quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Idade do Ouro




ISABEL ANTECIPOU EM PORTUGAL A IDADE DO OURO



Com Isabel de Aragão, mulher do rei D. Dinis, passo a uma nova etapa desta conversa. Hesitei entre conversa e monólogo, mas trata-se de uma conversa, porque vou sentindo as vossas reacções, nomeadamente pelo interesse demonstrado por determinadas mensagens.

Já vos falei da rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques e de Santa Clara, duas figuras femininas que, por diferentes razões, foram determinantes na estruturação da alma do Povo Português, ou seja da alma de Portugal. Hoje vou falar-vos da rainha Santa Isabel, a rainha que antecipou, no concreto, em plena Idade Média, aspectos da Idade do Ouro.

Ao casar com o rei D. Dinis, Isabel de Aragão trouxe para Portugal todo um imaginário que ultrapassa a doutrina católica, com a teoria das três Idades do Mundo (a Idade do Pai, a Idade do Filho e a Idade do Espirito Santo), que vinha anunciar à humanidade a próxima etapa, a idade Espírito Santo. Os aspectos relevantes dessa Nova Idade incluíam a coroação do Menino Imperador; a distribuição de comida gratuita; e a abertura das portas das prisões. Calculem, um programa de vida em sociedade, que ainda hoje seria considerado subversivo!

O Povo Português aderiu desde logo ao culto do Espírito Santo e o local emblemático tornar-se-ia então Alenquer, mas ainda recentemente havia festas ligadas a esse culto em Sintra e em Monsanto. Foi nos Açores que o culto do Espírito Santo se arreigou mais profundamente, sendo ainda hoje praticado nas nove ilhas. Será ainda praticado também no Brasil e nos Estados Unidos da América.

Esta é a herança que Isabel nos legou e que sobreviveu ao tempo e às convulsões sociais: a esperança num mundo mais justo, com uma mais equitativa distribuição da riqueza. Uma herança que sobrevive há mais de seis séculos e que vai encontrar um novo enquadramento social no tempo novo que está a chegar, com o planeta Terra em trabalho de parto.

Que há algo de diferente no horizonte, isso ninguém pode negar. Há um fosso mais fundo entre países ricos e países pobres e uma indecisão que está a aprofundar-se entre uns e outros, como se fosse possível seguir cada um o seu caminho sem que todos sejam afectados. O espectáculo dos recuos e avanços, da indecisão, é o sinal positivo da percepção que se está a tornar, cada vez mais nítida, de que a Terra é una e que a crise de uns vai afectar (está a afectar) todos os outros. Se não houvesse a dor das pessoas, de repente apanhadas na convulsão, com as regras do jogo sempre a mudar, teoricamente até seria um drama interessante: Mas há a insegurança, a dor, a aflição e a fome a aumentar até entre grupos sociais que pareciam imunes à crise. Tudo isto está a tornar-se numa grande aflição, com riscos previsíveis a aumentar no horizonte. «O Povo é sereno», segundo a frase que ficou célebre dos tempos da Revolução. É sereno, mas não se pode nunca puxar demasiado a corda porque pode partir. É isso que se tem feito e o risco de algo se quebrar na estrutura social é cada vez mais previsível. As pessoas estão zangadas e a consumir mais álcool, o que é visível sobretudo nas terras pequenas. Os assaltos aumentam e no silêncio da cidade à noite ouvem-se cada vez com mais frequência ruídos estranhos e o que é ainda mais estranho é que ninguém levanta as persianas para ver o que se passa. Isto tem um nome, chama-se medo. Um medo que tem que ser ouvido por quem de direito, antes que seja tarde.


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A DOÇURA DE ISABEL





Entre o mundo ideal que nos é prometido pela sucessão das eras e a realidade concreta há um enorme fosso. Estamos numa esquina da história e não sabemos o que vai acontecer. Tudo é possível. Um empobrecimento acelerado dos países mais pobres, com um fosso cada vez maior em relação aos países ricos ou a busca do equilíbrio. Vamos acreditar hoje no estabelecimento do equilíbrio. Na vitória da doçura de Isabel. A minha escolha de hoje é a da felicidade. E, dos vários trabalhos que tenho sobre Isabel, vou mostrar o seu lado radioso, quando nela era tudo amor a espalhar à sua volta.

 Dos múltiplos rostos de Isabel, desenhados a tinta-da-china, escolhi hoje o que melhor representa a sua doçura. É o desenho que expus no meu lugar preferido. Segundo esse desenho, ela era bonita, muito bonita, mas levemente estrábica do olho esquerdo. Simplesmente, não sei se isso traduz um facto real ou pretende simplesmente dar a profundidade, a leitura do interior da alma ou do infinito que esse olhar parece poder desvendar. Ao mesmo tempo é um olhar vivo, impregnado de uma extrema doçura. É isto que sinto, isto que me liga especialmente a este desenho.

Estou enamorada deste quadro. Isabel fala comigo através dos seus olhos. Sinto esse olhar no meio do peito, como se me pudesse transportar à concretização plena da Idade do Espírito Santo, que Isabel veio anunciar. Melhor, como se esse olhar me pudesse situar no melhor da Idade do Espírito Santo, que Isabel pretendeu antecipar. Uma Idade em que já entramos e que é sobretudo conhecida pelo nome de Idade do Ouro. Ou seja, o tempo do regresso ao feminino. Do regresso à Mãe e à partilha solidária. Ao Menino Imperador e à comida gratuita. Uma recriação da Idade da Inocência. Como se dará esse milagre?

Não tenho dúvidas de que o Planeta não aguenta mais esta desenfreada exploração e espoliação de recursos. Não tenho dúvidas de que estamos naquela esquina da história que permite grandes transformações. Até a transformação do próprio Homem. Não tenho dúvidas de que a Mulher vai ter um papel decisivo na mudança da sociedade. Uma mudança que vai ser exigida pela própria natureza. O recente apagão da electricidade na Índia foi uma amostra das mudanças que o Planeta vai exigir à Humanidade. De repente, sem electricidade, como vamos organizar a Vida? De que nos vão servir os computadores e esta alta sofisticação de Vida? Se cada um de nós tiver de se abastecer de água nos rios, em que estado fica a nossa organização social?

Lembro-me de o Prof. Agostinho da Silva ter afirmado publicamente, há cerca de 20 anos que, num futuro próximo, não ia haver empregos e de que os jovens iam passar os dias encostados às paredes: Um jornalista conhecido, então director ou director-adjunto de um semanário, escreveu um cometário em que classificava o Professor de falso profeta. Menos de vinte anos depois a profecia cumpriu-se, o desemprego instalou-se e não só em Portugal, mas no mundo. Terá esse jornalista a percepção do mal que então fez a esse homem que tinha a coragem e a ingenuidade de dizer aquilo que via e que sabia? Porque é preciso ser ingénuo, isto é, de coração puro, para uma pessoa consciente dizer determinadas verdades. 

 Recordo este episódio para lembrar que o que se está a passar no mundo do trabalho era previsível há 20 anos e nem era preciso ter qualidades de profeta para o prever, mas realismo -- coisa que faltou ao grande capital, sempre ávido de mais e afinal não muito inteligente --, aos Governos, que andam a reboque de quem tem o dinheiro e, ao fim e ao cabo, à sociedade em geral.

O Planeta entrou numa espécie de desregulação, que é sempre o princípio da estruturação de uma Nova Ordem. Como é que tudo vai evoluir? Infelizmente, o ser humano contínua ávido do Ter e a riqueza mantem-se nas mãos de um reduzido número de pessoas. A certa altura a situação pode tornar-se explosiva. Ninguém vê os sinais de tempestade no horizonte? Que uma nova ordem económica vai ter que eclodir não só em Portugal, mas no mundo? E que seria bom para todos que isso pudesse acontecer sem grandes convulsões?!

Isabel que veio do passado mostrar-se para eu a desenhar, pintar e esculpir é para mim a mensagem de esperança de que tudo vai correr pelo melhor e a humanidade saberá escolher o caminho certo para a sua evolução.


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O MILAGRE DA PARTILHA





Vejam a rainha, de costas, segurando o seu rei, os seus filhos e o seu povo no regaço e no seu manto. Ela arrasta todos consigo, conseguindo o milagre da partilha simbólica nas Festas do Divino Espírito Santo, o feminino da Divindade. E transforma o pão em rosas. E rosas em pão. Com ela tudo é possível.

Vejam como caminha, hierática e só para esse Paraíso em que pretende transformar a Terra. 

Venham. Vamos segui-la. Vamos aprender o milagre da partilha.

Assim seja.

Ámen. 







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PS: Para a semana não publicarei nada no blog. Portanto, até princípios de Setembro. Boas férias.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Capa e a Espada



A CAPA E A ESPADA NO CAMINHO ESPIRITUAL


Quando uma pessoa se abre para a vida espiritual ganha uma vulnerabilidade que não tinha antes. Uma vulnerabilidade física e psíquica. Só a impecabilidade lhe permite passar incólume pelas forças contraditórias e algumas destrutivas que a vão pôr à prova. No final, quando o iniciado aprendeu a impecabilidade, dá tudo certo e aquilo que a poderia destruir acaba por lhe dar mais força, segurança e proximidade ao divino. Quer dizer: todas as forças em jogo, construtivas ou destrutivas, trabalham para temperar a alma e o carácter da pessoa. É neste patamar que surgem, por ordem, a capa e a espada.

Eu não sabia nada disto. Leitora compulsiva, não encontrei qualquer informação sobre estas questões. Será proibido revelá-las? Depois de me pôr a questão, parei, recolhi-me e fiz a pergunta ao meu coração. O coração espiritual do meio do peito que responde às perguntas pelo ardor do fogo ou pelo silêncio ou turvação. Esta consulta aprendi-a no site «Autres Dimensions». O grande calor do meu peito e das minhas costas permite-me continuar.

Um dia, ao acordar, no tecto do meu quarto havia uma capa cor de açafrão, dentro de um círculo. Foi uma visão rápida. Dias mais tarde, contei o episódio a um amigo, que me respondeu: «A capa é sua. Use-a:» Disse-me só isto. Acho que foi o bastante para me elucidar, pelo menos não me lembro de lhe ter pedido mais explicações. Usei a capa durante muito tempo, acho que até ganhar confiança no novo ser em que me estava a tornar. Depois descurei o seu uso.

Anos depois, quis dar uma explicação à distância a uma pessoa, como quem reza. Não pus a capa, não me lembrei sequer, nem pensei ser necessário. Estava de pé, em posição de oração, quando dois seres que não vi, mas senti, puseram nos meus ombros uma outra capa, de veludo cor-de-rosa, até aos pés, lindíssima.

Depois da minha recente queda percebi que tinha de voltar a usar uma das capas, pois talvez este blog me tenha tornado vulnerável. E, o que não foi dito então e me parece altura de esclarecer, é que os mestres da Escola do Sonho são seres humanos como nós, com certas capacidades mediúnicas que, numa atitude de serviço, muito louvável, se dispõem a prestar ensinamentos, nos períodos do sonho, quando os espíritos vagueiam pelo astral. É uma tarefa meritória, com os riscos inerentes à evolução do “mestre” que ensina e que pode não ter ultrapassado ainda as humanas reacções temperamentais. É por isso que peço desculpa à pessoa que se dispôs ensinar-me e que tratei talvez de forma irreverente.

É claro que o nível dos mestres depende da evolução do discípulo, e eu espero ter aprendido alguma coisa nos últimos 20 anos. Até em humildade e despreendimento, tendo adquirido uma ideia de serviço, que não espera reconhecimento nem gratidão. Pessoalmente, estou grata a todos os que me proporcionaram situações, por vezes difíceis, em que pude reconhecer-me e escolher o meu caminho. Pessoalmente, considero que o mais elevado dom concedido ao ser humano é o da liberdade, porque só em liberdade se pode verdadeiramente Amar.


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UMA ESPADA DE ESMERALDA


Depois da capa foi-me dada uma espada. Foi uma vivência de tal forma extraordinária que, ainda hoje, quando a recordo, se faz um silêncio fundo no meio do meu peito. Como é que isso me pôde acontecer? Como é que na minha ignorância lidei com a situação, sem medo, numa entrega total, acontecesse o que acontecesse?

Eu estava de férias, sozinha, na casa de uma amiga, perto de Sesimbra. Um dos meus filhos tinha lá passado uns dias com a namorada, mas já tinham regressado a Lisboa.

A casa tinha um jardim tratado com grande cuidado pela minha amiga. Era lá que eu passava a maior parte do tempo, a ler e a pintar, debaixo de uma árvore. Ao fim da tarde ia para o terraço, de onde se vê a serra da Arrábida. A energia do local é muito forte. Talvez por isso eu me sentisse melhor no jardim ou no terraço do que dentro de casa. Mas dormia bem lá.

Foi depois do meu filho ter regressado a Lisboa que o inesperado me aconteceu. Tinha-me deitado e, como sempre, fiquei em meditação. Então, o topo da minha cabeça como que se abriu e uma coluna de energia começou a sair num fluxo muito forte. Admiti então que me fosse esvair em energia como outros se esvaem em sangue, mas mantive-me calma, sem sobressalto.

É impossível saber quanto tempo isso durou. Tanto quanto recordo foi muito tempo, mas é possível que esteja a exagerar. Foi o tempo suficiente para eu saber que estava a dar algo de mim ao Infinito. Ou será que eu estava a receber? Não sei. Depois desse muito tempo de que não sei a duração, eu, deitada, sem medo, disposta a aceitar o que tivesse de acontecer, vi descer uma espada verde-esmeralda, que ficou suspensa no ar durante algum tempo, o tempo suficiente para eu a admirar. Reparei então que a espada não tinha copa. Tinha o punho e seguia logo a espada de dois gumes. E era de esmeralda. Depois a espada começou a deslizar e ficou na horizontal, suspensa no ar.

Não sei de onde vinha a luz. O quarto estava às escuras, mas via-se tudo. A própria espada teria luz? Não sei. Então, estando a espada deitada, começaram a descer estrelas sobre a espada. Estrelas de várias cores. Brancas, azuis, rosa, não sei…

 As estrelas desciam sobre o punho e seguiam uma a uma ao longo da espada, um pouco afastadas. Chegadas ao meio pareciam entrar na espada e apareciam no outro gume e prosseguiam de novo um pouco afastadas até à ponta. E as estrelas giraram à volta da espada, formando o oito, no que me pareceu ser a dança do Infinito. E era lindo de ver. Tudo era luz e dança e infinito. Depois terminou. Soube então que aquela era a minha espada! A minha guardiã de luz.

Permitam-me que não diga mais sobre isto.


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A ESPADA DE PAU


Mais tarde conheci um cientista a quem fora dada uma espada de pau. Fiquei muito espantada, mas não disse nada. Procurei o amigo que tem um profundo conhecimento destas coisas e perguntei-lhe porque fora dada aquele senhor uma espada de pau. O meu amigo explicou-me então que, no caminho espiritual, a espada de pau é dada para que a pessoa aprenda a utilizá-la sem se magoar nem magoar ninguém. O que me pareceu lógico.

Agora, uma revelação, que pode parecer chocante. Entre os muitos desenhos e pinturas que fiz há 20 anos ou mais, guardo uma pintura da rainha Santa Isabel em que, encostado ao longo vestido, tem algo que sempre me pareceu um tanto despropositado até há bem pouco não soube interpretar. Julguei que se tratava de algum adorno do vestido, que eu não soubera concretizar. Recentemente, fazendo um balanço das coisas aprendidas, percebi finalmente que, sobre o vestido da rainha, o que lá está é uma espada de pau. E isto foi para mim uma grande surpresa. E surgiu-me a ideia de que, para lá da santidade, há outros graus a atingir na evolução espiritual. Mas disto não tenho a certeza.



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 PS: Tenho muito gosto em estar de volta. Oxalá que o Céu me inspire e me ajude a recuperar a informação recebida. E que ela possa proporcionar o encontro de cada um/a com a sua própria mensagem. Cada um de nós tem algo de único a transmitir. Não há caminho certo a indicar. Basta ser autêntico/a. O resto chega no tempo certo. 

Passam poucos segundos após a meia-noite, do dia 15 de Agosto. Dia da Ascensão da Virgem, na liturgia cristã. Um dia emblemático. Acho que o tema escolhido é apropriado ao dia que começa...


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Clara, Uma Irmã



ISABEL VERSUS CLARA, UM MISTÉRIO A RESOLVER

Encontrei num livro, já lá vão mais de 25 anos, a reprodução de um busto policromado da rainha Santa Isabel, talhado em madeira. Fiz uma fotocópia, que conservo, sem a anotação do título do livro.

A história começa aí. A folha do papel da fotocópia era pouco espessa. A imagem transparecia do outro lado e eu decidi sublinhá-la a lápis. Assim fiz. Ou julguei que fiz. Trabalho feito, quem eu tinha sob os meus olhos era a imagem de Santa Clara! E, à sua volta, outros rostos foram surgindo.

Quando coisas destas me acontecem, a primeira reacção é de surpresa. Depois, tenho palpites. Olha, disse para mim própria: não será que a Rainha Santa é a reencarnação de Santa Clara?

Como ninguém me respondeu, deixo em suspenso a questão. Afinal, somos um contínuo, a matéria é reciclada. E as almas prosseguem ou perseguem elas próprias um contínuo aperfeiçoamento. Então, a hipótese de uma ser a reencarnação da outra é muito possível. Provas? Não há. Não tenho, nem sei de certeza certa. Conto então o que pensei e me pareceu verosímil depois de ter desenhado vendo, à volta da imagem, as figuras que podem observar, uma das quais é a Rainha Santa muito nova. Sabe-se que Isabel tinha, aliás, uma grande admiração e devoção pela Irmã Clara. Adiante.

Pintei a determinada altura Santa Clara e a Rainha Santa no mesmo quadro, aliás um dos primeiros que mostrei. Hoje volto a falar de Clara para contar três sonhos que tive por essa altura e que continuam ainda a intrigar-me.


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UM SOL NA POEIRA DA ESTRADA


Eu estava em Assis e ia à procura de Clara e Francisco. Ia a caminhar por um terreno de terra batida e, de repente, vi um sol a brilhar no chão, sob a poeira que o tapava. Precipitei-me para o apanhar, mas ele desapareceu.

No segundo sonho eu estou de novo em Assis, na cripta de uma capela. Estou num pequeno aposento, deitada de costas. Sei que alguém está do meu lado direito, mas não o vi. Não sei quem era.
Vou receber uma iniciação.

Tenho o rosto voltado para o lado esquerdo. Está lá um frade, muito pequeno e magro. Eu conheço-o desta vida, mas ali ele é muito mais pequeno e curvado. Muito curvado. Tem uma caneca na mão e deixa o quarto para ir buscar água. Reparei que, quando saiu do quarto, desceu três degraus.

Não sei se o sonho parou ali. Não me lembro.

No terceiro sonho eu estou em Itália e quero visitar o convento onde viveu Santa Clara. Estou na entrada e peço para falar com a Irmã Clara. As freiras olham para mim e riem, riem muito. Volto a fazer o pedido e elas voltam a rir, como se eu estivesse a brincar com elas.


    

         

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CLARA E FRANCISCO DESENHADOS EM CARTAS



Comecei  a desenhar Clara com mais insistência em 1989. Numa das vezes, estava a escrever a um amigo. Guardo duas cartas, uma minha, a outra dele, em que Francisco é obviamente mais feliz com o caminho escolhido do que Clara.

Ela é uma menina fascinada pela paixão pelo divino que divisou em Francisco. Apaixonou-se pela capacidade de entrega desse homem, que foi capaz de amar o divino até ao despojamento total, até à nudez em público. Deve tê-lo visto despir-se para devolver as roupas ao pai. Acima de tudo, Clara amou aquela intensidade, aquela paixão. É um amor assim que ela quer para si. Ou pelo menos é um amor assim que ela quer partilhar.

Entretanto, à margem desta labareda de amor, que iria permitir uma renovação na Igreja Católica, ardem as fogueiras do Santo Ofício.

           

Sim, Francisco também ama Clara e admitiu até vir a desposá-la, mas rapidamente percebeu que o encontro entre ambos terá de se dar no divino. Ela poderá pressentir esta luta, mas não a sabe. Deixa-se levar, deixa-se arrastar, mas a escolha de Clara é obviamente Francisco e sofre, sofreu muito tempo sob o seu manto de freira. Sofreu até à transcendência, o que significa que valeu a pena a sua dor!


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A AMOROSA RENUNCIANTE


O que  deixa Clara? O conforto e o aparato de menina rica. Pintei dois quadros em que Clara se veste segundo a sua condição. Foi-me mostrado isso para que pudesse ver o aparato que deixou para trás.

Clara teve saudades da vida que deixou, do cabelo comprido, da pompa dos vestidos bonitos? Estou em crer que isso teria sido mais suportável se tivesse Francisco na proximidade. Tenho a sensação de que Clara gostaria de ter feito uma vida de beguina, gostaria de ter andado de terra em terra a pregar com Francisco, sei lá! Ter ficado encerrada numa cela, acho que não estava nas suas aspirações…

O engraçado é que entre as minhas primeiras esculturas havia uma de Clara com aspecto de menina rica. Um dia quis oferecer uma das estatuetas a um amigo e propus-lhe que escolhesse entre várias. Ele escolheu a de Clara, dizendo: «Esta menina vai gostar muito de ir passear!» Calculem! Nunca mais esqueci.

No seu confinamento, Clara descobriu a transcendência. Doente, sem poder ir assistir à missa, viu a missa na parede da sua cela. É por isso que é a padroeira da televisão. O engraçado é que me sinto muito próximo dela, por ter a possibilidade de ver na parede ou no papel estas imagens que vos mostro.

 A vida é verdadeiramente um grande mistério.


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Nota:
Boas férias. Para todos e para mim também. Em Setembro cá estarei, se o Céu achar por bem. Obrigada por me terem acompanhado estes meses, em que aprofundei e percebi melhor a mensagem recebida. Obrigada.




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Um Sonho Realizado



TAREJA É A CASA, O INÍCIO, A MÃE




Tareja e Henrique entenderam-se. Parecem ter sido felizes, segundo as imagens que desenhei e pintei ao longo dos anos. Foram um casal com interesses e objectivos comuns.

Ela é bela, sensual, «salerosa». Repare-se no desenho a tinta-da-china. Os elementos da feminilidade estão representados: os seios, as pernas ou uma perna, com uma meia bordada e com folhos. Sexy? Tudo isto misturado com o ter, a posse das casas, das cidades. O Ter como pano de fundo. Há até um povoado murado, com a forma de um coração. Invertido. É o jogo do Ter que joga este casal. E parece ser feliz com isso. Tareja e Henrique estão a lançar os fundamentos de um País com os primeiros tijolos. Afinal os tijolos com que cada um de nós se faz e refaz, quando surge na Terra. Mas há um sonho a despontar no rosto de Tareja. E doçura.

Ela é a verdadeiramente a Casa, o início, a Mãe.


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A CONDESSA VIÚVA


D. Henrique foi ferido numa batalha. Na cabeça. Vi-o quando modelei esta escultura, em 2001. Tive de repará-la em 2005. O barro não está cozido, não sei se vai aguentar muito mais. Começou a abrir fissuras, que estou a tentar reparar.

Mostro-lhes primeiro as costas da escultura. Está lá tudo. A Taça. O conde morto. A dor de Tareja. A dor de uma mulher só e a determinação no olhar. O futuro que vai ter de enfrentar.



Os anos passam. Os filhos crescem. Afonso Henriques irá fazer porventura 20 anos. Já não se contenta em assinar documentos com a mãe. Quer o Poder, que ela partilha com Fernando Peres de Trava.

Uma coisa é a ideia, o projecto. Outro a realização. Teresa tem dificuldade em ceder. O condado é seu. Transmitiu-lho o seu pai. Há-de transmiti-lo ao filho. Quando for tempo. Quem sabe se não conseguirá juntar a Galiza a Portugal?! Afinal, são a mesma gente! A mesma língua… Só precisa de mais tempo. De mais algum tempo. Tem Fernando Peres de Trava do seu lado. Tudo se tornou possível com esse aliado, agora seu marido. Claro que se tiver um filho varão a situação pode complicar-se, mas já não é uma menina e teve vários filhos e só um varão… 


Afonso conhece a firmeza e determinação da mãe. Com os seus bons modos e fina delicadeza tem uma vontade de ferro. Nada a detém, quando julga ter razão. Já a tentou convencer de que é tempo dele assumir a liderança do Condado. A influência dos Peres de Trava está a tornar-se negativa. Os Nobres de Riba Douro estão inquietos. Já nem querem contactar com ela. É tempo de ceder…

Ela não cede. Considera uma afronta a avidez do filho pelo Poder. É uma afronta. Luta. É vencida, em Guimarães. Presa, com grilhetas nas pernas. Amaldiçoou-o. Dizem que amaldiçoou. Não sofreremos todos por isso. Por essa maldição transmitida ao longo dos tempos?




















Como perdoar? Como esquecer? Foi essa a aprendizagem de Teresa ao longo dos séculos. Como acolher de novo esse filho e amá-lo.

Acho que ela aprendeu como fazê-lo. É pelo menos o que mostra a escultura vista de frente. Tareja dança como uma sacerdotisa. Dança recebendo as energias dos Céu e espalhando-as sobre Portugal. Ela voltou, deu-se a conhecer nas esculturas, para que Portugal se cumpra. Para que Portugal abrisse e entregasse finalmente o Graal.


Tudo isto é um Sonho? Sim, creio que tudo isto é um sonho. Uma imaginação. O importante é que o Porto do Graal se alargou a todo o Mundo. E o Ser Humano pode colectivamente renovar-se e viver em plenitude a Idade do Ouro.


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um Trono Vazio



A MINHA FAMÍLIA EGÍPCIA...


Já falei da Escola Nocturna, que ainda frequento, mas agora raramente me lembro das lições. Não acho que isso seja muito relevante. O importante é que, na vida quotidiana, se acabe por pensar ou proceder segundo as lições aprendidas no sonho.

Houve tempo, porém, em que os sonhos eram muito importantes e alguns deles foram especialmente marcantes. Vou contar um, que me chocou muito na altura, e se mantém ainda muito vivo em mim.
Eu tinha uma instrutora. Não me recordo como ela era. Se calhar nunca a vi. Recordo a sua voz e os seus modos, que colidiram com a minha sensibilidade. Sempre pensei que, do Outro Lado, tinham mais tolerância com as nossas fraquezas. Mas não, a senhora era sabedora, eficiente, mas tinha pouca paciência com as minhas sensibilidades.

No primeiro sonho fui colocada em frente de uma chapa de metal, podia ser alumínio ou algo parecido. Tinha a função de uma televisão, sem o aparato. Então, estando eu em frente desse «espelho», vi começarem a correr imagens de crianças a brincar. Nessa altura, uma voz começou a dizer:
«Quando na XXX  havia crianças…»

 (Desculpem, não vou dizer o nome da região. Já lá vão mais de 20 anos, não aconteceu nada, sinto que não devo lançar a inquietação dizendo o local).

Ao ouvir aquela frase entrei em choque, porque a ideia de não haver crianças em determinada região só poderia resultar de um grande cataclismo. Comecei a chorar. A minha instrutora parou imediatamente a lição, dizendo, indignada, e talvez também com algum desprezo: «Estes intelectuais são impossíveis!» E terminou a lição.

Supliquei-lhe que continuasse e ela, perante as minhas súplicas, ao fim de algum tempo decidiu recomeçar a lição, mas com outro tema: o Ka. A explicação tinha como suporte uma múmia.

Actualmente, nós, ocidentais, consideramos que o ser humano tem alma, corpo e espírito. No antigo Egipto, chamavam a esses elementos respectivamente ba, ka e akh. Mas o ka não pode ser identificado simplesmente com o corpo. A Wikipédia diz que o «ka pode ser definido como um princípio ou elemento metafísico, imaterial, invisível e volátil e de certa forma metafórico»…

Eu li bastante sobre o assunto há muito tempo e, na altura, julgava saber o que esses conceitos significavam, mas o que a instrutora me ensinou era totalmente diferente. Não tinha nada a ver com o que eu tinha aprendido.
Eu estava muito interessada na lição, de que não recordo nada mas, de repente, ao fundo, vejo sentados, como se estivessem a assistir, um faraó, a mulher e as filhas, que reconheci como sendo família. A minha família. Fiquei tão alvoroçada por esse reencontro que corri para eles, esquecendo a lição e a instrutora. Desta vez, ela não disse nada. Simplesmente acabou a lição e acho que desistiu de mim.

Seja como for, desse sonho ou dessas lições trouxe recordações, que acabei por desenhar e esculpir e agora vou mostrar.



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A CABEÇA DE ÍSIS É UM TRONO VAZIO


Vi a belíssima cabeça de Nefertiti no Museu de Berlim, alguns anos depois deste sonho. «A mulher mais bela de Berlim», foi assim que a apresentou, ao grupo em que eu estava integrada, a intérprete-guia que nos acompanhava. Gostei tanto de ver essa escultura que lhe dei destaque na reportagem que então escrevi.


 Modelei, mais tarde, em 1989, um rosto de mulher que, no lugar da cabeça, tinha um trono. Um trono vazio. Dei-lhe o nome de Nefertiti, ainda que não tenha nem a beleza, nem o encanto da rainha egípcia. Nem seja nada parecida. O estranho é que aquele trono tem a sugestão de dois homens, um em cada lado. E ao esculpir a cabeça, uma frase surgiu repetidamente no meu cérebro.

«A cabeça de Nefertiti é um trono vazio. A cabeça de Nefertiti é um trono vazio…».

Esta frase tinha uma ressonância profunda em mim. Mais tarde, numa série sobre a religião egípcia, que está na Internet, «O OLHO DE HÓRUS», fui encontrar finalmente a frase. É difícil saber em que episódio foi e são talvez doze, mas essa frase continua a ressoar em mim, tendo eu a convicção de que não atinjo todo o seu significado. Esqueci a explicação, que deve ter sido divulgada na série. Mas acho que esqueci de propósito, porque o importante é que as nossas cabeças sejam eventualmente, tronos vazios, até que finalmente nos recordemos. Então teremos a resposta.

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Andei dois dias sem ter nada para acrescentar, o que não é habitual em mim. Ontem, fui sair. Levava umas sandálias e… caí. Há muitos anos que não caio. Tenho uns leves arranhões no braço direito, dores nos joelhos e… uma grande nódoa negra à volta do olho direito, sem que o derrame tenha afectado a vista. Dói-me o corpo, mas não é nada de cuidado.

Considerei isto como uma chamada de atenção. Que é que eu não estou a ver? Que estou a deixar escapar? Ou: o que é que eu não quero saber? Depois do pequeno-almoço, voltei para a cama para pensar sossegadamente. Foi interessante recordar todas as memórias que me ocorreram, ligadas às personagens de que me propus falar. Memórias da minha história pessoal de agora ligadas a memórias vivenciadas no Egipto por duas amigas minhas… Precisava de encontrar todos estes fios que interligam os desenhos e as esculturas, que me foram dadas certamente para isso…

Comecei por ir à Wikipédia para tentar encontrar a explicação para a frase «a cabeça de Nefertiti é um trono vazio». E não encontrei nada que se adequasse. Então lembrei-me de que o rosto não é parecido com o de Nefertiti e fiz a busca só com a frase «a cabeça é um trono vazio». E a resposta apareceu no artigo «A arte funerária do Antigo Egipto».




Não se trata de Nefertiti, mas de Isis, que «usa na cabeça um assento com espaldar (trono), que é um hieróglifo do seu nome». Os dois homens insculpidos nos dois lados do trono serão então, eventualmente, Osíris e Hórus. O marido morto e o filho. Serão?
A minha mente sabe muito mais do que eu.



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UM ROSTO QUE QUASE DESAPARECEU


O primeiro desenho que fiz, a lápis de cores, foi a 21 de Julho de 1988. Acho que dei nome desde logo a algumas das personagens. Outras continuam por identificar. Mas são todas egípcias e viveram sob os desígnios do Espírito, como revela a pomba pousada numa das personagens. Reconheço Nefertiti, Akhenaton, Cleópatra, bela apesar do seu grande nariz, três casais que ainda não identifico e, do lado esquerdo, em baixo, uma jovem muito bela, que será uma das filhas de Nefertiti, a que casou com o pai.

Essa jovem apareceu, em outra pintura, à esquerda de Nefertiti, ao alto, de novo muito bela. O estranho é que, pintada com verniz das unhas, na mesma altura que o resto do quadro, o seu rosto quase desapareceu. Pode haver uma explicação racional?


Um dia convidei uma amiga para almoçar e mostrei-lhe esse quadro. «Repare!», disse-lhe, apontando para a figura hoje quase desaparecida. Eu não tinha nenhuma segunda intenção. 

Foi para mim uma surpresa, um choque, uma coisa hoje engraçada, ela ter começado a desculpar-se, explicando como aquilo acontecera. «Sabe, muitas vezes as miúdas apaixonam-se pelo pai.» E quase pediu desculpa. Fiquei tão estupefacta que não reagi, ao mesmo tempo que tudo aquilo me parecia verosímil e com sentido. Ela era ou seria a filha de Akhenaton e Nefertiti, a que casou com o pai. Eu tê-la convidado para almoçar também foi estranho. Era a primeira vez que o fazia. O ter-lhe mostrado precisamente aquela pintura, porquê? E porque não outras? O certo, certo, é que a imagem quase desapareceu e não me decidi reavivá-la. 


Agora reparem, este quadro foi pintado mais ou menos na mesma altura e com os mesmos materiais, representando o que parecem ser Nefertiti, Akhenaton e outros elementos da família. Que aconteceu? Nada. A pintura contínua intacta! Os deuses lá sabem porquê.

 Só mais um desenho, em que se repetem as mesmas personagens, com a serpente e o maço. Não vou fazer especulações. Se chegaram até aqui é porque têm alguma coisa a ver com esta realidade.
desenho a tinta da china


Por fim, quero mostrar a escultura de uma esfinge que, nas costas, tem o casal real já referido e a mãe de Akhenaton…



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FOSTE MINHA FILHA NO EGIPTO



Tive uma outra amiga que, quando ela surgiu na minha vida, lhe disse inopinadamente, no terceiro ou quarto encontro: «Foste minha filha no Egipto!» Não sei porque lho disse. Saiu. Nunca me tinha saído nada de semelhante, nem voltou a sair. Ela não reagiu, só me disse que eu podia tratá-la por tu, mas ela não se sentia capaz de o fazer.

Passaram-se anos até que a minha amiga finalmente me falou da sua vida no Egipto. Contou-me que se recordava de viver num palácio, mas não se lembrava quem eram os pais. O importante é que, a partir de determinada altura, começou a sentir o apelo irresistível do deserto, que a chamava. Um dia, conseguiu escapar-se sozinha e caminhar para o deserto. Sabia que ia à procura de uma pirâmide. Uma pirâmide cujo topo era revestido a ouro. Uma força atraía-a para lá. Aproximou-se e ficou parada a olhar.

Então, uma luz entrou na sua cabeça, iluminou-a. Por dentro era toda luz e via, via por dentro, o indizível, mas deixou de poder ver o exterior… Alguém a reconduziu ao palácio, mas o que lhe aconteceu mudou irremediavelmente a sua vida. E a vida dos pais. Não se lembrava de mais nada.

É esta história que me leva a especular se foi este incidente com uma das filhas que mudou irremediavelmente a vida de Akhenaton e terminou com a «aventura» de Armana, pondo fim à religião do Deus Único, que o casal real tentara implantar?


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MEMÓRIA COLECTIVA? 


Estas coisas passaram por mim, marcaram-me, mas deixaram-me sempre disponível para ser quem sou, quotidiana e vulgar. É meu privilégio não ter uma vida monótona e aborrecida. Estou muito grata por isso.

O que eu aprendi com os segredos dos meus desenhos! Dou graças por todo este desafio e afirmo-lhes que é possível, a todos nós, chegar à franja do nosso cérebro onde está registada a história do mundo. Talvez nos sejam dados determinados acessos. Talvez possamos escolher. Não sei como funciona. Acho que uma das condições é a intenção firme de servir. Servir o outro revelando que a Vida é muito mais larga e interessante do que aquilo que nos condicionaram a crer.

Agora, uma observação: é possível que estas histórias façam parte do mundo onírico e que haja muita mais gente no Planeta que tenha acesso a essa informação, considerando-a como sua. Tratar-se-á da memória colectiva, que é também património da Humanidade. Cada um vivê-la-á, segundo a grandeza da sua alma.

Tendo sido ou não as personagens que recorda. Não tem importância. Somos quem somos, com toda a vida e sonho do Mundo nas nossas células. Há que ter a coragem de abrir o coração e a mente ao Universo.   

sábado, 14 de julho de 2012

O Cálice da Vida




O CASAMENTO DA TERRA COM O CÉU 


Cada um de nós tem um cálice. Esse cálice é a nossa cabeça. Quando um ser humano nasce, esse cálice vem aberto. «Cuidado com a moleirinha!», dizem todas as mães aos filhos mais velhos, quando eles pretendem pegar ou acariciar o recém-nascido.

A sabedoria popular tem todo o conhecimento impregnado. Sabe não sabendo, ou sabe porque as avós já diziam que era assim. A moleirinha é muito frágil. Sim, é preciso cuidado. O recém-nascido tem o seu cálice aberto para facilitar o nascimento. A cabeça é comprimida no canal da vida, mas também massajada, preparando o nascituro para o seu novo habitat. A moleirinha é, portanto, frágil, mas adequada à sua viagem pelo canal da vida.

A moleirinha tem um nome científico: a fontanela. Aliás, um nome adequado, porque é simultaneamente uma fonte de vida e uma janela. A vida, uma vida superior, pode jorrar por ali. E é uma janela que permite aos olhos verem os anjos e as estrelas. Os bebés, nos primeiros tempos de vida, quando nascem sob uma boa estrela, sorriem muito aos anjos e às estrelas, que a sua moleirinha lhes permite ver. 
Com o passar do tempo, a moleirinha fecha, ossifica e os bebés aprenderam já então a sorrir e a chorar à vida e com a vida em seu redor.

A moleirinha fecha, mas eventualmente será de novo aberta, de uma outra maneira, mais tarde. Será aberta por e às energias divinas, após um longo trabalho interior, quando o ser humano aprendeu as lições que a vida tinha preparado para ele. Então, o cálice volta a abrir-se e passa a haver, em permanência, um intercâmbio entre a Terra e o Céu. Melhor dizendo, entre o Céu e a Terra, insuspeitadamente, dentro daquele ser humano.

    Estou em crer que cada um de nós, seres humanos, é a ponte que liga em permanência o Céu à Terra e a Terra ao Céu. Os pés são o ponto de contacto permanente com a Terra, que permite o casamento contínuo entre o interior da Terra e o Céu. Quando a ligação do Humano com o Céu e a Terra está estabilizada, acontece que ele se torna numa caixa-de-ressonância da mais pura alegria e prazer.

 O casamento da Terra e do Céu faz-se pois através do ser humano. Esse é o segredo que as religiões deveriam veicular e não a contínua mensagem de sofrimento. Embora o sofrimento possa algumas vezes servir para nos centrar, não é de maneira nenhuma o objectivo. A Terra já foi o Paraíso. São a avidez e ignorância humana que a transformam ciclicamente num inferno.

Se pudéssemos Ver, veríamos que a energia sobe e desce continuamente, com pequenas partículas de luz que revoluteiam no Ar e são alimento. Em certas circunstâncias poder-nos-íamos alimentar de Luz. Creio que o Ser Humano vai beneficiar disso num futuro não muito longínquo!

Fiz um desenho que mostra o processo. A energia desce em partículas muito pequenas, penetra na terra e nas pessoas, que se prepararam para a receber, e recria a Nova Terra.

       
Sei que há grupos que anunciam para breve grandes cataclismos. Eu disso não sei nada. Nem quero saber. Mas sei que cada um de nós tem a capacidade de modificar o futuro e de contribuir para que a Terra ascenda à quinta dimensão. Mas disso, repito, nada sei ou sei o que leio, mas só acredito verdadeiramente no que o meu Eu interior me diz e na lógica das probabilidades. (Atenção, façam o mesmo!) Não podemos semear cardos e colher rosas, não é? Há um ditado popular que diz que cada um de nós colhe aquilo que semeou. Daí que a passagem para a Era do Aquário possa ser marcada por alguma dor. Aliás, o panorama mundial aponta nesse sentido. A palavra do dia é hoje recessão. Como sou uma optimista, acho que a recessão é o caminho que nos pode levar a uma forma de vida mais equilibrada e não a este desequilíbrio de consumo disparatado que a população, nas últimas décadas, tem sido levada a praticar, delapidando o Planeta.

Acho que uma parte substancial da humanidade foi empurrada para a loucura do consumo, enquanto a outra era deixada a morrer à fome, deliberadamente. Foi uma estratégia? Pelo menos, não foi feito o bastante para que não acontecesse.

 O excesso de consumo e o excesso de pobreza estão neste momento confrontados. Não podem ser ignorados por mais tempo. Como é que isto se muda sem grande dor? Não sei, mas se pensarmos colectivamente sobre isso, talvez surja a solução. O primeiro passo será o de ultrapassarmos os egoísmos. Os nossos egoísmos pessoais que nos isolam na nossa pequenez, quando todos fazemos parte de uma única entidade: a Humanidade. Disso, ninguém tem dúvida. Somos deuses em forma humana. Aí o consenso não será total. Mas não há problema algum nisso. Basta que sejamos verdadeiramente humanos. E o objectivo está cumprido! É isso que é preciso proporcionar a todos: o de serem realmente Humanos. O resto virá por acréscimo.



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O QUE É SER HUMANO?


Não há um tipo único de ser humano. É uma verdade à monsieur de La Palisse. Mas desenhei várias características de seres humanos, que nos distinguem uns dos outros, nos caracterizam. E isto não depende da riqueza nem do grau de instrução, nem da categoria social. É uma condição interior, que nos torna todos iguais e todos diferentes.

Vou apresentar-vos, primeiro, os sonhadores, que andam sempre nas nuvens e são aliás pessoas bem interessantes, se não se desligarem totalmente da realidade. Vejam como eles andam nas Nuvens. Que bom! Não são tão bonitos? Pertencem ao elemento Ar.


 Do elemento água, apresento-vos dois espécimes. O primeiro, o dos seres humanos que têm a fluidez da água e avançam em catadupa. E o segundo, composto pelos seres que são frios como gelo e mais lembram icebergs, montanhas geladas.




O elemento Terra representei-o como uma árvore que explode em gente pelos ramos, sendo musgo, folhas conviventes, aprazíveis, com um sentido de grupo, possivelmente solidárias.



E, por fim, o fogo a explodir em gente pela cratera do vulcão e a derramar-se pela encosta, deixando lava e cinza pelas encostas. Será o seu destino galvanizar gente ou queimar-se no próprio fogo, deixando um rasto de cinza? Uma cinza que, todavia, fecundará a Terra e deixará por onde passa, embora incomodando, um rasto de fertilidade?



Há ainda um outro fogo, o fogo do Amor. É magnífico, mas também pode destruir, como a maior parte de nós bem sabe… Mas também salva. Só o Amor nos pode salvar.






O importante, porém, é que, seja qual for o elemento que trabalha preferencialmente o ser humano, este não se convença da superioridade dos dons recebidos, transformando-se então, num perfeito asno.
Estas algumas das lições que aprendi desenhando e que tenho muito gosto em partilhar. Como as ilustrações são em tamanho reduzido, podem aumentá-las abrindo um novo separador com o botão direito do rato. Mas isso sabem com certeza muito melhor do que eu!







À margem:
Aos amigos que me escrevem para o Hotmail, peço que passem a fazê-lo com o mesmo endereço para sapo.pt

Obrigada.