sábado, 23 de fevereiro de 2013

Três Histórias de Vida




A BAILARINA DE CABELOS AO VENTO


Não sei os nomes. Desconheço quem foram e em que época viveram. Sei só que vieram até mim ou, mais concretamente, até à expressão do fluxo criador que, a certa altura, me toma, mas assim como surgiram despareceram, parece que para sempre. Não lhes sei os nomes, mas sei que existiram num passado longínquo. Elas são as únicas três personagens que, num único quadro, me deram uma panorâmica da sua vida. Por isso as associo nesta mensagem de hoje, como as personagens que de uma só vez me resumiram as suas vidas.

A primeira a surgir, andava eu ainda pelos lápis de cera de óleo, foi uma bailarina. Isso eu sei que foi. Ou isso eu sei que fui, embora nesta vida nunca tenha aprendido verdadeiramente a dançar. Também sei que essa que surge no desenho dançava nua com uma serpente nos ombros, que se esconde agora no azul do fundo do quadro. Creio que era uma dança ritual. Ainda nesse azul do fundo do quadro vi, nesse primeiro tempo, a multidão de homens que assistiram a essa dança, a esse voo do corpo, que hoje me parece irreal. Lembro-me que até aos dez anos dancei frente ao espelho do guarda-fatos, às escondidas de todos. Depois dessa data não voltei a repetir essa dança. Mas sim, voltei a dançar, muito mais tarde, de olhos fechados, sozinha, quando a energia começou a dançar em mim, sabendo que essa dança facilitava o percurso da energia… Ou estaria a inventar? Como é misteriosa a vida e como somos todos levados a ignorá-la e a só viver a face exterior!

É uma obra muito imperfeita a desta bailarina, mas a mim isso não importa, mas o significado, a força que me levou a desenhar, ainda que o não soubesse fazer, a desenhar vida que continua a pairar na fluidez do tempo e, quem sabe se não voltará ainda de novo a visitar-me?! E, afinal, que é a vida se não esta dança que dançamos diariamente? Que dançamos com e sem ritmo, mas que com ela traçamos um percurso singular, que é o nosso, que foi o nosso em qualquer curvatura do tempo. Estivemos lá e estamos cá, esse é o grande mistério. Mistério que, ao tomar consciência disso, o ser anseia aprofundar, ainda que cada lampejo de vida acabe por ser só um flash, que continua gravado na espiral do Tempo.

Pronto, é muito pouco o que guardo em mim desta bailarina, tão mal desenhada e pintada, mas que, mesmo assim, exprime toda a sua vida, desde criança à velhice, rodopiando nesse volteio que acaba afinal por ser o de todas as Vidas.


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UMA LONGA E SERENA VIDA?


A segunda personagem, de que dou um leque mais vasto da sua longa vida, acaba por me ser tão desconhecida quanto a primeira e ainda menos próxima. Que sei dela? Que foi obviamente amada e isso é muito importante para todos os seres humanos, mas muito especialmente para as mulheres. Tem a seu lado um homem forte, talvez um guerreiro e, numa outra imagem, um homem ligado ao Poder.

O que me faz dizer que ela teve uma boa vida, serena e profunda, é o ar doce do seu sorriso e dos seus olhos, quando já é uma mulher de meia idade. Olhando este quadro eu diria que foi uma vida conseguida, uma vida cheia de anos e de luz.

Claro que tudo isto não passa de especulações, mas cada um/a de vós pode reiventar a vida desta mulher, em outra época e outra forma de viver. Por mim, continuo a achar que soube aproveitar das lições da vida e crescer interiormente com o que me foi dado viver. E que é aliás, o que é pedido a cada um  de nós


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PORVENTURA UMA GRANDE SENHORA, MAS…


A terceira e última mulher de que pintei num mesmo quadro os aspectos mais importantes da sua vida não me parece ter sido verdadeiramente feliz. E sim, considero a felicidade um elemento importante para definir a vida de uma pessoa. Porque a felicidade de cada um é uma condição interior, muito mais do que o resultado do que rodeia a pessoa, da forma e do ambiente onde vive, de quem a ama e de quem ela ama. A felicidade é um estado interior, uma harmonia a que se chega para lá do que se é e de quem nos rodeia, para lá da situação em que vivemos e da própria situação do País. A felicidade é algo que verdadeiramente só se atinge no silêncio do coração.
 Um dia, uma pessoa com quem tinha uma relação não diria de amizade profunda, mas de camaradagem, confessou-me sentir-se culpado por, num mundo cheio de sofrimento, se sentir feliz.
A minha reacção de então seria igual à de hoje. Não, ela não devia preocupar-se por, num mundo em sofrimento, se sentir feliz. Pelo contrário, o Planeta Terra precisa da felicidade das pessoas para poder evoluir harmoniosamente. A dádiva maior que podemos, aliás, oferecer-lhe é a da nossa felicidade, versus nosso amor. É essa felicidade que voltará a desvelar o Paraíso que é o nosso Planeta. 
É nosso privilégio o de sermos felizes e de poder descobrir felicidade até nas situações mais difíceis. Aliás, as dificuldades são sempre a condição para podermos dar mais um passo em frente! Para podermos descobrir a nossa verdadeira dimensão. E isso só pode ser feito passo a passo ou correríamos o risco de sermos inundados de luz e então talvez já não conseguíssemos manter-nos aqui, talvez quiséssemos simplesmente voltar à origem…

Todos nós somos e irradiámos energia. Ora, é essa energia que influi na dinâmica do Planeta e das sociedades. O que temos à nossa volta foi aquilo que nós criamos. Os Passos e os Gaspar são nossas criações. Símbolos da nossa menoridade. Só existem e têm os lugares que ocupam porque os criamos com os nossos erros e a nossa incapacidade de previsão. Porque fomos marionetas dos interesses que nos manipularam e nós deixamo-nos manipular, sem parar para reflectir nos riscos que corríamos. Eles são a imagem da nossa irreflexão e porque criámos condições para que surgissem. São a manifestação da parte irresponsável e imatura da maior parte de nós. Seres que dançam ao ritmo dos interesses dos mercados e do grande capital, seres em quem fazem despertar necessidades e através delas os manipulam e escravizam. É só um jogo, mas é preciso reconhecê-lo e saber evitá-lo. Sem eficácia, ele acaba automaticamente por se destruir…

As crianças têm de respirar alegria para crescerem harmoniosamente e se tornarem boas pessoas. Crianças infelizes fazem homens e mulheres revoltados que, por sua vez, farão sociedades e países conflituosos e dominadores.  Em resumo: é nossa obrigação transformar situações problemáticas em alavanca para a construção de uma sociedade melhor.

Não, e para terminar, não creio que esta senhora tenha sido feliz. Em jovem olhava à sua volta com um olhar de superioridade e talvez de desdém. Talvez por isso lhe tenha pintado os olhos desnivelados. E, ao lado, já mais idosa, o seu olhar está cheio de nostalgia e, ao mesmo tempo, com uma expressão de defesa. Aliás, cada um de nós torna-se naquilo que viveu…


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MILIONÁRIOS DÃO METADE DAS SUAS FORTUNAS


Depois de Bill Gates, mais 50 milionários americanos passaram a disponibilizar metade das suas fortunas para ajudar outros seres humanos.

Reparem, a sociedade está a mudar. O SER HUMANO está a aprender. Uma nova forma de viver está em gestação.

 O Paraíso vai voltar a estar ao alcance dos Homens.  A felicidade também.

 Voltaremos a este assunto na próxima semana.


  

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O Mundo de Orwell



Terça-feira

A MODA DA REFUNDAÇÃO











Falei aqui, pela primeira vez, na Refundação de Portugal, a 7 de Abril do ano passado. Entretanto, a palavra, que não consta dos meus velhos dicionários, embora seja usada no Brasil, tornou-se popular na actual linguagem do Poder. Claro que o objectivo que a lançou no circuito político não tem nada a ver com a intenção que ma fez utilizar. 

Segundo o que então escrevi, a refundação de Portugal assenta em três personagens: a Rainha Santa Isabel, o conde D. Henrique e a Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I. E sublinhei então que se tratava de «uma trindade composta por uma santa, um guerreiro e uma mulher culta que, ao reino de Portugal, sacrificara o seu amor».

Mostrei depois a imagem de D. Teresa como a portadora do Graal. Fi-lo porque senti que chegara o tempo de revelar algo que tinha desenhado e pintado, vendo as imagens na tela e no papel.

Impôs-se-me depois outra personagem, a figura de Santa Clara, que foi acolhida e venerada pelos portugueses, desde os primeiros anos da sua canonização. Santa Clara impôs-se ao meu imaginário a partir do dia em que me atrevi a olhar o sol de frente, tendo visto, ao meio dia, sair do sol fios de luz até às minhas mãos, como se eu pudesse segurar e espalhar aquela luz à minha volta.







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OS PORTAIS DO TEMPO


Escrevi e publiquei, há 12 anos, o livro «Os Portais do Tempo», que relata a história do mundo tal como a vivenciei nos meus desenhos. Arrependi-me mal o publiquei, porque não tinha então estrutura para aguentar o que os leitores pudessem pensar e dizer. É certo que vivia uma experiência singular, mas queria exteriormente aparentar uma vivência conforme os parâmetros normais do meu meio e da minha profissão.

Foram precisos mais de 12 anos para eu ganhar a coragem de assumir o meu percurso interior.  Ajudou-me ter envelhecido, ter deixado o jornalismo e ter, finalmente, integrado e assumido o privilégio das minhas experiências. Hoje sei que a mensagem chegará a quem se destina. E que a corrente de Luz que está a correr o Mundo e de que sou somente uma ínfima chama, vai ser tão poderosa que só não a verá quem escolher não a ver. E esse é o seu direito, também sagrado. Quando a humanidade estiver pronta, inevitavelmente acabará por ver o que estará à vista de todos. O Espírito vai bater à sua porta, porque o tempo de hoje é diferente e é exigida, a cada um de nós, a abertura do coração.

 O nome do Deus a que prestamos culto é muito menos importante do que a pureza que tivermos no coração.  De resto, há um só Deus, que não precisa de nome e reúne em si toda a Criação. E todos somos Ele. Ou Ele é todos nós.


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OS PORTUGUESES NOS NOVOS TEMPOS


Como é que eu vejo a articulação das personagens que, ao trabalhar os arquétipos, vão permitir aos portugueses colaborar na renovação do Mundo?

O Conde D. Henrique e, naturalmente, o filho, D. Afonso Henriques  portam a espada, são os guardiães da acção e da renovação do Território. Eles dão firmeza e segurança ao futuro.

Tareja, por tantos séculos guardiã do Graal, continuará a ser a mãe, a que vela por nós, espalhando equitativamente os dons da abundância pelo Mundo. Uma abundância adequada à fome de cada um. E para isso é preciso ainda desvelar qual é a verdadeira fome dos Portugueses. Fome do Ser ou do Ter?

Santa Clara, com o ostensório, transporta o pão do Espirito e é, de certa forma, uma outra portadora do Graal.  

A Rainha Santa Isabel continua a trazer no seu regaço os pães que são rosas ou as rosas que são pão. Dito de outra forma, o alimento do novo tempo.

Por fim, a Infanta D. Maria cantará o amor e espalhará o dom da Cultura, assumindo finalmente o seu amor pelo Poeta e pela Poesia, que é o verdadeiro fermento da Alma Portuguesa.


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Quinta-feira

O RIDÍCULO TAMBÉM DEVIA PAGAR IMPOSTO

O inimaginável aconteceu! Esta fatia de terra plantada à beira mar, acho que é assim que se diz, vai ter o Estado policial mais abrangente do mundo. À porta de cada café, porventura postado desde manhã até à noite, vai haver um fiscal dos impostos para saber se pedimos a factura pela saborosa bica, que tanto apreciamos e que nos dá o abanão necessário a sermos eficazmente produtivos. Se não a tivermos pedido, pimba, lá vamos ter de pagar a imaginada multa pelo mais piroso Governo que jamais teve este País.

Só por piroseira se pode imaginar a mente brilhante do nosso primeiro ministro ou do ministro das Finanças a conceber esse definitivo contributo para o equilíbrio das nossas contas públicas: o recibinho de cada cafezinho que emborcarmos durante o dia.

 Fenomenal! O Universo de Orwell, relatado no livro «1984», parece ter passado da imaginação para a realidade. Vamos ter diariamente um fiscal dos impostos a controlar todas as nossas despesas. Haja Deus! Ou melhor, haja a mente brilhante de Vítor Gaspar, só ele podia ter imaginado tal coisa. Imagino o Primeiro Ministro a dizer: «Bestial, Vítor, acabaste de descobrir a pólvora! Estes portugueses encharcam-se de café. Em menos de nada vamos cobrir o déficit. Só tu, só tu salvador da pátria, se lembraria de tal coisa!»

 Ou vice-versa. Talvez tenha sido o primeiro ministro a ter essa ideia. O meu instinto, porém, diz-me que foi Gaspar, ele é que é miudinho. Só a lentidão das suas inegáveis qualidades permitiriam este arrincanço.

E, já agora, tenho muita pena, mas só vou contribuir para saldar o déficit com o corte substancial da minha pensão de reforma, que paguei antecipadamente por mais de 40 anos. É que, depois de ter bebido três a quatro cafés por dia durante anos, deixei o «vício» quando me reformei. Mas, apesar disso, vou estar muito atenta às portas dos cafés. Acho que vou assistir a cenas edificantes.

Se o ridículo pagasse imposto, estavamos safos, a dívida pagava-se num ápice!


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  Sexta-feira        


FISCAIS DAS FINANÇAS MAIS RADICAIS QUE O MINISTRO?

Afinal, «os diversos processos de contra-ordenação» que o fisco instaurou a consumidores que beberam café e não pediram factura, resultou «de acções de fiscalização experimentais e não de uma iniciativa concertada a nível nacional», segundo declaração do Ministério das Finanças ao jornal Público.

Pode ser que tenha sido assim, ou não, mas o Governo ficará para sempre ligado ao ridículo de pôr fiscais atrás dos viciados em café. Se tivesse resultado, os próximos visados seriam provavelmente os mendigos, que afinal também não declaram rendimentos nem pagam impostos, ou não é?

Entretanto, o sindicato dos Trabalhadores dos Impostos veio dizer que as multas foram fruto de acções experimentais, etc., como se isso pudesse caucionar o ridículo. As multas que foram entretanto  passadas vão ser cobradas ou não? E, já agora, não será altura do ridículo também pagar imposto?

Sobra uma questão: então os fiscais das finanças, por livre arbítrio, foram para os cafés multar quem saísse sem recibos nos conformes? Não acham que é pouco credível?
Informação:

A factura de um café, que custa 60 cêntimos, ou de um almoço, por exemplo, de seis euros, afinal não tem de ter o nome nem o número de contribuinte. Valha-nos isso. É que os portugueses já estavam a pensar que tinham sido escolhidos para testar a realidade de Orwell.

Isto, porém, são meras manifestações de um quotidiano que está a degradar-se a um ritmo muito acelerado. Na verdade, não somos os gregos, como se repete frequentemente. Não somos. Mas, por favor, não continuem a testar as semelhanças! É que, apesar dos brandos costumes, mostra a História que, por vezes, também nos zangamos… E não gostaria nada de ver os Portugueses zangados! Mesmo nada! 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O Paraíso É Aqui


SÓ PRECISAMOS DE O DESVELAR…


No Bem e no Mal todos somos responsáveis pelo estado do Mundo e dos Povos.. Todos somos responsáveis pela riqueza acumulada de alguns, pela pobreza extrema de outros, pelo egoísmo das sociedades. Pela Guerra e pela Fome que passam transversalmente por todos os Povos. É fácil e cómodo dizer que a culpa é dos outros. Dos árabes, por exemplo, ou dos capitalistas, ou da aridez dos solos, da desregulação do planeta. Já chega! É altura de assumirmos a culpa comum. Todos somos responsáveis, de uma forma ou de outra, pelo estado do Planeta, pela organização que oprime tantos de nós e pelo sofrimento dos nossos irmãos em humanidade.

Esta reflexão impôs-se-me hoje. Quero ver-me só naquilo que sou hoje, e isso iliba-me da responsabilidade, ou uma parte de mim desejaria que,livres de toda a responsabilidade. Não, cada um de nós nasceu já milhares de vezes. Na Escola da Vida temos de experimentar tudo. Desde a abjecção à santidade. Da pobreza mais extrema à vida em palácio. O que será melhor? O que será pior? Vejo o sofrimento a perpassar por todas as hipóteses. Desde o déspota que tem tudo e não é amado por ninguém, ao miserável que buscou nos caixotes do lixo as sobras rejeitadas, com que pode matar a sua fome.

Todos tivemos que passar pela dor! Então, porque ainda não aprendemos, porque temos de repetir e voltar a repetir, desejando estar «na mó de cima», de barriga cheia e com a embriagante sensação de Poder, que queremos, quisemos sempre eternizar? Até quando este jogo abjecto? Não será altura de acordar? De dizer: «porventura fomos tudo isso, mas queremos agora acordar, reconquistar a nossa verdadeira dimensão de Ser». Que é igual, ou pelo menos semelhante, em todas as raças humanas. Igual em cada homem e cada mulher seja qual for a cor da sua pele e o lugar onde nasceu. Somos todos divinos antes de ser humanos. E, sim, vivenciamos colectivamente uma espantosa experiência comum. Mas é apenas uma experiência. Viemos trazer o Espírito à matéria, é preciso consciencializar isso para podermos avançar para a nova étapa. É altura de subir o patamar, de passar à quinta dimensão, de readquirirmos a noção da nossa divindade. Pode algum filho de Deus negar a si próprio e aos outros a irmandade e a sua ascendência divina?

Todos somos iguais. Não podemos continuar a viver numa estrutura social em que uns são mais iguais do que os outros. Isso já foi. Já tivemos milhares de anos em que experimentamos esse modelo, com maiores ou menores variações. Basta! Basta, meus irmãos! Vamos agora reinventar o futuro, imaginar uma nova Terra, sempre a mesma, sempre com novas potencialidades, aquelas que nela pudermos visionar. Tudo depende de nós. E isto não é política. Isto é simplesmente fruto do Amor que sempre existiu dentro de nós e está agora numa nova fase de manifestação.  

Eu acredito nisto. A Humanidade vai reinventar-se, com maior ou menor facilidade. Vai despojar-se do egoísmo endémico, como doença do carácter, e reinventar o Paraíso. Assim espero que seja.

Entretanto…


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«ESTA É UMA POLÍTICA DE GENOCÍDIO»


O Paraíso é aqui. Mas o Inferno também. E é o ser humano que o faz.

Hoje, dia 8 de Fevereiro, sexta-feira à noite, acabo de ouvir na televisão, pela boca de um dos idosos que se manifestavam contra o corte das pensões, na sua maior parte já irrisórias, a acusação que deveria fazer empalidecer qualquer governante com o mínimo de sensibilidade: «Esta é uma política de genocídio!»

Registo aqui este grito, esta denúncia, numa praça pública, de quem já não tem nada a perder. Será que o Governo ouviu? Será que não se envergonha? Será que os membros do Governo podem chegar a casa e olhar os filhos nos olhos sem vergonha?!

E será que os seus filhos conseguem olhá-los nos olhos com amor?

Afinal, qual é a pressa de reduzir o déficit tão rapidamente? Será para se vangloriarem das suas perfomances, condenando à fome e à miséria uma parte significativa da população? Será que o objectivo é chegarem às próximas eleições como os que venceram a crise? Acham que as pessoas vão esquecer o rasto de destruição que foram deixando pelo caminho?
Já agora, lembrem-se: a velhice e a doença espera-vos, ao virar da esquina. Quem sabe se também com as reformas de miséria a que querem condenar os reformados de hoje?!

 Sabem que além da justiça humana há uma justiça imanente?  

Nunca ouviram falar? E também não sabem que Portugal é um dos países em que a distribuição da riqueza é mais desigual?

Tenham vergonha!


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O EQUILÍBRIO ENTRE DOIS MUNDOS


Não é fácil manter o equilíbrio entre dois mundos. Viver simultaneamente no Aqui e Agora e no Mundo do Espírito tem as suas dificuldades. Uma delas é a tendência a minimizar o Aqui e Agora. Enquanto uma pessoa permanece neste lado do véu, não há como escapar. Para ser verdadeiramente consciente tem de manter firme a sua ligação ao concreto. Seria fácil deixar-se pairar «no andar de cima», considerando que a vida é a ilusão que é, a que não merece a pena dar muita importância, o que a um certo nível é verdade e a outro  constitui uma demissão. Creio que vivo simultaneamente no concreto e em outra realidade, que se manifesta mais ou menos segundo a minha disponibilidade.

Desenhar o passado foi, durante anos, uma forma de me conhecer melhor, até que um dia achei que aquilo era muito interessante, mas não me bastava, já não bastava para mitigar a minha sede. Então admiti que, se deixasse de desenhar, a energia que gastava nos desenhos podia ser aplicada na minha elevação espiritual. Além do mais, aquelas histórias, em que eu podia ter estado envolvida, de que podia ter sido a protagonista, não me prendiam verdadeiramente. Eu era a que desenhava, só isso! Tudo o mais eram imaginações ou reconstituições, e ainda que, em alguns casos, eu pudesse ter sido esses seres, hoje eu era outra, que importância tinha isso?

Confesso que nunca desenhei, pintei ou esculpi com a ideia de que era uma artista. Eu era simplesmente a que via a figura no papel e passava o lápis por cima, ou a que tocava no barro e o barro ganhava forma sob o calor das minhas mãos, Não era eu, era a energia das minhas mãos que orientavam a forma do barro. Como é que eu podia destrinçar isso? E interessava-me destrinçar? Talvez não.  Vivia a magia do momento.

Um dia surgiu no barro a figura de um guerreiro. Um guerreiro que me saudava com a mão no peito. Esforcei-me por realizar essa figura de homem com a mão no peito e não consegui. Então, essa figura de homem apareceu-me em sonhos e saudou-me com a sua mão no peito, talvez para me mostrar como era, talvez porque ele queria mesmo saudar-me… A estatueta acabou por ter duas faces, um homem e uma mulher, formando um só corpo, de um lado homem, do outro mulher, mas sem saudação…



O engraçado é que, mais tarde, modelei a figura de Júlio César, a saudar Cleópatra, de mão no peito, e não me custou nada fazer esse braço e essa mão...



 A explicação, não sei. A verdade é que aquele primeiro guerreiro e a sua saudação me fez um certo medo… Como se fosse um passado a que eu não queria regressar.


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SÁBADO DE MANHÃ


Dormi. Percebi finalmente o que me incomoda nessa escultura. Transfere-me para um passado e uma vivência que me pareceu deslocada no contexto geral dos meus trabalhos, mas que assinalou o início do meu despertar. É, pelo menos, essa a interpretação que lhe dou.



Mostro o desenho que tinha posto de lado, como se fosse algo de que não me quisesse lembrar e que documenta o mesmo par. Fui buscá-lo de manhã, quando me decidi continuar a escrever. Ele reporta não só o estadio de uma alma, mas a manifestação do impulso básico da vida humana, a sexualidade, que é a etapa decisiva para o despertar do espírito. Reparem que é da cintura da mulher que surge a cabeça da pomba. Dito de outra forma: a Sexualidade está indissociavelmente ligada ao Espírito. O problema é que uma moral distorcida nos levou a diabolizá-la e a pervertê-la, quando condiciona todo o nosso ser e a nossa caminhada para a transcendência.

Por hoje, fico por aqui, Até para a semana. 


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Arautos do Futuro



AS CRIANÇAS ÍNDIGO VÃO MODELAR O FUTURO


As crianças índigo cresceram. São elas que vão modelar o futuro. Qual será a quota parte de portugueses nessa tarefa? Não importa quantificar. O que importa é que essas crianças, agora adultas, tenham acesso ao futuro que trazem dentro de si e o saibam modelar no concreto.

Já aqui mostrei o meu desgosto por ver a melhor e mais bem preparada juventude portuguesa, que até hoje tivemos, ser compelida a emigrar. Tinha razão ao nível dos afectos e do concreto imediato. No plano mais profundo, ao nível da «máquina» que faz mover o mundo, eu não mostrei a mínima sabedoria. Devo dizer, sou solidária com todas as mães que choram a ausência dos filhos, mas sendo-me dado pensar para lá das razões imediatas, atrevo-me a dizer-lhes que sequem as suas lágrimas e se alegrem, porque os seus filhos vão participar, de forma activa, na mudança mais radical a que o planeta há muito não assiste.

Ainda que o não saibam, acho que os jovens índigo, seja qual for a origem, têm a responsabilidade de se espalharem pelo mundo,  com o objectivo de testemunhar e dizer, talvez com espanto, «o Rei vai nú!». Sim, esta civilização chegou ao ponto de viragem. Seres, mulheres e homens, bem preparados tecnicamente, com o super avit de terem sido modelados pelo mundo dos afectos, foram levados a sair do seu país e a espalharem-se pelo mundo para se consciencializarem dos problemas e fazerem ressoar o alerta. «Parem, olhem à vossa volta, estamos a suicidar-nos colectivamente».

 O Planeta, como ser vivo que é, tem em curso um processo radical de auto-limpeza que vai permitir-lhe sobreviver à nossa loucura, ao nosso egoísmo, a esta civilização do Ter, mas que pode esmagar-nos na convulsão espasmódica da Natureza. Ou esmagar muitos de nós.
Os sistemas auto-regulam-se. Se não conseguirmos parar a loucura do Ter, o planeta vai inevitavelmente criar condições para nos retirar de uma abastança egoísta e mal distribuída.
 O jogo das bolsas e dos mercados pode colapsar de um dia para o outro e aqueles que organizaram a sua vida na segurança do dinheiro, poderão chegar brevemente a um tempo em que essa abastança artificial, esse jogo de dinheiro fazer dinheiro, deixe de funcionar. Não sei como vai ser nem quando, mas sei que vai ser. Brevemente.

 A Humanidade mergulhada nesta loucura está, contraditoriamente, a começar a perceber que este jogo já não lhe serve, que precisa de se reinventar. E para isso muito está a contribuir os jogos de abastança e penúria, criados artificialmente pelas forças económicas que manipulam o mundo.  Eles próprios estão a auto-destruir-se. E felizmente não são suficientemente inteligentes para o perceber.

Certamente, já não vou assistir a este salto quântico da humanidade, mas o importante é que ele se dê. O mais rápido possível.  Quanto mais tarde maior será o sofrimento.

Há quem diga que o Planeta vai expandir-se, crescer. Quanto a isso nada sei, a não ser o que tenho lido. O que sei é que os jovens portugueses que foram obrigados pelas circunstâncias internas do País a abandonar o País onde nasceram, e ainda que não tenham consciência disso, estão a levar ao mundo a riqueza e beleza da sua humanidade. E o jeito português de resolver situações, que só a profunda sabedoria que não se aprende nas escolas e que os portugueses têm, pode fazer encontrar soluções aparentemente simples, mas absolutamente inovadoras. É este o dom dos portugueses, que tem sido muitas vezes ignorado, que vai ajudar a transformar o Mundo.

Esta civilização, que se orgulha das suas elevadas proezas técnicas, abriu a Caixa de Pandora. Os tempos que se aproximam não serão nada fáceis a nível mundial. Recordo aqui uma notícia do jornal Expresso, de Janeiro passado, que afirmava que «cerca de 97% da superfície da camada de gelo que cobre a Gronelândia derreteu durante o mês de Julho do ano passado» E afirmava que: «este degelo foi o mais vasto de que há registo nos 30 anos de observações de satélite da ilha»,  conforme  o alerta divulgado pela NASA.

Naturalmente, um acontecimento como este acaba por ter reflexos no equilíbrio do Planeta. O mais evidente é que as águas subam e acabem por submergir terra possivelmente habitada, com as consequências previsíveis para o ser humano. Este é só um exemplo do que pode estar para vir e não é minha intenção apresentar um panorama catastrófico. Mas é da mais natural prudência que se modifique a nossa relação predatória com o planeta. Para já, os problemas têm acontecido no outro lado do mundo, mas até a Portugal já chegaram ventos ciclónicos, como não tinha ouvido na minha já assaz longa vida.

Já agora, uma última observação. Seria bom que os portugueses espalhados pelo mundo falassem Português sempre que as circunstâncias lho permitam. Porquê? Porque a ressonância da língua, que é música, tem o dom de se espalhar pelo espaço circundante e tocar a alma e sensibilidade dos que forem receptíveis. Sem intervir directamente, estarão a aumentar a vibração de outros seres humanos. E tudo no Mundo é Vibração. A Voz, o Ser Humano, o Vento, a Música que percorre o Universo e que, por enquanto, só alguns ouvem.
Desde os ventos ciclónicos de há semanas, pode ouvir-se, de noite, um som de uma única nota, que se repete. A substituir os carrilhões que faziam vibrar o ar noite dentro?


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PÁSSARO EM VOO ENTRE MAR E CÉU



É com alegria que registo aqui o facto de Portugal ter apresentado ao Comité Internacional da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, e Cultura, em Paris, a candidatura da Arrábida a Património Mundial da UNESCO.

Sabiam que, na Arrábida, sobrevivem plantas dos primórdios do planeta e que não existem em mais nenhum lugar? Os locais onde sobrevivem não são revelados para que os predadores não as destruam. E os predadores seriam os humanos que as comprometeriam com a sua curiosidade.

Tentei pintar, em 1990, o Convento da Arrábida. Para meu espanto, verifiquei que o convento assenta numa extensão de terra, que se assemelha a um pássaro em Voo, entre Mar e Céu.
Guardo há dezenas de anos um pequeno bloco de pedra que é, para mim, a imagem viva da Arrábida. Ainda tem musgo seco… Deu-mo o motorista do jornal onde eu trabalhava, que a encontrou no chão, numa altura em que fomos fazer uma reportagem do convento.

Falava-se então que o duque de Palmela o poderia vender a um grupo que pretenderia fazer ali uma pousada. Tenho a pretensão de pensar que o que escrevi então pesou na decisão de vender o convento e a área envolvente à Fundação Oriente. Mas creio que ainda lhe não está a ser dado o aproveitamento adequado…

 Que poderá ter a ver com esse voo entre Terra e Céu.



domingo, 27 de janeiro de 2013

Percurso pela Memória



CALAR OU FALAR NO TEMPO CERTO


         
Da minha infância guardo três visões. Continuam muito vivas em mim. Da primeira, creio que já falei. Foi uma verdadeira visão de criança.  Vi três peixinhos vermelhos a passar ou a passear nas escadas. Como era uma imagem fora de toda a lógica, creio que me assustei. Lembro-me de ter chorado convulsivamente e de não ter revelado o motivo do meu choro. Teria talvez cinco ou seis anos, não sei exactamente a idade, mas já sabia que os peixes não nadam no ar, quanto mais nas escadas.

A outra imagem que guardo da infância, com a mesma força e nitidez, é a da rainha Santa Isabel a descer de um pátio, onde havia um sino, por escadas estreitas, em caracol. No avental carregava pão ou rosas. Seria pão que se transformava em rosas ou rosas que se transformavam em pão. Acho que as escadas e o sino eram muito importantes. Embora eu tenha aprendido a ler aos cinco anos, não sei se esta imagem foi suscitada por qualquer livro ou imagem que eu tenha visto.

A terceira imagem, que ficou indelevelmente gravada em mim como a mais importante, foi a de um Homem/Deus, tão brilhante como o Sol, que conduzia uma quadriga. Um carro puxado por quatro cavalos. Um carro de duas rodas, mais belo e maior do que o das corridas romanas, embora fosse semelhante, que luzia como ouro e voava através dos ares. Sei que estava acordada e sei também que não o disse a ninguém. É a primeira vez que falo disso, sem me importar que digam que estou a inventar. Vi a carruagem do Deus Sol a voar pelos ares e, sim, já estava deitada, mas não estava a dormir.

Estes são os meus mais antigos segredos, que guardei porque sabia que não devia falar deles, para não dizerem que eu estava a inventar ou me chamarem mentirosa. Na altura não sabia que podiam pensar que eu, ou tinha uma grande imaginação, ou não regulava muito bem, e teria de consultar o psicólogo. Estas experiências, porém, só servem de testemunho do mundo onírico das crianças, que tocam outras realidades e muitas vezes se calam, com receio da incompreensão dos adultos. E um segredo que não desestabiliza a criança, ajuda a prepará-la para uma maior capacidade de compreensão de si próprio e dos outros na idade adulta.
 Aliás, sei que as crianças escondem muitas coisas dos adultos. Sabem o que não devem dizer ou a quem podem dizer. Um dia, uma criança de três anos contou-me uma história, demasiado elaborada para a sua idade. Ela era divorciada e tinha dois filhos. Um dia levou os filhos a passear de carro e deixou que o carro deslizasse e caísse no rio…

 Não havia nada à sua volta que pudesse originar esta história. Como não sabia que atitude tomar, calei-me e nunca mais lhe falei disso. Ainda tentei alertar os pais, que disseram que ela era uma miúda com grande imaginação. E tudo ficou por aí. Entretanto, os pais mudaram de casa e não voltei a saber da criança.
Hoje, actuaria de maneira diferente? Claro, mas tudo acontece como deve acontecer. Eu acredito nisso. A nós cabe-nos somente estar atentos e guardar no coração o que nos foi dito ou descobrimos, até ao momento certo. E acho ainda hoje que tudo aconteceu como devia ter acontecido.



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A QUASE AUSÊNCIA DE CRIANÇAS …


Só há pouco me apercebi de que quase não há crianças nos meus desenhos. Tudo se passa num mundo de adultos, empenhados em jogos de poder ou de uma provável sinalização de caminhos, faltando-lhes a alegria e a turbulência das crianças… Como foi que isso aconteceu? Há jogos de amor, sim, vejo isso em muitos desenhos, há o labirinto da Ordem Social, que se entrecruza e define ou aponta horizontes, há até liderança, mas quase não há crianças!... Como não dei por isso mais cedo? Onde ficaram as crianças?
Onde estão? Que horror seria este mundo de adultos sem o sorriso ou o choro de um bebé! Que horror se não tivéssemos ouvido a gargalhada dobrada de uma criança nos nossos braços ou as interrogações e dúvidas de um adolescente, a nosso lado, capaz de nos fazer repensar caminhos!

Andei a contar histórias de adultos, histórias que aconteceram, esquecendo o tempo em que esses adultos foram crianças, talvez felizes, talvez em choro, quem sabe se a esconder as lágrimas à noite na almofada?! Foi por isso que hoje decidi falar da infância e fazer um levantamento das crianças que desenhei.
 Poucas, muito poucas,apenas cinco…

Eu disse falar, mas será, sobretudo, mostrar, porque nada sei das três primeiras imagens. Mostro primeiro um desenho aprazível. A de uma mãe com o filho (ou filha) ao colo, sentado num curioso baloiço ovalado, porventura de madeira ou verga, que serviria para proteger dos xixis e para a mãe poder embalar o filho no colo. É a imagem de uma Senhora do castelo ou da cidade, feliz. Parece-me o instantâneo de um pequeno paraíso.


A segunda imagem é também a de uma maternidade feliz. Ou, porventura, duas faces de uma mesma vida, enquanto criança e já adulta, numa evolução seguida pela Terra e pelo Céu.


Esta é a imagem hierárquica do mundo das mulheres, em três fases: a jovem, a mãe e a matriarca, a grande mãe, que será neste caso a avó... É ela que aqui mantem o poder e assume todo o clã. As crianças lá se encontram espalhadas, protegidas…


Aqui pode ver-se Isabel de Aragão, levando nos braços o marido, a filha, que bem infeliz haveria de ser, e o povo que governava, numa maternidade abrangente.


Mostro, por fim, a filha do casamento de D. Manuel I com D.Leonor da Áustria, a Infanta D. Maria, em criança, a chorar junto ao rosto jovem de Camões. É uma imagem de infelicidade, com cães a uivar. D. Manuel tem no rosto, junto à testa, o retrato da mãe da Infanta D. Maria, a rainha D. Leonor da Áustria.



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AS CRIANÇAS ÍNDIGO


    Porque falei de crianças, quero evocar aqui hoje as crianças índigo, o futuro ainda embrião de uma Nova Ordem Social, de Uma Nova Terra.

São as crianças índigo, que trazem o futuro no ventre, que foram mandadas emigrar e estão a partir hoje para o mundo, mas rapidamente vão voltar. Elas têm a semente de um novo tempo dentro de si. Talvez precisem da experiência de outros horizontes para alargar a sua alma e dar forma ao impulso de renovação que, embora o não saibam ainda, têm dentro de si.

Esses jovens que partiram vão espalhar a sua energia por países que precisam ser renovados, para que todo o planeta se renove. Toda a ordem social se renove. Mas isto merece ser aprofundado. Fica para uma próxima vez.      



sábado, 12 de janeiro de 2013

O Fascínio das Grutas




VER O QUE IMAGINAMOS OU O QUE ESTÁ LÁ?


A realidade é o que é ou o que nela projectamos e queremos ver?  Este é o ponto de partida para a nossa conversa de hoje.

Há muitos anos deixei-me fascinar pelo Cromeleque dos Almendres. Lembro-me que, uma vez, talvez há mais de 15 anos, fui lá com o meu filho mais velho e a família. O meu neto, então com cinco ou seis anos, subiu para uma das rochas, onde o fui encontrar sentado na posição de lótus. O espanto desse dia foi verificar que o meu neto sabia reconhecer que aquele era um local sagrado.

 Foi, porém, na minha primeira ida ao cromoleque dos Almendres que descobri a Gruta do Escoural. É aí que hoje vos vou levar, a essa visita feita há mais de uma dúzia de anos e de que guardo uma incerteza, uma interrogação.

O lugar ainda era pouco conhecido. Havia um guarda, sim, que nos permitiu a entrada, mas não havia espaços de recepção, guias, nada. Era tudo ao natural. Aventurei-me com o repórter fotográfico para dentro da gruta. Eu tirei as minhas fotografias, ele as que achou possível que eu pudesse vir a precisar, mas são as minhas fotos que guardo e, pelo menos uma delas, me deixou sempre uma inquietação. Tanto que voltei lá, meses mais tarde para verificar se era realmente real o que eu tinha fotografado. E como então via muito o invisível, na altura não quis mostrar as minhas fotos a ninguém. E se eu via e ninguém mais conseguisse ver o que achava que estava lá?

Um dia, ao falar com outro fotógrafo, referi as imagens impossíveis que eu tinha captado, sem dizer o quê, e ele, que tinha experiência de grutas, disse-me que a realidade nas grutas era diferente e eu não perguntei mais, porque também não queria ir mais longe. Até porque não sabia se os outros veriam o que eu via na fotografia… Bem, o meu neto vê e isso dá-me a segurança de eu não estar a projectar ou a imaginar.


Aqui está. A formação da rocha faz uma espécie de altar branco azulado. Tem formação de rocha até ao chão, vêem? É uma formação muito bonita, parecem pregas na rocha, que sustem a pedra, a que chamei altar. Agora avancem até ao fundo dessa «pedra de altar», até à rocha que continua na vertical. Que vêem na junção das duas rochas? Eu vejo a cabeça de um homem com barba, morto, com um fato azulado, ali, no espaço entre o altar horizontal e a rocha vertical, entre as duas rochas.


Voltei lá logo que me foi possível. As primeiras fotos foram tiradas no Inverno, com a pedra húmida. Viva. Voltei lá no Verão, com a rocha seca, sem luminosidade. E sem a nitidez da primeira foto, o rosto do homem continuava lá. Comparem. É uma projecção ou é uma verdade? Seja como for, ainda que esse homem tenha sido sacrificado naquela pedra, isso foi já há tanto tantos séculos ou milénios, que não seria caso de polícia. É uma curiosidade, não um crime a denunciar.


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O GÉNIO DA GRUTA?




As grutas têm uma realidade fantasmática? Talvez, mas é porventura repetível, pelo menos na maior parte dos casos. O génio da gruta, que fotografei, não o vi da primeira vez e não sei se o voltarei jamais a ver.

Digamos, deixou-se ver em determinadas circunstâncias atmosféricas e pode ser simplesmente uma ilusão de óptica.  Não sei se, porventura, voltasse à Gruta do Escoural, eu poderia encontrar de novo o ângulo propício a fotografar esse rosto que ri, de boca aberta, a língua rosada, vendo-se na zona onde os dentes nunca existiram ou terão já existido e caíram. Um rosto de olhos franzidos, que observam com curiosidade a visitante, que talvez só se tivesse manifestado no momento em que a máquina fotográfica disparou e a luz se tornou cúmplice de uma imagem, que será porventura apenas imaginação, resultado do jogo de luz e sombras. Com existência real ou não, esse rosto deixou-se ver e mostro-o como coisa concreta, captada pela máquina fotográfica, ainda que tenha sido somente o resultado do jogo de luz e sombra…



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UMA AVE QUE TRANSFORMEI EM CAVALO


A imagem é a de uma ave pré-histórica fixada em pedra numa das paredes da gruta. Fotografei-a, mas, mais tarde, desenhei-a e pintei-a como cavalo alado. O cavalo que transporta os curandeiros pelos mundos invisíveis, em busca da cura para os seus doentes. Entretanto, esqueci-me de que me inspirara numa ave, até que a reencontrei entre as minhas recordações e é uma majestosa ave que, em tempos pré-históricos poderá ter exercido idêntica função.


A imaginação não tem limites. A realidade também a ela própria se pode recriar.



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ALGURES, NO ALENTEJO…


Nunca até hoje mostrei esta foto. É uma rocha perdida na planície do Alentejo e que não vou localizar. É um lugar muito especial. Fui lá levada por alguém da região, que quis mostrar esta rocha como uma formação especial.

Eu fazia parte de um grupo. E as pessoas iam subindo para a rocha, sem que nos fossem dada explicações específicas. Era uma rocha especial e isso bastava.

Subiram duas ou três pessoas antes de mim, até que chegou a minha vez. Subi e uma energia muito forte fez-se sentir no meu pescoço, a ponto de ter posto imediatamente a mão direita sobre o pescoço. Olho para trás. A senhora que vinha atrás de mim, também ela tinha a mão no pescoço.

Então verifiquei que, naquela pedra, a energia não subia do solo, mas descia directamente do céu. A pessoa que nos levou lá, embora porventura soubesse, não deu qualquer tipo de informação.

Nunca escrevi nada sobre esta pedra, nem falei dela a ninguém. Não sei porquê, como também não sei porque sou levada, precisamente agora, a falar dela e a mostrá-la.
Não preciso saber mais. Para mim está tudo bem.


E uma última recordação do cromeleque dos Almendres.  A desta rocha que tinha, no dia em que lá fui, uma formação que parece e quase é o mapa de Portugal. Creio que, entretanto, desapareceu. A partir de então não mais lá voltei.


Observação: a Natureza só se revela a quem se entrega…