terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Fim De Um Ciclo



NA AURORA DE UM NOVO TEMPO






Um ano acaba. Outro começa. Sempre foi assim. Sempre será assim, ainda que num futuro próximo nos venhamos a deparar com mudanças substanciais, tanto na estrutura do Planeta, como na organização social da vida humana. Aliás, não será mais do que tempo de mudar colectivamente uma estrutura social assente na base de uma profunda desigualdade? Não será mais do que tempo de pensarmos a organização social de forma a que cada um de nós possa realmente desenvolver os dons com que a natureza nos dotou, não só em benefício próprio ou dos que sabem mover os cordelinhos, mas de todos colectivamente? O que fica desde já em aberto é a possibilidade de, ao nascer, cada ser humano ter a possibilidade de encontrar a organização adequada à descoberta e aplicação dos seus sonhos e potencialidades.

Velhas profecias, que andavam de boca em boca, diziam: «a dois mil chegarás, de dois mil não passarás», lembram-se? Entretanto, caminhamos já há doze anos parda lá do ano dois mil. E como parece gostarmos muito da incerteza e da aflição, estamos agora à porta de uma outra data limite, assinalada no famoso calendário Maia, que aliás não diz em parte nenhuma que se trata do fim do tempo, mas do fim de um tempo, simplesmente. Do fim de um ciclo. Os ciclos dos calendários que temos sobre as nossas secretárias só nos dão a perspectiva de um ano e mais dois meses de cada vez… A nossa perspectiva foi sempre muito reduzida, não acham?

Os Maias tiveram a grandeza de fazer o calendário de um ciclo de tempo. Será que os nossos astrónomos inventaram algo de semelhante em relação ao tempo que temos à nossa frente? Não me consta. Será porque estão à espera do fim dos tempos ou porque não têm o nível de conhecimento astronómico que tinham os maias? Ou, simplesmente, porque não tem parecido útil fazer um calendário dos milénios futuros…




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VIVER ESPLENDOROSAMENTE NO AGORA


Que a vida é incerta, todos nós o sabemos. Podemos estar mortos amanhã? Sim, pode acontecer, por qualquer imponderável cósmico ou, simplesmente, em consequência de uma doença súbita ou de um inesperado acidente na estrada. Ou o que cada um quiser imaginar.

Porque a Vida é incerta, porque nada nos garante que chegaremos a amanhã, e para lá de todos os problemas que temos de enfrentar, a maior parte de nós continua apaixonado pela Vida, é por isso que trago aqui a recomendação de muitos dos sages de diversas religiões: «Não adiem nada! Vivam esplendorosamente no Agora!» É que só existe o Agora. Neste momento Você É. Sinta-se. Sinta o momento. O que vai acontecer amanhã? Nenhum de nós sabe. Nem sabe o que vai acontecer daqui a momentos! Mas sabemos que agora, no momento em que escrevo, agora que me lê, o leitor, a leitora, são, somos! Só temos momento a momento e passamos por ele como se o amanhã, o futuro nos estivesse garantido. Só temos este momento, precisamente este a que pouco ligamos e em que na realidade somos e respiramos e vivemos e estamos, plenamente connosco próprios e com os outros. Quando chegarmos ao futuro, lá estaremos nesta sensação incrível de respirar e estar vivo/a, agora. O futuro é daqui a pouco, amanhã, daqui a 20 anos…

Não esqueçam: vivam esplendorosamente no agora. Só assim merecerão verdadeiramente viver. O tempo, todo o tempo é um eterno agora. Sejam felizes. Agora.



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ENTÃO VAMOS LÁ CONSTRUIR DE NOVO O PARAÍSO!




Só com estas bases podemos descobrir o Paraíso. Vivê-lo. Identificá-lo. Quantas vezes passaram pelo Paraíso e não o reconheceram? Só quando nos desidentificamos do Ter é que passamos a ter o vislumbre do Paraíso. Um estar sendo, com todo a amalgama da Vida a ser à nossa volta.

Sinta-se no Momento, sem Passado nem Futuro. Atenção, é aí, nessa confluência de Ser não Sendo que pode vislumbrar o Paraíso. Que melhor presente lhe poderia dar nestas vésperas de Natal?

Até para a semana!


domingo, 9 de dezembro de 2012

A Evolução do Par


UM PERCURSO EM BANDA DESENHADA



Se publicasse simplesmente os desenhos pela ordem que tenciono dar-lhes, acho que a mensagem seria suficientemente forte para ser imediatamente percebida. As minhas palavras estariam, pois, obviamente, a mais. Ou talvez não. Aliás, os desenhos reflectem situações que se prolongaram no tempo e no espaço e pode afirmar-se que todas elas ainda coexistem actualmente.



A primeira situação é a do domínio absoluto do masculino. Ou seja, a expressão galvanizadora da energia masculina, com um espaço muito reduzido para o feminino que, todavia, está lá. Se procurarem bem, lá irão encontrar rostozinhos minúsculos de mulher, quase inexistentes…



A fase a seguir é já muito diferente. A mulher, as mulheres -- esposa, mãe, filha --, tomam corpo no lado esquerdo do homem. Em permanente gravidez. A família ganhou peso na nova ordem masculina, mas a mulher ainda não existe autonomamente. É a ordem patriarcal que, bem vistas as coisas, deve ter sido também, para os homens, um fardo pesado, para lá do estatuto de poder e das muitas benesses que esse poder lhes conferisse.



Na terceira fase a mulher ainda faz corpo com o homem, mas já pisa o solo, prestes a ganhar autonomia. O que é relevante neste desenho é precisamente esse facto: a mulher já pisa o solo com os dois pés, consciente para onde vai. Repare-se que, no seu caminhar, o homem passara a apoiar-se nos pés da mulher. Pode dizer-se que surgiram então os primeiros sinais que irão desembocar mais tarde na verdadeira autonomia.



É o homem que vai à frente, mas as mulheres seguem-no pelo seu pé. Num acto de liberdade? Não será ainda a liberdade, mas simplesmente o reconhecimento da sua individualidade. Quem define o caminho, porém, continua a ser o sexo masculino.



A reverência com que a mulher trata o marido passou a depender da cultura do país onde nasceu. É, antes do mais, uma manifestação cultural, ligada aos usos e costumes de cada povo. Este desenho é testemunho disto. Sempre considerei que esta mulher era judia e que a linguagem do seu corpo é mais uma manifestação de amor, do que um acto de reverência, que também pode existir. E será uma situação com mais de dois mil anos.



Esta é a imagem do casal como símbolo do poder. A sua união pode ser uma acoto de amor, mas é, sobretudo, um casamento de energias, capazes de tornar o casal no guia de um Povo e transmissor e defensor de uma cultura.



O casal como união de amor, capaz, por isso mesmo, de ser aglutinador de gente, capaz de indicar o caminho. Ambos felizes por se amarem e serem capazes de guiar e abrir caminhos de luz.



A figura central é um homem da renascença italiana, a antecipar o fim de uma era. O prazer e a dor, misturados, na dança que antecipa todas as grandes viragens, para  que estaremos eventualmente a caminhar.  



domingo, 2 de dezembro de 2012

Das Amazonas aos Pomos de Oiro



UMA ORDEM GUERREIRA FEMININA

Tanto quanto me é dado imaginar, há vários factores em vias de reformulação nesta «esquina da história» que estamos a percorrer. Para já tudo são incertezas, de certa forma ameaçadoras. O mundo que conhecemos, a estabilidade que tínhamos como certa, o horizonte do amanhã, tudo está em questão, tudo parece estar em risco. Em reformulação.

A primeira ideia que me ocorre é a de que o ser humano tem de mudar. Tem de dar um salto cósmico, daquilo que julga ser para aquilo que realmente é. Os ditadorzinhos que se perfilam são a menor das preocupações que temos de enfrentar. Sabendo ou não, eles estão a fazer o papel que lhes foi cometido e de que não percebem nem o sentido nem a dimensão. Eles próprios estão a ser avaliados a um nível mais elevado. Não farão nada que não lhes seja permitido, por nós e pelo Cosmos. São o reflexo do que nós somos e merecemos, porque só poderão executar aquilo que nós todos, colectivamente, consentirmos. Nem mais, nem menos. São como nós, pobre seres humanos indefesos, que só têm o poder que nos disponibilizemos a dar-lhes ou a consentir que tomem. Isto é muito importante que cada um de nós o saiba e interiorize.

Este arrazoado surgiu, inopinadamente, sem intenção, quando pretendia simplesmente escrever sobre uma estirpe de mulheres guerreiras que existiram no planeta Terra e que, de certa forma marcaram a história humana. A Wikipédia traz um relato bastante informativo sobre o papel que as amazonas desempenharam na história Não o vou repetir. Não era minha intenção divulgar os feitos Históricos das amazonas, mas trazer simplesmente uma informação do vestuário que usava no campo de batalha.


Pintei este quadro em 1989 e o que nele é para mim relevante é o vestuário da amazona. Embora não tenha conseguido atingir um grau satisfatório na arte de pintar, este trabalho revela (revelou-me!) as características do traje das amazonas. Reparem, o traje é confeccionado em couro, o que em mim encontrou perfeita concordância. Para a época o traje de couro seria o mais adequado para usar no campo de batalha e não o vestuário apresentado na estatuária grega e romana, que as deixava completamente expostas às setas e às espadas.

Foi assim que me surgiu, assim que o pintei, em desacordo com o que foi registado mais tarde pelos romanos. E, já agora, deixo aqui uma curiosidade que descobri na Wikipédia: o machado de guerra terá sido inventado pelas amazonas, calculem! Quem diria!


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OS POMOS DE OIRO DO CONHECIMENTO
                                 
Há dois marcos, histórico-mitológicos, que marcam a transição do matriarcado para o patriarcado. A saga das Amazonas e os Doze Trabalhos de Hércules. O primeiro como algo que sobreviveu e se prolongou para além do matriarcado, tendo ainda por muito tempo convivido com um patriarcado empenhado em fazer esquecer a ordem anterior. O segundo é, nem mais nem menos, «os doze trabalhos de Hércules», uma saga a ler e reler, porque ajuda a perceber alguns dos passos da implantação do poder masculino.
Um desses passos foi o roubo dos pomos de oiro.

Gaia deu a Hera, como presente do seu casamento com Zeus, lindos pomos de ouro, que serão eventualmente maçãs. Hera encarregou as Hespérides de plantar e guardar esses frutos, num jardim do extremo Ocidente.

Os pomos de oiro, símbolo do conhecimento, ficaram pois à guarda da mulher. Com o tempo, as mulheres passaram a utilizar o conhecimento em seu próprio benefício e então a deusa mandou que o jardim passasse a ser vigiado por um dragão, segundo uns, por uma serpente, segundo outros.

Todos conhecemos mais ou menos a lenda. Pois bem, qual seria o país do extremo ocidente que acolheu os pomos de oiro? Portugal? Quem sabe? No Iraque as laranjas são conhecidas pelo nome de portugal. Laranjas são pomos de oiro, não há dúvida, indiscutivelmente muito mais do que maçãs. Será Portugal esse País do extremo Ocidente onde foram plantados os pomos de oiro? Quem o possa saber?!
Agora vou contar algo que aconteceu comigo!   

Há quatro ou cinco anos – poderia dar o ano certo, mas não vale a pena! – uma manhã, ao acordar vi o Jardim das Hespérides, com árvores carregadas de pomos dourados. Na altura falei disso à minha amiga Fátima. Dias depois tive a visão das mesmas árvores, mas sem frutos. Que acontecera aos frutos? Fiquei preocupada.

Tempos depois encontrei um amigo e, durante a conversa, falei-lhe do desaparecimento dos frutos e da minha preocupação. E ele disse-me então: «Não se preocupe. Conheço o grupo que retirou os frutos. Vai haver muitos problemas no planeta. Quando a situação se estabilizar, os frutos serão distribuídos...»
Protestei então. Como é que alguém se atreve a deixar sem frutos a árvore do conhecimento?! Não há a recomendação para não se mexer nos frutos dessa árvore?!

Hoje sei que não tem importância nenhuma a recolha abusiva desses frutos. O conhecimento que encerram estará dentro de pouco tempo completamente ultrapassado.

As mudanças que estão a verificar-se no Planeta, visíveis ou invisíveis, estão a desactualizar o conhecimento. Há uma informação nova a descer sobre os corações, que chegará ao nível da memória quando for tempo e se tornar necessário. É pelo menos esta a minha convicção.


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A ENERGIA MASCULINA 



O engraçado é que, quando me sentei ao computador, tencionava escrever sobre a evolução da energia que tem percorrido, nos últimos dois mil anos, os seres humanos, determinando o tipo de relação do casal. O assunto ficará para uma próxima vez.

Quero, porém, deixar aqui o exemplo do ponto de partida: uma energia de certa forma convulsa e trepidante, que definiu o sexo masculino e reduziu no passado a mulher a uma mera idealização, sem entidade própria. Haverá, com certeza, espaço e tempo para documentar os passos dessa evolução.

Até para a semana.


       

sábado, 24 de novembro de 2012

E Se Tudo Fosse Um Sonho?



O SONHO DE ALGUÉM QUE ME SONHA



E se eu fosse apenas o sonho
de alguém que me sonha
sonhando
o meu próprio sonho?



A ideia não é minha. A forma e o ritmo são!

Agostinho da Silva disse-me uma vez que o ser humano poderá ser apenas o sonho de alguém que o sonha a sonhar o seu próprio sonho.

A ideia pareceu-me genial. Registei-a em ritmo na minha memória: «Eu sou apenas o sonho de alguém que me sonha sonhando o meu próprio sonho.» E se isto é verdade? Porque possível é.

Creio que já quase todos nós sonhámos que estávamos a sonhar, vivendo assim um sonho dentro do sonho. Às vezes até acontece que uma parte da pessoa acorda dentro do sonho e que a outra parte continua a sonhar, sabendo que sonha, numa ambivalência estranha e, para mim, fascinante. Acreditem, isto é mesmo verdade, já aconteceu comigo. A pessoa é ao mesmo tempo actor e espectador. Sabe que está a sonhar, mas há uma parte de si que é capaz de observar o que sonha. Chegado aí, torna-se possível orientar o sentido do sonho, aprofundando algo que se pretenda conhecer melhor.

Há um exercício que vem indicado em alguns livros: o da observação das mãos. Quando uma pessoa vê as suas mãos no sonho, há a possibilidade de fixar nelas a atenção. Conseguido isso pode, a partir das mãos, orientar o sonho para algo que deseje saber.

Francamente, não sou perita neste exercício. Muitas vezes vi as mãos no sonho sabendo que poderia através delas «levantar voo», mas nunca consegui. Talvez me tenha sempre deixado entusiasmar demais pela possibilidade e acabe sempre por acordar.

Somos um grande mistério! Deuses que, deliberadamente, esqueceram a origem, para melhor vivenciarem o inesperado? Deuses apaixonados pelo Teatro da Vida, dispostos a aceitar as contingências e dificuldades do acto de viver pelo gosto do imprevisto? Imaginem-se ouvindo constantemente o coro dos anjos e a eterna harmonia da música das esferas! Será isso o bastante para preencher a eternidade?

Quem sabe se o Ser Humano está tão apaixonado pela Vida, que até se deixe fascinar pela barbaridade da dor! Não se diz que os Povos felizes não têm história? E não é que quando tudo está a correr bem, de repente cometemos uma qualquer proeza que vai agitar as águas da nossa vida e pôr tudo em questão?!
Porquê esta ânsia de algo diferente, de algo maior, de algo que ainda não temos, não vivemos, não somos, não amamos?

Somos todos aventureiros do Espírito, não há dúvida! E quando dizem que poderá vir a dar-se em breve grandes transformações no planeta, porventura cataclismos – que os há sempre, com certa regularidade –, não é precisamente nesta altura que a população mundial atinge o seu record máximo?! Porquê? Que paroxismos de sensação procura o ser humano? E porquê a busca de sensações limite neste esquecimento paradoxal? Ou será que só o esquecimento nos permite o livre arbítrio? Se é que há livre arbítrio, digno verdadeiramente desse nome… Como ouvi há muito anos, se estamos em Coimbra e queremos vir para Lisboa de automóvel, podemos optar pela auto-estrada ou pela nacional, mas o ponto de partida e de chegada são sempre os mesmos. É nestes parâmetros que se joga aquilo que tanto apreciamos: a nossa liberdade?

Não será que a liberdade não existe ou está comprometida à partida? Se nascemos com determinado objectivo de vida, como podemos falar de liberdade se a força interior que nos determina nos levará, com maior ou menor facilidade, pelos trilhos que planeáramos seguir? E não será que a nossa felicidade ou bem-estar é tanto maior quanto mais fiéis nos mantivermos ao propósito pré-estabelecido?

xxx

As congeminações acima levaram-me ontem a pôr em questão o prosseguimento deste blog. Com que direito levo até aos outros as inquietações e interrogações que me restam? Em que medida isso pode prejudicar ou ajudar os que me lêem? Adormeci tarde e acordei inclinada a prosseguir, sabendo que o leitor tem a liberdade de não voltar a este espaço.

Entretanto, apesar das minha interrogações, quero dar o testemunho de que a Vida é muito mais vasta e rica do que o quotidiano das nossas histórias pessoais, entre casa, afectos e trabalho e que, sim, é possível acordar de noite ouvindo a música das esferas ou o ressoar dos sinos cósmicos. Só não sei porque me é dado isto, quando apesar da idade contínuo rebelde e exigente?!



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UM SONHO TRÁGICO


Tive o privilégio de visitar o Languedoc, de pisar a terra que outrora foi cenário da epopeia trágica dos Cátaros. Os rostos que podem ver neste desenho recordam alguns dos cátaros que morreram queimados, como heréticos, à ordem do Papa Inocêncio III. O delegado papal, Arnold de Citeaux, deu a ordem: «Matem-nos a todos. Deus saberá reconhecer os seus.»

Mostrei esse desenho a um amigo. Disse-lhe: «Veja, está aí!» Ele olhou atentamente e depois disse: «Há mais gente aqui, que também anda por aí…» Não perguntei quem.

A catedral da cidade de Albi, onde se jogou muita da tragédia Cátara, tem o aspecto exterior de uma fortaleza, mas no interior é, sem dúvida, uma das mais belas catedrais que visitei. Tem dois extraordinários murais, já não me recordo se em azulejo ou pintados.

Disseram-me nessa altura que, depois da exterminação dos cátaros, a disposição interior da catedral foi invertida. O altar-mor foi, a partir de então, instalado no lado oposto da Igreja. Lembro-me que fiquei muito chocada, como se tivesse sido ali praticado um acto de magia ou o exorcismo da antiga crença cátara.

 O que mais recordo, porém, da cidade de Albi, foi um episódio que se passou comigo e com a amiga que me acompanhava. Naturalmente, passeávamos falando em Português.

A certa altura, passou por nós um grupo de adolescentes, que pararam e nos perguntaram: «Estão a falar Languedoc?» Reparem, o português pode ser confundido com a língua antiga do Languedoc, a Língua dos Pássaros». Isto é: a Língua dos Iniciados.

É esta a razão porque, por muito que nos custe, os portugueses têm que se espalhar pelo mundo. A razão próxima são as dificuldades do País, que existem, claro, mas que poderiam ser superadas de uma forma mais rápida, sem esta sangria de jovens, inteligentes, cultos, preparados, que estão a sair para o mundo, levando a melodia da língua, com um poder que não adivinham, mas tem.

No princípio deste monólogo, a 29 de Abril, sob o título «A Magia de Lisboa», reproduzi um texto, (que retirei de um livro, possivelmente a publicar, não sei bem) que fala da dimensão espiritual da nossa Língua. Peço-lhes que o releiam, se tiverem tempo, e o tomem a sério. Trata-se de «iluminar o passado com a visão do futuro ou o som da palavra falada em português.»

Um dia, ouvi um brasileiro (descendente de portugueses) lamentar que o Brasil não tivesse sido descoberto pela Alemanha! Nem lhe respondi, porque não merecia. Como é que o Brasil teria aquela música e aquela doçura da língua, se tivesse sido descoberto pela Alemanha? Os brasileiros seriam porventura mais eficientes, mas menos amorosos e felizes, da felicidade que o dinheiro não pode comprar!


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O SONHO DO ESPLENDOR


Deixo-vos com o sonho do esplendor, esta visão de mundos que se interpenetram e coexistem. A possível realidade de amanhã.




quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Uma Rosa Pela Manhã




UMA ROSA VERMELHA AO ACORDAR


                  
Durante dez anos, ao acordar, no tecto do meu quarto, havia sempre uma lindíssima rosa vermelha.

Das primeiras vezes que isso aconteceu, vivi o deslumbramento total. Fiquei a olhar a rosa o tempo em que me foi possível olhar, sem fechar os olhos. Quando não aguentei manter mais tempo o olhar fixo, fechei as pálpebras e, quando as reabri, a rosa já não estava lá. Mas no dia seguinte, ao acordar, a cena repetiu-se e no outro, no outro, durante dez anos recebi todos os dias uma rosa vermelha, sempre a mesma, sempre diferente… Foi sempre assim e sempre desejei que pudesse pestanejar, fechar os olhos e, quando os reabrisse, a rosa continuasse lá.

Lembro-me de que, numa das primeiras vezes, o Ser que colocava a rosa no tecto, e que nunca soube quem era, quis avançar com a mão e o braço para além do tecto, mas algo deve ter falhado e a imagem desapareceu com estalidos muito fortes, como se a energia que fora disponibilizada para o aparecimento daquela forma tivesse rebentado, por qualquer razão. Talvez o ser, anjo ou alma desencarnada, não tivesse experiência daquela situação de contacto entre mundos.

Nunca mais vi a mão nem o braço do ser que me oferecia a rosa mas, anos mais tarde, estava eu na minha casa perto do mar a fazer meditação, na salinha de estar, que dava directamente para o meu quarto, quando abri os olhos vi a umbreira da porta, que estava aberta, engalanada com rosas chá cor-de-rosa. A imagem manteve-se o bastante para que eu a pudesse admirar. Não voltou a repetir-se.

Um dia contei à minha amiga Fátima e ela disse-me que eu devia ter um namorado do outro lado. Rimo-nos ambas, não tomando a observação a sério, mas agora, que penso nisso, veio-me à ideia de que quem me oferecia as rosas deveria ser o meu duplo, mas nessa altura ainda não considerava a hipótese do duplo,
Vai parecer uma enormidade, mas fui eu que pedi para não receber rosas diariamente, tinha-me habituado. A certa altura deixou de haver surpresa. Era certo. De manhã a rosa lá estava no tecto. E eu deixei de sentir o sobressalto. Então pedi que só me dessem a rosa quando eu tivesse feito algo de assinalável, para que pudesse voltar a sentir esse êxtase. Essa alegria no iniciar do dia.

Assim passou a ser. Assim é. Quando faço ou penso, ou descubro algo de novo, ainda que não me tenha dado conta da importância, volto a receber uma rosa vermelha pela manhã. E é muito bom. Aliás, confesso, há já algum tempo que comecei a sentir saudades dessa rosa que me esperava sempre ao acordar… Descubro que era como se fosse uma bênção. Que enormidades cometemos!


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UM BURACO NO TECTO DO MEU QUARTO


A certa altura, comecei a ver, também ao acordar, um buraco redondo no tecto do meu quarto. Perguntei a um amigo o que isso poderia querer dizer, mas ele não respondeu ou não respondeu com clareza. Também já não era preciso. Era como se eu estivesse a escavar esse buraco, para sair por ele.

De tempos a tempos, por vezes meses, lá voltava eu a ver o buraco no tecto, que se ia aprofundando.
Poderia ser para a minha alma subir directamente para o céu, quando eu morresse… Não era relevante.

Passaram anos. Um dia vi que o buraco redondo no tecto do meu quarto estava cheio de luz. Pareceu-me óptimo. Enquanto estava em construção estava do meu lado esquerdo. Agora está do meu lado direito, visto da cama.

Continuo sem saber o que me pretende dizer, mas sei que está tudo bem. Poderei porventura subir por toda aquela luz, quando chegar a hora…


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A ROSA MÍSTICA OU A VIRGEM SOLAR


Sou mais de «saber» do que de «ver». Os desenhos que fiz são projecções, não são visões. Projecto no papel o que devo desenhar. Posso ver a imagem completa, mas a maior parte das vezes vejo linha a linha ou sector a sector. Por exemplo, posso ver um olho ou uma linha, um nariz ou uma cara. Nunca é igual e nunca sei ao certo o que estou a desenhar nem o que o desenho me vai revelar. Isto para falar do quadro em que pintei a Virgem Solar e porquê.

Há já bastante mais de 10 anos, num exame de rotina, o médico descobriu que um dos meus filhos tinha um nódulo num pulmão. Consultou vários especialistas e todos lhe disseram que seria de vigiar, mas que para já não tinha importância.

A minha nora, porém, insistiu que ele fosse operado. Os meus netos eram pequenos e ela não queria correr riscos futuros. Marcaram a operação e eu soube que, naquela data, o acto cirúrgico ia correr mal. Nenhum deles me quis ouvir e eu tive de aceitar a sua decisão.

Então, aconteceu:

O meu filho ia ser operado no dia seguinte. Deitei-me, adormeci, o dia seguinte ia ser difícil e eu tinha de estar com força para o que pudesse acontecer. Então, às duas horas da manhã, fui acordada por um ruído insólito. Alguém serrava madeira! Inimaginável. Levantei-me, com a sensação horrível de que estavam a serrar a urna do meu filho. Nunca senti um pânico semelhante.

Andei corredor sala, sala corredor, a tentar dominar a minha aflição. Sentei-me depois num sofá para pensar e tentar controlar-me. Reconheci que não podia fazer nada. Tinha que aceitar o que pudesse acontecer. Era minha obrigação tentar dormir, para ter forças para enfrentar o dia seguinte.     

Deitei-me disposta a dormir. Mas, antes de adormecer, pedi que me fosse dado um sinal, se tudo fosse correr bem. Fiquei a meditar, ainda deitada de costas, talvez tivesse adormecido, mas despertei de repente, abri os olhos e, no meu quarto, aos pés da minha cama, estava a Virgem Maria no meio de um Sol, a ocupar grande parte do quarto, a olhar para mim. E eu, nesse momento, soube que tudo ia correr bem. Não vou falar do que então pensei ou senti. São momentos demasiado intensos e íntimos, que não comportam palavras.

No dia seguinte, telefonei ao meu filho a dizer-lhe que tudo ia correr bem. E que era provável que a operação fosse adiada.

A meio da tarde, estava eu no jornal, recebo um telefonema do meu filho a dizer que a operação fora adiada…

Anos mais tarde, pintei este quadro em que tentei representar a Virgem Solar, como forma de demonstrar a minha gratidão.

Esta a história do quadro que hoje vos mostro.

Não tenham dúvidas: o Universo é Mágico.

Esta é para mim a imagem da MÃE.

A VIRGEM SOLAR.

 Ámen.

À MÃE!

Obrigada.



sábado, 10 de novembro de 2012

A Deusa Lunar



TRÊS MEIAS LUAS NO CÉU



Aconteceu nos primeiros tempos da minha descoberta, porventura em 1984/85. Devia estar de folga, mas não tenho a certeza. Recordo que já era noite cerrada, mas não deviam ser mais de 18 horas. Fui deitar-me na cama para descansar um pouco, antes do jantar: Então, senti a energia a percorrer-me o corpo. Fiquei quieta, a observar o percurso da energia borbulhante e quente.

Já me habituara a esse calor vivo a subir pela coluna e a espalhar-se pelo corpo, subindo à cabeça, como uma vibração, um latejar, uma energia viva a despertar e a trabalhar as minhas células. Nesse fim de tarde, princípio de noite, alguma coisa de diferente aconteceu. A energia latejante pareceu concentrar-se no meio do peito e depois começou a seguir na direcção dos meus braços que se abriram à largura da cama e eu senti, vi, o meu corpo transformar-se numa cruz de energia. Percebi então que o Ser Humano está crucificado na matéria e que aquela energia, que havia meses começara a percorrer o meu corpo, me viera libertar. Eu continuava a ter um corpo, mas algo desencadeara nele um processo de transmutação, talvez a preparar-me para o meu regresso a Casa.

Estive muito tempo como actriz e espectadora de um processo que intelectualmente desconhecia, mas que o meu corpo parecia estar preparado desde sempre para receber. A certa altura, levantei-me. Precisava de ar fresco. Estava frio, mas era um frio bom. Então olhei para o céu…

Olhei para o céu e vi três meias luas, com um grande rasto de luz. Fiquei ali, na varanda, não sei por quanto tempo, apesar do frio, a olhar essas inesperadas três meias luas no Céu, cheia da espanto, mas com a nítida sensação de que aquelas três meias luas estavam ali para serem vistas por mim. Melhor, para serem vistas por mim e por todos aqueles que estivessem a viver um processo semelhante ao meu.

Um dos meus filhos estava em casa, mas eu não o chamei para ver. Sabia que ele não iria conseguir ver e que se falasse da minha visão só o iria preocupar, pois inevitavelmente iria pensar que eu não estava boa da cabeça. Voltei à varanda mais tarde e os três quartos crescentes ainda estavam lá.

Nenhuma das três pessoas com quem podia então falar destas coisas me soube explicar o significado dessas três luas, que não mais voltei a ver. Pouco tempo depois, chegou-me às mãos um livro de Dalila Pereira da Costa, «Da Serpente à Imaculada», que me trouxe a explicação que procurava. Por ele soube que, no território que é hoje Portugal, se cultuou, em tempos antigos, uma deusa, conhecida pela Deusa Tripla Lunar, que era representada por três meias luas…

Será que eu vi a Deusa do Território? Será que Ela regressou? Que pretendeu dizer-me? Ao certo, ainda não sei. Só sei que a Deusa confirmou a minha ligação ao Território que é Portugal e ao sagrado.
Soube, agora mesmo, que a visão dessas três luas, tem ligações ao facto de ter visto as linhas de energia subtil que percorrem Portugal de norte a sul, nos primeiros mapas do Google do território português, em que também vi que, no Algarve, há também linhas de energia horizontais, que não encontrei no resto do País. Poder-lhes-íamos porventura chamar os caminhos da serpente, sendo grandes fluxos de energia. Também nesses mapas vi pelo menos dois grandes «ovos» de energia, entre Portugal e Espanha, na zona que antigamente se denominou Tartessos… Infelizmente, a minha amiga Fátima, que testemunhou essa descoberta, já não está cá para o confirmar.

Que posso fazer com este conhecimento, a não ser divulgá-lo?


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O PARTO DO FUTURO


Todos os seres humanos que, actualmente, se encontram no Planeta Terra, partilham de um tempo extraordinário. Extraordinário, mas não fácil, como cada um de nós o sente na pele, por um motivo ou outro. O Planeta entrou em trabalho de parto. De parto do futuro. Em 1990, escrevi um texto na revista do jornal Diário de Notícias, onde então trabalhava, em que antecipava o que agora está a decorrer. 
Fotocopio-o para poderem avaliar o que já então dizia, se quiserem.



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O NOVO FEMININO



 Trata-se pois de um regresso à Mãe, a uma ordem materna, em que o feminino tem de recuperar as suas qualidades intrínsecas e o masculino ultrapassar o gosto pela violência e pelo risco.

Isto não significa que os homens deixarão de participar na vida pública, pelo contrário. Tratar-se-á de uma mudança sobretudo de paradigma. De objectivos, de valores e de métodos e de reequilibrar a participação dos protagonistas, não da substituição de um sexo pelo outro na condução da causa pública.

Entretanto, segundo uma das minhas pinturas da mesma época, descobrir-se-á uma população até agora desconhecida que, porventura, vive em zonas do interior da Terra e que poderá ajudar a revolucionar a forma como vivemos.


É tudo isto um sonho onírico de quem tem muito tempo livre? Não. Na altura em que desenhei e pintei estes apontamentos gráficos, ainda cumpria um horário numa profissão muito exigente. Recebi um recado que tive, e ainda tenho, alguma dificuldade em divulgar. Embora já não me importe que possam dizer que tresli. Até acho graça.




sábado, 3 de novembro de 2012

A Família Cósmica



CADA UM DE NÓS FAZ PARTE DE UM GRUPO CÓSMICO


Quando alguém decide descer ao Planeta Terra (ou é compelido a isso), não o faz sozinho. Cada um de nós pertence a um grupo, a uma família cósmica, e vem a este mundo em articulação com o seu grupo, para desempenhar uma tarefa, a que se pode chamar missão.

Foi logo nos primeiros desenhos que o meu grupo cósmico surgiu, como uma espécie de assinatura, mas então só consegui identificar dois ou três dos elementos.


 Há qualquer coisa de singelo, e de tocante, neste pequeno grupo em cascata, que se reúne na Terra, porventura para realizar uma tarefa e talvez também para resolver, se possível, velhos diferendos, quem sabe se para continuar velhos amores ou para, finalmente, atingir a transcendência!?

 Quem sabe o que move um grupo a descer a Terra? Que missão traz? Como é que os seus elementos se irão reencontrar? Terão alguma vez consciência de que se conhecem desde sempre e que chegou, porventura, o momento de se reconciliarem e cumprirem finalmente a missão que aceitaram e que, ao longo do tempo, foi reciclada em diferentes versões?

Num caso destes, o problema maior é o dos elementos do grupo não estarem todos no mesmo nível de evolução. O Universo coloca-os num mesmo tempo e espaço para uma determinada tarefa, mas nem todos evoluíram ao mesmo ritmo e isso pode criar oposição e conflito.

Vou contar uma história. Suponham que é verdadeira. Ou sendo verdadeira considerem-na uma história.
 Houve tempo em que senti que era necessário que mulheres se reunissem para mandar energia ao Planeta Terra e o grupo formou-se. Já falei disso. Um dia, sem saber como nem porquê, disse a uma das participantes: «Fui tua mãe no Egipto». Também já contei isso. O mais estranho é que nunca mais falamos dessa revelação, o que seria expectável. Deixei de participar no grupo de oração, a que chamámos «Roda», no dia em que uma das participantes entrou dentro da Roda (onde ficou até ao final) e com ela a figura fantasmática do imperador.

Não entro em lutas, muito menos em lutas espirituais, e afastei-me. A energia que eu pudesse veicular não era para fortalecer um casal, que pretendia impor-se, ou uma energia de conflito, mas acolher e espalhar a energia feminina que começara então a descer no Planeta, preparando as grandes mudanças que estão para se dar. Era nisso que eu acreditava. Afastei-me e prossegui sozinha no que eu achava ser a minha missão.

Disto eu já falei. Foi na Roda que encontrei a minha amiga Fátima. Ela tinha uma capacidade onírica muito mais profunda do que a minha. O que vou contar não é segredo, porque faz parte de um livro que ambas escrevemos. Não vou violar nenhuma confidência.

Termos feito parte da Roda e tendo saído juntas, ao mesmo tempo, isso aproximou-nos e levou-a a contar-me alguma das suas experiências. Eu pintava e desenhava no concreto. Ela pintava no astral. Falava-me muitas vezes da galeria de pintura que tinha no astral, onde ia muitas vezes, até que, anos mais tarde, também ela começou a pintar no concreto, no lado de cá.

Além da sua galeria de pintura, a Fátima tinha também um templo no Astral, onde passava horas, recolhida. Era um templo muito antigo, de que ela fora e era a guardiã.     
  
Gosto muito de investigar um assunto e sou capaz de passar longas horas à procura de uma informação. Mas não sou curiosa. Sou incapaz de querer devassar a vida íntima de uma pessoa. Se ela conta, ouço com todo o afecto e até posso ajudar a procurar explicações, mas não devasso a vida do outro. Todos somos um mundo, muitas vezes extremamente complexo. Isso é fascinante, mas também é fascinante o segredo do outro. 

A Fátima começou a falar-me cada vez com mais pormenores do templo onde era sacerdotisa. Até que, quando começamos a escrever o livro, ela começou a dar-me mais pormenores desse templo no astral, que já existiu no concreto, e em que ela fora e continuava a ser sacerdotisa.

Depois, começou a fazer desenhos para melhor explicar como tudo era. Até que um dia, finalmente, mais de dez anos depois de nos conhecermos, ela finalmente contou o drama que ali se desenrolara, há muitos séculos ou milénios atrás.

O templo, que continuava a cuidar no astral, foi em tempos um templo de sacerdotisas, porventura de pele escura, que guardavam a Arca da Aliança. Para que eu pudesse visualizar esse templo, o seu templo, fez desenhos do altar, do candeeiro redondo no tecto, porventura iluminado a azeite ou óleo, do espaço onde as sacerdotisas se reuniam numa roda de oração, ao lado da Arca da Aliança…

A Arca da Aliança estava num compartimento à direita da porta de entrada. Não tinha vidros a isolá-la, não tinha portas, mas estava protegida, guardada por uma cortina de energia. Todos os dias, as sacerdotisas (creio que eram doze, não vou aos meus apontamentos verificar), faziam uma roda de oração, em que a Grã-Sacerdotisa ficava no meio. A minha amiga era a guardiã do templo e da Arca. Competia-lhe vigiar a porta e garantir que tudo se mantinha harmonioso.

Naquele dia, estavam em oração, quando inopinadamente alguém entrou no Templo. Um homem. Entrou no templo, entrou depois dentro da Roda e matou a Grande Sacerdotisa com uma adaga. A minha amiga era a vigilante, mas não conseguiu reagir. Ficara petrificada.

 O homem dirigiu-se então ao espaço onde era guardada a Arca da Aliança, forçou a barreira de energia e conseguiu entrar. Ouviu-se então um grande estrondo, a energia que protegia a Arca da Aliança explodiu. A minha amiga não sabia exactamente o que aconteceu depois. Só sabia que a Arca fora roubada, e que as sacerdotisas entraram em confusão, deixaram de saber quem eram e que cada uma foi para seu lado, desapareceram. Só ela ficou no Templo, através dos tempos, como guardiã de uma Arca que também desapareceu, esperando que tudo um dia se recompusesse.

E eu disse à minha Amiga:

 -- Não será que nós fomos essas sacerdotisas e que temos vindo a encenar, através dos tempos, o mesmo drama?

Acrescentei depois:

-- Desta vez, ninguém morreu. Sabe, nunca lhe disse, mas desta vez eu tinha colocado, no centro da Roda, a minha Espada de Luz…

Isto aconteceu ou é simplesmente uma história?

Que importa? O que importa é o que este relato poderá desencadear em quem o ler!

 Para terminar, mostro-lhes um desenho. Uma guitarra que explode em gente. Será isto a Vida? Uma sinfonia de sons, ora melodiosos, ora dissonantes…?  
           
Até que nos cansemos do Jogo. Do Jogo da Vida. E, finalmente, queiramos regressar… à origem.