terça-feira, 17 de setembro de 2013

Histórias com Gatos




CABE-NOS REGENERAR O PLANETA


Falei de política a semana passada, mas há vida para além dos jogos de Poder nacionais e internacionais.  Somos inevitavelmente influenciados por esses jogos, mas cada um de nós tem ou deveria ter o seu próprio espaço, muito para lá do exterior que nos condiciona ou pretende condicionar. O espaço que inventamos e onde nos movemos. Um espaço de liberdade, íntimo, que criamos segundo a nossa disponibilidade interior e a nossa alma. Um espaço em que acolhemos os nossos afectos e onde recriamos histórias, que podem ser histórias com gente ou com animais.

Dei-me conta que estava a deixar que a política invadisse este espaço. Não é essa a minha intenção. Também cabe aqui, claro, mas é minha intenção privilegiar sempre as histórias de Vida. Que serão hoje histórias com gatos.

Entretanto, à nossa volta tudo se move, numa crescente incerteza, mas tudo, de uma forma ou de outra, acabará por se orientar no sentido certo. É só uma questão de tempo. Aliás, cada um de nós pode orientar o sentido da vida com a força da própria serenidade. Escolhendo ser parte da energia que regenera o Planeta.

E vamos lá então às histórias com gatos…


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O GATO QUE NÃO PERDOOU


Não sei como chegou lá a casa. Alguém o encontrou na rua, teve pena dele e, como há muito morrera o nosso gato, decidiu levá-lo para junto de nós. Era ainda muito pequeno, teria um mês de vida. Pouco mais. Sei que me apaixonei por ele e resolvi adoptá-lo. Arranjei-lhe caixote, passei a dar-lhe leite num pires e a escolher o que de mais tenrinho havia para que ele pudesse comer. E, sem que ninguém soubesse, passei a dormir com ele.

Foi um amor correspondido. Mais do que dona, rapidamente me tornei numa espécie de mãe. Ele era tão pequenino e tão frágil, que se aninhava na minha cama junto à minha mão esquerda. E o inesperado aconteceu: o gatinho começou a mamar na polpa do meu dedo indicador esquerdo. Tornara-me a sua segunda mãe.

Eu trabalhava então numa revista. Quando eu saía, o gatinho ficava junto à porta, à minha espera. Foi um idílio de meses, interrompido pela possibilidade de trabalhar num jornal diário, numa cidade longe da casa paterna.

Na balança da decisão, o gatinho teve pouco peso. Fui viver para essa outra cidade. De casa davam-me a notícia de que o gato não saía de junto à porta de entrada, à minha espera.
Esperou-me durante dois meses. Tinham de lhe levar a comida à porta. Uma dor de alma. 
Inesperadamente, um dia deixou de me ir esperar. Integrou-se na rotina da casa. Foi adoptado pela minha mãe.

Quando voltei à casa paterna, numa das festas natalícias, quis retomar a minha amizade com o gato, já então adulto. Mas ele mostrou-se indiferente. Não me reconheceu, porventura, ou quis mostrar-me o seu ressentimento, quem sabe? Passava por mim como se eu não existisse.

O mais certo foi não me ter perdoado eu ter-me ido embora…


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«NUNCA NINGUÉM GOSTOU TANTO DE MIM»…


Para introduzir a variedade na narrativa, vou relembrar o amor do Pepe. Pepe era o cão do meu filho mais velho. Embora eu tivesse tido relutância em o aceitar, o cão era-me extremamente dedicado. Seguia-me por todo o lado. Tinha por hábito deitar-se aos meus pés, quando eu me sentava num dos sofás da sala, a ver televisão.

Não haveria história se um dia uma amiga minha, também jornalista, me não  tivesse vindo visitar. Almoçámos juntas. Foi muito agradável, com o Pepe sempre muito próximo de nós.
Até que resolvemos ir à pastelaria tomar um café. Vestimos o casaco e preparávamo-nos para nos dirigirmos para a porta, quando a minha amiga reparou no cão e disse, sobressaltada:

-- Antónia, que é que o cão tem, está a tremer?! Estará doente?
 Sosseguei-a.
-Não. Quando percebe que vou à rua e não o vou levar, o Pepe fica sempre assim a tremer!
 A minha amiga proferiu então uma frase que, por mais anos que viva, nunca poderei esquecer:
-- Ah! Nunca ninguém gostou tanto de mim!...


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A REBELDE E DOCE MIMI


É uma história relevante, no princípio e no fim. Durou doze anos, a partir do dia em que a minha nora trouxe a minúscula gatinha do jardim da sua casa de férias..

O meu cão tinha morrido. Foi um desgosto e eu decidira não ter mais nenhum animal dentro de casa.  Quando a minha nora me telefonou a anunciar que me trouxera uma gatinha, a minha primeira reacção foi dizer-lhe muito obrigada, mas que não estava interessada.

À noite, o meu filho mais velho, a minha nora e os meus netos apareceram-me em casa com a minúscula gatinha. Era um encanto, mas obrigada, repeti, não quero ter cá em casa mais animais!

Insistiram. Se dentro de uma semana eu continuasse a não querer a gata, eles arranjavam-lhe outra dona. Deixei-a ficar, só para não ser indelicada. E porque era só mais uma semana!

Os dias foram passando e eu continuava firme na minha decisão. Não queria mais animais! E a gatinha corria como louca pela casa, sabendo porventura da minha recusa em a aceitar.
Passou a semana e o meu filho telefonou-me para saber da minha decisão. «Mas afinal por que é que não fica com a gata?» -- voltou ele a insistir. Sim, a gata andava pela casa numa correria, mas havia muito espaço, não me incomodava. Foi então que lhe disse que ia pensar.  
Apesar das correrias a gatinha era asseada e já se tornara uma presença. Afinal, por que não havia de ficar com ela? À noite telefonei-lhe a comunicar a minha decisão. «Pronto, fico com a Mimi!» Até já lhe tinha dado um nome.

O extraordinário é que, nessa noite, a gata deixou de correr pela casa. E, pela primeira vez, e sem eu a chamar, veio sentar-se no meu colo. Tinhamo-nos mutuamente adoptado. E foram doze anos de um mútuo amor.


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A ALMA GRUPAL DOS GATOS


A Mimi surgiu na minha vida numa altura em que comecei a desenvolver uma forte reacção alérgica ao tabaco. Eu não fumava. Mas numa redacção onde quase toda a gente fumava e onde às 17 horas havia no ar uma espessa nuvem de fumo, eu tossia continuamente. Face ao meu caso, um conceituado especialista de doenças pulmonares receitara-me como tratamento: «Compre uma bicicleta e vá para a beira-mar.»
Não comprei uma bicicleta, mas aluguei uma pequena casa à beira-mar.

O primeiro dia na casa da Ericeira ficou indelevelmente marcado na minha memória. Já a tinha mobilado. A casa era modesta, mas tinha um quê, e via-se o mar da janela do quarto. Estava ansiosa por estrear a casa, mas ainda não tinha luz, só na segunda-feira a iriam ligar.

Não quis perder o primeiro fim-de-semana junto ao mar. Tinha um candeeiro e muitas velas. Peguei na Mimi e lá fomos nós estrear a casa. Abri o portão, meti o carro dentro do espaço que poderia tornar-se um jardim. Tinha fechado a Mimi dentro de casa, mas depois  de ter arrumado o carro, abri a porta e… a mimi fugiu. Percebem? A Mimi tão pequenina desaparece no grande espaço ao lado e por detrás da casa!...

Já tinha escurecido. Havia uma lâmpada de rua mesmo à porta, que alumiava o espaço, mas se a gata, tão pequena, passasse pela parte debaixo do portão e fosse para a estrada? Tão pequenina… Bem, esta era a minha aflição.  Ainda a fui procurar no terreno atrás, mas não a encontrei.

 Voltei para casa e então tive uma ideia: e se eu pedisse à Alma Grupal dos gatos que ensinasse o caminho de volta à gatinha? Foi uma ideia ingénua, concordo, mas tão inocente!  Não podiam deixar de ouvir-me…
Ouviram! À porta um gato miava. Abri a porta. «Mimi,voltaste…» Foi então que senti um dos grandes sustos da minha vida. À porta estava um gato, sim, mas do tamanho de um cão, com o rabo muito esticado para o ar.

Tive medo, sim. Fechei a porta, sem reflectir, com força. E agora? Aquele gato paranormal iria ficar à minha porta? Com a casa alumiada com velas, senti-me mesmo só e sem defesas.
Depois acalmei. A minha intenção fora pura, o que eu tinha invocado foi para proteger a gatinha, não sabia que estava a fazer mal… Sempre tive a certeza que a intenção pura, mesmo que não seja absolutamente correcta, não pode desencadear o mal. E esta certeza fez-me sentir protegida perante o invisível.

Quando, um quarto de hora depois, ouvi a gatinha a miar à porta, abri sem hesitação nem medo. Era mesmo a Mimi que estava à porta. Entrou e nunca se perdeu nos doze anos de amor perfeito que vivemos juntas.


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UM FUMO BRANCO EVOLOU-SE DA MIMI

Comecei por passar todos os fins de semana na Casa da Ericeira. Chamo-lhe assim, mas a casa não ficava propriamente na Ericeira, mas nas proximidades. Ali também havia cafés, esplanada sobre o mar, mas sem a barafunda da Ericeira. Agora é um espaço que está menos resguardado, por causa dos surfistas.

Entretanto, a minha saúde piorou e o médico aconselhou que me afastasse da Redacção. Aliás, a tempo, porque começaram a surgir outros problemas  de saúde, ainda mais graves do que o meu, entre colegas meus. Entretanto, o cigarro foi proibido na Redacção.

Os anos passaram. Um dia, a Mimi ficou doente. Levei-a à veterinária. Era algo grave, a necessitar de uma operação urgente, mas sem qualquer garantia de sobrevivência.

Disse que ia pensar. E pensei que não ia prolongar o sofrimento da gata, que até já tinha deixado de comer. E então resolvi levá-la para a casa da Ericeira, onde ela tinha um jardim e espaço e podia viver os últimos dias entre as flores.

Como ela não queria comer comprei, na farmácia, uma bisnaga com um alimento completo, que lhe punha várias vezes ao dia na boca e ela lambia. E passamos assim mais de uma semana, perto do mar, à espera que chegasse a sua hora, mas a gata não melhorava, mas também não partia.

Eu tinha um compromisso dois dias depois em Lisboa. E, por ridículo que pareça, eu contei alto, à Mimi, que ia ter que regressar a Lisboa, onde ela ficava confinada à casa e à varanda, mas não podia deixar de ser. Mas voltava no fim de semana…

No dia seguinte de manhã, como sempre, a Mimi foi para o seu ligar habitual no jardim, debaixo de um arbusto. Levei-lhe água e pus-lhe a comida na boca, como se tornara habitual.

Às seis da tarde, a Mimi regressou voluntariamente a casa. Chegou à sala e saltou para a cadeira de verga, junto à janela, mas miou de dor e desceu a seguir. Foi então que peguei numa toalha que estendi no sofá. Peguei na Mimi que coloquei, deitada, no sofá. E, nesse preciso momento, a Mimi teve uma convulsão, estendeu as patas e morreu.
Fiquei a olhá-la. Então vi soltar-se do seu corpo uma espécie de fumo branco, que subiu lentamente no ar e que eu pensei ser a sua força vital, a sua alma, que partia para se reunir à alma grupal dos gatos.

Foi precisamente neste momento que entrou na sala a gata Becas, de quem ainda não falei, e que olhou inquieta para todos os lados, Não viu nada porque, entretanto, eu tinha tapado a Mimi com parte da toalha. Mas ela soube que algo tinha acontecido.

Telefonei depois ao jardineiro que, na manhã seguinte, pelas sete horas, foi abrir uma cova para a enterrar. O local ficou assinalado por um grande pedregulho, a uns dez metros da janela da cozinha.

Pelo tempo que ainda lá fiquei, e foram anos, pude sempre olhar aquele pedregulho sabendo que era ali que ela estava sepultada.  A minha tão doce Mimi, que sempre foi bravia para a maior parte das pessoas.


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COMO A BECAS ENTROU NA MINHA VIDA


Nos 14 ou 15 anos que mantive a casa da Ericeira, foi sempre no mesmo local, mas não na mesma construção. A certa altura vagou uma vivenda e eu mudei-me para lá. Tinha mais espaço, uma zona onde poderia apanhar sol, sem ficar muito exposta aos olhares.

A casa era maior e tinha um jardim à frente da casa. Nas traseiras havia espaço para a mesa, cadeirões, etc e privacidade. Com mais espaço passei a ser mais assediada por gatos.

Apareceu no jardim uma gata prenha e eu passei a dar-lhe de comer uma vez ao dia, mas fora de casa. Depois de ter a ninhada e, como se sentia protegida, levou-a para o meu jardim, resguardada sob um arbusto.

Foi então que descobri que ela tinha abandonado um gato, no local onde teve os filhos, por ele ter os olhos quase colados. Pressenti perfeitamente que ela estava a sacrificar um para defender a ninhada.

Lavei os olhos da gatinha, que era porventura a mais bonita da ninhada. Fui à farmácia e comprei o medicamento aconselhado pelo farmacêutico. Tratei-lhe dos olhos, até ficarem bons. Quando isso aconteceu fui pô-la na ninhada. A mãe aceitou-a e tudo pareceu entrar na normalidade. Eu continuava com a minha Mimi. Havia uma ninhada de gatos no quintal, mas isso não era responsabilidade minha.

Uma tarde, já perto da hora do jantar, ouço miar à porta. Era a gata, mãe da ninhada, com um gatinho preto, com manchas brancas no peito e nas patas. Uma gata não fala, mas eu entendi. Ela vinha oferecer-me aquele gatinho que, soube então, era também uma gata. Achei isto tão extraordinário que deixei a gatinha preta entrar e a mãe foi-se embora, como se tivesse cumprido a sua missão e fosse ali apenas para me entregar a filha.

Tentei arranjar cama para a gatinha, mas desaparecera, não a encontrei. No dia seguinte de manhã, finalmente apareceu. Apareceu e fez xixi no chão da cozinha e é por isso que conto esta história.

Chamei a gata mãe e mostrei-lhe o xixi. Disse-lhe que não podia ficar-lhe com a filha porque ela não sabia ir ao caixote. O espanto de tudo isto é que a gata percebeu o que eu estava a dizer. Virou-se para a parede, que fitou talvez durante dez minutos, como se estivesse a fazer algo para lá do meu discernimento. E eu ali, quieta, espantada, a tentar perceber. Depois olhou para mim, com intensidade, e foi-se embora. O que foi que ela me quis dizer? No dia seguinte percebi. A gata esteve a ensinar mentalmente a gatinha que me  tinha oferecido e que nunca, nunca mais, fez xixi fora do caixote! Também percebi que aquela gatinha era especial, Eu diria que era, é, um animal de poder. Com uma grande personalidade. Acho que ela me guarda. Ou sou eu a imaginar…

Isto que aconteceu com a gata preta é mais uma demonstração da existência de uma consciência superior animal e de que tudo o que nos rodeia é consciente e mágico. Nós é que andamos distraídos e somos uns grandes convencidos da nossa superioridade.

Sabem por que conto tudo isto? Porque a irmã da minha gata pretinha, a quem chamei Becas, aquela muito linda, a quem curei os olhos, está neste momento a tentar sobreviver na minha varanda.

Há uma semana que está doente e os antibióticos não estão a fazer efeito. A eventualidade de ter de a mandar abater causa-me uma grande dor! Quinta-feira vou ouvir o veredicto da veterinária. Não imaginam a lição de ternura, solidariedade, humanidade, sim, que tenho recebido destas duas gatinhas. Duas gatinhas que têm sido muito amadas por toda a minha família.

Xana é o nome da gata que está a morrer e espanta as veterinárias pela sua doçura. É tão doce que a maior parte das vezes lhe chamo Xaninha!


Este texto surgiu em homenagem à Xana, esperando que ainda possa reagir. O certo é que jamais a esquecerei.  



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Os Jogos do Poder


UMA DEVOTADA  APRENDIZ DA ESCOLA DA VIDA



Durante o mês de Julho perguntei-me algumas vezes se devia ou não continuar este blog. Senti, aliás, a necessidade de fazer uma avaliação distanciada do que escrevi até agora. Valeria a pena continuar? Até onde poderia ou queria ir?

Considerei também, algumas vezes, que já tinha transmitido o essencial da minha aprendizagem e que cada um dos possíveis leitores poderia tirar as suas próprias conclusões e, eventualmente, aproveitar o que de melhor nelas pudesse servir à sua evolução.

 Não consegui por muito tempo tomar uma decisão clara. Cada um de nós faz o seu caminho caminhando e o bom e o mau que vai acontecendo são elementos essenciais à própria evolução. É a maneira de encararmos ou resolvermos as situações que se nos deparam que, ao fim e ao cabo, nos apura e nos faz avançar.

A certa altura, senti que algo se está a alterar em mim. Será porque estou mais velha? Não me pareceu que seja isso. É outra coisa. É mais uma espera de que algo se transforme em mim. Ou no mundo. Acho que as incertezas deste mês de disponibilidade foram ou são reflexo de tudo o que acontece no Planeta. Algo parece estar a fermentar e a eclodir e poderá ter aspectos não muito agradáveis. Foi como se tivesse deparado à minha frente com o futuro, um futuro ainda a definir-se, incerto, enquanto o «recado» que tenho andado a tentar passar tenha surgido da parte luminosa da experiência dos meus últimos vinte anos.

Sou por gosto uma devotada aprendiz da escola da vida. Acho, aliás, que todos somos isso e que a vida dá a cada um de nós a possibilidade de ter as experiências que nos permitem avançar. Algumas vezes, a experiência é tão dolorosa ou é-nos tão difícil apreender-lhe o sentido, que temos de repeti-la, em situações diferentes, até que tenhamos percebido o que estamos a tentar demonstrar a nós próprios. Ou ensinar.

As situações repetem-se, não exactamente iguais, mas tão semelhante que, se todos estivéssemos atentos ao percurso interior, acabaríamos por perceber que, com nuançes, vivenciamos repetidamente a mesma experiência, enquanto não aprendemos que não é por ali.

Aliás, no essencial, as nossas vidas não são muito diferentes umas das outras. Aparentemente diversas, as provas são sempre muito semelhantes. Tudo o que fazemos a nós mesmos e aos outros fica a trabalhar-nos e a condicionar a nossa evolução.

Nada é gratuito. Tudo o que nos acontece e acontece à nossa volta tem uma função, mas somos nós que vamos influir na forma como isso vai condicionar as nossas vidas, as nossas relações com os outros e a nossa evolução. Aquilo em que nos tornamos dia a dia. Sempre diferentes, embora aparentemente iguais. E isto ao nível individual e colectivo, ao nível dos grupos, das sociedades e das Nações.


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NOBEL DA PAZ QUER FAZER A GUERRA



 Uma das questões em que tenho andado a pensar é o que pode vir a acontecer após a eventual  intervenção dos EUA na Síria. Que pretende o Presidente Obama?Admito que ele está a repetir a estratégia de Bush a quando da intervenção no Iraque. Isto é, ao dirigir o foco das atenções para a Síria, fá-lo-à para ter mais liberdade de acção em outros planos. Será?
Admito que Obama, como aconteceu com Bush, está a focalizar a atenção na Síria, por razões internas. De que está ele a defender-se? De que pretende desviar as atenções, ao focalizar a nação na problemática da Síria?

Recorde-se o que aconteceu no Iraque. Ao decidir a intervenção no Iraque, Bush consolidou a sua posição internamente. Mas será que a ocupação e a morte de Saddam Hussain prestigiou a América ou beneficiou a população iraquiana? Não, nem uma coisa nem outra. Basta ver o nível de destruição do Iraque e do sofrimento do Povo iraquiano, sabendo-se que o que estava verdadeiramente em causa era o petróleo…

Aparentemente, Bush terá na altura consolidado a sua posição internamente, mas será que os EUA ficaram mais fortes? Com maior prestígio?Pelo contrário. E quantos soldados morreram ou ficaram estropiados, americanos e iraquianos? E o sofrimento e a morte causadas à população, não ficarão a pesar no karma dos americanos? 

E agora a Síria. Qual vai ser a retaliação, directa ou indirecta, da Síria aos EUA se Obama levar avante a intervenção que tem planeada?  Estará o Presidente Obama a precisar de um inimigo externo para consolidar (também ele) internamente a sua posição? E como é que Obama vai resolver a contradição de ter sido Prémio Nobel da Paz, revelando-se agora, por bons ou maus motivos, um Nobel da Paz a mandatar a guerra!

 Ah, os jogos do Poder!… E os presidentes, ainda que de origens e ideologias diferentes, acabam por ser na acção perigosamente iguais.


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O CAIR DAS MÁSCARAS



Penso que já disse aqui, não sei quando, que chegamos a um tempo em que nos vamos definir colectivamente pelos actos e não mais pelo subterfúgio das palavras. Chegamos ao tempo do cair das máscaras.

 De uma maneira ou de outra, a verdade chega às televisões e às páginas dos jornais. A abastança e a riqueza que entra nas nossas casas através dos filmes passados pelas televisões são a realidade a que também temos direito. Esta é a revolução dos nossos dias, a grande revolução. Uma revolução pela informação. Pelo conhecimento.

 A realidade de uns é a realidade possível de todos os outros, se não houver a apropriação indevida da maior fatia do bolo por uns poucos. Tem sido esse o verdadeiro trabalho informativo da televisão, ainda que não tivesse sido essa a intenção. Ou seja: a denúncia das obscenas desigualdades entre ricos e pobres, que continuam a prevalecer no mundo.

 É extraordinário que o sentimento igualitário tenha chegado ao conhecimento de todos não pelos grandes ideólogos, marxistas e outros, não pelos partidos políticos e suas doutrinas, mas através da imagem, da vivência possível revelada através do cinema e da televisão. Já não é possível esconder. Há muita miséria no mundo e muita riqueza ostensivamente esbanjada por uma minoria. E isso não é ética nem socialmente comportável, numa sociedade em que, felizmente, a educação chegou à maioria.


 Está em curso um movimento de regeneração do Planeta, que vai porventura provocar algumas catástrofes, mas cujos resultados vão ser colectivamente positivos.  A regeneração da Terra e do seu humus é coincidente com um movimento colectivo de regeneração da humanidade. A informação circula. A riqueza já não pode ser globalmente retida por uma minoria. E isso é altamente positivo. O que vai permitir o desenvolvimento de uma nova sociedade e de uma humanidade mais evoluída e mais feliz. Mas ainda não é para amanhã.



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Tempo de Descanso e Reflexão


BOAS FÉRIAS






COM SOL E MAR



OU NUM RECANTO DA PROVÍNCIA,
 COM UM VASTO HORIZONTE,
MUITAS ÁRVORES E UMA BRISA FRESCA
O CHEIRO DA TERRA E DAS FLORES
QUANTO POSSÍVEL LONGE DA TELEVISÃO
E RECRIANDO UM FUTURO MAIS HUMANO E FELIZ.


O UNIVERSO É MENTAL
VIVEMOS O QUE IMAGINAMOS.


IMAGINEM UM PORTUGAL MELHOR
MAIS JUSTO E CALOROSO
RETOMANDO A VOCAÇÃO DE SER
PORTU GRAL.






Até Setembro. 

domingo, 28 de julho de 2013

De Olhos no Horizonte




OLHAR O HORIZONTE PARA NÃO ENJOAR


Nos últimos tempos da sua vida, o Prof. Agostinho da Silva dizia muitas vezes: «Vem aí um tempo em que vai ser preciso olhar o horizonte para não enjoar!”. Creio, aliás, já ter referido isto, mas a frase ganhou mais relevância. Porquê? Porque chegamos a esse tempo.

Estamos a viver esse tempo. E que grande enjoo provoca tudo o que se passa à nossa volta! Creio que há uma vontade colectiva de mudar de página, mas o poder estabelecido agarra com pés e mãos a oportunidade de adequar a realidade às suas ambições. Aos interesses do grupo a que pertence. Parece que temos de aguentar, pelo menos até às eleições autárquicas, esperando que a situação mude. E como se trata de uma questão de meses, talvez o Poder em exercício se contenha para minimizar a derrocada das eleições. Veremos com que máscara se apresenta. Talvez Passos aprenda, entretanto, a adequar a linguagem às expectativas dos portugueses, para tentar enganar os ingénuos e os desprevenidos. 

Talvez contenha a sua ânsia de vender tudo ao desbarato, pelo menos até à realização das eleições. A nosso favor temos o facto de ele não conseguir adequar o fácies às palavras e esconder os seus objectivos. É afirmativo, só isso lhe dá a aparência de Poder. Entretanto, isso não lhe permite esconder as suas verdadeiras intenções. Ou talvez nem queira fazê-lo.

De que vale ter Poder se não se tem prazer com ele? Ou autoridade, afirmação pessoal, reconhecimento público, ninharias dessas…


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PORTUGAL E A VENDA A RETALHO

Creio que nunca perdoarei a este Governo a venda a retalho do que de melhor Portugal ainda possui. A possível venda dos Correios vai valer, para todo o sempre, uma grande mancha negra na memória de Passos Coelho e Paulo Portas, como aprendizes a governantes. A História não vai esquecer e serão vilipendiados no futuro por todas as privatizações apressadas e abusivas.

A venda dos CTT vai marcar para sempre, não tenham dúvidas, a imagem destes aprendizes a estadistas. A História não lhes perdoará. Para já, garantiram o direito a serem recordados por, em dois anos, terem conseguido a proeza de baterem o record nacional de mais de um milhão de desempregados! Um record conseguido, aliás, com a ajuda metódica e proficiente de Vítor Gaspar! Há que não esquecer.

Dá uma grande ajuda cultivar a memória de elefante.

Os Portugueses vão aguentar esta situação até quando?


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UMA ONDA DE CONSCIÊNCIA  ESTÁ A VARRER O PLANETA


Se há alguém que, neste País, tem direito à indignação são as mulheres. Que mulher aguenta, sem lágrimas nem revolta, não ter comida para dar aos filhos? Na escola comiam a refeição da manhã! Que vai acontecer, este ano, durante as férias? Como é triste ter de fazer esta pergunta! E ainda que a cantina da escola continue a fornecer alimentação, mesmo no período de férias, quem dará às crianças a refeição da noite, com pai e mãe desempregados? Terão de ir para a cama sem comer?! E o que comem os pais para poderem continuar a cuidar e educar os filhos?! Francamente, nunca imaginei que chegássemos a isto.

 Nunca esperei que a fome voltasse a acontecer na Europa, em pleno século XXI! Fome envergonhada, que será porventura a mais dolorosa das fomes, pois não permite ser nomeada. Uma forme que apela cada vez mais à nossa solidariedade.

Se alguma coisa de bom pode desencadear uma situação destas é o despertar muito vivo da solidariedade e de uma renovada consciência dos direitos humanos. Direitos à Paz, ao Pão, à Saúde e à Educação, sabendo que somos todos irmãos e que ninguém pode ser verdadeiramentre feliz nem sentir-se seguro enquanto houver gente com fome. Alguém que não tem dinheiro para comprar os medicamentos que precisa nem uma casa onde morar. E uma das provas mais chocantes do paroxismo da loucura do homem que alcançou o Poder em Portugal, com falsas promessas, é o descabelado aumento das rendas, para «exterminar?» de vez os mais pobres e os mais fracos?! Se não é isto que pretende, parece.

Indignação: é isto que sinto. Indignação é o que espero que se exprima alto e sem medo por todos aqueles que, neste País, ainda têm consciência. Por todos aqueles que, nos diversos países do Mundo, estão a começar a ter consciência da exploração a que são submetidos e passaram a invadir as ruas para reclamar os seus direitos.

Percebam os que estão no Poder: por todo o Mundo está a processar-se um movimento colectivo e imparável dos que clamam por Justiça. É um movimento que, na generalidade, pretende soluções de equidade e Paz. E, se não as conseguir, o que poderá acontecer? 
Receio seriamente que, se não se encontrar respostas, possa tornar-se incontrolável. E isso poderá não ser bom para ninguém. Lembrem-se da Revolução Francesa, dos descamisados, de todos os famintos da Terra.

Através da Televisão, todos sabem hoje como vive uma minoria de privilegiados. O bom senso mandaria que se desse a todos o essencial, pelo menos, à sua sobrevivência. Ou eles, mais tarde ou mais cedo, reclamarão a sua parte dos frutos da Terra. E os sinais prenunciam que isso vai acontecer AGORA. 

Suspeito que estas palavras não encontrarão eco. Sinto-me, porém, na obrigação de as dizer. Não basta manter os privilégios do Exército, da Polícia e dos Juízes. Tudo se desmoronará se e quando o Povo quiser.  

Entretanto, está sol, as pessoas estão nas praias e, aparentemente, tudo parece estar bem.
Paulo Portas ri,  feliz, porque jogou tudo e venceu… Até quando?


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UMA IMAGEM DE SERENIDADE


E, por fim, a terminar, hoje, proponho-vos como reflexão esta imagem de serenidade.
Por quê? Porque, ainda que tudo à nossa volta pareça estar a ruir, encontraremos sempre um caminho de saída, se tivermos cultivado em nós a serenidade.

Até breve.




  

quarta-feira, 17 de julho de 2013

No Estertor De Uma Civilização


A MUDANÇA DE PARADIGMA 

Ao acordar hoje, tudo à minha volta era luz. Inundada por essa luz fiquei muito tempo a admirá-la. A dado momento, sem pensar, abri os olhos. E vi-me envolvida pela penumbra do quarto…

Há muito tempo que isto não me acontecia. E nunca fora exactamente assim. Eu via a luz à minha volta e, a certa altura, a luz desaparecia. Desta vez tive de exercer o acto da vontade.
Tive de querer abrir os olhos para que a Luz desaparecesse. Foi como se me tivesse transportado de uma realidade para outra pela força da vontade…

Ao escrever isto apercebi-me, de repente, que a mudança de paradigma terá de ser realizada assim. Por um acto de vontade. Um acto de vontade colectivo.


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ALTERAR AS REGRAS DO JOGO

Estarei a repetir-me, mas isso é de somenos. Ou melhor, é inevitável. Acho que terei de me repetir até à exaustão, se tal for necessário, até que a realidade mude. Que panorama tão confrangedor nos está a oferecer a Europa e o Mundo! Não tenham dúvidas, é o estertor de uma civilização! Urge alterar as regras do jogo.

Talvez a China seja o País onde a incomodidade se vai instalar em breve. É inevitável. A exibição de riqueza faz despertar o Povo mais desfavorecido. Se o outro tem, porque não poderei eu ter? Este sempre foi o gatilho da mudança. Mudança que vai rebentar como pólvora entre os povos asiáticos sujeitos à mais dura das explorações, de que os ocidentais têm beneficiado. Chegou o tempo da procura do equilíbrio. Chegou o tempo do fim da exploração de povos e de camadas sociais. Chegou o Tempo do respeito pelo outro, que as revoluções nunca conseguiram implantar. O mais que conseguiram foi substituir os explorados e a sua origem.


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A VIGILÂNCIA DOS POVOS

A vigilância exercida sobre o Povo e os Povos visa proteger o status quo. Manter a ordem estabelecida. Simplesmente, isso já não é possível. Não se pode dar instrução às massas para acelerar o progresso e esperar que as massas não adquiram uma nova consciência dos seus direitos. Não há como deter a consciência quando o ser humano desenvolve a capacidade de pensar. Este é o grande conflito das sociedades modernas. Para desenvolver a civilização das máquinas teve de se desenvolver primeiro uma humanidade capaz de as conceber e construir. Quando as máquinas tornaram possível dispensar uma elevada percentagem de trabalhadores, surge o problema que se está a viver intensamente em Portugal: como dispensar trabalhadores, sem desorganizar a sociedade, sem desencadear a violência? É um problema insolúvel. Iremos em breve ver como uma equação destas acaba por se resolver!

Poderíamos fazer previsões, mas não o faremos. As perspectivas já são suficientemente perturbadoras. Ou os Governantes que nos vão sair na rifa são suficientemente humanos e experientes para avançarem com soluções aceitáveis, ou não sei o que vai acontecer em Portugal nos próximos tempos. E, quando digo Portugal, quero referir-me à restante Europa e ao Mundo, porque a solução a que aqui se chegar vai influenciar o devir em outras nações do Mundo. Acreditem ou não, tanto faz…


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RENASCE-SE SEMPRE DAS CINZAS

A terminar, vou relembrar um drama histórico, passado no século XVI, em Portugal. 
Representei-o neste quadro pelo rosto de uma jovem que é arrastada pelas águas de uma ribeira de águas turvas, a Infanta D. Maria, e pela efígie de Luís de Camões, o poeta português que escreveu «Os Lusíadas», um dos grandes livros da Humanidade.

Já referi mais de uma vez estes amores. Hoje documento em imagem as vidas sofridas que ambos tiveram: ela, aprisionada no seu fardo de princesa, a sempre noiva, como ficou conhecida e que nunca casou; ele, que também não casou, e que andou pelo Oriente, onde escreveu os Lusíadas, transformando a sua dor num dos grande livros da Humanidade.

«Amo tanto a minha Pátria que não me contento a morrer nela, mas com ela», cito de cor a frase de Camões, que morreria pouco antes de os Filipes de Espanha terem «herdado» Portugal. Como já uma vez referi aqui, D. Maria tinha-se deixado morrer, pouco antes, de desgosto pelo que se estava a passar no País.

Foram 60 anos de domínio espanhol mas, no dia 1 de Dezembro de 1640, Portugal retomou a sua independência. Quer dizer, somos o País mais antigo da Europa, ou o segundo mais antigo, segundo alguns.  Temos uma Alma, uma História, uma Memória. Temos um solo que é profundamente nosso e ninguém nos pode tirar, sejam os mercados ou os mercadores de interesses. Quando ofendem a nossa Alma, por vezes esquecemo-nos dos brandos costumes e dos cantares de amigo, que dão a faceta amorosa da alma Portuguesa.
Silenciosa e forte há a vontade colectiva de ser Portugal.


Ouça quem deve ouvir.



segunda-feira, 8 de julho de 2013

O Parto, o Poder e a Morte




TRÊS ACTOS DO ESPECTÁCULO DA VIDA




O DRAMA DO PARTO


O primeiro acto represento-o aqui pela cerimónia de um nascimento, no contexto de uma família da realeza. Desenhei-o numa altura em que não sabia ainda quem desenhava nem o porquê de ser levada a fazer tais desenhos. Depois, à medida que as figuras se repetiram, passei a reconhecer algumas delas e a admitir que elas vinham até mim para me ensinarem ou transmitir alguma informação, que viria a ser relevante na minha vida. Mas disso creio já ter falado.

Hoje sei que a figura deitada no estranho cadeirão é a rainha Isabel de Aragão. E que a corte à sua volta aguarda um nascimento.  Por estranho que nos possa parecer hoje, o nascimento de um membro da família real tinha outrora de ser testemunhado por elementos da corte, para confirmarem que a criança era realmente filha da rainha e que não seria trocada por altura do parto. Imaginem a violência que era ter elementos da corte a presenciar o parto, nos gritos, sangue e dor! O nascimento como acto público, devidamente testemunhado, imaginem! Pobres rainhas sem privacidade! E, ao que consta, os camareiros testemunhavam dia a dia se o rei cumpria ou não o seu dever conjugal…Pobre realeza!



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O ESPECTÁCULO DO PODER


O segundo acto representa a exibição do Poder. O rei D. Afonso IV, tendo à sua direita a mãe, a rainha Isabel de Aragão, já então com a Pomba do Espírito pousada na cabeça…



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O ACTO PÚBLICO DA MORTE


Por fim, a morte como acto público, em que toda a corte confraterniza e em que só uma mulher exibe um sofrimento real, algures aos pés do rei ou, não o sendo, do que em vida deteve o Poder. Os visitantes homenageiam a morte, como facto natural e projectam o futuro…



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OS MESMOS OU OUTROS 
PROSSEGUEM DENTRO DE MOMENTOS



A propósito ou a despropósito assinalo aqui hoje o espectáculo gratuito que os ainda nossos governantes nos têm oferecido, nos últimos dias, gratuitamente. Espectáculo triste, à medida dos seus protagonistas, e que os marcaram indelévelmente, quer permaneçam no Poder ou não. Só é relevante pelas consequências que cairão sobre todos nós, seja qual for o desfecho.  Como é que os poderemos tomar a sério?

As consequências serão sempre negativas, quer seja virada a página ou não.

Que Deus nos confirme nos brandos costumes.

Haja Deus!