma amiga, perto de Sesimbra. Um dos meus filhos tinha lá passado uns dias com a namorada, mas já tinham regressado a Lisboa.

A casa tinha um jardim tratado com grande cuidado pela minha amiga. Era lá que eu passava a maior parte do tempo, a ler e a pintar, debaixo de uma árvore. Ao fim da tarde ia para o terraço, de onde se vê a serra da Arrábida. A energia do local é muito forte. Talvez por isso eu me sentisse melhor no jardim ou no terraço do que dentro de casa. Mas dormia bem lá.

Foi depois do meu filho ter regressado a Lisboa que o inesperado me aconteceu. Tinha-me deitado e, como sempre, fiquei em meditação. Então, o topo da minha cabeça como que se abriu e uma coluna de energia começou a sair num fluxo muito forte. Admiti então que me fosse esvair em energia como outros se esvaem em sangue, mas mantive-me calma, sem sobressalto.

É impossível saber quanto tempo isso durou. Tanto quanto recordo foi muito tempo, mas é possível que esteja a exagerar. Foi o tempo suficiente para eu saber que estava a dar algo de mim ao Infinito. Ou será que eu estava a receber? Não sei. Depois desse muito tempo de que não sei a duração, eu, deitada, sem medo, disposta a aceitar o que tivesse de acontecer, vi descer uma espada verde-esmeralda, que ficou suspensa no ar durante algum tempo, o tempo suficiente para eu a admirar. Reparei então que a espada não tinha copa. Tinha o punho e seguia logo a espada de dois gumes. E era de esmeralda. Depois a espada começou a deslizar e ficou na horizontal, suspensa no ar.

Não sei de onde vinha a luz. O quarto estava às escuras, mas via-se tudo. A própria espada teria luz? Não sei. Então, estando a espada deitada, começaram a descer estrelas sobre a espada. Estrelas de várias cores. Brancas, azuis, rosa, não sei…

 As estrelas desciam sobre o punho e seguiam uma a uma ao longo da espada, um pouco afastadas. Chegadas ao meio pareciam entrar na espada e apareciam no outro gume e prosseguiam de novo um pouco afastadas até à ponta. E as estrelas giraram à volta da espada, formando o oito, no que me pareceu ser a dança do Infinito. E era lindo de ver. Tudo era luz e dança e infinito. Depois terminou. Soube então que aquela era a minha espada! A minha guardiã de luz.

Permitam-me que não diga mais sobre isto.


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A ESPADA DE PAU


Mais tarde conheci um cientista a quem fora dada uma espada de pau. Fiquei muito espantada, mas não disse nada. Procurei o amigo que tem um profundo conhecimento destas coisas e perguntei-lhe porque fora dada aquele senhor uma espada de pau. O meu amigo explicou-me então que, no caminho espiritual, a espada de pau é dada para que a pessoa aprenda a utilizá-la sem se magoar nem magoar ninguém. O que me pareceu lógico.

Agora, uma revelação, que pode parecer chocante. Entre os muitos desenhos e pinturas que fiz há 20 anos ou mais, guardo uma pintura da rainha Santa Isabel em que, encostado ao longo vestido, tem algo que sempre me pareceu um tanto despropositado até há bem pouco não soube interpretar. Julguei que se tratava de algum adorno do vestido, que eu não soubera concretizar. Recentemente, fazendo um balanço das coisas aprendidas, percebi finalmente que, sobre o vestido da rainha, o que lá está é uma espada de pau. E isto foi para mim uma grande surpresa. E surgiu-me a ideia de que, para lá da santidade, há outros graus a atingir na evolução espiritual. Mas disto não tenho a certeza.



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 PS: Tenho muito gosto em estar de volta. Oxalá que o Céu me inspire e me ajude a recuperar a informação recebida. E que ela possa proporcionar o encontro de cada um/a com a sua própria mensagem. Cada um de nós tem algo de único a transmitir. Não há caminho certo a indicar. Basta ser autêntico/a. O resto chega no tempo certo. 

Passam poucos segundos após a meia-noite, do dia 15 de Agosto. Dia da Ascensão da Virgem, na liturgia cristã. Um dia emblemático. Acho que o tema escolhido é apropriado ao dia que começa...