domingo, 27 de janeiro de 2013

Percurso pela Memória



CALAR OU FALAR NO TEMPO CERTO


         
Da minha infância guardo três visões. Continuam muito vivas em mim. Da primeira, creio que já falei. Foi uma verdadeira visão de criança.  Vi três peixinhos vermelhos a passar ou a passear nas escadas. Como era uma imagem fora de toda a lógica, creio que me assustei. Lembro-me de ter chorado convulsivamente e de não ter revelado o motivo do meu choro. Teria talvez cinco ou seis anos, não sei exactamente a idade, mas já sabia que os peixes não nadam no ar, quanto mais nas escadas.

A outra imagem que guardo da infância, com a mesma força e nitidez, é a da rainha Santa Isabel a descer de um pátio, onde havia um sino, por escadas estreitas, em caracol. No avental carregava pão ou rosas. Seria pão que se transformava em rosas ou rosas que se transformavam em pão. Acho que as escadas e o sino eram muito importantes. Embora eu tenha aprendido a ler aos cinco anos, não sei se esta imagem foi suscitada por qualquer livro ou imagem que eu tenha visto.

A terceira imagem, que ficou indelevelmente gravada em mim como a mais importante, foi a de um Homem/Deus, tão brilhante como o Sol, que conduzia uma quadriga. Um carro puxado por quatro cavalos. Um carro de duas rodas, mais belo e maior do que o das corridas romanas, embora fosse semelhante, que luzia como ouro e voava através dos ares. Sei que estava acordada e sei também que não o disse a ninguém. É a primeira vez que falo disso, sem me importar que digam que estou a inventar. Vi a carruagem do Deus Sol a voar pelos ares e, sim, já estava deitada, mas não estava a dormir.

Estes são os meus mais antigos segredos, que guardei porque sabia que não devia falar deles, para não dizerem que eu estava a inventar ou me chamarem mentirosa. Na altura não sabia que podiam pensar que eu, ou tinha uma grande imaginação, ou não regulava muito bem, e teria de consultar o psicólogo. Estas experiências, porém, só servem de testemunho do mundo onírico das crianças, que tocam outras realidades e muitas vezes se calam, com receio da incompreensão dos adultos. E um segredo que não desestabiliza a criança, ajuda a prepará-la para uma maior capacidade de compreensão de si próprio e dos outros na idade adulta.
 Aliás, sei que as crianças escondem muitas coisas dos adultos. Sabem o que não devem dizer ou a quem podem dizer. Um dia, uma criança de três anos contou-me uma história, demasiado elaborada para a sua idade. Ela era divorciada e tinha dois filhos. Um dia levou os filhos a passear de carro e deixou que o carro deslizasse e caísse no rio…

 Não havia nada à sua volta que pudesse originar esta história. Como não sabia que atitude tomar, calei-me e nunca mais lhe falei disso. Ainda tentei alertar os pais, que disseram que ela era uma miúda com grande imaginação. E tudo ficou por aí. Entretanto, os pais mudaram de casa e não voltei a saber da criança.
Hoje, actuaria de maneira diferente? Claro, mas tudo acontece como deve acontecer. Eu acredito nisso. A nós cabe-nos somente estar atentos e guardar no coração o que nos foi dito ou descobrimos, até ao momento certo. E acho ainda hoje que tudo aconteceu como devia ter acontecido.



                                                                                        _____


A QUASE AUSÊNCIA DE CRIANÇAS …


Só há pouco me apercebi de que quase não há crianças nos meus desenhos. Tudo se passa num mundo de adultos, empenhados em jogos de poder ou de uma provável sinalização de caminhos, faltando-lhes a alegria e a turbulência das crianças… Como foi que isso aconteceu? Há jogos de amor, sim, vejo isso em muitos desenhos, há o labirinto da Ordem Social, que se entrecruza e define ou aponta horizontes, há até liderança, mas quase não há crianças!... Como não dei por isso mais cedo? Onde ficaram as crianças?
Onde estão? Que horror seria este mundo de adultos sem o sorriso ou o choro de um bebé! Que horror se não tivéssemos ouvido a gargalhada dobrada de uma criança nos nossos braços ou as interrogações e dúvidas de um adolescente, a nosso lado, capaz de nos fazer repensar caminhos!

Andei a contar histórias de adultos, histórias que aconteceram, esquecendo o tempo em que esses adultos foram crianças, talvez felizes, talvez em choro, quem sabe se a esconder as lágrimas à noite na almofada?! Foi por isso que hoje decidi falar da infância e fazer um levantamento das crianças que desenhei.
 Poucas, muito poucas,apenas cinco…

Eu disse falar, mas será, sobretudo, mostrar, porque nada sei das três primeiras imagens. Mostro primeiro um desenho aprazível. A de uma mãe com o filho (ou filha) ao colo, sentado num curioso baloiço ovalado, porventura de madeira ou verga, que serviria para proteger dos xixis e para a mãe poder embalar o filho no colo. É a imagem de uma Senhora do castelo ou da cidade, feliz. Parece-me o instantâneo de um pequeno paraíso.


A segunda imagem é também a de uma maternidade feliz. Ou, porventura, duas faces de uma mesma vida, enquanto criança e já adulta, numa evolução seguida pela Terra e pelo Céu.


Esta é a imagem hierárquica do mundo das mulheres, em três fases: a jovem, a mãe e a matriarca, a grande mãe, que será neste caso a avó... É ela que aqui mantem o poder e assume todo o clã. As crianças lá se encontram espalhadas, protegidas…


Aqui pode ver-se Isabel de Aragão, levando nos braços o marido, a filha, que bem infeliz haveria de ser, e o povo que governava, numa maternidade abrangente.


Mostro, por fim, a filha do casamento de D. Manuel I com D.Leonor da Áustria, a Infanta D. Maria, em criança, a chorar junto ao rosto jovem de Camões. É uma imagem de infelicidade, com cães a uivar. D. Manuel tem no rosto, junto à testa, o retrato da mãe da Infanta D. Maria, a rainha D. Leonor da Áustria.



                                                                                        _____

AS CRIANÇAS ÍNDIGO


    Porque falei de crianças, quero evocar aqui hoje as crianças índigo, o futuro ainda embrião de uma Nova Ordem Social, de Uma Nova Terra.

São as crianças índigo, que trazem o futuro no ventre, que foram mandadas emigrar e estão a partir hoje para o mundo, mas rapidamente vão voltar. Elas têm a semente de um novo tempo dentro de si. Talvez precisem da experiência de outros horizontes para alargar a sua alma e dar forma ao impulso de renovação que, embora o não saibam ainda, têm dentro de si.

Esses jovens que partiram vão espalhar a sua energia por países que precisam ser renovados, para que todo o planeta se renove. Toda a ordem social se renove. Mas isto merece ser aprofundado. Fica para uma próxima vez.      



sábado, 12 de janeiro de 2013

O Fascínio das Grutas




VER O QUE IMAGINAMOS OU O QUE ESTÁ LÁ?


A realidade é o que é ou o que nela projectamos e queremos ver?  Este é o ponto de partida para a nossa conversa de hoje.

Há muitos anos deixei-me fascinar pelo Cromeleque dos Almendres. Lembro-me que, uma vez, talvez há mais de 15 anos, fui lá com o meu filho mais velho e a família. O meu neto, então com cinco ou seis anos, subiu para uma das rochas, onde o fui encontrar sentado na posição de lótus. O espanto desse dia foi verificar que o meu neto sabia reconhecer que aquele era um local sagrado.

 Foi, porém, na minha primeira ida ao cromoleque dos Almendres que descobri a Gruta do Escoural. É aí que hoje vos vou levar, a essa visita feita há mais de uma dúzia de anos e de que guardo uma incerteza, uma interrogação.

O lugar ainda era pouco conhecido. Havia um guarda, sim, que nos permitiu a entrada, mas não havia espaços de recepção, guias, nada. Era tudo ao natural. Aventurei-me com o repórter fotográfico para dentro da gruta. Eu tirei as minhas fotografias, ele as que achou possível que eu pudesse vir a precisar, mas são as minhas fotos que guardo e, pelo menos uma delas, me deixou sempre uma inquietação. Tanto que voltei lá, meses mais tarde para verificar se era realmente real o que eu tinha fotografado. E como então via muito o invisível, na altura não quis mostrar as minhas fotos a ninguém. E se eu via e ninguém mais conseguisse ver o que achava que estava lá?

Um dia, ao falar com outro fotógrafo, referi as imagens impossíveis que eu tinha captado, sem dizer o quê, e ele, que tinha experiência de grutas, disse-me que a realidade nas grutas era diferente e eu não perguntei mais, porque também não queria ir mais longe. Até porque não sabia se os outros veriam o que eu via na fotografia… Bem, o meu neto vê e isso dá-me a segurança de eu não estar a projectar ou a imaginar.


Aqui está. A formação da rocha faz uma espécie de altar branco azulado. Tem formação de rocha até ao chão, vêem? É uma formação muito bonita, parecem pregas na rocha, que sustem a pedra, a que chamei altar. Agora avancem até ao fundo dessa «pedra de altar», até à rocha que continua na vertical. Que vêem na junção das duas rochas? Eu vejo a cabeça de um homem com barba, morto, com um fato azulado, ali, no espaço entre o altar horizontal e a rocha vertical, entre as duas rochas.


Voltei lá logo que me foi possível. As primeiras fotos foram tiradas no Inverno, com a pedra húmida. Viva. Voltei lá no Verão, com a rocha seca, sem luminosidade. E sem a nitidez da primeira foto, o rosto do homem continuava lá. Comparem. É uma projecção ou é uma verdade? Seja como for, ainda que esse homem tenha sido sacrificado naquela pedra, isso foi já há tanto tantos séculos ou milénios, que não seria caso de polícia. É uma curiosidade, não um crime a denunciar.


                                                                                        _____


O GÉNIO DA GRUTA?




As grutas têm uma realidade fantasmática? Talvez, mas é porventura repetível, pelo menos na maior parte dos casos. O génio da gruta, que fotografei, não o vi da primeira vez e não sei se o voltarei jamais a ver.

Digamos, deixou-se ver em determinadas circunstâncias atmosféricas e pode ser simplesmente uma ilusão de óptica.  Não sei se, porventura, voltasse à Gruta do Escoural, eu poderia encontrar de novo o ângulo propício a fotografar esse rosto que ri, de boca aberta, a língua rosada, vendo-se na zona onde os dentes nunca existiram ou terão já existido e caíram. Um rosto de olhos franzidos, que observam com curiosidade a visitante, que talvez só se tivesse manifestado no momento em que a máquina fotográfica disparou e a luz se tornou cúmplice de uma imagem, que será porventura apenas imaginação, resultado do jogo de luz e sombras. Com existência real ou não, esse rosto deixou-se ver e mostro-o como coisa concreta, captada pela máquina fotográfica, ainda que tenha sido somente o resultado do jogo de luz e sombra…



                                                                                        _____


UMA AVE QUE TRANSFORMEI EM CAVALO


A imagem é a de uma ave pré-histórica fixada em pedra numa das paredes da gruta. Fotografei-a, mas, mais tarde, desenhei-a e pintei-a como cavalo alado. O cavalo que transporta os curandeiros pelos mundos invisíveis, em busca da cura para os seus doentes. Entretanto, esqueci-me de que me inspirara numa ave, até que a reencontrei entre as minhas recordações e é uma majestosa ave que, em tempos pré-históricos poderá ter exercido idêntica função.


A imaginação não tem limites. A realidade também a ela própria se pode recriar.



                                                                                        _____


ALGURES, NO ALENTEJO…


Nunca até hoje mostrei esta foto. É uma rocha perdida na planície do Alentejo e que não vou localizar. É um lugar muito especial. Fui lá levada por alguém da região, que quis mostrar esta rocha como uma formação especial.

Eu fazia parte de um grupo. E as pessoas iam subindo para a rocha, sem que nos fossem dada explicações específicas. Era uma rocha especial e isso bastava.

Subiram duas ou três pessoas antes de mim, até que chegou a minha vez. Subi e uma energia muito forte fez-se sentir no meu pescoço, a ponto de ter posto imediatamente a mão direita sobre o pescoço. Olho para trás. A senhora que vinha atrás de mim, também ela tinha a mão no pescoço.

Então verifiquei que, naquela pedra, a energia não subia do solo, mas descia directamente do céu. A pessoa que nos levou lá, embora porventura soubesse, não deu qualquer tipo de informação.

Nunca escrevi nada sobre esta pedra, nem falei dela a ninguém. Não sei porquê, como também não sei porque sou levada, precisamente agora, a falar dela e a mostrá-la.
Não preciso saber mais. Para mim está tudo bem.


E uma última recordação do cromeleque dos Almendres.  A desta rocha que tinha, no dia em que lá fui, uma formação que parece e quase é o mapa de Portugal. Creio que, entretanto, desapareceu. A partir de então não mais lá voltei.


Observação: a Natureza só se revela a quem se entrega…


sábado, 5 de janeiro de 2013

A Alma Portuguesa





UM TRABALHO DE MULHERES


Nove meses é o tempo de publicação deste blog. O tempo de uma gestação! Gestação daquilo a que chamei, no início, o parto do futuro.  Um parto partilhado pelas mulheres emblemáticas que, nos meus desenhos ou pinturas, deram corpo e alma a este monólogo semanal.

Sinto que cheguei a uma nova étapa, ainda que não tenha uma ideia clara aonde me levará.  Para já, sem ideia definida, tenho a sensação de que devo juntar, numa mesma comunicação, as diferentes figuras de mulher que evoquei ao longo destes nove meses. O que vou fazer com essa apresentação? Não sei, ainda não sei, embora saiba que elas me vão guiar para essa nova étapa, à medida que as for evocando.

(Não desistam! Para mim é complicado! Mas sei que vou lá chegar, a esse caminho que tenho vindo a preparar ao longo destes nove meses…)

A primeira figura que me vem à ideia é a da Tareja, a rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, mas logo a seguir se impõe a personalidade da rainha Santa Isabel. Aliás, há bocado, olhei para uma das várias estantes de livros cá de casa e deparei com «Os Descobridores», um livro que há tempos procurei e não encontrei, na intenção de reproduzir o desenho das duas rainhas, que desenhei num café da estação de Santiago de Compostela enquanto esperava pelo comboio. O inesperado nesse desenho a lápis é a terceira personagem, a irmã de D. Teresa, D. Urraca, que foi rainha de Leão e Castela, e se mostra zangada, possivelmente afrontada pela presença de Teresa e Isabel, juntas intemporalmente nos seus domínios, ou pelo menos domínios do seu filho…

 (Isto não seria tão fascinante e desafiador para mim se tivesse sido anteriormente pensado! Mas não foi, surgiu assim! Diverte-me ser espectadora do encontro destas personagens, impossível no jogo do tempo linear!)

D. Teresa surge no condado portucalense como a Senhora do Graal. Foi um tempo incrível esse nos primórdios da génese do país que iria tornar-se Portugal. Ela é totalmente terrena e totalmente espiritual. Como se pode ser as duas coisas ao mesmo tempo? Pelos vistos, pode-se. Ela pôde. D. Henrique, o marido, tentou ir a Jerusalém. Não se sabe ao certo se chegou a realizar a viagem. Sabe-se que Portugal está na origem do aparecimento dos templários, que foram perseguidos e exterminados, porque tinham um sentido místico mais profundo do cristianismo e um conhecimento do Corpo Espiritual que só nos finais do século XX haveria de ser divulgado no nosso País…

Há quem afirme que, em Portugal, no início da nacionalidade, houve um grupo de mulheres templárias. D. Teresa terá sido uma delas, mas não encontrei documento credível que o confirme. Navego, portanto pelas águas do mito. Sabe-se que Afonso Henriques pertenceu à Ordem ou se manteve sempre muito próximo dos cavaleiros templários, que foram fundamentais para a expansão do território e na afirmação da independência portuguesa.

 A fundação de Portugal e da Ordem do Templo estão entrosadas desde o início, porventura com um objectivo comum e mais vasto do que a face exterior do cristianismo ou a simples criação de mais um reino. O erro de D. Afonso Henriques foi ter desistido do sonho de sua mãe: o de unificar Portugal com a Galiza. Em causa estava e continua a estar Santiago de Compostela, o Caminho das Estrelas, que surge no prolongamento natural do Minho com a Galiza. Vi esse caminho estelar uma noite, no comboio, a caminho de Santiago, em que as estrelas no céu não ficavam para trás no avançar do combóio, mas avançavam à velocidade da locomotiva como a indicar o caminho. Foi extraordinário. O que me causou espanto foi o facto de as estrelas nunca terem ficado para trás, avançando sempre ao ritmo do combóio.

É aqui que vos deixo Tareja, a rainha que quis unir o condado Portucalense à Galiza, por uma razão mais vasta do que o simples domínio territorial. As fronteiras caíram, não é o domínio territorial que hoje importa, mas o casamento das energias de Portugal e Galiza. Galegos e Portugueses, tão iguais, e porventura com uma missão comum. Urge descobri-la ou inventá-la. Trata-se de dois povos com a mesma Alma e o mesmo legado, que têm de descobrir ou inventar.    


                                                                                        _____


 A ALMA PORTUGUESA

 Sem dúvida que a Alma Portuguesa se entronca no casal primeiro da nossa História: o Conde D. Henrique e a Rainha D. Teresa. (Rainha por direito de nascença. Era então costume chamar rainhas às filhas do Rei.) Mas logo de seguida, a alma portuguesa é fecundada por um casal de místicos: Santa Clara e S. Francisco de Assis. Adquirindo então uma dimensão mística.

                
Este é o segundo casal a fecundar a alma portuguesa, no mais fundo da sua expressão. É uma alma mística, marcada pelo «poverello», a pobreza por escolha, sendo a expressão de um despojamento natural. Sermos pobres porque essa é a forma de nos tornarmos ricos em profundidade da alma, porventura em solidariedade, em proximidade do outro, em simpatia humana, que é de uma rara grandiosidade, quando se deixa exprimir.

Há um fio inconsútil a ligar os casais que enformaram, deram forma a alma portuguesa e a definiram. Mesmo quando a união entre eles é só espiritual, como é o caso de Clara e Francisco. No caso da Rainha Santa Isabel e do Rei D. Dinis, foi Isabel que assumiu a entrega mística, não tendo porventura por natureza a ânsia da realização carnal.

Desde muito nova que Isabel teve como modelos de vida Santa Clara e S. Francisco, dois seres que procuraram e atingiram a realização profunda da alma que, na época, assentava, nos casos mais conseguidos, na renúncia voluntária da união sexual.

Os tempos são outros. Actualmente, o casal humano pode atingir a transcendência sem ter de renunciar à fusão dos corpos, no que parece ser uma nova fase da espiritualidade e do caminho para a transcendência.

 Talvez Isabel não se interessasse fisicamente pelo sexo, talvez simplesmente tivesse sido emocionalmente ferida pela promiscuidade de D. Dinis, não importa, porque no fundamental eles conseguiram realizar o casamento de almas que permitiu que o reinado de D. Dinis tivesse sido um dos mais importantes da nossa história, capaz de fazer esquecer os conflitos entre o Rei e o filho, o futuro D. Afonso IV.

O pinhal de Leiria antecipou o nosso caminho do mar, continuando o espírito de Isabel a proteger, do outro lado da Vida, o povo que a não deixou de amar. Dela herdámos as rosas, o amor da pobreza e de uma vida ascética, que talvez um dia consigamos seguir. Entretanto, do outro lado, ela continua a proteger-nos e a ser o modelo do melhor da nossa alma.

Por último, neste quadro de personagens que marcaram indelevelmente a alma Portuguesa, trago-vos a Infanta D. Maria, a mulher emblemática da aproximação do Ocidente ao Oriente. E que, na dor e na distância, inspirou o livro que melhor define a alma e a saga dos Portugueses, «Os Lusíadas».

Os amores da Infanta e de Luís de Camões estavam à partida condenados. Ela, filha de Rei, e uma das mulheres mais ricas da Europa, coimo poderia vir a casar com um escudeiro, ainda que ele tivesse sido desde logo reconhecido como um dos maiores poetas de todos os tempos.


Claro que à partida era um amor impossível. Há desenhos que mostram que a Infanta poderá ter tido um filho de Camões. Como acreditar nisso? E terá alguma importância? O relevante, sim, foi que o destino os pôs ao lado um do outro, desencadeando muito sofrimento, o qual se tornaria no cadinho onde foi elaborada uma grande obra.  

Pessoalmente acredito que escolhemos antes de nascer as experiências fundamentais que darão expressão e sentido à nossa vida. Cada um de nós, se conseguir olhar a sua vida com distância e serenidade, poderá encontrar o fio condutor que explica o encadeamento dos acontecimentos que nos fizeram sofrer ou nos deram felicidade, temperando simultâneamente a nossa alma.

A Sempre Noiva nunca chegou a casar, mas deixou uma marca na história. Não terá promovido uma universidade para mulheres, como consta, mas reuniu nos seus salões os intelectuais do tempo e algumas mulheres notáveis. De certa forma, antecipou em séculos a mulher de hoje. Continua famoso o grupo de mulheres que reuniu à sua volta, e que antecipou, no séc. XVI, os famosos salões literários, que vieram a proliferar na Europa, nos séc.s XVII, XVIII.

Há dois pequenos poemas que lhe são atribuídos e que de certa forma a definem e à sua vida. Um deles é:

«Se soubesse fazer trovas/De que me satisfizera/Inda assi as não fizera.»

O outro, que a poderá definir e por isso lho atribuem, diz:

«Já não posso ser contente,/ Trago a esperança perdida./Ando perdida entre a gente/Não morro nem tenho vida.»


Como não tinha vida, um dia em que lhe apareceu uma doença que os físicos diziam ser facilmente tratável, ela recusou tratar-se. E disso morreu.

Uma última palavra para dizer que este grupo de mulheres deu forma à alma feminina portuguesa, ou seja, à mulher de hoje. Que, sabendo ou não, traz no seu ventre uma nova sociedade, uma nova partilha, uma nova forma de estar na vida, mais harmoniosa e mais solidária. Sendo, no seu conjunto, uma síntese da mulher de hoje.


                                                                                        _____


UM MISTÉRIO DESVENDADO


  Guardei até hoje um dos desenhos dos primeiros dias desta descoberta interior, exactamente 15/5/87, à espera de uma oportunidade que o justificasse. Creio que é o momento de o mostrar. E, com ele, uma das duas cabeças com três rostos, que guardei até agora. A cabeça foi insculpida em Março de 1989 e manteve-se para mim como uma incógnita durante muito tempo. Aliás, só mais tarde consegui relacionar o desenho com as personagens da cabeça.



Uma noite, estava eu na minha sala a ler um livro que tinha recentemente comprado, «Os Cristãos Místicos do Ocidente», quando cheguei a Fénelon e Madame Guyon, personagens que desconhecia completamente. Sei que estava a ler. Parei para descansar e pensar sobre o que lia. Levantei os olhos, que naturalmente percorreram a sala e foram parar numa cabeça, que tinha modelado recentemente, mandado cozer, etc.. Nesse momento, tive um sobressalto.


A cabeça em cima da mesinha, na parede ao fundo, do lado direito do sofá, era parecida com os retratos pintados dos místicos sobre os quais eu estava a ler. Que espanto. Nem queria acreditar. A partir de então esses seres, que eu modelara, passaram a ter um nome: Fénelon, «o pólo voluntarista da oração de quietude» e madame de Guyon, desterrada e com residência fixa por suspeita de quietismo.


É estranho, não é? Eu acho. Então uma pessoa que, aos 18 anos, decide que não há Deus e tem como programa de vida viver segundo a sua consciência, é visitada por quietistas, santos, guerreiros… que é isto?  Rapidamente integrei estes novos personagens, que eu se calhar conheci, que eu poderei ter sido, quem sabe, que pelo menos me acham merecedora da sua visita. É uma honra.

Descobri depois que tinha desenhos antigos dessas personagens, de Fenelon preceptor do Delfim da França, que acabaria por morrer, abrindo caminho à Revolução francesa. Descobri que Madame Guyon fora amiga da filha de Joseph Fouchet, o chefe da espionagem francesa, no séc, XVIII, cuja biografia, escrita por Stephan Zweiger, tinha lido aos 18 anos e de que ainda hoje me recordo com prazer. Como o mundo é pequeno e como tudo se entrelaça, indo nós, ao longo da vida, encontrando e reencontrando aspectos diferentes das figuras que nos impressionaram. Agora, que eu tenha esculpido e desenhado madame Guyon, amiga da filha de Fouquet, foi para mim inconcebível, é para mim inconcebível. Foram coisas como esta que tornaram a minha vida muito divertida para lá de todos os problemas, se é que eu os considero como tais.


Em resumo, o que eu quero comunicar é que a vida é fascinante. E convido-os a irem até ao fundo de si próprios, até as suas vidas se poderem misturar com todas as outras vidas, pois somos todos um. É isto que os novos tempos nos oferecem de bandeja. Recusar é limitar a vida. Sejam largos. E felizes.

Bom ano. Até para a semana. 



terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Fim De Um Ciclo



NA AURORA DE UM NOVO TEMPO






Um ano acaba. Outro começa. Sempre foi assim. Sempre será assim, ainda que num futuro próximo nos venhamos a deparar com mudanças substanciais, tanto na estrutura do Planeta, como na organização social da vida humana. Aliás, não será mais do que tempo de mudar colectivamente uma estrutura social assente na base de uma profunda desigualdade? Não será mais do que tempo de pensarmos a organização social de forma a que cada um de nós possa realmente desenvolver os dons com que a natureza nos dotou, não só em benefício próprio ou dos que sabem mover os cordelinhos, mas de todos colectivamente? O que fica desde já em aberto é a possibilidade de, ao nascer, cada ser humano ter a possibilidade de encontrar a organização adequada à descoberta e aplicação dos seus sonhos e potencialidades.

Velhas profecias, que andavam de boca em boca, diziam: «a dois mil chegarás, de dois mil não passarás», lembram-se? Entretanto, caminhamos já há doze anos parda lá do ano dois mil. E como parece gostarmos muito da incerteza e da aflição, estamos agora à porta de uma outra data limite, assinalada no famoso calendário Maia, que aliás não diz em parte nenhuma que se trata do fim do tempo, mas do fim de um tempo, simplesmente. Do fim de um ciclo. Os ciclos dos calendários que temos sobre as nossas secretárias só nos dão a perspectiva de um ano e mais dois meses de cada vez… A nossa perspectiva foi sempre muito reduzida, não acham?

Os Maias tiveram a grandeza de fazer o calendário de um ciclo de tempo. Será que os nossos astrónomos inventaram algo de semelhante em relação ao tempo que temos à nossa frente? Não me consta. Será porque estão à espera do fim dos tempos ou porque não têm o nível de conhecimento astronómico que tinham os maias? Ou, simplesmente, porque não tem parecido útil fazer um calendário dos milénios futuros…




                                                                                        _____


VIVER ESPLENDOROSAMENTE NO AGORA


Que a vida é incerta, todos nós o sabemos. Podemos estar mortos amanhã? Sim, pode acontecer, por qualquer imponderável cósmico ou, simplesmente, em consequência de uma doença súbita ou de um inesperado acidente na estrada. Ou o que cada um quiser imaginar.

Porque a Vida é incerta, porque nada nos garante que chegaremos a amanhã, e para lá de todos os problemas que temos de enfrentar, a maior parte de nós continua apaixonado pela Vida, é por isso que trago aqui a recomendação de muitos dos sages de diversas religiões: «Não adiem nada! Vivam esplendorosamente no Agora!» É que só existe o Agora. Neste momento Você É. Sinta-se. Sinta o momento. O que vai acontecer amanhã? Nenhum de nós sabe. Nem sabe o que vai acontecer daqui a momentos! Mas sabemos que agora, no momento em que escrevo, agora que me lê, o leitor, a leitora, são, somos! Só temos momento a momento e passamos por ele como se o amanhã, o futuro nos estivesse garantido. Só temos este momento, precisamente este a que pouco ligamos e em que na realidade somos e respiramos e vivemos e estamos, plenamente connosco próprios e com os outros. Quando chegarmos ao futuro, lá estaremos nesta sensação incrível de respirar e estar vivo/a, agora. O futuro é daqui a pouco, amanhã, daqui a 20 anos…

Não esqueçam: vivam esplendorosamente no agora. Só assim merecerão verdadeiramente viver. O tempo, todo o tempo é um eterno agora. Sejam felizes. Agora.



                                                                                        _____


ENTÃO VAMOS LÁ CONSTRUIR DE NOVO O PARAÍSO!




Só com estas bases podemos descobrir o Paraíso. Vivê-lo. Identificá-lo. Quantas vezes passaram pelo Paraíso e não o reconheceram? Só quando nos desidentificamos do Ter é que passamos a ter o vislumbre do Paraíso. Um estar sendo, com todo a amalgama da Vida a ser à nossa volta.

Sinta-se no Momento, sem Passado nem Futuro. Atenção, é aí, nessa confluência de Ser não Sendo que pode vislumbrar o Paraíso. Que melhor presente lhe poderia dar nestas vésperas de Natal?

Até para a semana!


domingo, 9 de dezembro de 2012

A Evolução do Par


UM PERCURSO EM BANDA DESENHADA



Se publicasse simplesmente os desenhos pela ordem que tenciono dar-lhes, acho que a mensagem seria suficientemente forte para ser imediatamente percebida. As minhas palavras estariam, pois, obviamente, a mais. Ou talvez não. Aliás, os desenhos reflectem situações que se prolongaram no tempo e no espaço e pode afirmar-se que todas elas ainda coexistem actualmente.



A primeira situação é a do domínio absoluto do masculino. Ou seja, a expressão galvanizadora da energia masculina, com um espaço muito reduzido para o feminino que, todavia, está lá. Se procurarem bem, lá irão encontrar rostozinhos minúsculos de mulher, quase inexistentes…



A fase a seguir é já muito diferente. A mulher, as mulheres -- esposa, mãe, filha --, tomam corpo no lado esquerdo do homem. Em permanente gravidez. A família ganhou peso na nova ordem masculina, mas a mulher ainda não existe autonomamente. É a ordem patriarcal que, bem vistas as coisas, deve ter sido também, para os homens, um fardo pesado, para lá do estatuto de poder e das muitas benesses que esse poder lhes conferisse.



Na terceira fase a mulher ainda faz corpo com o homem, mas já pisa o solo, prestes a ganhar autonomia. O que é relevante neste desenho é precisamente esse facto: a mulher já pisa o solo com os dois pés, consciente para onde vai. Repare-se que, no seu caminhar, o homem passara a apoiar-se nos pés da mulher. Pode dizer-se que surgiram então os primeiros sinais que irão desembocar mais tarde na verdadeira autonomia.



É o homem que vai à frente, mas as mulheres seguem-no pelo seu pé. Num acto de liberdade? Não será ainda a liberdade, mas simplesmente o reconhecimento da sua individualidade. Quem define o caminho, porém, continua a ser o sexo masculino.



A reverência com que a mulher trata o marido passou a depender da cultura do país onde nasceu. É, antes do mais, uma manifestação cultural, ligada aos usos e costumes de cada povo. Este desenho é testemunho disto. Sempre considerei que esta mulher era judia e que a linguagem do seu corpo é mais uma manifestação de amor, do que um acto de reverência, que também pode existir. E será uma situação com mais de dois mil anos.



Esta é a imagem do casal como símbolo do poder. A sua união pode ser uma acoto de amor, mas é, sobretudo, um casamento de energias, capazes de tornar o casal no guia de um Povo e transmissor e defensor de uma cultura.



O casal como união de amor, capaz, por isso mesmo, de ser aglutinador de gente, capaz de indicar o caminho. Ambos felizes por se amarem e serem capazes de guiar e abrir caminhos de luz.



A figura central é um homem da renascença italiana, a antecipar o fim de uma era. O prazer e a dor, misturados, na dança que antecipa todas as grandes viragens, para  que estaremos eventualmente a caminhar.  



domingo, 2 de dezembro de 2012

Das Amazonas aos Pomos de Oiro



UMA ORDEM GUERREIRA FEMININA

Tanto quanto me é dado imaginar, há vários factores em vias de reformulação nesta «esquina da história» que estamos a percorrer. Para já tudo são incertezas, de certa forma ameaçadoras. O mundo que conhecemos, a estabilidade que tínhamos como certa, o horizonte do amanhã, tudo está em questão, tudo parece estar em risco. Em reformulação.

A primeira ideia que me ocorre é a de que o ser humano tem de mudar. Tem de dar um salto cósmico, daquilo que julga ser para aquilo que realmente é. Os ditadorzinhos que se perfilam são a menor das preocupações que temos de enfrentar. Sabendo ou não, eles estão a fazer o papel que lhes foi cometido e de que não percebem nem o sentido nem a dimensão. Eles próprios estão a ser avaliados a um nível mais elevado. Não farão nada que não lhes seja permitido, por nós e pelo Cosmos. São o reflexo do que nós somos e merecemos, porque só poderão executar aquilo que nós todos, colectivamente, consentirmos. Nem mais, nem menos. São como nós, pobre seres humanos indefesos, que só têm o poder que nos disponibilizemos a dar-lhes ou a consentir que tomem. Isto é muito importante que cada um de nós o saiba e interiorize.

Este arrazoado surgiu, inopinadamente, sem intenção, quando pretendia simplesmente escrever sobre uma estirpe de mulheres guerreiras que existiram no planeta Terra e que, de certa forma marcaram a história humana. A Wikipédia traz um relato bastante informativo sobre o papel que as amazonas desempenharam na história Não o vou repetir. Não era minha intenção divulgar os feitos Históricos das amazonas, mas trazer simplesmente uma informação do vestuário que usava no campo de batalha.


Pintei este quadro em 1989 e o que nele é para mim relevante é o vestuário da amazona. Embora não tenha conseguido atingir um grau satisfatório na arte de pintar, este trabalho revela (revelou-me!) as características do traje das amazonas. Reparem, o traje é confeccionado em couro, o que em mim encontrou perfeita concordância. Para a época o traje de couro seria o mais adequado para usar no campo de batalha e não o vestuário apresentado na estatuária grega e romana, que as deixava completamente expostas às setas e às espadas.

Foi assim que me surgiu, assim que o pintei, em desacordo com o que foi registado mais tarde pelos romanos. E, já agora, deixo aqui uma curiosidade que descobri na Wikipédia: o machado de guerra terá sido inventado pelas amazonas, calculem! Quem diria!


                                                                                        _____

OS POMOS DE OIRO DO CONHECIMENTO
                                 
Há dois marcos, histórico-mitológicos, que marcam a transição do matriarcado para o patriarcado. A saga das Amazonas e os Doze Trabalhos de Hércules. O primeiro como algo que sobreviveu e se prolongou para além do matriarcado, tendo ainda por muito tempo convivido com um patriarcado empenhado em fazer esquecer a ordem anterior. O segundo é, nem mais nem menos, «os doze trabalhos de Hércules», uma saga a ler e reler, porque ajuda a perceber alguns dos passos da implantação do poder masculino.
Um desses passos foi o roubo dos pomos de oiro.

Gaia deu a Hera, como presente do seu casamento com Zeus, lindos pomos de ouro, que serão eventualmente maçãs. Hera encarregou as Hespérides de plantar e guardar esses frutos, num jardim do extremo Ocidente.

Os pomos de oiro, símbolo do conhecimento, ficaram pois à guarda da mulher. Com o tempo, as mulheres passaram a utilizar o conhecimento em seu próprio benefício e então a deusa mandou que o jardim passasse a ser vigiado por um dragão, segundo uns, por uma serpente, segundo outros.

Todos conhecemos mais ou menos a lenda. Pois bem, qual seria o país do extremo ocidente que acolheu os pomos de oiro? Portugal? Quem sabe? No Iraque as laranjas são conhecidas pelo nome de portugal. Laranjas são pomos de oiro, não há dúvida, indiscutivelmente muito mais do que maçãs. Será Portugal esse País do extremo Ocidente onde foram plantados os pomos de oiro? Quem o possa saber?!
Agora vou contar algo que aconteceu comigo!   

Há quatro ou cinco anos – poderia dar o ano certo, mas não vale a pena! – uma manhã, ao acordar vi o Jardim das Hespérides, com árvores carregadas de pomos dourados. Na altura falei disso à minha amiga Fátima. Dias depois tive a visão das mesmas árvores, mas sem frutos. Que acontecera aos frutos? Fiquei preocupada.

Tempos depois encontrei um amigo e, durante a conversa, falei-lhe do desaparecimento dos frutos e da minha preocupação. E ele disse-me então: «Não se preocupe. Conheço o grupo que retirou os frutos. Vai haver muitos problemas no planeta. Quando a situação se estabilizar, os frutos serão distribuídos...»
Protestei então. Como é que alguém se atreve a deixar sem frutos a árvore do conhecimento?! Não há a recomendação para não se mexer nos frutos dessa árvore?!

Hoje sei que não tem importância nenhuma a recolha abusiva desses frutos. O conhecimento que encerram estará dentro de pouco tempo completamente ultrapassado.

As mudanças que estão a verificar-se no Planeta, visíveis ou invisíveis, estão a desactualizar o conhecimento. Há uma informação nova a descer sobre os corações, que chegará ao nível da memória quando for tempo e se tornar necessário. É pelo menos esta a minha convicção.


                                                                                        _____

A ENERGIA MASCULINA 



O engraçado é que, quando me sentei ao computador, tencionava escrever sobre a evolução da energia que tem percorrido, nos últimos dois mil anos, os seres humanos, determinando o tipo de relação do casal. O assunto ficará para uma próxima vez.

Quero, porém, deixar aqui o exemplo do ponto de partida: uma energia de certa forma convulsa e trepidante, que definiu o sexo masculino e reduziu no passado a mulher a uma mera idealização, sem entidade própria. Haverá, com certeza, espaço e tempo para documentar os passos dessa evolução.

Até para a semana.